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Prêmio Manoel Luís Salgado Guimarães

Bela notícia!

“Em decisão unânime dos membros da atual diretoria resolveu-se nomear o prêmio Teses da ANPUH de prêmio Manoel Luís Salgado Guimarães, em homenagem ao nosso saudoso e querido colega recentemente falecido. Como todos sabem o professor Manoel Salgado foi o idealizador do prêmio, instituído em sua gestão à frente da entidade, no biênio 2007-2009. O professor Manoel Salgado foi também um destacado estudioso na área da historiografia brasileira, tendo dado uma importante contribuição para a afirmação das áreas de teoria da história e historiografia brasileira como campos de pesquisa legítimos e relevantes para os profissionais de História. Estes, dentre tantos outros motivos, desde acadêmicos, políticos, como afetivos justificam a homenagem que a ANPUH presta ao professor Manoel Salgado, dando seu nome a um prêmio que será distribuído a cada nova gestão de nossa entidade, esperando que assim sua memória, seu exemplo de vida acadêmica e pessoal continue sendo lembrada e servindo de referência para os profissionais da área.”

*a informação foi divulgada no informe eletrônico da Anpuh nº7.

Justíssima homenagem a um homem que dedicou tão intensamente sua vida ao estudo da história.  Gosto de lembrar do Prof. Manoel Salgado em forma dentro de sala de aula, lugar onde ele se sentia completamente à vontade.

Ontem lembrei de uma ocasião em que ele nos falava do que Freud pensava sobre o luto e a melancolia, o luto é uma atitude positiva, uma forma de sentir a ausência que segundo Freud é traço constituitivo da humanidade do homem. A melancolia é negativa. Bem, não vou continuar!. Só queria registrar como é merecida a homenagem.

 
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Publicado por em 25 junho, 10 em História, Historiografia

 

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Algumas questões pontuais sobre historiografia na rede

A modernidade e as novas tecnologias da informação e comunicação (TIC) têm criado novas maneiras de agir e interagir na sociedade, sobre isto não há dúvida. Aqui se discute sobre a forma como estas mudanças afetam a organização do espaço e do tempo do mundo e como os estudiosos das ciências sociais devem se mover ao interno das redesenhadas estruturas sociais, políticas, econônicas e culturais, questões emergem neste cenário saturação de mídias e diferentes redes sociais que é a era digital. O que nos interessa aqui é lançar luz aos problemas relevantes à fluidez dos dados – aparentemente soltos – na teia da web e tentar extrair destas reflexões algumas diretrizes pata uma necessária atualização do ofício do historiador.

Uma das questões centrais aqui é relativa ao estatuto da fonte. O advento da informática e do World Wide Web levou a uma redefinição epistemológica das. Não  muda  somente o suporte  – do tradicional para o digital – mudam também as formas de acessar, manipular e gerenciar as fontes. Surge também um novo tipo de fonte – aquele que já nasce em formato digital – que infere a necessidade de se revisar o método e prucurar uma nova abordagem para as fontes históricas digitalizadas, transformando também a relação entre o leitor-usuário e o texto. Um outro problema é a da corrosão da autoridade e da linearidade do texto, e  mesmo da autenticidade da fonte e dos variados documentos disponíveis hoje na rede. Projetar um modo para distinguir os dados oficiais dos não-oficiais é um dos desafios para os historiadores contemporâneos. E as produções “amadoras” de história na rede constituem uma outra problemática. Será justo ignorar a validade destas produções e julgar inadequado o seu uso para fins historiográficos? Este é um debate vital que está em andamento e merece muita atenção.

Na era do World Wide Web  a hipertextualidade transforma a relação entre texto e fontes, as torna disponíveis e acessíveis também para o leitor, permitindo uma criação, por parte do público, de diferentes percursos de leitura e viabilizando a verificação dos documentos utilizados na investigação, através de links e outras referências online, diferenciando ainda mais o texto digital daquele escrito em papel. A interatividade do leitor-usuário com a obra é potencializada no ambiente virtual.

Acontece que a rede em si se transforma em uma espécie de grande arquivo-Frankstein, no qual as classificações e vínculos arquivológicos são por demais instáveis e se faz necessário ainda abrir os caminhos para alcançar e classificar de forma inteligível todos os documentos, mas nem mesmo isto poderia garantir uma estabilidade dentro da liquidez do arquivo virtual, tudo é muito fluido e cada sujeito vai criando indivudualmente os percursos que deseja utilizar para chegar até uma informação. O crescimento da Web 2.0 e da blogsfera também são relevantes quando se fala em uma maior interação entre os diferentes atores e comunidades. Hoje é possível, por exemplo, realizar uma mesa redonda virtual, graças às novas tecnologia de informação e comunicação que  viabilizam as conferências áudio-vídeo com mais de duas pessoas ao mesmo tempo, é possível que um professor oriente seu aluno à distância, é possível que uma comunidade de estudioso promova debates ao interno de lista de discussões por e-mail… enfim, existe uma gama enorme de novas possibilidades, de novas relações que  merecem a atenção dos estudiosos das ciências humanas. O que significa tudo isto?

Para dar conta de todos essas transformações não é necessária uma de uma refundação do ofício do historiado, a base epistemológica deste permanece a mesma, o que muda e merece ser repensado são os métodos de análise crítica e como eles podem ser aplicados a novas fontes com uma nova abordagem. Com isto quero dizer que as bases da disciplina não devem ser revisadas, mas o método deve ser atualizado.

 

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