Refletindo História, Memória e Patrimônio

[3] Na pós-modernidade patrimonializamos

A pós-modernidade é imersa em grandes transformações. A todo tempo o homem “empreende novidades”. São novos desejos; novas culinárias; novos modelos de carro, de casa, de roupa; descobertas no espaço; a invenção e as constantes inovações do ciberespaço; se fazem muitas descobertas também no campo das biologias, inclusive biotecnologias; etc. A globalização é real e a metáfora da diminuição do globo é somente virtual, o que não significa que as pessoas estejam mais próximas. A vulgarmente chamada “correria” é apenas uma das formas que denunciam a revaloraçao do tempo. Tudo é aindamuito fluido para se dizer que novo valor é esse. Nem mesmo sabemos se queremos de fato atribuir um valor. Na pos-modernidade a liquidez dos conceitos é a queda dos absolutos. Por outro lado porém, o contraste:a patrimonializaçao parece querer resgatar a concretude, parece fazer, vulgarmente falando, um back-up dos nossos referenciais, teoricamente acessivel a todos… uma busca por estabilidade e absolutos em meio a um surto de relativismos numa realidade por nada estatica.

Entao por que monamentalizar e patrimonializar? De onde vem este apego ao passado, este querer de memória?

A resposta para esta questão tem uma dimensão subjetiva que só pode ser compreendida a luz da história cultural, que nao teve muito espaço com a historia social. Para entendermos esta crescente busca pela memória, podemos recorrer às causas do que Beatriz Sarlo chama de “mercantilização da memória”. Isto é, o processo de vender e comprar memória, o que implica dizer, necessariamente, que existe uma demanda por esta memória e, se vem num crescente este processo, isto nos aponta que esta demanda encontrou ecos e està aumentando continuamente.

A razão para uma simples busca pela memória poderiam ser muitas e variadas, imaginemos por exemplo que algumas pessoas poderiam – destacadamente – querer comprar ou preservar objetos que lhes resgatassem a memória simplesmente por um despretensioso capricho ou por uma mania, o que poderiamos ler também como um hobby, entretanto seria ingênuo e muito simplista usar o hobby como explicação para o que vivemos hoje e seria inadequado pensar desta forma pois teríamos que conceber a grande coincidência de um hobby de massas. A questão que se coloca por trás deste grande apego à memória tem raízes em todas aquelas transformações que explicitamos anteriormente. É sob esta perspectiva que nos convém pensar a patrimonialização, entendendo que este é um fenômeno que reflete toda esta grande busca pela memória, algo que é sintomático e, apesar de esta parecer uma discussão muito do campo das idéias, medidas concretas foram tomadas para “normatizar” ou viabilizar a normatização, a criação de códigos comuns para que os países pudessem “cuidar” (no sentido de conservação) dos seus patrimônios. Atualmente existe todo um aparato estatal envolvido na conservação do patrimônio e este assunto vem sendo discutido, inclusive em conferências internacionais, começando pela que originou a Carta de Atenas, de 1931, onde se discutiu, pela primeira vez em um âmbito supra-nacional, a questão da preservação dos monumentos históricos, se dedicando principalmente a estabelecer regras sobre a administração, restauração e conservação dos monumentos.

Para ilustrar apenas um caso onde junto com a patrimonializaçao outras medidas que dizem respeito ao tratamento da “memoria” sao tomadas vale dizer que em 2005 a ONU instituiu o dia 27 de janeiro como o Dia Mundial da Memoria (em memoria das vitimas do holocausto), nao por acaso em 2003 começava a a ser construçao do Memorial para os Judeus Assassinados da Europa, em Berlim, cujo projeto tinha sido idealizado em 1999 pelo parlamento alemao, assim como o dia 27 de janeiro ja era considerado desde 1996 o dia da memória das vítimas do nazismo, pois a data marca a libertação dos judeus do campo de concentração de Auschwitz em 1945.

*aguarde continuaçao no proximo post: [4] Contra o pavor da perecibilidade: Memória (Vide Bula)

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