Refletindo História, Memória e Patrimônio

[5] Monumento – Documento

Do mesmo modo que um historiador interroga um documento histórico (fonte) ele pode também interrogar um monumento, ainda que para isso use metodologias diferentes, mas na essência, aquele prédio/contrução antes de se tornar monumento, tinha seu valor histórico adormecido, e só quando convocado a “monumentalização” é que este valor se evidenciava de fato. É como um documento ao qual o historiador dirige uma pergunta o tornando uma fonte (salvo as suas especificidades), no processo que Michel de Certeau chama de “operação histórica”. Nesta comparação, entendemos que se podemos extrair dos documentos algum sentido histórico, o mesmo pode ser feito com um monumento, a partir do qual, algumas pistas, alguns indícios, sob o olhar de um especialista podem revelar detalhes sobre o passado poispatrimonializar é também uma forma de ritualizar a passagem do tempo.

Ja compreendemos que o processo de patrimonialização em discussão é fruto desta demanda exagerada pela memória na sociedade contemporânea filha da modernidade da qual já falamos longamente neste texto. Tendo isto em vista, consideramos que também o papel do historiador diante destas modificações todas deve ser o de ter um olhar sem preconceitos, capaz de somar esforços com outras áreas (arquiteturas, arqueologia, museologia, antropologia) para se debruçar sobre estes novos problemas da memória social e ser capaz de extrair de sua análise algum conhecimento sobre o passado. Jamais houve um período em que tanto se conservou e se destruiu tanto como estes últimos anos após a Segunda Guerra Mundial, é Choay quem nos chama atenção para isto e também para o fato de que “é impossível tudo conservar” no seu prefácio à obra de Riegl O culto moderno dos monumentos. O historiador deve estar antenado a todas estas modificações e pronto para investigar, além das aparências, o que estas significam. O historiador precisa compreender em seus detalhes o que significa a atual tensão entre lembrar e esquecer, já antecipada por Freud quando ele dizia que a memória é apenas uma forma de esquecimento e o esquecimento uma outra forma de memória. Só podemos lembrar de algo quando o esquecemos e não é possível lembrar tudo ao mesmo tempo, uma recordação total é impossível e, neste sentido, há de se olhar desconfiados para o exagero entorno da monumentalização de “tudo”. Até mesmo patrimonios imaterias de nossa cultura estão sendo “patrimonializados”, cadastrados, salvaguardados por recomendações de um órgão como a UNESCO.

*aguarde continuaçao no proximo post: [6] Conclusao: Quem escolhe o que lembrar e esquecer

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