Month: June 2008

Eventos: Cultura Digital

Encontro sobre a Revolução Digital inaugura série de eventos no Nave no dia 5 de julho

Fiquei sabendo pelo blog do Fabio Seixas e achei interessante linkar aqui. Se eu estivesse no Rio iria com certeza! Depois do evento o material ficara disponivel no site e, para quem nao puder ir, tem a transmissao online. Vale a pena conferir!

Sera no dia 5/7/2008 a partir das 14h na Rua Uruguai, 204 – Tijuca, CIDADE MARAVILHOSA (no Nave)

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A Moderna Concepção da História

Em seu texto Entre o Passado e o Futuro Hannah Arendt coloca o esvaziamento do protagonismo das ações do homem e dos eventos particulares em função de uma concepção especifica da historia, qual seja, a concepção moderna.

A concepção moderna da historia, segundo Arendt, encara a historia como um processo quase natural, que se movimenta autonomamente para um telos, uma historia que não se detem às ações do homem para entender política, mas sim ao conjunto de acontecimentos representado por um “todo” único que caracteriza a esta concepção processual da historia. Este todo se moveria por natureza, estando além e independente das particulares contingências das singulares situações, escapando assim do domínio do homem. Logo a historia enquanto processo seria supra e transcendente às ações do homem e aos eventos cotidianos, uma grande engrenagem independente das partes menores do processo.

Arendt argumenta que neste modo de entender a historia é como se os eventos perdessem o seu vigor porque a historia já estaria de alguma forma “tramada” e os homens sofreriam-na ao invés de agi-la.

No intento, este aspecto de “naturalidade” nesta forma de conceber a Historia vai de certa forma banir dela aquilo que Arendt chama “impredizível”, fazendo com que se acreditasse numa possível previsibilidade de tudo, como se fossem realizáveis leis para esta disciplina capazes de sistematizar a exploração deste processo e torná-lo não só compreensível, mas previsível, em detrimento de toda sorte de factualidade.

Porém esta forma de tratar a historia como independente do factual (algo que já estaria traçado e “funcionando” de acordo com este processo implacável) tem conseqüências sérias, algumas destacáveis, como segundo a própria autora, os regimes totalitários do século XX. Explicando: aceitar a historia como este “ente” superior ao homem é como relegar a experiência humana ao “correr solto”, pois presença de regras e o respeito ou desrespeito a estas seria indiferente na concepção processual da historia, na qual o todo é imutável em relação às pequenas e particulares ações do homem. Isto alteraria o modo do homem compreender o mundo e atuar nele e segundo a autora este novo relacionar-se do homem com o mundo se daria na forma de mudanças na moral e na política. O comprometimento do homem com a política seria diminuído e fragilizado, enquanto a moral seria afetada por uma grave crise ética e isto seria causado pela drástica redução ou ausência do senso de responsabilidade deste homem em relação ao “todo” que então significa a historia, uma vez que esta não está mais atrelada às ações do homem, este também se descompromete eticamente com esta. O ponto nevrálgico apontado por Arendt dentro desta concepção moderna de historia é que “isento” de responsabilidades e com seu código de ética fortemente alterado e corrompível o homem se permitiu cometer e assistir experiências injustificáveis como o caso dos regimes nazi-fascistas.

Relacionado a este assunto:

CIÊNCIA MODERNA E HISTÓRIA do Prof. Dr. Silvio Medeiros, Publicado no Recanto das Letras em 20/11/2006

Hoje: Download Day do Firefox 3

Quem ouviu falar? Eu tinha lido ha uns dias atras no blog da Flavia (que é em italiano, mas tenho acompanhado bastante e estou interessada no curso de Web que ela esta fazendo)

Eles te convidam a participar ajudando o firefox a entrar pro Guinness:

Estabeleça um Recorde Mundial no Livro dos Recordes Guinness
Ganhe uma Web melhor

Parece um bom negócio, não acha? Tudo o que você precisa fazer para nos ajudar a estabelecer um novo recorde para o software mais baixado em 24 horas é baixá-lo agora – é fácil assim. Não estamos pedindo que você engula uma espada ou equilibre 30 colheres no rosto ao mesmo tempo – apesar de que isso seria incrível.

Por favor, baixe o Firefox 3 até às 18:16h UTC em 18 de Junho de 2008. Ou seja, até às 11:16h em Mountain View, 14:16h em Toronto, 15:16h no Rio de Janeiro, 20:16h em Paris, Madrid, Roma e Varsóvia, 22:16h em Moscou, e no dia 19 de Junho de 2008 até à 2:16h em Pequim e às 3:16h em Tóquio.

Eu ja  estou baixando o meu! Até porque, eu uso o Zotero e o Zotero requer o Firefox! 😉

Web 3.0: A Web semântica e dotada de inteligência artificial

Antes de ir direto ao ponto um parenteses para “blablablas”

((Quando escrevi sobre o Linkory falei sobre geraçoes da Web, uma primeira onda foi propriamente aquela criada por Tim Berners-Lee – a World Wide Web – cuja novidade era proriamente a rede em si. A segunda geraçao, sob a criticada alcunha Web 2.0, inova com a capacidade de integrar os usuarios através de mecanismos que facilitam a interaçao destes, interligando-os em redes sociais.

Mal nos ambientamos com a Web 2.0 ainda e ja existem projetos e estudos voltados para a Web 3.0.

Eu me surpreendo com a “inteligencia” da web 2.0 e às vezes fico estupefata de ver tamanha integraçao, dianta da qual me pergunto “qual é o seu limite?. Tenho lido “un saco” de coisas a respeito de redes sociais, midias sociais, marketing e web 2.0, mercado e web 2.0, comportamento das pessoas nisso tudo e vira e mexe, algum blog aponta para a duvida do futuro… Como vai ser?

A duvida do “como vai ser?” é o que me preocupa enquanto estudante de Historia, pois nao sei o “como vou fazer” do futuro. Ilustrando um dos meus tantos questionamentos, lembro que as ferramentas de pesquisas sao ja tao poderosas que um aluno minimamente esperto consegue montar um trabalhinho elementar copiando, colando e parafraseando textos da internet… Professores corrigem e, talvez por algum furo do aluno, podem perceber e “reclamar”. Mas até quando poderao reclamar pelos “trabalhos de internet”? Enfim… tenho muitas perguntas que vao ficar sem respostas por enquanto pois apenas me motivaram a escrever este post indiretamente, porque na verdade o que me fez escrever isso foi um artigo de 2006 do The New York Times que fala de Web 3.0, que é a terceira geraçao da Web que ainda esta informaçao e, se conclusa, deixara muita gente de boca aberta. Me pergunto também sobre os postos de trabalho, como ficarao num mundo onde a maioria dos prestadores de serviço serao acessiveis online e o usuario poderà adiquirir tudo sozinho [sem um intermediario], ou seja… la se foi um posto de trabalho. Sobre a nao-intermediaçao nao é preciso pensar muito longe, acontece ja nos dias de hoje.  Este post comenta o assunto.))

Sistemas que possam raciocinar de forma humana:

A terceira geraçao da Web promete ser capaz de responder a comandos pela apresentaçao de uma “lista de preços de televisores de alta definição, com écran superior a 70 cm, resolução de 1080p, à venda em lojas da cidade

mais próxima, abertas até às 20H00 durante os fins-de-semana” ou de apresentar resultados para pedidos do tipo “Estou à procura de um local quente para passar as férias e disponho de US$ 3 mil. Ah, e tenho um filho de 11 anos”. Interessante, nao? Faz lembrar aqueles filmes em que o personagem conversar a viva voz com o computador e este, por sua vez, inteligente, o responde e opera açoes.

Se com uma ferramenta de pesquisa nao tao afiada assim hoje ja somos em muitos “google dependentes” imaginem podendo receber respostas a perguntas elaboradas assim? Me vejo procurando: lojas de doce no rio de Janeiro que vendam delicados sem a balinha azul sabor anis” (ok, ok, exagero, mas…quem sabe!). Para eventos e personagens historicos o Center for History and New Media (mesmo centro que desenvolveu o Zotero) da Universidade de George Mason ja apresenta alguma coisa: é o H-BOT (como funciona?) programado por  Daniel J. Cohen e Simon Kornblith.

Na Web 3.0 os computadores atuariam com uma meta-linguagem (por ex. XML, eXtra Markup Language ), uma sintaxe (por ex. o RDF, Resource Description Framework) e uma ontologia, leia mais aqui sobre os tres pilares da Web Semântica.

O termo veio atribuido ao autor do artigo “Empreendedores vêem uma Internet 3.0 guiada pelo senso comum” de John Markoff, no NY Times de novembro de 2006. A internet 3.0 seria menos um catalogo e mais um guia. Ele escreve:

“Pesquisadores e empreendedores dizem que apesar de ser improvável que haja sistemas completos de inteligência artificial tão cedo, se é que algum dia existirão, a Internet atualmente está produzindo uma cascata crescente de sistemas baseados em inteligência útil a partir de esforços comerciais para estruturar e explorar a Internet. Áreas específicas como sites de viagens e críticas de restaurantes e produtos são candidatas óbvias para construção de tais sistemas, que prenunciariam a chegada da Web 3.0.”

Parece que os primeiros movimentos no sentido de elaborar esta versao 3.0 da Web, ja na decada de 90, foram estimulados pelas agencias de inteligencia norte-americanas, como a CIA, que precisavam de um sistema inteligente capaz de analisar um texto e estrair informaçoes precisas de um banco de dados. Sao citados como primeiros exemplos serviços como del.icio.us e Flickr (lembramos que isto foi em 2006!), os “tags” protagonizando.

Na Wikipedia encontrei no verbete Web 3.0 um link para um site de “demonstraçao“.

Em artigo da Scientific American de maio/2001 se le “The Semantic Web will enable machines to COMPREHEND semantic documents and data, not human speech and writings”, um dos co-autores do texto é o proprio Tim Berners-Lee. Ve-se que o assunto nao é tao novo assim… enfim: Web 3.0, here we come!!!

“O que torna a web uma nova dimensão da realidade é a liberdade”

Lendo o post do Jair tavares sobre as novas cadeias de valores nascendo com a Web achei bem interessante a enfase na liberdade (de onde tirei o titulo pra este post), a comparaçao com a organizaçao ao interno da web como na sociedade pré-industrial existiam os bricks e a definiçao da Web como um ambiente de “super-nichos”. No periodo de uma busca tao intensa por um léxico especifico lugar de “super-nichos” vem a calhar. Pensando ainda numa comparaçao do nosso mundo historico fisico, com o do universo Web, arriscarei em dizer que o mundo virtual ja nasceu liberal, com uma sua auto-gerencia, toda uma aparente ausencia de regras gestida por acordos tacitos e normas implicitas que até agora lhe garantiram sucesso.

Entrevista com publicitario sobre Web 2.0

Em um clique: Entrevista (no social media group) com Ricardo Cabianca sócio da CA’BIANCA Comunicação & Relacionamento

Sobre o momento pelo qual passam os meios de comunicação no Brasil e no mundo em relaçao à mudança do perfil do público usuário de novas mídias o publicitario responde:

Não creio que mudou o perfil das pessoas, consumidores, leitores. O que mudou foi a facilidade destas pessoas propagarem suas opiniões que sempre existiram, não somente para seu círculo familiar, social e
profissional, mas para qualquer pessoa que tenha acesso web.

E vejo que o momento é assustador para aqueles que faziam a comunicação, ou seja, jornalistas e publicitários, pois perderam o domínio e qualquer um pode gerar uma notícia e um “anúncio”. Um exemplo é o SuperTube, onde uma câmera na mão e um produto para vender, faz qualquer um ser um diretor de criação. E assustados, estes profissionais correm nas ações de tentativa e erro.

Ao mesmo tempo, o momento é de uma avalanche de criatividade, pois nunca se teve tanta criatividade acessível assim. A maior dificuldade é criar um envolvimento emocional de verdade, entre as marcas e seus consumidores, e provocar que estes sejam efetivamente embaixadores de suas marcas favoritas.

Apesar de ser uma estratégia muito mal utilizada e mal vista, o Marketing Multinível, deveria ser o canal ideal para o aproveitamento destas novas mídias, onde uma pessoa “valida” um produto, gera conteúdo sobre ele, vende e deveria ser “remunerado” por isso, usando outros tipo de moedas, do que dinheiro. Infelizmente começou errado e para consertar só em outra era glacial.


O poder da comunicaçao na mao das pessoas comuns é uma coisa ainda a ser estudada. Ainda sou timida para fazer afirmtivas categoricas sobre o assunto, mas nao creio que o passaremos por isso sem grandes transformaçoes. “Revoluçao comunicativa” seria um termo muito radical, mas passa pela minha cabeça. Discordo de Capabianca Cabianca no ponto em que diz que “o perfil das pessoas, consumidores e leitores” nao mudou. Eu me sinto mudada, e eu consumo, leio, publico, produzo. Leiam aqui mais sobre o Web 2.0, o Silvano chega a apontar para o “poder de massa”…

Compartilhar memórias: Linkory

A historia e a memoria se entrelaçam no ambiente das redes sociais. Quem lembra quando começou a febre do Orkut.com no Brasil? Quanto tempo passavamos na frente do computador, passando de amigo a amigo, album em album, comunidades em comunidades, adicionando, sendo adicionado, escrevendo, recebendo recados… Quem nao reencontrou aquele velho amigo? O principio das redes sociais parecia mesmo ser algo destinado a reunir os amigos, algo na ordem dos encontros e reencontros virtuais e formar comunidades de pessoas ao redor das mesmas paixoes e interesses.

A primeira geraçao de redes sociais se revelou bem mais que isso e o seu potencial de “envolvimento” dos participantes revelou-se um produto muito atraente também para empresas. O network deixou de ser uma coisa para amigos e se expandiu (e continua se expandindo) indefinidamente.

Depois que entrei para o Facebook, achei que o Orkut era ja “arcaico”, mas acho que essa sensaçao serà comum daqui pra frente. Ja nao nos surpreendemos mais com as inovaçoes (estranho sintoma este da nao surpresa), nao tem mais espaço para uma “febre” porque os diferentes espaços para network ja estao tao disseminados que as pessoas se dividem para participar destas conforme a distrubiçao de seus interesses e amigos quase “naturalmente”, participar de uma destas redes nao é mais exepcional, entre os jovens é ja natural.

Pessoalmente eu testemunho que mais de 95% dos jovens americanos que conheço no PUB em que trabalho em Florença possuem Facebook e quando falam comigo a respeito, nao perguntam se eu tenho facebook, mas como fazem para me achar (esse percentual cai muito em se tratando de jovens europeus, mas pros EUA, vale!). Dai percebemos como esta participaçao ja faz parte da rotina. Isto é, uma pessoa que antes tinha so endereço postal, o telefone residencial e no maximo um celular, hoje tem também e-mail (em alguns casos também um segundo endereço opcional), skype, AIM, msn, profile facebook ou Myspace, e por ai vai.

E vem ai uma segunda geraçao destas redes sociais, como por exemplo o novo linkory.com. Se reunem pessoas conhecidas e desconhecidas em torno de eventos e acontecimentos (publico ou privados) do qual participaram ou gostariam de ter participado e podem, através dos registros disponiveis ali (fotos, videos e depoimentos) saber como foi, avaliar, reviver, relembrar…

Como assinalado por Maurizio Goetz, introduz o conceito de Citizen History (em outras palavras Historias das Pessoas, uma sorte de Historia Cultural, nao quereria aqui chamar de micro historia), da historia vista pelos/através dos olhos das pessoas. ( vale sublinhar que a historia vem se aproximando cada vez mais do cotidiano e das pessoas “comuns”, que participam assim mais ativamente, ainda que inconscientes, do seu processo de escrita vulgar, quais sejam estes das variadas narrativas que encontramos na blogsfera e no interior destas redes sociais em formas de depoimentos, comunidades etc)

Eu recebi uma mal direta do Linkory, me convidando para participar. Visitei o site e encontrei a apresentaçao abaixo:

Ainda nao entrei (por falta de tempo) para brincar, mas o farei em breve. Li algumas coisas a respeito em italiano aqui e aqui. Em ingles aqui.