Refletindo História, Memória e Patrimônio

[2] Aceleraçao do tempo e o culto aos monumentos

Nos paragrafos introdutorios dessa reflexao insistimos bastante sobre a importância da modernidade para a discussão das mudanças na concepção da temporalidade pois, no que concerne a nossa proposição em refletir sobre o fenômeno da patrimonialização, a modernidade introduz um elemento indispensável à nossa argumentação sobre os porquês de tal fenômeno, qual seja este elemento, a aceleração do tempo. Ou seja, aquela sensação que coloquialmente descrevemos como um tempo que “passa voando”.

A modernidade inaugura desta forma um momento no qual a velocidade das transformações, dos acontecimentos e eventos, tambéem em escala mundial se elevou consideravelmente. Após as revoluçoes industriais dos séc. XVIII e XIX e com as novas tecnologias de transporte e comunicação, as distâncias físicas entre os espaços foram relativamente reduzidas o que implica em mais transformações, como por exemplo, na maneira do homem utilizar o seu tempo no dia-a-dia, de se relacionar com as pessoas, nas formas de trabalho, mudanças na paisagem seja urbana ou rural, etc. Então, este contexto transformações tem marcos de expoência distinta, como a Revolução Francesa e, com um olhar mais antropológico, as pequenas, porém significativas mudanças no cotidiano das pessoas. Assim, compreendemos que a modernidade traz consigo uma nova visão de mundo ou, para melhor servir à nossa argumentação, um novo homem, com novos desafios, novos conflitos, novas tendências, novos medos e poderes (capacidades).

As ciências tecnológicas se dedicam a novas descobertas e as ciências humanas ganham também importantes contribuições de caráter inédito. Lembremos que o século XIX instaurou a História como disciplina e, embora o nosso interesse aqui não seja meditar sobre a significação da instituição desta disciplina, isto não pode ficar omisso no panorama de transformações que ensejamos traçar aqui. Há de se considerar portanto, o peso de se dedicar a esta disciplina uma cadeira exclusiva, isto é, admiti-la como autônoma e que deve, necessariamente, ser ensinada como tal. Há também de se somar no mesmo aspecto, a emergência da psicanálise de Sigmund Freud para, que da seus primeiros passos em um periodo de grande efervescência artística, cultural, social e científica que marcou a Viena contemporânea de Aloïs Riegl, que escreve O culto moderno dos monumentos, dedicando-se a pensar a questão como nos descreve Choay:

“Ele se vale de todo o seu saber e experiência como historiador de arte e conservador de museu para empreender uma análise crítica da noção de monumento histórico. Este não é abordado apenas sob uma perspectiva profissional, como a de Boito, mas tratado como um objeto social e filosófico. Só a investigação do sentido ou dos sentidos atribuídos pela sociedade ao monumento histórico permite fundar uma prática. Daí uma dupla abordagem – histórica e interpretativa.”

Riegl escreve sobre o culto aos monumentos de forma que nos leva a compreender a obsessão pela preservação, pela conservação destes, demonstrando-nos que de certa forma estes monumentos foram “sacralizados” pela sociedade. Se tornamos ao pensamento anterior sobre a aceleração do tempo percebemos a realação que se estabelece entre esta, o culto aos monumentos e a modernidade, já denunciada por Viollet-le-Duc quando a respeito de restauração – esta diretamente relacionada a preservação dos monumentos – nos diz “a palavra e o assunto são modernos”.

*aguarde continuaçao no proximo post: [3] Na Pos-Modernidade patrimonializamos

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