Refletindo História, Memória e Patrimônio

Estamos vivendo um intenso movimento de preservação da memória. As sociedades contemporâneas sofreram uma profunda alteração na sua relação com o tempo e o conjunto de fatores responsáveis por este processo culminou na instauração de um regime presentista do tempo atrelado à experiência moderna. Estas transformações trouxeram consigo uma mudança também no que diz respeito à relação do homem com o seu passado, revelando-se questão de escopo muito maior no tocante às mutações na compreensão da temporalidade e o papel do historiador diante dos novos problemas que desta forma se apresentam para pensar a passagem do tempo na contemporaneidade. E’ sob esta exacerbada patrimonialização experimentada atualmente em escala internacional que os proximos posts vao discutir, recuperando e editando um artigo meu elaborado para o final do curso de Historia, Memoria e Patrimonio, com o Prof. Manoel Salgado no II semestre 2007.

[1] Introduçao: Uma nova concepçao do tempo

É inescapável, para compreender as alterações nas relações do homem com o tempo, lançarmos mão das categorias “espaço de experiência” e “horizonte de expectativa” de Koselleck, que as pensa no âmago da experiência moderna. Segundo ele, elas fecundam a modernidade marcada por um esgarçamento entre estas categorias, que ele chama de antropológicas, pois são inerentes à condição humana enquanto recordações ou lembranças do que passou e esperança, prognósticos do que estar por vir. Koselleck não pensa o tempo como um dado da natureza e tão pouco segue a concepção de cronologia de Descartes. Para ele, o passado pode ser compactado no presente e o futuro, por sua vez, como ainda admite diversas possibilidades de realizações, é também presentificado, mas fica disperso numa infinidade de momentos. A modernidade passa a comportar sob esta perspectiva um forte presentismo, pois se presentificam passado e futuro, ainda que de maneiras distintas, a partir da ruptura com uma perspectiva linear da História, simbolizado pelo ja referido esgarçamento, que torna a modernidade um lugar de novidade no qual se pode assumir a existência de um imprevisível, ou o “impredizivel” [ARENDT, Hannah], que permite a transcendentalização da História.

Embora seja impreciso datar suas exatas origens, fica patente com isso que a modernidade é a “mãe” das transformações que nos propusemos a analisar, pois foi no bojo da experiência moderna que foi modificada radicalmente a maneira do homem lidar com a dimensão temporal e a passagem do tempo, logo se alteraram e se criaram-se novas formas de narrativas de passado, o que implica dizer que o historiador passa a se defrontar com uma nova semântica do tempo experimentada sobretudo a partir da Revolução Francesa. Ainda outra experiência a causar impactos na maneira de se compreender a História, alterando a forma do homem lidar com a memoria, é a atordoante experiencia do Holocausto (posteriormente resignificada e “globalizada”). Foi no embalo destas experiências que se configurou então, a nova relação do homem com a memória.

*aguarde continuaçao no proximo post: [2] Aceleraçao do tempo e o culto aos monumentos

2 comments

  1. Cara!

    Período passado, eu tive uma matéria muito foda, chamada História, memória e documento.

    Falamos sobre a perda de sentido dos monumentos com o tempo, sobre como o que eles representam não é preservado ; sobre memória coletiva X memória individual ; e sobre o conceito de monumento-documento.

    Vamos ver se no resto do seu texto eu acho algo conhecido.
    Merda é que eu não consigo lembrar o nome dos autores que eu li, só do Le Goff que eu lembro.rs

  2. memoria coletiva x memoria individual ….to tenddo essa materia nesse semestre kra…

    ai alem do le goff tem o pierre nora …entre outros q agora tbm naum lembro…

    mas ai …materia super interessante…

    abçs para tds os historiaddores da rede ..

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