Aniversário

Hoje este blog completa 05 anos de atividades.

Neste tempo, tanta história aconteceu. História, como por aqui muito nos apraz, do Tempo Presente, presentíssimo. O tema que norteia as postagens do blog já se apresenta de uma maneira bastante diversa no cenário mundial. Não é mais apenas uma expressão “Digital History” ou “Storiografia Digitale”, mas começa a ser explorado, aqui e acolá, de muitas outras maneiras, sob muitos outros ângulos. A História se faz digital e, consequentemente, se faz pública.

Talvez um dos momentos de maior inflexão em minha escrita e pensamento – após a partida do querido professor Manoel Luiz Salgado Guimarães (quem me deixou muitos ensinamentos) e do encontro com o sinhô dotô, meu orientador, professor Dilton C.S Maynard (quem me acompanha na aventura desse mestrado por graça da professora Giovana Xavier – estou lhe devendo essa, Gi!) – tenha sido há poucos dias, em terras distantes, mais uma vez. Se antes, quando nasceu o blog, em maio de 2008, eu estava na bota mediterrânea, tomando impulso no que diziam os pesquisadores italianos sobre a relação entre História e Digital/Internet; conhecendo os estadunidenses através dos primeiros. Desta última vez, meu físico estava em terras norte-americanas, mais especificamente Canadá.

Uma coisa puxa a outra. Depois de quase 05 anos que nos falamos pela primeira vez, reencontrei o professor Serge Noiret no encontro anual do Conselho Nacional de História Pública dos Estados Unidos, que foi mês passado, em Ottawa (NCHP 2013). Há muito não conversávamos por e-mail, mas em novembro do ano passado, bem aconselhada pela africanista Érika Melek, resolvi entrar em contato com Serge Noiret e muita coisa aconteceu desde então. Filiação à Federação Internacional de História Pública, introdução aos colegas da simpática revista Diacronie e um saudável empurrão de Noiret para que eu não hesitasse em submeter uma proposta para o encontro que aconteceria em abril deste ano.

É preciso dizer que a coragem para escrever em outra língua e o incentivo para correr qualquer outro risco (inclusive os financeiros), partiram das críticas sinceras de Érika Melek aos textos que apresentei nos congressos de 2012. Chega de blablablá. E não, nunca achei que eu tivesse inventado a roda, mas meus textos pecavam no tom arrogante de falar de um tema pouco explorado e pecavam novamente na análise superficial, do ponto de vista historiográfico. Precisava ir além da discussão senso comum, pateticamente egóica. Aos poucos, eu que não aceitava muito bem as críticas, acostumada que era a ser a pessoa da turma que mais emprestava o caderno para os colegas (bons tempos de faculdade!), aprendi a refletir de outro modo sobre a minha prática. E sigo aprendendo. Há tanto mais entre céu e mar, entre terra e mar. Tanto que preciso aprender, de sutilezas e de pedras de que também é feito o nosso metier de historiador acadêmico.

O evento foi fantástico. As trocas. As perguntas que foram feitas e principalmente as que ficaram. As propensas novas amizades (o tempo dirá) e os desafios que se apresentaram são mais uma razão para que eu me fascine, seja pelo potencial transformador do Digital, seja pela tremenda novidade que ainda é para mim a História Pública.

No meio do caminho, considerem-se uma monografia, um AVC de minha mãe, dois anos já superados de sala de aula, três dengues, várias mudanças, incluindo um cruzamento transatlântico, o fim de uma parceria que jurava ser eterna, a ressignificação de mim mesma, minha casa e meus amigos. No meio do caminho, um adeus para a menina, ex-Anita da Padaria, e uma certa bagunça para fazer espaço à mulher mais madura que vinha chegando (oi? Acho que ainda não chegou). Eu que trabalhei desde os 15 em trabalhinhos “precários”, como dizem, e passei a graduação inteira sem me mexer do ponto de vista acadêmico (nada além das provas, nenhum congresso, nenhum artiguinho), em 2012, uma vez mestranda, aceitei os conselhos do meu orientador e comecei a apresentar aqui e ali, as ideias bem loucas que tinha/tenho sobre a relação entre História e Internet.

Todo este tempo este blog me acompanhou, ora sendo atualizado com mais cuidado, ora ficando um pouco empoeirado. Mas o importante é que em 05 anos, através desta janelinha para o mundo virtual, conheci também outras pessoas, com quem, com muita satisfação, pude e ainda posso trocar ideias sobre o meu tópico tão pouco convencional. O importante, talvez, seja o processo de reflexão que inicio toda vez que me ponho a escrever um post. A escolha do assunto, dos links, a forma, o jeito de dizer, as tags, as imagens. A escolha. As escolhas.

ottawa-poster

05 anos depois, o blog ganha alguma materialidade para além da WWW.
Poster Session, NCPH 2013.

Obrigada a todos e todas que tornaram isto possível! Cinco anos depois, 115 posts depois, aí vamos nós!

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