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Arquivo da categoria: Era Digital

Google Tech Talk – Isaac Asimov: Interactive Fiction

 

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Historia Critica: dossier “historia digital”

Parabéns a todos da “Historia Critica” pela excelente e precisa publicação a cerca dos novos desafios para os historiadores do século XXI.

Acessem o volume digital para a leitura no ISSUU: http://issuu.com/rfaciso/docs/historia_critica_no._43 (em breve instalarei o plugin do issuu aqui no WordPress para facilitar).

 

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Para aqueles que estão pensando em reinventar o ofício do historiador

Jean-Philippe Genet, Andrea Zorzi (ORG) Les historiens et l’informatique : un métier à réinventer

Volume organizado por Jean-Philippe Genet e Andrea Zorzi.

Les historiens et l’informatique: un métier à réinventer (fr)

Ce colloque qui termine le programme ANR ATHIS (Ateliers Histoire et Informatique) emprunte son titre à Marc Bloch, maître autant que modèle et inspirateur pour les historiens du XXIe siècle. Plus de 35 ans après la tenue du premier colloque sur l’histoire et l’informatique tenu à l’École Française de Rome en 1975, il fait le bilan de six ateliers qui, réunis depuis 2006, se sont efforcés de faire le point sur les évolutions récentes de l’informatique et de leur impact sur le métier d’historien. C’est aussi un regard porté vers l’avenir, pointant, à partir de l’expérience acquise, les grandes lignes d’une évolution prévisible, afin d’inciter l’historien à tirer le meilleur profit de ces transformations pour réinventer sa pratique scientifique de chercheur et ses méthodes didactiques d’enseignant. Dépendant de ses sources et de sa capacité à les comprendre et à les interpréter, placé à la charnière des sciences humaines et des sciences sociales, l’historien doit en effet exploiter les opportunités que lui offre un outil informatique dont l’usage non informé n’est pas sans risque. Les problèmes abordés dans ce volume concernent le traitement des sources, qu’il s’agisse de l’édition critique ou de l’accès aux collections des bibliothèques et des archives, mais couvre aussi des domaines qui vont de l’archéologie et du développement de l’édition électronique à l’enseignement de l’histoire et aux marges disciplinaires de l’histoire, l’informatique favorisant les transferts de méthodes et de problématiques d’une science à l’autre (par exemple la linguistique, avec la textométrie, ou la géographie, avec la cartographie informatisée et l’analyse spatiale). Sont aussi abordés ici les apports – et les dangers – de l’internet et d’un Web 2.0 dont certains protagonistes vont jusqu’à proposer une « histoire sans les historiens ». D’une communication à l’autre, résonne la préoccupation majeure des historiens : comment pleinement utiliser l’informatique et ses prodigieuses ressources tout en préservant la liberté intellectuelle et la rigueur scientifique de l’historien, dans un univers où les contraintes, notamment économiques, pèsent d’un poids inconnu jusqu’ici.

Collection de l’École française de Rome 444
Rome: École française de Rome, 2011
350 p., ill.
ISBN:  978-2-7283-0904-7
Prezzo: € 60

 

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Dica de leitura: Cinco mitos sobre a idade da informação

Por Robert Darnton em 20/04/2011 na edição 638 do Observatório da Imprensa

A confusão em torno da natureza da chamada idade da informação levou a uma situação de falsa consciência coletiva. Não é culpa de ninguém, e sim, um problema de todos porque ao tentarmos nos orientar no ciberespaço, frequentemente apreendemos coisas de forma errada e esses equívocos se disseminam tão rapidamente que são incorrigíveis. Considerados em seu conjunto, constituem a origem de uma proverbial não-sabedoria. Cinco deles se destacam:

1. “O livro morreu.” Errado: são impressos a cada ano mais livros que no ano anterior. Até agora, foram publicados um milhão de novos títulos em 2011, no mundo inteiro. Na Grã-Bretanha, em um único dia – a “super quinta-feira”, 1º de outubro de 2010 – foram publicadas 800 novas obras. Em relação aos Estados Unidos, os números mais recentes só cobrem 2009 e não fazem distinção entre livros novos e novas edições de livros antigos. Mas o número total – 288.355 – sugere um mercado saudável e o crescimento em 2010 e 2011 provavelmente será muito maior. Além disso, estes números, fornecidos por Bowker, não incluem a explosão na produção de livros “não-tradicionais” – mais 764.448 títulos produzidos por edições dos próprios autores ou editados, a pedido, por microempresas. E o negócio de livros também está crescendo em países emergentes, como a China e o Brasil. Qualquer que seja a forma de avaliar, a população de livros está crescendo, não decrescendo e, com certeza, não está morrendo.

Deterioração dos textos digitais

2. “Entramos na idade da informação.” Este anúncio normalmente é entoado com solenidade, como se a informação não existisse em outras épocas. Mas toda era é uma era da informação, cada uma à sua maneira e de acordo com a mídia disponível nesse momento. Ninguém negaria que os modos de comunicação estão mudando rapidamente, talvez tão rapidamente quanto na época de Gutenberg, mas é um equívoco interpretar essa mudança como sem precedentes.

3. “Agora, toda a informação está disponível online.” O absurdo dessa afirmação é óbvio para quem quer que já tenha feito pesquisa em arquivos. Somente uma mínima fração do material arquivado já foi lido alguma vez, muito menos foi digitalizado. A maioria das decisões judiciais, assim como a legislação – tanto estadual, quanto federal –, nunca apareceu na web. A imensa divulgação de regulações e relatórios por órgãos públicos permanece, em grande parte, inacessível aos cidadãos a quem diz respeito. O Google avalia que existem no mundo 129.864.880 livros e afirma ter digitalizado 15 milhões deles – ou cerca de 12%. Como conseguirá preencher a lacuna se a produção continuar a se expandir a uma média de um milhão de novas obras por ano? E como será divulgada maciçamente, e online, a informação em formatos não-impressos?

Metade dos filmes realizados antes de 1940 sumiu. Qual o percentual do atual material audiovisual que sobreviverá, ainda que numa aparição fugaz, na web? Apesar dos esforços para preservar os milhões de mensagens trocadas por meio de blogs, e-mails e instrumentos manuais, a maior parte do fluxo diário de informação desaparece. Os textos digitais deterioram-se muito mais facilmente que as palavras impressas em papel. Brewster Kahle, o criador do Internet Archive, avaliava, em 1997, que a média de vida de uma URL era de 44 dias. Não só a maioria das informações não aparece online, como a maioria das informações que alguma vez apareceu provavelmente se perdeu.

Transição para a ecologia digital

4. “As bibliotecas são obsoletas.” Biblioteconomistas do país inteiro relatam que nunca tiveram tantos clientes. Em Harvard, nossas salas de leitura estão cheias. As 85 bibliotecas vinculadas ao sistema da Biblioteca Pública de Nova York estão abarrotadas de gente. As bibliotecas fornecem livros, vídeos e outro tipo de material, como sempre fizeram, mas também preenchem novas funções: acesso a informação para pequenas empresas, ajuda nos deveres de casa e atividades pós-escolares das crianças e informações sobre emprego para desempregados (o desaparecimento dos anúncios “precisa-se” nos jornais impressos tornou os serviços da biblioteca fundamentais para os desempregados).

Os biblioteconomistas atendem às necessidades de seus clientes de muitas maneiras novas, principalmente guiando-os através dos mistérios do ciberespaço para material digital relevante e confiável. As bibliotecas nunca foram armazéns de livros. Embora continuem a fornecer livros no futuro, também funcionarão como centros nervosos para a informação digitalizada – tanto em termos de vizinhança, quanto dos campi universitários.

5. ”O futuro é digital.” Relativamente verdadeiro, mas equivocado. Em 10, 20 ou 50 anos, o ambiente da informação será esmagadoramente digital, mas a predominância da comunicação eletrônica não significa que o material impresso deixe de ser importante. Pesquisa feita na História do Livro, disciplina relativamente recente, demonstrou que novos modos de comunicação não substituem os velhos – pelo menos no curto prazo. Na verdade, a publicação de manuscritos se expandiu após Gutenberg e continuou progredindo por três séculos. O rádio não destruiu o jornal, a televisão não matou o rádio e a internet não extinguiu a TV. Em cada caso, o ambiente de informação se tornou mais rico e mais complexo. É essa a experiência por que passamos nesta fase crucial de transição para uma ecologia predominantemente digital.

Leituras descontínuas

Menciono esses equívocos porque acho que eles atrapalham a compreensão das mudanças no ambiente da informação. Fazem com que as mudanças pareçam muito dramáticas. Apresentam as coisas fora de seu contexto histórico e em nítidos contrastes – antes e depois, e/ou, preto e branco. Uma visão mais sutil recusaria a noção comum de que livros velhos e e-books ocupam os extremos opostos e antagônicos num espectro tecnológico. Devia-se pensar em livros velhos e e-books como aliados, e não como inimigos. Para ilustrar esta afirmação, gostaria de fazer algumas breves observações sobre o mercado de livros – ler e escrever.

No ano passado, a venda de e-books (textos digitalizados criados para leitura manual) duplicou, respondendo por 10% das vendas no mercado de livros. Este ano, espera-se que atinjam 15%, ou mesmo 20%. Mas há indícios de que a venda de livros impressos também aumentou no mesmo período. O entusiasmo pelos e-books pode ter estimulado a leitura em geral e o mercado, como um todo, parece crescer. Novos leitores eletrônicos de livros, que operam como o ATM (protocolo de telecomunicações), reforçaram essa tendência. Um cliente entra numa livraria e solicita um texto digitalizado de um computador. O texto é baixado para o leitor eletrônico, impresso e entregue na forma de uma brochura em quatro minutos. Esta versão do serviço “impresso-por-pedido” mostra como o antiquado manuscrito pode ganhar vida nova com a adaptação à tecnologia eletrônica.

Muitos de nós nos preocupamos com a diminuição da leitura profunda, reflexiva, de ponta a ponta do livro. Deploramos a guinada para blogs, fragmentos de texto e tuítes. No caso da pesquisa, poderíamos reconhecer que os instrumentos de busca têm vantagens, mas nos recusamos a acreditar que eles possam conduzir ao tipo de compreensão que se adquire com o estudo contínuo de um livro.

Seria verdade, entretanto, que a leitura profunda diminuiu, ou mesmo que ela sempre tenha prevalecido? Estudos feitos por Kevin Sharpe, Lisa Jardine e Anthony Grafton provaram que os humanistas dos séculos 16 e 17 muitas vezes faziam leituras descontínuas, procurando passagens que poderiam ser usadas nas ácidas batalhas de retórica em juízo, ou pedaços de sabedoria que podiam ser copiados para livros banais e consultados fora de seu contexto.

Informação histórica

Em seus estudos sobre cultura entre pessoas comuns, Richard Hoggart e Michel de Certeau enfatizaram o aspecto positivo de uma leitura intermitente e em pequenas doses. Em sua opinião, cada leitor comum se apropria de livros (incluindo panfletos e romances de paixão) à sua maneira, induzindo-lhes o significado que faz sentido para sua compreensão. Longe de serem passivos, esses leitores, segundo Certeau, agem como “plagiadores”, pescando um significado daquilo a que têm acesso.

A situação da escrita parece tão ruim quanto a da leitura para aqueles que só veem o declínio, com o advento da internet. Um deles lamenta-se: os livros costumavam ser escritos para o leitor comum; agora, eles são escritos pelo leitor comum. É evidente que a internet estimulou a autopublicação, mas o que há de errado nisso? Muitos escritores, com coisas importantes a dizer, nunca haviam conseguido uma editora para publicá-los – e quem achar seu trabalho de pouco valor, pode simplesmente ignorá-lo.

A versão online das publicações pagas pelo autor pode contribuir para sobrecarregar as informações, mas os editores profissionais se sentirão aliviados com esse problema e continuarão fazendo o que sempre fizeram – selecionado, editando, diagramando e negociando as melhores obras. Terão que adaptar seus talentos à internet – mas já o fazem – e podem tirar vantagem das novas possibilidades oferecidas pela nova tecnologia.

Para citar um exemplo de minha experiência, recentemente escrevi um livro impresso com um suplemento eletrônico, Poetry and the Police: Communication Networks in Eighteenth-Century Paris (Harvard University Press). Descreve como as canções de rua mobilizaram a opinião pública numa sociedade amplamente analfabeta. A cada dia, os parisienses improvisavam novas letras para antigas melodias e as canções fluíam com tamanha força que precipitaram uma crise política em 1749. Mas como é que as melodias alteravam seu significado? Depois de localizar as anotações musicais de uma dúzia de canções, pedi a uma artista de cabaré, Hélène Delavault, para gravá-las para o suplemento eletrônico do livro. Assim, o leitor pode estudar o texto das canções no livro ao mesmo tempo em que as escuta online. O ingrediente eletrônico de um antigo manuscrito torna possível explorar uma nova dimensão do passado, capturando seus sons.

Poderiam ser citados outros exemplos de como a nova tecnologia reforça velhos modos de comunicação, ao invés de miná-los. Não pretendo minimizar as dificuldades que enfrentam escritores, editores e leitores, mas acredito que uma reflexão com base na informação histórica poderia eliminar os equívocos que nos impedem de usufruir ao máximo da “idade da informação” – se assim a devemos chamar.

 

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“No presente eletrônico o passado se dissolve” Ginzburg

Principais momentos da conferência do historiador, antropólogo e professor italiano Carlo Ginzburg no Fronteiras do Pensamento: História na Era Google.

Algumas palavras muito instigantes para os historiadores que estão se dedicando a pensar a relação da História com a Internet e mesmo para aqueles que ainda não perceberam a inescapabilidade de refletirmos, ao menos um pouco, sobre isso.

 

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Da escassez à abundância

Pode interessar a muitos leitores deste blog o texto que pego emprestado do Historia Digital (aliás,  este blog está entrando neste momento para o meu blogroll, sensacional, vale a leitura!).

Boa leitura, espero que lhes seja útil.

*por Jairo Antonio Melo FlórezHistoriador de la Universidad Industrial de Santander, Experto en eLearning 2.0 y estudiante de la Maestría en Historia de la UIS. Miembro del grupo de investigación Políticas, Sociabilidades y Representaciones Histórico Educativas.


De la escasez a la abundancia

Al igual que la historia evenemencial se centró en los acontecimientos notables de la historia para realizar sus estudios, la historia local se ha encerrado tanto en los archivos regionales y locales que se ha aislado del mismo contexto nacional. De cierta manera, se han creado dos bandos donde el primero se centra en las fuentes y parte de la información disponible para hacer sus relatos, muchas veces descriptivos por las mismas limitaciones analíticas que un estudio limitado de fuentes permite; en tanto un segundo grupo supera las angustias de la mera descripción con forzar la información disponible a caber dentro de modelos explicativos exitosos a nivel mundial, lo cual conduce ya no a la insuficiencia analítica sino a la elucubración y tergiversación de la fuente para ser acomodada al modelo.

Es imposible abordar la Historia digital sin pensar en la Historia Global, y pensar en la Historia Global para aquellos que estamos “entrenados” desde nuestra formación al abordaje detallado de una pequeña parte del mundo es algo bastante complejo. El ejercicio sin embargo es sumamente satisfactorio, ya que de hecho mentalmente conecta al historiador con la abrumadora red de relaciones que implica un asunto denominado la Web 2.0, la multiplicidad de lenguajes en el cual está representada esta historia, así como la vertiginosidad del cambio, la debilidad de la permanencia y la digitalización de la realidad material a la cual nos enfrentamos dentro de la globalización y la Internet.

Hugo Fazio Vengoa ha señalado que la Historia Global desplaza el laboratorio del historiador del archivo a la biblioteca[1], así mismo, la Historia digital desplaza el archivo del historiador de la biblioteca a la Web, lo cual hace que el laboratorio del historiador sea aún más vasto. La Historia digital es de hecho una Historia Global por depender necesariamente de un contexto globalizado, difícilmente se pueden hallar fronteras en una figuración donde incluso existe un idioma dominante, el inglés, y un formato único, la pantalla del ordenador, ya sea este de escritorio, portátil o móvil. Sin embargo, es de hecho una acumulación de historias locales que se enfrentan a lo global, al contrario de lo esperado, son las historias subalternas, las memorias ocultas y ocultadas, las que se han visto emerger en el marco de la Historia digital, antes que el dominio de un discurso proveniente de los Estados o de las compañías supranacionales[2].

El reto en este caso, es que se pasa de un contexto de escasez: el archivo regional, la biblioteca municipal, el archivo departamental… a un contexto de abundancia, donde ya el problema no es limitarse a un problema de investigación y a un abordaje descriptivo de la historia por las fuentes disponibles, sino el ahogarse en un mar de datos utilizando fuentes globales, multilingüísticas, multiculturales, donde la búsqueda de la información podría ser tan compleja que obligue al investigador a reducir sus aspiraciones y retornar a la escasez por falta de tiempo para investigar.

La heurística de fuentes en este caso se vuelve ya mucho más compleja, lo cual dependiendo del tipo de problema de investigación al cual se esté enfrentando puede implicar incluso recurrir a la minería de datos o a otro tipo de estrategias técnicas para hallar información relevante en la Web. En diciembre de 1995, William J. Turkle definió a la Web como “un archivo que está en constante cambio y tiene una eficacia infinita”[3], denominó a su proyectoDigital History Hacks, según él, inspirado por la concepción de Tim O’Reilly de Hackingquien habría utilizado el término de una manera positiva para denominar a aquellos “innovadores que exploran y experimentan, descubren atajos, crean herramientas útiles, y llegan a cosas divertidas por sí mismos.”[4] Según Turkle, los historiadores han encontrado y contribuido al diseño de algunas herramientas bastante eficientes para la recopilar la historia presente en la web, como es el ejemplo de Omeka, un Sistema de Manejo de Contenidos para el desarrollo de repositorios o bancos de memoria digital desarrollado por el Centro para la Historia y los Nuevos Medios (CHNM); pero no han desarrollado un sistema para hacer búsquedas históricas, ya no solamente en los repositorios y bancos de memoria digital, sino en el archivo infinito que representa la Web.

El señalamiento de Turkle es bastante coherente, más aún teniendo en cuenta que el debate por la conservación ha dejado de lado el debate por la búsqueda metodológica de fuentes, parte fundamental del oficio del historiador. Turkle, quien ha sido uno de los pocos historiadores que se ha enfocado en el problema de la búsqueda razonada de fuentes históricas en la web, ha encontrado en el método de la minería de datos una posibilidad de enfrentar el caos y permanente cambio de la información de la web, no sólo la acumulada en los repositorios digitales, sino además aquella que se produce y archiva autónomamente por la obra de servicios sociales o en alojamientos virtuales alquilados por usuarios particulares. La minería de datos no es un método que provenga de la historia, ni siquiera de las ciencias sociales, es un conjunto de técnicas que tienen como base la inteligencia artificial y el análisis estadístico, utilizada sobre todo por los estudios de mercado para las empresas[5]. Comprende dos extensiones importantes, la minería web y la minería de textos, con respecto a la primera extensión, esta tiene un dominio de extracción de conocimiento que interesaría a los historiadores, como sería la minería de contenido web, el cual es un proceso de extracción de conocimiento del contenido de documentos o sus descripciones[6]. La minería de textos se considera como una forma de la minería de datos que “permite la extracción de conocimiento de grandes repositorios de información, estructurada o no, en formato texto. El objetivo es… descubrir patrones de comportamiento no visibles y nuevo conocimiento dentro de una colección documental.”[7]

Antes que entrar a profundizar sobre esta técnica, lo que se quiere resaltar es la tendencia de los historiadores a acercarse cada vez más a la tecnología, a la informática específicamente y a la estadística, tal y como lo hicieron en tiempos pasados con la economía, la demografía y otras ciencias auxiliares en la clíometría. William Turkle es visto como “uno de los académicos más osados en este mundo de la historia digital[8]”, debido tal vez a que es uno de los que se acerca en mayor medida a la programación informática, tanto así que escribió junto con Adam Crymble y Alan MacEachern, un hipertexto llamado The programing historian, algo así como “El historiador programador”. En este hipertexto de acceso abierto, Turkle, Crymble y MacEachern, animan a los historiadores a iniciar la adquisición de competencias para programar en lenguaje Python, aunque se parte del presupuesto de que el historiador que se acerca al hipertexto no tiene conocimientos previos respecto a la programación y tiene solamente un manejo funcional de los ordenadores y la Internet. La idea del libro es que el historiador aprenda a programar y a manejar herramientas de acceso libre y código abierto como Zotero, Firefox y Smile, mientras realiza su trabajo de investigación, pero que además, contribuya al hipertexto para mejorarlo, de una manera muy similar a como se construye el software libre[9].

Es difícil ver a un Darnton o a un Chartier tratando de programar en Python mientras realizan sus estudios de historia de la cultura, pero sería difícil abordar un trabajo sobre la historia de la cultura digital sin utilizar por lo menos algunas herramientas propias de la web y de la informática. Hace poco menos de dos décadas, los historiadores pasaron de manera lenta y renuente a utilizar procesadores de texto y tablas de datos para su oficio, poco a poco, el ordenador y el software se ha convertido en una herramienta fundamental en el procesamiento de la información histórica, así mismo, se ha desarrollado software que sirve de manera muy específica para el trabajo del humanista en general, como Atlass-Ti o Nvivo, pero tal vez en muy pocas ocasiones, los historiadores están tan pendientes de generar desarrollos tecnológicos donde ellos mismos formen parte del diseño e implementación de proyectos de base tecnológica, como es el caso del software y los sistemas de manejo de contenidos en la web. En definitiva, es clara una cosa, en el archivo infinito donde estamos inmersos con un solo clic difícilmente podremos investigar armados solamente de un lápiz y un papel.

Continuamente se concretan nuevos proyectos de digitalización y publicación de fuentes, en febrero de este año la Biblioteca Nacional de Colombia “incursionó en la era digital”, y aunque es mejor tarde que nunca, esto permitirá poner en común la documentación como periódicos, mapas, planos y libros históricos, con lo cual “en adelante su acervo bibliográfico y documental podrá estar a disposición no sólo de los colombianos, sino de toda persona que pueda acceder a internet en cualquier lugar del mundo.”[10] El periódico El Tiempo se vinculó al proyecto de Google News Archive, donde están disponibles de manera digital los periódicos desde el número 4 (2 de febrero de 1911) hasta marzo de 2007, aun cuando los últimos años tienen deficiencias en su digitalización, y pueden ser consultados, simulando un lector de microfilms, directamente en un espacio de la versión en línea del periódico[11].

Muchos recordamos hace diez años cuando la biblioteca Luis Ángel Arango puso a disposición su biblioteca virtual, al mejor estilo de la biblioteca virtual Cervantes, en ese momento eran las mejores posibilidades para acceder a recursos bibliográficos en línea, hoy en día el proceso es algo más complejo. Por ejemplo, si se estuviese realizando una investigación relacionada con el Canal de Panamá entre 1889 y 1914, desde el fracaso de la compañía de Lesseps hasta el primer viaje a través del Canal, sería interesante tener a disposición algunos artículos de prensa mundiales relacionados con el asunto, y para ello se deberá afinar la búsqueda mediante las herramientas avanzadas que permiten discriminar fechas, idioma, fuente e incluso precio; para luego navegar por la línea de tiempo y escoger de que mes y año se desean consultar las noticias. Siguiendo con el ejemplo, es posible acceder a noticias relacionadas con el fracaso de la compañía de Lesseps del New York Times[12], o del diario australiano The Age[13], a la revuelta de “negros” por la reducción de los salarios de enero de 1889 señalados en un cable del Evening Post de Nueva Zelanda[14] y comparar esta noticia con otra producida por el New York Times[15], y así sucesivamente es posible realizar una investigación exhaustiva tan sólo con cables internacionales.

Sin embargo, no se puede caer en el entusiasmo tecnológico, varios inconvenientes se deben tener presentes, siendo el primordial la cuestión del idioma. Según el Internet World Stats, el idioma predominante en la Web es el inglés, seguido de cerca por el Chino y de lejos por los demás idiomas encabezados por el castellano[16]. Así, cuando se cambia de idioma en la búsqueda los resultados comienzan a ser nulos o poco relevantes, en francés, por ejemplo, la búsqueda por noticias relacionadas con el Canal de Panamá se remontan tan sólo a 1910, dos de los cuales provienen del periódico L’abeille de la Nouvelle-Orleans, una publicación en francés publicada en la ciudad de Nueva Orleans de 1827 hasta 1923, otra noticia de Le Canada, y una última de 1914 La Justice de Biddeford, estos dos últimos, periódicos canadienses. Una situación similar se presenta con el castellano, donde dominan las noticias provenientes del periódico El Tiempo, con excepción de una nota editorial del “Correo Español”, periódico de la colonia española en México, y otra del “Diario del Hogar”, también de México, los cuales son opiniones antiyankees que incluyen al Canal dentro de sus argumentos.

Viendo lo anterior, es claro que aún las fuentes digitalizadas en estos servicios está limitada en buena medida al idioma inglés, pero así mismo, se relaciona fuertemente con el “anglocentrismo”, ya que la mayoría de los periódicos son de origen norteamericano y de la Commonwealth, al explorar por otras fuentes en contextos diferentes los recursos se vuelven más limitados.

El historiador entonces debe explorar más allá de Google, que a veces pareciera la única herramienta disponible en la Web, y revisar proyectos específicos como el Internet Archive, que al disponer de colecciones provenientes de bibliotecas norteamericanas, remite a una buena cantidad de libros mundiales en varios idiomas, así como el Proyecto del Millón de Libros (que por el momento va por cien mil títulos), entre otras colecciones que en total suman más de dos millones de libros. Si se tiene en cuenta que la biblioteca del Congreso de Estados Unidos alberga más de 32 millones de libros catalogados es claro que la digitalización de libros está lejos de equiparar a las bibliotecas tradicionales.

En el año 2003, Roy Rosenzweig decía que “los historiadores deben estar pensando al mismo tiempo sobre cómo investigar, escribir y enseñar en un mundo de insólita abundancia histórica y la forma de evitar un futuro de escasez de registro.”[17] Aún a pesar de las dificultades presentadas anteriormente, cada vez la historia de la segunda mitad del siglo XX en adelante especialmente se complementa con un mayor número de fuentes de todo tipo, no sólo los tradicionales periódicos y libros, así mismo, documentación fílmica, no sólo a través de los archivos fílmicos como el Moving Image Archive, sino a través de medios como Youtube, donde cada vez se encuentran más aportes tanto de instituciones como de colaboradores espontáneos; The Commons es un proyecto de la Biblioteca del Congreso de Estados Unidos y Flickr donde se encuentran disponibles un número permanentemente creciente de fotografías históricas de todo el mundo alimentadas por instituciones y usuarios.


[1] Hugo Fazio Vengoa, “La historia global y su conveniencia para el estudio del pasado y del presente”, Historia Crítica Edición Especial, (2009): 313.

[2] Hugo Fazio Vengoa, “La historia global”, 318.

[3] William Turkle, “Digital History Hacks” entrada en el blog Digital History Hacks (2005 – 08) Methodology for the Infinite Archive, (18 de diciembre de 2005), http://digitalhistoryhacks.blogspot.com/2005/12/digital-history-hacks.html, (fecha de consulta 25 de octubre de 2010)

[4] O’Reilly Media, “Hacks, a clever solution to an interesting problem”, http://oreilly.com/hacks/, (fecha de consulta 25 de octubre de 2010)

[5] Luis Paulo Vieira Braga, Luis Iván Ortiz Valencia y Santiago Segundo Ramírez Carvajal,Introducción a la minería de datos (Rio de Janeiro: E-papers, 2009): 11 – 12.

[6] Anthony Scime (ed) Web mining: applications and techniques (Londres: Idea, 2005): vi.

[7] Fermín Ezquer Matallana y José Manuel Castellano Delgado, B2S “Big to Small” (Oleiros: Netbiblo, 2010): 22

[8] Anaclet Pons, “Los retos de la historia digital” entrada de blog Clionauta: blog de historia. Noticias sobre la disciplina (Anaclet Pons), (3 de diciembre de 2008), http://clionauta.wordpress.com/2008/12/03/los-retos-de-la-historia-digital/, (fecha de consulta 25 de octubre de 2010)

[9] William Turkle, Adam Crymble y Alan MacEachern, The programing historian (NiCHE: Network in Canadian History & Environment, 2a edición, 2009), http://niche-canada.org/programming-historian/1ed/about, (fecha de consulta 25 de octubre de 2010)

[10] “Con sofisticados equipos, únicos en América del Sur, la Biblioteca Nacional de Colombia incursiona en la era digital” http://www.bibliotecanacional.gov.co/index.php?idcategoria=39859

[11] http://www.eltiempo.com/seccion_archivo/index.php

[12] “The Panama Canal” The New York Times, 8 de enero de 1889, disponible online en http://cort.as/0d3c

[13] “The Panama Canal. An English Criticism” The Age, Melbourne, 7 de enero de 1889, p. 5, disponible online en http://cort.as/0d3e

[14] “The Panama Canal. A completion estimate.” Evening Post, Wellington, Volumen XXXVII, Número 23, 28 de enero 1889, p. 2, disponible en http://cort.as/0d3j

[15] “The Panama Canal Strike. But three men hurt during the temporary suspension of work.” The New York Times, 26 de enero de 1889, disponible en http://cort.as/0d3n

[16] Internet World Stats, “Internet World Users by Language”, Junio 30 de 2010, disponible en http://www.internetworldstats.com/stats7.htm

[17] Roy Rosenzweig, Clio wired: the future of past in the digital age. (New York: Columbia University Press, 2011) 6

 

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O que significa “born digital”?

Achei interessantíssima o percurso da historiadora Ricky Erway para tecer uma (tentativa de) definição do que é o “born digital”, expressão muito em voga hoje nos testos textos sobre historiografia digital, sobre a qual ainda não há muito consenso.

Primeiro assista este vídeo:

Agora veja as conclusões a que chegou a historiadora: Defining ‘Born Digital’

 
3 Comments

Publicado por em 21 dezembro, 10 em Digital History, Era Digital, Mídia

 

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H-SEnet

Vale a pena conhecer este projeto:

http://h-senet.blogspot.com/

Descrição: Como resultado da pesquisa desenvolvida no âmbito do Programa de Bolsa de Iniciação Científica (PIBIC) da UFS, com o financiamento do CNPq, a equipe formada pelo professor Antônio Fernando de Araújo Sá e pela estudante de graduação Elidiana do Vale apresenta os primeiros resultados da pesquisa A INTERNET E A OFICINA DE HISTóRIA, com a divulgação do blog sobre temas relacionados à história de Sergipe. Pautado no diálogo entre a história regional e a cibercultura, nosso projeto discute a importância da historiografia digital para a formação do historiador do século XXI, trazendo questões relevantes para se pensar a História em Sergipe.

Depois não me digam que a relação entre a história e a internet é uma coisa de outro mundo. ;)

 

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Cibercultura e História (?)

Dica da Adriana Amaral, vale a pena conferir:

Cibercultura e História (?), post original no blog Carpintaria das Coisas

Este texto tem uma dupla finalidade. Por um lado, trata-se de ajudar o autor a alinhavar algumas idéias caso sua proposta de apresentação seja aceita no GT “comunicação e Cibercultura” do próximo encontro da Compós.  Por outro, pretende-se oferecer aos três leitores do blog a oportunidade de uma espiada indiscreta nos complexos e abstrusos abismos da interioridade mental deste que aqui escreve.  Serve, assim, como uma espécie de cautionary tale: “viram como ele raciocina?  Agora façam exatamente o contrário, para seu próprio bem!”  Na academia, no fim das contas, a única coisa que vale a pena é a honestidade intelectual.  Se não podemos dizer o que pensamos e do jeito que queremos não vela a pena seguir em frente. Então vamos lá:

Se para Baudrillard, o “crime perfeito” é a subtração do real pelo seu duplo midiático (sem que ninguém se dê conta ou se preocupe com isso), devemos à cibercultura a segunda ofensa mais bem perpetrada: o seqüestro da história nos discursos da novidade radical que povoam os trabalhos de divulgação sobre as “novas” tecnologias.  Sim, essa nobre e idosa senhora foi abduzida sem que sequer tivéssemos o direito de pagar seu resgate.  Em certo sentido, paradoxalmente, poderíamos dizer que tal subtração do histórico faz parte da dinâmica interna da própria história da mídia.  Em outras palavras, desde pelo menos o alvorecer da modernidade, é característico do processo da inovação e transformação tecnológica uma política de terra arrasada em relação ao passado.  A permanência (e “renovação”) do novo implica certo mecanismo de permanente amnésia intencional.  Mas teríamos de falar ainda em um segundo nível desse seqüestro, agora na esfera dos discursos.  Se os meios estão sempre “remediando” as mídias anteriores, como querem Bolter e Grusin, estão também assimilando-as segundo uma lógica que freqüentemente nos impede inclusive de enxergar o antigo no novo.  E as apreensões teóricas e populares a respeito dessa vida dos meios não fazem mais que duplicar – e amplificar – tal procedimento.  É um pouco como os Borg costumam fazer com as outras formas de vida no seriado Star Trek: Next Generation: “we will add the biological and technological distinctiveness of your species to our own” (não é curioso que essa retomada da franquia tenha as palavras “próxima geração” acrescentadas ao título?  Adriana, valeu pela lembrança dessa maravilhosa frase dos Borg!).  E isso a tal ponto que já não se possa identificar o que existe de “alienígena” no coletivo Borg. Sem dúvida que essa abdução da história é muito mais dramática no campo da literatura de divulgação.  Vejamos alguns exemplos dessa retórica em títulos de obras recentes:

“YouTube e a Revolução Digital: como o maior Fenômeno da Cultura Participativa está transformando a Mídia e a Sociedade”; “Socialnomics: como as Mídias Sociais transformam nossas Vidas e a Forma como fazemos Negócios”; “Wikinomics: como a Colaboração de Massa muda Tudo”.

Certo, trata-se de casos extremos, mas eles são sintomáticos.  Não se fala deste ou daquele domínio específicos que as novas mídias irão revolucionar.  Fala-se do universo inteiro.  A colaboração de massa “muda tudo”!  O passado já não existe quando não sobre nenhum resto para observarmos.  Como diria (como disse) Benjamin, um impiedoso vento sopra intermitentemente empurrando o Anjo da história em direção a um futuro inexorável, a um progresso implacável.  Não é possível voltar atrás, não é possível virar o rosto para as ruínas abandonadas às nossas costas.

Mas o que especificamente fascina nessa retórica? A combinação de um discurso prescritivo e “didático” com o radical esquecimento da história.  O leitor desses manuais deve ser levado a crer piamente que o YouTube irá virar o universo de ponta-cabeça sem jamais correr o risco de desaparecer numa nuvem de fumaça, como sucedeu com o Second Life, por exemplo.  Ah, triste destino do pesquisador da cibercultura que escolha com tanta paixão seu objeto, apenas para assistir à sua desintegração radical alguns poucos anos depois!  O que mais me exaspera nesses títulos é a repetição do “como”, que poderíamos traduzir, não sem uma ponta de ironia, claro, do seguinte modo: “pobre leitor inconsciente das vastíssimas conseqüências da revolução digital: permita que nós, sábios compiladores de manuais e marketeiros de plantão, iluminemos sua ignorância com nossos profundos insights”.  Nesse sentido, a repetição do “como” nos permitiria elaborar ainda outro tratado para a cultura digital: “como escrever títulos bombásticos para livros sobre as novas mídias”.

Espero que o leitor perdoe a acidez talvez algo exagerada das linhas acima.  Como apaixonado pelo maravilhoso mundo novo das tecnologias e das mídias, não desejo ser confundido com um apocalíptico ou moralista nos moldes de Andrew Keen (sobre meu emocionante embate com Andrew Keen no Twitter semana passada estarei escrevendo aqui em breve!).  O que proponho, no fim das contas, é simplesmente devolver à cibercultura aquilo que lhe foi roubado tanto no campo das apreensões populares quanto dos juízos críticos: a densidade histórica e temporal.  A bem da verdade, é preciso reconhecer que nos últimos anos têm se multiplicado exponencialmente as obras que exploram com competência a história da mídia e recuperam arqueologicamente os cenários tecno-culturais do passado.  E é precisamente a respeito desse interesse recente pela dimensão história das dinâmicas tecnológicas que pretendo falar na Compós.  Para ser mais específico, o objetivo, bem modesto, é apresentar um panorama do pensamento de matriz alemã, cujo traço mais singular é provavelmente essa sensibilidade ao tema da história e aos procedimentos arqueológicos.  Em alguns desses autores, inclusive, já nem se trata exatamente de uma “arqueologia”, mas sim de sugerir uma “(an)arqueologia” da mídia, buscando o novo no antigo em vez de procurar o antigo no novo (Zielinski).  Essa proposta interessantíssima consiste, no fundo, em encontrar momentos passados que possam ser colocados num estado de tensão criativa com o presente.  Em última instância, acredito que essa atenção ao histórico nos permitirá adquirir um distanciamento importante em relação ao presente, deixando para trás o que talvez seja, ainda, a infância da cibercultura.  E que criança chorona ela é…

 

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Internet e história do tempo presente

Dica de leitura: Internet e história do tempo presente: estratégias de mémória e mitologias políticas*, por Denis Rolland**

A história tem uma vocação política ou, diríamos hoje, cívica. Mas todos os autores estão conscientes disto? Percebem eles, na sua justa medida, as questões envolvidas em sua publicação, sobretudo quando virtual – e, pois, doravante, freqüentemente sem filtro exterior, editorial, ideológico, econômico? A “socialização” está, além disto, inteiramente descontrolada, “selvagem”, sem a mediação da compra, do empréstimo ou da reprodução do livro ou da revista…

As instituições têm uma memória, e uma memória que tem uma relação muito variável com a história do tempo presente.

Há uma fonte nova, ainda pouco estudada, em rapidíssima expansão, totalmente inscrita no tempo presente e que deu ensejo a muito poucos exames críticos: a internet. Ora, a internet propõe história, apresentada com ou sem entusiasmo, com escalas históricas muito variadas, tempo longo ou muito curto: uma história que assume freqüentemente a forma de narrativas, recuperadas a partir de fontes – próximas ou longínquas – de reelaborações ou reconstruções mais ou menos coerentes… Mas esta história de costuras invisíveis, amiúde (embora nem sempre) desajeitada ou sumária, quando se trata de sites elaborados por particulares, é, de bom grado, quando se trata de sites mais oficiais, repleta de dissimulações, de amnésia – construtiva ou de mal-estar: história, compreende-se, de quantidade e qualidade muito variáveis.

O problema é que o espírito crítico do leitor não está, atualmente, à falta de limites conhecidos (geralmente, a única classificação disponível na rede é a da freqüência), em condições de funcionar para a internet da mesma maneira que para um livro ou uma revista: lendo-se, no Brasil ou na França, uma revista de grande divulgação, como História1, o leitor informado sabe que não lê uma revista científica como Tempo, no Brasil, ou Annales, Genèse ou Matériaux pour l’histoire de notre temps, na França. A internet apresenta um discurso muito indiferenciado e cujo nível de credibilidade científica é, muitas vezes, desconhecido. Assim, a extraordinária transparência da “tela” mascara, com freqüência, a opacidade de suas origens e o anonimato de seus criadores ou autores. Pois o escrito “virtual”, raramente assinado, oferece, amiúde, para os consumidores, sem que o internauta o saiba, uma história sem historiador. Ao contrário da produção impressa, para a qual se dispõe de instrumentos de discriminação (bibliografias, resenhas críticas, reputação científica…), para a “rede” não existem hoje senão muito poucos meios para avaliar a qualidade do que nela se oferece; e as “sitegrafias” não são numerosas nem muito confiáveis. Há, além disto, um agravante: a virtualidade da informação conduz facilmente a uma falta de distanciamento; em função de uma relação mais distante com fontes mais diversificadas, a informação que chega às telas é julgada e utilizada a priori por estudantes e jovens pesquisadores com menos filtros críticos ainda do que a informação impressa. De certo modo, a magia da acessibilidade de dados distantes, somada à juventude do meio de informação, prejudica em parte o olhar potencialmente crítico.

Tratar-se-á neste trabalho de um exemplo particularmente elucidativo da imensa variedade qualitativa desta cacofonia informativa, concebida com parâmetros e objetivos muito diversos, mas raramente anódinos: a relação com a história das instituições do Estado. Em todo o planeta, os Ministérios das Relações Exteriores equiparam-se com sites de internet, concebidos ao mesmo tempo como instrumentos práticos e como vitrines. A experiência comprova que serão, doravante, utilizados com maior freqüência como fonte de informação e documentação por estudantes e amantes de história ou relações internacionais. Estruturas de Estado, inscritas no longo prazo, por definição muito visíveis desde o exterior e conscientes do papel que desempenham na difusão de uma imagem nacional, estes ministérios, atores, entre outros, no âmbito das relações internacionais, têm uma forte ligação com a história do país, por via da história das relações diplomáticas (por muito tempo confundida com a história das relações internacionais).

Nem todos os Estados possuem sites ministeriais: muitos Ministérios de Relações Exteriores de países pouco desenvolvidos não os têm, muitas vezes por razões de pobreza, como a maior parte dos países africanos e o Paraguai; no caso de Cuba, a explicação para esta ausência é, sem dúvida alguma, mais complexa. Contudo, para se “navegar” pelos sites existentes dos ministérios encarregados das relações internacionais, impõe-se uma constatação: nos países desenvolvidos ou em vias de industrialização, a relação com a história, quando existe, não é vinculada à estrutura ministerial; parece bem mais ligada à vontade de seus responsáveis nacionais de mostrar ou não, total ou parcialmente, a história nacional. A construção de um site na internet é, geralmente, o resultado de uma agenda de tarefas bem definidas: então, a decisão de recorrer ou não à história parece ter sentido; ela tem a ver, notadamente, com uma representação que os governantes dos países desejam oferecer de si mesmos, numa certa concepção ou escala da potência nacional.

* Este trabalho é o resultado de pesquisas na internet, realizadas durante o segundo semestre de 2001 e apenas reflete a situação destes sites nesta data.

** Universidade Robert Schuman, IEP Institut Universitaire de France Pesquisador Associado ao CHEVS, FNSP Diretor de Estudos, Institut d’Etudes Politiques, Paris.

>> O texto contínua aqui [PDF disponível].

>> Fonte: Revista Tempo do Departamento de História da UFF.

DInternet e história do tempo
presente: estratégias de mémória e
mitologias políticas *
Denis Rolland**
 
 
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