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Arquivo da categoria: Historiografia

Historia Critica: dossier “historia digital”

Parabéns a todos da “Historia Critica” pela excelente e precisa publicação a cerca dos novos desafios para os historiadores do século XXI.

Acessem o volume digital para a leitura no ISSUU: http://issuu.com/rfaciso/docs/historia_critica_no._43 (em breve instalarei o plugin do issuu aqui no WordPress para facilitar).

 

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Para aqueles que estão pensando em reinventar o ofício do historiador

Jean-Philippe Genet, Andrea Zorzi (ORG) Les historiens et l’informatique : un métier à réinventer

Volume organizado por Jean-Philippe Genet e Andrea Zorzi.

Les historiens et l’informatique: un métier à réinventer (fr)

Ce colloque qui termine le programme ANR ATHIS (Ateliers Histoire et Informatique) emprunte son titre à Marc Bloch, maître autant que modèle et inspirateur pour les historiens du XXIe siècle. Plus de 35 ans après la tenue du premier colloque sur l’histoire et l’informatique tenu à l’École Française de Rome en 1975, il fait le bilan de six ateliers qui, réunis depuis 2006, se sont efforcés de faire le point sur les évolutions récentes de l’informatique et de leur impact sur le métier d’historien. C’est aussi un regard porté vers l’avenir, pointant, à partir de l’expérience acquise, les grandes lignes d’une évolution prévisible, afin d’inciter l’historien à tirer le meilleur profit de ces transformations pour réinventer sa pratique scientifique de chercheur et ses méthodes didactiques d’enseignant. Dépendant de ses sources et de sa capacité à les comprendre et à les interpréter, placé à la charnière des sciences humaines et des sciences sociales, l’historien doit en effet exploiter les opportunités que lui offre un outil informatique dont l’usage non informé n’est pas sans risque. Les problèmes abordés dans ce volume concernent le traitement des sources, qu’il s’agisse de l’édition critique ou de l’accès aux collections des bibliothèques et des archives, mais couvre aussi des domaines qui vont de l’archéologie et du développement de l’édition électronique à l’enseignement de l’histoire et aux marges disciplinaires de l’histoire, l’informatique favorisant les transferts de méthodes et de problématiques d’une science à l’autre (par exemple la linguistique, avec la textométrie, ou la géographie, avec la cartographie informatisée et l’analyse spatiale). Sont aussi abordés ici les apports – et les dangers – de l’internet et d’un Web 2.0 dont certains protagonistes vont jusqu’à proposer une « histoire sans les historiens ». D’une communication à l’autre, résonne la préoccupation majeure des historiens : comment pleinement utiliser l’informatique et ses prodigieuses ressources tout en préservant la liberté intellectuelle et la rigueur scientifique de l’historien, dans un univers où les contraintes, notamment économiques, pèsent d’un poids inconnu jusqu’ici.

Collection de l’École française de Rome 444
Rome: École française de Rome, 2011
350 p., ill.
ISBN:  978-2-7283-0904-7
Prezzo: € 60

 

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Admirável campo novo: o profissional de história e a Internet

Estou republicando este curadíssimo artigo do Prof. Dr. Antônio Fernando de Araújo Sá (afsa@ufs.br), do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe (pesquisador envolvido no H-SEnet, do post anterior).

O artigo passa por questões como a aceleração do tempo, a desterritorialização, o problema da conservação dos arquivos digitais e muitos outros questionamentos indispensáveis para quem se propõe a pensar na historiografia digital e a reverberação das mudanças que os novas tecnologias têm na sociedade, como por exemplo a avaliação dos sites dedicados a temas históricos. Como fazê-lo?

Segue texto na íntegra, inclusive as notas bibliográficas, muito ricas.

Admirável campo novo: o profissional de história e a Internet1

Fonte: Laboratório de Estudos do Tempo Presente

Ao longo das últimas décadas, a difusão massiva de computadores pessoais impôs aos profissionais de história o convívio com as pesquisas em rede ou a utilização de softwares para criação de banco de dados on-line, seja de imagens ou de estatísticas. Novas questões foram postas ao nosso ofício, destacando-se qual o papel das novas mídias tecnológicas nas mudanças da natureza da prática histórica, bem como sua repercussão no processo de ensino-aprendizagem em História.

Para início de conversa, as revoluções científicas, com suas vertiginosas descobertas, e os meios de comunicação com sua avalanche de acontecimentos cotidianos trouxeram uma nova percepção do tempo presente, provocando, ao mesmo tempo, uma aproximação da experiência do presente com o cidadão comum. Deste modo, a velocidade passou a redefinir o cenário cultural desde o final dos anos oitenta, transformando o sentido do tempo, marcado pelo instantâneo, o imediato, o encurtamento da espera. Essa aceleração também afeta a memória e a lembrança, tornando a memória em tema social, em que se busca a recuperação das memórias culturais, da construção de identidades perdidas ou imaginadas, da narração de versões e leituras do passado. Assim, o “presente, ameaçado pelo desgaste da aceleração, converte-se, enquanto transcorre, em matéria da memória” (SARLO, 2005: 95-96).

Como assinala Beatriz Sarlo, em tempos marcadamente contraditórios, “trabalha-se para que as coisas e as imagens envelheçam e, ao mesmo tempo, para conservá-las como signos de identidade em um mundo unificado pela Internet e pelos satélites”, no qual “as culturas definem cada vez com mais força aquilo que as diferencia, remetendo a passados tão construídos como as imagens do nosso presente” (SARLO, 2005: 96).O protagonismo da mídia na sociedade contemporânea é destacado por diversos autores, dentre os quais destacamos Muniz Sodré, que afirma que “a mídia torna-se progressivamente o lugar por excelência da produção social do sentido, modificando a ontologia tradicional dos fatos sociais”. Para ele, é a mídia (jornais, rádio, televisão, TV a cabo, Internet etc.) um dos principais espaços de produção histórica, introduzindo novas práticas de linguagem, novos ambientes culturais, novas relações de poder e parindo uma nova concepção de história (SODRÉ, 1996: 27-28).

Dentre esses espaços de produção histórica, o espaço cibernético é um fenômeno tão significativo para o homem contemporâneo que “suas manifestações culturais peculiares constituem-se em um novo e importante objeto de investigação acadêmica” (SILVA, 2007). Manuel Castells chega a afirmar que a “Internet é o tecido de nossas vidas”. Seu ponto de partida de reflexão é que a sociedade em geral transforma a tecnologia, apropriando-a, modificando-a, experimentando-a. Assim, essa tecnologia de comunicação explicita tendências contraditórias presentes no mundo atual, especialmente no que se refere à questão da memória (CASTELLS, 2003).

A aproximação entre a cibercultura, entendida como “um conjunto de técnicas (material e intelectual), de práticas, atitudes, pensamento e valores que definem o ciberespaço” (LEVY, 1999: p. 17), com a História pode ser percebida, de um lado, na multiplicação de sites que estão relacionados à produção de memórias sociais, ao mesmo tempo em se vive um vertiginoso crescimento do interesse pelo passado em um cotidiano individual marcado pelo registro em imagens (fotos e vídeos) e textos (blogs e páginas pessoais na internet) (DANTAS, 2005).

De outro, na forma que a própria noção de memória adquiriu, nos sistemas de comunicação e de informação, um sentido determinante. Como afirmou Jeudy, a “memória é operacional, participando tanto da estocagem da informação quanto de seu tratamento”, o que implica que essa “função lógica das memórias eletrônicas não deixa de incidir sobre a metáfora da memória. E a ordem reticular é também uma ordem de gestão de todas essas memórias eletrônicas que permitem seu funcionamento” (JEUDY, 1990: p. 88).

Não podemos esquecer também que as novas tecnologias podem viabilizar o sonho da existência de uma grande memória virtual que, à semelhança da utópica Enciclopédia, possa reter todos os conhecimentos e informações produzidas pelo espírito humano em todas as épocas. Contudo, há certa contradição entre a idéia de memórias coletivas e a via tecnológica, em que elas podem ser repertoriadas e geradas, na medida em que se “os novos patrimônios são o próprio objeto dos sistemas de informações, como conseguirão manter seu aspecto vivo?” (JEUDY, 1990: p. 89).

Para Carlos Fajardo, na “tecnovirtualização” da história explicita-se, com a desterritorialização, uma série de contradições, inclusive “construindo memórias, imaginários e sensibilidades massivas no público comprador e consumidor de produtos simbólicos e materiais”. Ao invadir lentamente a vida particular e coletiva de todos os continentes, a Internet, paralelamente aos meios transnacionais econômico-culturais, “está ajudando a construir uma memória coletiva mundial, que desterritorializa não só os processos autônomos nacionais e regionais, mas também a maioria de categorias que se gestaram na modernidade triunfante e na modernização industrial crescente”. Portanto, a cibercultura é trans-histórica e se determina desde o virtual. Ao mesmo tempo, o pensador colombiano afirma que a Internet também tem edificado uma memória que privilegia o presente ao submergir o futuro e o passado no aqui e agora. Neste sentido, os cibernautas estão em via de projetar outra concepção de memória que contradiz a tão exaltada e necessitada “memória histórica” da modernidade, fazendo surgir uma “história da imediatez” (FAJARDO, 2001).

Interessa observar que muitos historiadores não têm levado em consideração essa fonte nova, a Internet, especialmente no que se refere aos aspectos teóricos e práticos da forma como a história é representada no formato digital. Apesar de termos mais perguntas que respostas, a luta pela incorporação das possibilidades das novas tecnologias à prática do historiador levanta novas questões sobre os objetivos básicos e métodos do nosso ofício.

Um problema que ilustra a fragilidade da evidência na era digital é o apagamento de arquivos e sites da Internet. Assim, a simultânea fragilidade e a heterogeneidade dos dados digitais precisam também de uma reconsideração quanto à responsabilidade pela preservação do passado e como podemos encontrar e definir a evidência histórica. Vale ressaltar que, diferentemente da era do papel, a preservação dos itens digitais é relativamente cara.

Como a Internet tem se expandido dramaticamente, ao lado da rápida acumulação de dados digitais, o que se percebe com o trabalho do historiador atual é a passagem de uma cultura da escassez para uma cultura da abundância. Apesar dos arquivos da Internet ser quase infinitos e se não é possível preservar tudo, ao menos é urgente preservar algo, na medida em que algumas páginas são apagadas seja por questões econômicas, seja por razões técnicas ou ambas. Como o investimento das instituições públicas de pesquisa e guarda documental não tem contemplado, suficientemente, essa nova fonte histórica, há o perigo de, no futuro próximo, termos uma atitude deliberada de privatização deste patrimônio, colocando em cheque o futuro do passado, na medida em que tais iniciativas têm se restringido a empresas privadas que disponibilizam o acesso a documentos on-line (artigos, livros, ensaios, dissertações e teses), como é o caso do Google Scholar. Então, contra a privatização destas fontes históricas, é importante realçar que o vigoroso domínio público torna-se um pré-requisito básico para a pesquisa histórica (ROSENZWEIG, 2003).

Ora, muitos que escrevem ou ensinam história têm ficado intrigados ou mesmo excitados com a proliferação de sites relativos a acontecimentos históricos que se materializam no espaço volátil da Internet. Como a memória tem sido condicionada pelas novas tecnologias, talvez seja necessário pensarmos sobre a possível desvinculação de memórias estabelecidas como marcos formadores de identidades culturais. Concomitantemente, a noção de memória no processo de globalização efetua uma reafirmação das identidades culturais locais, como um movimento que busca a estabilidade e o equilíbrio de um passado comum, desfeito pelo fenômeno das diluições das distâncias e dos tempos.

Ao produzir sítios dedicados a temas históricos, a Internet nos coloca um problema de grande envergadura, pois a maioria de nossos alunos tem utilizado o recurso da Internet do que a biblioteca em nossas universidades: como avaliar esses sites?

Kelly Schrum (2003) indica que o primeiro passo é identificar o autor ou criador do site, onde estão hospedados e qual é o seu domínio (.edu, .org, .com, .gov, . net). Geralmente, essas informações estão disponíveis, caso não estejam contate por email ou consulte os créditos da página consultada.

Outro passo é localizar sites confiáveis na Internet. A produção de uma história “séria” na WEB deve seguir os seguintes pressupostos: originalidade e responsabilidade no trato das fontes primárias e, ao mesmo tempo, sua argumentação ou conjunto de argumentos são escritos de modo claro e objetivo (SMITH, 2005).

Essas ferramentas, por si, não são suficientes para avaliar os sites, mas possibilitam uma importante oportunidade para a aprendizagem, na medida em que, em meio à pluralidade de fontes primárias, os estudantes podem compreender o passado de modo mais sofisticado e nuançado (SCHRUM, 2003).

Um exemplo brasileiro de produção de uma história “séria” é o site do Centro de Pesquisa e Documentação da História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (www.cpdoc.fgv.br). A consulta ao rico acervo deste centro de pesquisa e documentação, composto de manuscritos, impressos, fotos, discos e fitas, é feita através do ACESSUS, que é uma base de dados rápida e eficiente, composta de mais de um milhão de documentos referenciados de um universo total de um milhão e oitocentos mil. Para se ter acesso à base de dados o usuário precisa se cadastrar, gratuitamente, no portal do CPDOC.

A partir dessa ferramenta, é possível acessar cerca de 600 entrevistas de seus projetos de pesquisa desde a década de 1970, nem todas estão disponíveis para download, destacando-se os seguintes projetos: Propaganda Brasileira, 1964 e o Regime Militar, A atividade de seguros no Brasil, As faces do mago da economia: atuação e legado de Mário Henrique Simonsen, História das Comunicações no Brasil, História Política da Paraíba, Memória da Assistência Social no Brasil, Memória do Banco Central do Brasil, Memória da Petrobrás, Memória do setor de energia elétrica, Núcleo de memória política carioca e fluminense, Pioneiros e construtores da Companhia Siderúrgica Nacional, A política externa brasileira em transição e a Trajetória e desempenho das elites políticas brasileiras.

Além disso, estão disponíveis para download livros esgotados, artigos do seu quadro de pesquisadores, a maioria dos números da excelente revista Estudos Históricos (1988/1-2006/1) e seleção de verbetes do Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Existem ainda os informativos eletrônicos na área de Ciências Humanas (arquivologia, ciências sociais, história e o Newsletter CPDOC), em que se relatam seleções para programas de pós-graduação em todo o Brasil, encontros científicos, chamadas de artigos para revistas nacionais e internacionais e lançamentos de livros.

Sua proposta de democratização do acesso às fontes históricas do Brasil Contemporâneo também é feita por meio de módulos temáticos da seção Navegando na história (Era Vargas, Os Anos JK, João Goulart e Fatos e Imagens), em que documentos, imagens e artigos encontram-se disponíveis para estudantes e pesquisadores.

Mas como utilizar os recursos eletrônicos em sala de aula?

A partir de sua experiência docente, William H. Mulligan Jr. (2001) lembra-nos das listas de discussão e da troca de informações entre endereços eletrônicos (e-mail) como forma de estimular os estudantes a entrar em contato com a discussão acadêmica profissional. Para ele, uma atividade interessante foi convidar os estudantes a participar de diferentes listas de discussão, pois isto mostra a diversidade de tipos de questões e perguntas existentes entre os profissionais em História e também a natureza do discurso profissional. Ao mesmo tempo, o acesso às listas de discussão proporciona aos historiadores vinculados a pequenas universidades localizadas em regiões periféricas a inteirar-se dos principais temas dos congressos internacionais e nacionais, através de sites de entidades profissionais.

Aproveitando a sugestão deste historiador norte-americano, gostaria de destacar uma experiência interessante no universo da historiografia digital: a rede Historia a Debate, liderada por Carlos Barros e sediada na Universidade de Santiago de Compostela (Espanha). Sua proposta é manter um fórum permanente de debate sobre a metodologia, a historiografia e a teoria da história; sobre a prática renovada da investigação e da divulgação histórica; sobre a docência da história em todos os níveis; sobre problemas acadêmicos e profissionais dos historiadores e enfatizar o compromisso do historiador com a sociedade, a política e a cultura do nosso tempo.

Criada em 1993, essa rede já realizou três congressos internacionais (1993, 1999 e 2004) e logo depois do seu II Congresso em 1999 criou um Grupo para redação de um Manifesto Historia a Debate para explicitar suas posições sobre a escrita da história e o ofício do historiador. Disponibilizado em 2001, o manifesto se insurge contra a fragmentação de temas, métodos e escolas dos anos 1990 no campo historiográfico, propondo “novas formas de globalidade que façam convergir na investigação histórica diferentes espaços, gêneros e níveis de análise”. Uma de suas teses mais instigantes reside na percepção de que as comunidades transnacionais de historiadores, organizadas na Internet, têm desempenhado papel importante na formação de novos consensos a partir de uma historiografia latina crítica e de uma historiografia pós-colonial. Neste sentido, a “Internet é uma poderosa ferramenta contra a fragmentação do saber histórico se for utilizada com sua identidades e possibilidades, isto é, como uma forma interativa de transmitir informação instantânea de maneira horizontal a várias partes do mundo”. Para a rede Historia a Debate, a “generalização da Internet no mundo universitário, e no conjunto da sociedade, assim como a educação informatizada dos jovens, tornará esta nova historiografia um fator relevante da inacabada transição paradigmática entre o século XX e o XXI” (www.h-debate.com).

Como a aceleração da história substituiu o debate sobre o “fim da história”, essa rede mantém duas listas de discussão: H-Debate (1220 assinantes de 45 países) e História Imediata (283 assinantes de 24 países).  Merece destaque alguns temas presentes nesta última lista pelo intenso debate travado pela comunidade de assinantes, como “É possível uma história imediata?”, Hugo Chávez, Chiapas e a escrita da história e sujeito social.

Sobre esta temática pouco trabalhada no Brasil existe o Laboratório de Estudos do Tempo Presente (www.tempopresente.org.br) da Universidade do Brasil (UFRJ), liderada pelo professor Francisco Carlos Teixeira da Silva. Na tentativa de divulgar a produção científica dos professores, alunos e pesquisadores associados se optou pela construção de um site, em que se disponibiliza artigos, resenhas e relatórios produzidos pela equipe TEMPO e convidados, um banco de notícias formado por seleções que variam de acordo com as principais temáticas fundadoras das linhas de pesquisa em curso e dados sobre o acervo do Laboratório, seus participantes e linhas de pesquisa. Das linhas de pesquisa em curso, destaca-se a criação, em 2004, do Grupo de Análise e Acompanhamento do Terrorismo Internacional (GAATI), além dos recém-instituídos grupos: PRO SUL, ProAfrica e Movimentos Sociais, Nova Ordem Mundial, Fluxos Internacionais e História do Esporte, que balizam as discussões presentes em sua lista de discussão (http://listas.nce.ufrj.br/mailman/listinfo/tempopresente), proporcionando ágil alternativa de circulação de informações de seminários, congressos e sinopses de jornais.

Dentro de seu site, podemos destacar a Revista Eletrônica Boletim do Tempo (ISSN 1981-3384), além da seção Multimídia, que disponibiliza, além de entrevistas dos seus pesquisadores, reportagens veiculadas por televisões sobre temas como Hezbollah, Hugo Chávez e 11 de setembro de 2001.

Concluindo, sobre a vasta possibilidade de atuação do profissional de história neste admirável mundo novo da cibercultura, o que posso sugerir é que os currículos de história incorporem essas novas fontes da história do tempo presente, dentre as quais a internet, pois não basta formar historiadores apenas lendo livros. É necessário que os professores de história forneçam ferramentas teórico-metodológicas para que a formação intelectual dos estudantes esteja de acordo com o tempo em que vivemos.

Contudo, compartilhamos das idéias presentes no Manifesto Historia a Debate sobre a historiografia digital, quando propõe que este novo paradigma da comunicação social, que é a Internet, não vai substituir as atividades presenciais e as instituições seculares, na medida em que a historiografia digital deve ser complementada com livros e outras formas convencionais de investigação, difusão e intercâmbio acadêmicos.

Notas
1  Versão revista de conferência pronunciada no 1º Encontro Estadual de Professores de História: Ensino, Pesquisa e Novas Abordagens. Faculdade São Luís de França, Aracaju/SE: 24 de fevereiro de 2008.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASTELLS, Manuel. A Galáxia da Internet: Reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.

DANTAS, Camila G. O Passado em bits: Questões sobre a reelaboração da memória social na Internet. In: Anais do VI CINFORM (Encontro Nacional de Ciência da Informação). Salvador – Bahia, 2005. Capturado no endereço eletrônico: http://www.cinform.ufba.br/vi_anais/docs/CamilaDantas.pdf em 1 de fevereiro de 2006.

FAJARDO, Carlos Fajardo. Cibercultura y tecnovirtualización de la historia. In: Especulo. Revista de estudios literários. Madrid: Universidad Complutense de Madri, 2001. Capturado no endereço eletrônico: http://www.ucm.es/info/especulo/numero18/cibercul.html em 19/01/2006.

JEUDY, Henri-Pierre. Memórias do Social. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1990.

MULLINGAN JR., William H. Electronic Resources and the Education of History Professionals. In: The History Teacher. Vol. 34, Issue 4, August 2001, p. 523-529. Consultado em 8 de fevereiro de 2008 na http://www.historycooperative.org/journals/ht/34.4/mullingan.html.

ROSENZWEIG, Roy. Scarcity or Abundance? Preserving the Past in a Digital Era. In: American Historical Review 108, 3 (June 2003): 735-762. Capturado em março de 2005 no endereço eletrônico: http://chnm.gmu.edu/resources/essays/essay.php?id=6.

SARLO, Beatriz. Tempo Presente: Notas sobre a mudança de uma cultura. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 2005.

SCHRUM, Kelly. Making History on the Web Matter in Your Classroom. In: The History Teacher. Vol. 34, Issue 4, may 2001, p. 327-338. Consultado em 8 de fevereiro de 2008 na http://www.historycooperative.org/journals/ht/34.3/schrum.html

SCHRUM, Kelly. Surfing for the Past: How to Separate the Good from the Bad. In: AHA Perspectives (May 2003). Consultado em 8 de fevereiro na http://chnm.gmu.edu/resources/essays/d/7.

SILVA, Marcos. ESPAÇO CIBERNÉTICO, CIBERCULTURA E PESQUISA ACADÊMICA. São Cristóvão: Departamento de História/Universidade Federal de Sergipe, 2007 (texto digitado).

SMITH, Carl. Can You Do Serious History on the Web? In: AHA Perspectives (February 1998). Capturado em março de 2005 no endereço eletrônico: http://chnm.gmu.edu/resources/essays/essay.php?id=12.

SODRÉ, Muniz. Reinventando a Cultura: a comunicação e seus produtos. Petrópolis: Vozes, 1996.

SÁ, A. F. DE A. Admirável campo novo: o profissional de história e a Internet. Rio de Janeiro: Revista Eletrônica Boletim do TEMPO, Ano 3, n. 07, Rio, 2008. [ISSN 1981-3384]


 

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H-SEnet

Vale a pena conhecer este projeto:

http://h-senet.blogspot.com/

Descrição: Como resultado da pesquisa desenvolvida no âmbito do Programa de Bolsa de Iniciação Científica (PIBIC) da UFS, com o financiamento do CNPq, a equipe formada pelo professor Antônio Fernando de Araújo Sá e pela estudante de graduação Elidiana do Vale apresenta os primeiros resultados da pesquisa A INTERNET E A OFICINA DE HISTóRIA, com a divulgação do blog sobre temas relacionados à história de Sergipe. Pautado no diálogo entre a história regional e a cibercultura, nosso projeto discute a importância da historiografia digital para a formação do historiador do século XXI, trazendo questões relevantes para se pensar a História em Sergipe.

Depois não me digam que a relação entre a história e a internet é uma coisa de outro mundo. ;)

 

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Site Brasil Republicano com textos digitalizados

Está no ar o site do Brasil Republicano, sob a coordenação do Prof. Jorge Ferreira da UFF. Nele encontra-se um link chamado “Oficinas da História” com artigos digitalizados já disponíveis em algumas revistas eletrônicas de História.

Alguns links da “oficina” mandam direto para o PDF do artigo, outros mandam para a página da revista (acabei encontrando outros artigos…). Interessante também visitar a “Linha do Tempo”, cada período em hiperlink manda para uma página com diversas referências sobre o período (artigos, dissertações, fotos, vídeos, e outras fontes em PDF).

Vale a pena navegar! O link é: http://www.brasilrepublicano.com.br/

Segundo informações disponíveis no próprio site, a iniciativa objetiva fornecer aos professores de História de nível médio das redes pública e privada de ensino ferramentas teóricas e metodológicas para desenvolverem suas atividades em sala de aula. O site é patrocinado pela FAPERJ no programa Cientistas do Nosso Estado.

Aliás, outra dica interessante disponível em “Links” para os professores de História é a indicação do Portal do Professor (que eu desconhecia) , o portal tem outra penca de links úteis.

Desfrutem e divulguem!

 
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Publicado por em 9 julho, 10 em História, Historiografia

 

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Prêmio Manoel Luís Salgado Guimarães

Bela notícia!

“Em decisão unânime dos membros da atual diretoria resolveu-se nomear o prêmio Teses da ANPUH de prêmio Manoel Luís Salgado Guimarães, em homenagem ao nosso saudoso e querido colega recentemente falecido. Como todos sabem o professor Manoel Salgado foi o idealizador do prêmio, instituído em sua gestão à frente da entidade, no biênio 2007-2009. O professor Manoel Salgado foi também um destacado estudioso na área da historiografia brasileira, tendo dado uma importante contribuição para a afirmação das áreas de teoria da história e historiografia brasileira como campos de pesquisa legítimos e relevantes para os profissionais de História. Estes, dentre tantos outros motivos, desde acadêmicos, políticos, como afetivos justificam a homenagem que a ANPUH presta ao professor Manoel Salgado, dando seu nome a um prêmio que será distribuído a cada nova gestão de nossa entidade, esperando que assim sua memória, seu exemplo de vida acadêmica e pessoal continue sendo lembrada e servindo de referência para os profissionais da área.”

*a informação foi divulgada no informe eletrônico da Anpuh nº7.

Justíssima homenagem a um homem que dedicou tão intensamente sua vida ao estudo da história.  Gosto de lembrar do Prof. Manoel Salgado em forma dentro de sala de aula, lugar onde ele se sentia completamente à vontade.

Ontem lembrei de uma ocasião em que ele nos falava do que Freud pensava sobre o luto e a melancolia, o luto é uma atitude positiva, uma forma de sentir a ausência que segundo Freud é traço constituitivo da humanidade do homem. A melancolia é negativa. Bem, não vou continuar!. Só queria registrar como é merecida a homenagem.

 
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Publicado por em 25 junho, 10 em História, Historiografia

 

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De-Lete: em favor do esquecimento

“(…) tantas cosas.
Ahora puedo olvidarlas.
Llego a mi centro,
A mi Álgebra y mi clave,
A mi espejo.
Pronto sabré quien soy.”

Jorge Luis Borges, trecho de uma poesia de sua obra tardia.


É real, e não de hoje, um problema que a sociedade como um todo experiementa, mas que é muito mais gritante para nós historiadores: a avalanche de informações produzidas todos os dias, a super oferta de dados e informação que ser quer assumir é maior que a nossa capacidade de assimilação.

A relação da história (e consequentemente, do historiador) com esta inflada sociedade de informação, que nada quer descartar, é cada vez mais tensa. Provocado, entre outras razões, pela inquietante relação entre a memória, o esquecimento e as práticas historiadoras contemporâneas mediante este problema de informação em abundância, o Prof. Andre de Lemos Freixo está ministrando este semestre no Instituto de Filosifia e Ciências sociais (IFCS/UFRJ) um curso que promete discussões interessantíssimas sobre “História e Memória”.

Em favor do esquecimento, ao meu ver, sadio e necessário para avançar em qualquer pesquisa, compartilho com os colegas leitores alguns trechos do texto introdutório proposto pelo Prof. Andre, btw, recomendando a leitura. É curtinho, mas muito rico:

Excertos do capítulo X do livro “Lete – Arte e crítica do esquecimento“, entitulado “Armazenado, quer dizer, esquecido” de Harald Weinrich:

p. 283: “Onde está nesta época pós-moderna aquela consideração atemporal que se pode produzir com visão clara uma contabilidade entre utilidade e desvantagens da informação para a vida, de modo que em caso de necessidade esta possa ser modificada rejeitando-se corajosamente a informação supérflua?”

p. 285: “Desde então tornou-se evidente que vivemos numa sociedade super-informada, na qual a verdadeira sabedoria não consiste em adquirir informações – qualquer criança pode fazer isso na Internet hoje -, mas em rejeitá-las – e para isso ainda não há programas na Internet.”

p. 291: “Quem hoje, talvez como jovem cientista, entra no campo da pesquisa e aprendeu o ofício e a arte de abter informações, em breve, em todas as disciplinas e em quase todos os temas, se defronta com uma oferta de informações arrebatadora que precisa de anos para escalar essa montanha de informações, e chegando em cima, onde o seu próprio buscar e pesquisar ía ter início, ainda constata que, enquanto trabalhou o “estado da pesquisa”, há muito cresceram outras montanhas de materiais que precisam ser conhecidos. Pois centenas de milhares de cientistas produzem milhões de livros, artigos de revistas e outras ofertas de dados, que vão inapreensivelmente além da capacidade do indivíduo

E segue Weinrich, a favor do oblivionismo científico – da árdua tarefa de selecionar e descartar-,  pois como afirma mais adiante “perto do cume, onde age a pesquisa de ponta, só se chega levando pouca bagagem” (p.294)

Selecionem, pois! Certos de que esquecendo algumas coisas a subida vai ser mais leve: boa escalada!

Para fechar:

p.296: “Mas de outro lado as ciências humanas e sociais, tendo de andar a passo com o tempo, são submetidas às regras de jogo e de linguagem do oblivionismo científico. A arte está aqui para ligar as duas coisas, desafiando a lei das contradição. Para que ela dê certo é preciso sacrificar – com um politeísmo moderado – nos altares de duas divindades: Mnemosyne e Lete.

Mnemosyne: nome grego para a mãe das musas e titã da memória.
Lete: na mitologia grega um dos Rios do Hades.  Palavra do grego antigo oposta à expressão grega alétheia (verdade), Lete ou Lhete, significa literalmente “esquecimento”

PS: aos hard usuários de pcs, vejam se a máquina não roda mais leve aliviando o hd e “de-letando” algumas coisinhas supérfluas. ;-)

 

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História: Arte, Cultura e Indivíduos*

O historiador holandês Johan Huizinga, vivia e escrevia imerso no debate acerca do estatuto científico ou não científico da História. Huizinga pressupunha uma afinidade entre Arte e História que conferiria a história o estatuto de uma ciência verdadeira, não pelos seus métodos, mas pelo seu compromisso em buscar a verdade. O que a história faz em relação ao passado “não é nunca fotografar, mas é representar”[1], diz Huizinga, para quem a subjetividade deste “representar” constitui uma marca indelével para as narrativas que se faz do passado, as quais são marcadas pela imaginação histórica do seu autor. Neste sentido, o trabalho do historiador para Huizinga, tal qual acenara Wilhelm Humboldt, não se limita à crítica documental, mas vai além e passeia pela arte, pela criatividade histórica – o historiador se aproxima do poeta.[2]

Jacob Burckhardt, antes de Huizinga, alertou para a impossibilidade de se fazer história sem a sutileza e a sensibilidade necessária para compreender, imaginar e organizar, numa narrativa lógica, os elementos culturais de uma sociedade, tal como ele mesmo fez em seu clássico livro sobre a cultura do Renascimento na Itália[3].

As reflexões sobre a história, tanto de Burckhardt quanto de Huizinga, merecem um grifo para a atenção particular que estes autores concedem ao elemento individual, particular e subjetivo devido à ênfase que ambos dão à dimensão cultural e artística da história. Sobre o primeiro, Sabina Loriga nos diz:

“Para Burckhardt (…) o centro permanente da história era o homem mortal, geralmente sofredor, ‘o homem com suas dores, suas ambições e suas obras, tal como ele foi, é e será sempre’! Não o homem da providência dos filósofos e nem mesmo essa impostura romântica que é o herói, mas antes o indivíduo independente, livre (…) que conhece e admite sua dependência em relação aos acontecimentos gerais do mundo.”[4]

Esta característica também marca um outro traço da concepção de história nestes dois autores, que é a negação de uma história providencial[5], majoritariamente compreendida assim pelos historiadores mais positivistas, que acreditavam no Espírito hegeliano, que reduzem a importância das ações individuais e subordinam as artes, valorizando em contrapartida os grandes movimentos da história, pois para eles “as qualidades pessoais, inclusive as dos grandes homens, não bastavam para explicar o curso dos acontecimentos, e era preciso levar em consideração as instituições e o meio (a raça, a nação, a geração e etc.)”[6].

A desvalorização do significado das ações individuais traz consigo também o esvaziamento da responsabilidade dos homens frente aos rumos que a história toma e para Burckhardt este é um problema moderno:

“Burckhardt aponta uma diferença fundamental entre a pólis grega e o Estado moderno: enquanto na primeira os altos valores cívicos influenciavam positivamente a discussão filosófica, as artes e toda a vida social, o segundo torna servil toda manifestação do espírito humano, transformando pensadores, artistas e criadores em burocratas assalariados sem autonomia” [7].

O que Paula Vermeersch apresenta em seu trabalho, da cujo trecho acima fora extraído, sobre as anotações de aula de Burckhardt, é o ponto fulcral da nossa discussão – o ponto em que se cruzam história, indivíduos e ética, e que tem, como pano de fundo a querela entre antigos e modernos. Se pensarmos, portanto, na dimensão ética da história, quem melhor poderia representar os mais comprometidos com a ética, os antigos ou os modernos? Para Burckrhardt, a resposta mais acertada seriam os antigos, ou até mesmo os fiorentinos da Itália renascentista, uma vez que para o autor, Florença poderia ser comparada à Atenas. Achamos válido destacar aqui mais uma passagem do texto de Vermeersch que ilustra esta crítica de Burckrhardt à modernidade:

“O Estado e a Religião, por serem repressores, massificadores, contribuem negativamente para o florescimento de grandes individualidades, e isso é, para Burckhardt, o grande mal da modernidade: a massa vence o indivíduo, existe uma nivelação por baixo, todos se transformam em meros números da burocracia, todos se iludem que podem ser cultos, belos e jovens sem esforço ou dedicação.”[8]

Ora, se considerarmos que a modernidade é a geradora desta burocracia despersonalizante e produtora do businessman e, em se tratando de história, autora de muitas generalizações, começamos a entender porque Burckhardt vai tratar do Renascimento italiano com tanta nostalgia, ele que tanta atenção dedicou aos detalhes. E sendo assim, mais uma vez fica clara a recusa da parte dele a concepções mais positivistas da história, a história não caminha sempre em um sentido de progresso positivo, não é evolucionista.

Assim como Burckhardt, Huizinga também vai criticar esta máxima setecentista de que a razão aponta sempre para frente, bem como a racionalização exacerbada de tudo então, até mesmo da história que, para ele, permite e necessita de lirismo, de uma certa dose de amor pelo passado, que cada historiador soma aos trabalhos que se propõe a fazer. Neste sentido, Huizinga faz um forte apelo a tudo o que é lúdico, a imaginação, às faculdades humanas de criar e sentir, seu Homo Ludens, de que nos falou Naiara Ribeiro.

Percebe-se portanto, que não é somente a concepção de história que mudou no decorrer dos séculos, o indivíduo enquanto ente também veio sofrendo transformações e destas mudanças decorrem e incorrem novas situações políticas e surgem novos padrões comportamentais, outro sistema de valores e princípios passam a reger a ação humana, quais sejam, aqueles de uma sociedade regida pela racionalidade e obcecada pelo progresso a qualquer preço, a mesma que fora enfaticamente criticada por Nietzsche em todo o legado filosófico que nos deixou.[9]


[1] HUIZINGA apud RIBEIRO

[2] HUMBOLDT, Wilhelm von. “Sobre a tarefa do historiador” (1821). Anima 1(2), 2001.

[3] BURCKHARDT, Jacob. La civiltà Del Rinascimento in Itália. Roma: Newton Compton Editori, 2008.

[4] LORIGA, Sabina. “A biografia como problema”. In: REVEL, Jacques (org.). Jogos de escalas. A experiência da microanálise. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1998. p. 239

[5] A recusa à Filosofia da História.

[6] Idem. p. 231

[7] VERMEERSCH, Paula. Jacob Burckrhardt e suas reflexões sobre a história. História Social – Revista dos pós-graduandos em História da Unicamp, No 10 (2003). Este artigo resume uma parte da monografia “Pão e circo: a imaginação como contra-poder”, defendida por Vermeersch em dezembro de 1998 sob a orientação da profa. dra. Amnéris Maroni, no departamento de Ciência Política, IFCH-Unicamp. Disponível em http://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/historiasocial/article/view/92 acessado pela última vez em: 09 de dezembro de 2009.

[8] Idem.

[9] MAYER, Arno J. “5. Concepções de mundo: darwinismo social, Nietzsche e Guerra”. In: força da tradição: a persistência do antigo regime, 1848-1914. São Paulo: Companhia das Letras, 1987, pp. 267-317.

VER TAMBÉM:

ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Companhia das letras, 1999.

JASPERS, Karl – Introdução ao Pensamento Filosófico – Ed. Cultrix, São Paulo, 1965.

RIBEIRO, Naiara. Johan Huizinga e a História da Cultura: a dimensão ética e estética da História Disponível em: http://revistadiscenteppghis.files.wordpress.com/2009/05/naiara-ribeiro-johan-huizinga-e-a-historia-da-cultura_a-dimensao-etica-e-estetica-da-historia.pdf Acessado pela última vez em 09 de dezembro de 2009.

*Este texto é parte do trabalho de conclusão do curso “Antigos e Modernos – A escrita da História” (Tópico Especial em Metodologia da História II, graduação em História), ministrado pelo Prof. Dr. Manoel Luiz Salgado Guimarães durante o segundo semestre de 2009, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ).

 
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Publicado por em 18 fevereiro, 10 em História, Historiografia

 

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Historiografia em Rede – Revista Médio Paraíba

O tema da “historiografia” ganhou mais um espaço na rede!!!

Começamos esta semana uma coluna na Revista Médio Paraíba, que aborda temas acadêmicos e multidisciplinares.

Abaixo segue o editorial desta edição, por Renato Barozzi:

logomarcaMedioParaibaHistoriografianaRede

Temos duas boas notícias: a primeira é que chegamos à terceira edição de nossa Revista Acadêmica. A segunda boa notícia é que já possuímos conteúdo a ser analisado para uma quarta e, quiçá, uma quinta edição. Realmente estamos muito felizes com o desenvolvimento deste projeto.

Algumas coisas precisam ainda de ajustes, nos falta tempo para uma dedicação intensa, mas, apesar dos sobressaltos, nada irá sobrestar o aprimoramento, o aperfeiçoamento e amadurecimento de nossa revista.

>> Confira aqui  o sumário da Edição no. 3.
>> Confira as edições anteriores

A presente edição deixa claro o estado de espírito com que encaramos nossas dificuldades. Nela expusemos, como artistas da palavra, a diversidade e a flexibilidade com que agimos para experimentar conteúdos e formas. Neste momento, lembro-me de uma passagem do livro “Contraponto” de Huxley que reflete bem o que sinto: “Lorde Edward e seu irmão estavam tomando ar no parque de Gattenden. Lorde Edward tomava-o caminhando. O quinto marquês tomava-o numa cadeira de rodas puxada por um burro cinzento. Era inválido. ‘o que, por felicidade, não impede o meu espírito de correr’, gostava de dizer Lorde Gattenden.”
Não somos inválidos e já provamos isto, caminhamos. Entretanto, as circunstâncias tentam invalidar nossos esforços. Por mais que somos alvejados pelas adversidades, nossos espíritos não soçobram. Temos o apoio de vocês leitores, temos a sofisticada participação dos autores e colaboradores e temos ainda, a alma cheia da necessidade de realizar.

Por falar em realizar, entre as novidades desta terceira edição temos: um texto sobre a formação do Funcionalismo Público no Brasil, que ressalta a característica estamental da sociedade portuguesa e o modelo patriarcal da família. Outro que explora a atividade de “julgar”, sobretudo diante da tarefa de cuidar do mundo, calcado nas constatações da teórica Hannah Arendt.
Entre outros, temos ainda um artigo que expõe a medicina no Brasil no período colonial e um ensaio cujo titulo é: “Sorria, você está sendo filmado!” – Câmeras, muralhas e outros símbolos: a modelação na paisagem carioca pelo medo da violência urbana. Bastante pertinente em sua função de registrar o momento “cívico” em que vivemos.

No mais, caminharemos. A Revista Médio Paraíba não é estática. Ela está num ambiente difuso. E difuso também são nossos interesses. Temos por fontes de inspiração revistas acadêmicas ligadas a universidades, mas também bebemos no manancial de Serrote, Dicta e Contradicta e Inteligência e Insight. “Mundo, mundo, vasto mundo.”

Aproveitem esta profusão de idéias e deixem-se levar pelo roldão. O mundo da arte, da literatura e da ciência possui seu próprio reino e convidamos todos vocês a entrarmos nele de mãos dadas.

Boa leitura!

Nossa contribuição, nesta terceira edição da Médio Paraíba, foi justamente falando da moderna concepção de História segundo Hannah Arendt. Nos vemos ou aqui! Até breve!

 

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Algumas questões pontuais sobre historiografia na rede

A modernidade e as novas tecnologias da informação e comunicação (TIC) têm criado novas maneiras de agir e interagir na sociedade, sobre isto não há dúvida. Aqui se discute sobre a forma como estas mudanças afetam a organização do espaço e do tempo do mundo e como os estudiosos das ciências sociais devem se mover ao interno das redesenhadas estruturas sociais, políticas, econônicas e culturais, questões emergem neste cenário saturação de mídias e diferentes redes sociais que é a era digital. O que nos interessa aqui é lançar luz aos problemas relevantes à fluidez dos dados – aparentemente soltos – na teia da web e tentar extrair destas reflexões algumas diretrizes pata uma necessária atualização do ofício do historiador.

Uma das questões centrais aqui é relativa ao estatuto da fonte. O advento da informática e do World Wide Web levou a uma redefinição epistemológica das. Não  muda  somente o suporte  – do tradicional para o digital – mudam também as formas de acessar, manipular e gerenciar as fontes. Surge também um novo tipo de fonte – aquele que já nasce em formato digital – que infere a necessidade de se revisar o método e prucurar uma nova abordagem para as fontes históricas digitalizadas, transformando também a relação entre o leitor-usuário e o texto. Um outro problema é a da corrosão da autoridade e da linearidade do texto, e  mesmo da autenticidade da fonte e dos variados documentos disponíveis hoje na rede. Projetar um modo para distinguir os dados oficiais dos não-oficiais é um dos desafios para os historiadores contemporâneos. E as produções “amadoras” de história na rede constituem uma outra problemática. Será justo ignorar a validade destas produções e julgar inadequado o seu uso para fins historiográficos? Este é um debate vital que está em andamento e merece muita atenção.

Na era do World Wide Web  a hipertextualidade transforma a relação entre texto e fontes, as torna disponíveis e acessíveis também para o leitor, permitindo uma criação, por parte do público, de diferentes percursos de leitura e viabilizando a verificação dos documentos utilizados na investigação, através de links e outras referências online, diferenciando ainda mais o texto digital daquele escrito em papel. A interatividade do leitor-usuário com a obra é potencializada no ambiente virtual.

Acontece que a rede em si se transforma em uma espécie de grande arquivo-Frankstein, no qual as classificações e vínculos arquivológicos são por demais instáveis e se faz necessário ainda abrir os caminhos para alcançar e classificar de forma inteligível todos os documentos, mas nem mesmo isto poderia garantir uma estabilidade dentro da liquidez do arquivo virtual, tudo é muito fluido e cada sujeito vai criando indivudualmente os percursos que deseja utilizar para chegar até uma informação. O crescimento da Web 2.0 e da blogsfera também são relevantes quando se fala em uma maior interação entre os diferentes atores e comunidades. Hoje é possível, por exemplo, realizar uma mesa redonda virtual, graças às novas tecnologia de informação e comunicação que  viabilizam as conferências áudio-vídeo com mais de duas pessoas ao mesmo tempo, é possível que um professor oriente seu aluno à distância, é possível que uma comunidade de estudioso promova debates ao interno de lista de discussões por e-mail… enfim, existe uma gama enorme de novas possibilidades, de novas relações que  merecem a atenção dos estudiosos das ciências humanas. O que significa tudo isto?

Para dar conta de todos essas transformações não é necessária uma de uma refundação do ofício do historiado, a base epistemológica deste permanece a mesma, o que muda e merece ser repensado são os métodos de análise crítica e como eles podem ser aplicados a novas fontes com uma nova abordagem. Com isto quero dizer que as bases da disciplina não devem ser revisadas, mas o método deve ser atualizado.

 

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