Entre a suástica e a palmatória: História Material, Oral, Cultural, Digital e Pública!

A Revista de História da Biblioteca Nacional (RHBN) acaba de lançar o vídeo “Entre a suástica e a palmatória” que transforma o tema da tese de doutorado do historiador Sidney Aguilar Filho em 22 minutos de uma belíssima apresentação histórica sobre a presença de simbologias e práticas de inspiração nazista em uma fazenda no interior do estado de São Paulo, antes da Segunda Guerra Mundial.

Atenção: Não se trata de um docudrama (como aqueles interessantes também, criados pela TV Brasil sobre História do Brasil). O vídeo não é um documentário, um longa ou um curta. Chamaram-no de “reportagem em vídeo” e talvez este termo seja mesmo o mais próximo de uma boa definição: uma reportagem sobre um tema histórico.

É verdade que estamos bastante familiarizados com o recurso aos fatos históricos em reportagens televisivas e de jornais ou revista impressos, afinal, a história, sobretudo quando se apela para as “testemunhas [oculares] incontestáveis”, ainda é um dos mais recorrentes argumentos de autoridade que, fora da academia, mobiliza e convence, sem mais chorumelas. O que me chama atenção neste vídeo, entretanto, é a iniciativa da RHBN em utilizar o gênero jornalístico “reportagem” para tratar de um assunto que não ocorreu recentemente, não está em alta na mídia e nem foi recuperado em função de alguma data comemorativa. A descoberta realizada pela tese de Aguilar – “Educação, Autoritarismo e Eugenia: Exploração do trabalho e violência à infância desamparada no Brasil (1930-45)” – poderia cair no esquecimento dos arquivos da Unicamp antes mesmo de ser, de alguma maneira, divulgada para o grande público. O serviço que nos presta a RHBN com tal reportagem é não só de comunicar aos pares, em um formato bem realizado, a novidade da pesquisa, mas de oferecer à comunidade historiadora a chance de sair dos claustros da academia e tornar público o fruto de um árduo trabalho.

O trabalho com história oral e material que imagino ter sido realizado por Aguilar apresenta, me parece, características que já torna seu resultado mais palatável ao grande público (que insisto em não chamar de leigo): as vulgas “evidências concretas”, para além dos documentos – um tijolo, uma testemunha ocular! A junção destas características ao empenho da RHBN, às tecnologias e aos recursos humanos necessários para criar esta “história visual” e às novas mídias que possibilitaram sua divulgação na grande esfera pública virtual (Web! Youtube…e o céu é o limite) me parece um belíssimo exemplo de História Digital e Pública.

Façamos bom proveito. Parabéns Sidney Aguilar Filho pela pesquisa e cumprimentos também à RHBN e aos envolvidos na produção do vídeo pela ótima iniciativa.

Aproveito o ensejo para compartilhar o trecho da instigante resenha de William Mari (University of Washington, Department of Communication) para o livro Technologies of History: Visual Media and the Eccentricity of the Past, de Steve F. Anderson, sobre integração entre História, tecnologias e mídias para a construção de narrativas como a de “Entre a suástica e a palmatória”. O livro promete uma boa reflexão:

“As more of our lives are lived “online,” more of our memories, in turn, are found and formed in unexpected digital spaces, including social media, video games, television, and movies. This is what Steve F. Anderson, the director of the PhD program in media arts and practices at the University of Southern California’s School of Cinematic Arts, argues in his purposely eclectic “metahistory of media histories” (p. 15). Advocating for the constructive role that mediating images, or visual history, has on the “world of the past,” Anderson explores how digital media in particular help to create society’s collective cultural memories. These digital media function as “technologies of history” by actively revising and disrupting traditional, linear ideas of what safely organizes conceptions of the past. Indeed, Anderson argues that we should constantly reimagine how we envision that past and navigate our relationship to it. He sees the current “collision of digital media/technology and history” as an opportunity to shake up assumptions about how to present and organize history (p. 161). (…)”

2 comments

  1. Meu nome é Mauricio Rocha Miranda, membro da família atacada por Sidney Aguilar Filho em sua tese de doutorado, que é ingenuamente enaltecida nesse blog.
    Em resposta à difamante tese, sugiro que a autora do blog acesse nossa resposta em: ODIREITODERESPOSTA.WORDPRESS.COM e constate a má fé do doutorando ao construir sua escada em cima de uma família séria. E após suas conclusões, retire seu texto to blog.

    1. Prezado Mauricio,

      Não quero contráriá-lo, apenas entendo que meu post não faz enaltecimento ao conteúdo da tese citada. Note, por favor, que trato do suporte e da abordagem que a “reportagem” adotou em relação ao trabalho de pesquisa histórica (que poderia ser este, ou qualquer outro tema) realizado. Não removerei o post, pois este é um espaço aberto e livre para a divulgação científica e, como deve ter notado, dedicado a discutir questões metodológicas da História. O post não fere, nem difama qualquer pessoa.

      Conto com sua compreensão.
      Atenciosamente,
      Anita.

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