Month: October 2013

Por Drummond

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Ah, não se mate! Te faço um convite triste, tenho perguntas em forma de cavalo-marinho. Chama pela memória. Será tão duro assim amar? Lembra daquela tarde de maio? Do Rapto? Depois o convívio, a permanência… até que a máquina do mundo pusesse o quarto em desordem e nos mudasse de domicílio.

Aguardo um retorno. Escrevo uma carta. Subo e desço a escada impaciente, esperando outra viagem de três dias, a consideração do poema, que sempre pode ser mais de uma. E carrego comigo nosso tempo, ansiando a passagem do ano. Mais um episódio dessa história de dois amores, sem uma nova canção do exílio. Me lembro d’O elefante, lembra? E enquanto isso mando notícias e vou vivendo os últimos dias como posso. Haverá, em breve, aurora (como é maravilhoso o amor). Dançai, meus irmãos! Dançai!

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História de dois amores, Drummond, p.38 / Ilustração: Ziraldo

[fim]

*Um passeio hipertextual por poemas de “Brejos das Almas” (1934), “Claro Enigma” (1951), “Fazendeiro do Ar” (1951), “A Rosa do Povo” (1945), “Novos Poemas” (1948) e “História de dois amores” (1985).

31 de outubro, DiaD, em comemoração ao nascimento do poeta,

Anita Lucchesi

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Vers une autre histoire

Techniques tout cela, et rien de plus? — Techniques, en effet. Mais si vous en parlez avec dédain, je ne saurais vous suivre. Et puisque nous sommes placés sur ce terrain, qu’il me soit permis d’ajouter quelque chose. De moins important, mais qui a son prix. L’histoire se fait avec des documents écrits, sans doute. Quand il y en a. Mais elle peut se faire, elle doit se faire, sans documents écrits s’il n’en existe point. Avec tout ce que l’ingéniosité de l’historien peut lui permettre d’utiliser pour fabriquer son miel, à défaut des fleurs usuelles. Donc, avec des mots. Des signes. Des paysages et des tuiles. Des formes de champ et de mauvaises herbes. Des éclipses de lune et des colliers d’attelage. Des expertises de pierres par des géologues et des analyses d’épées en métal par des chimistes. D’un mot, avec tout ce qui, étant à l’homme, dépend de l’homme, sert à l’homme, exprime l’homme, signifie la présence, l’activité, les goûts et les façons d’être de l’homme. Toute une part, et la plus passionnante sans doute de notre travail d’historien, ne consiste-t-elle pas dans un effort constant pour faire parler les choses muettes, leur faire dire ce qu’elles ne disent pas d’elles-mêmes sur les hommes, sur les sociétés qui les ont produites — et constituer finalement entre elles ce vaste réseau de solidarités et d’entr’aide qui supplée à l’absence du document écrit ? Pas de statistique, ni démographique, ni autre : allons-nous répondre par la résignation à cette carence ? Être historien, c’est au contraire ne jamais se résigner. C’est tout tenter, tout essayer pour combler les vides de l’information. C’est s’ingénier, le grand mot. Se tromper ou, plutôt, vingt fois se jeter avec enthousiasme dans un chemin plein de promesses — et puis s’apercevoir qu’il ne mène pas où l’on voudrait aller. Tant pis, on recommence. On reprend avec patience l’écheveau aux bouts de fil cassés, emmêlés, dispersés. Relations à longue distance des très vieilles civilisations ? Des textes ? N’espérons pas tant. Mais des formes de bateau, aujourd’hui encore associées à tel ou tel instrument, à telle ou telle pratique culturelle, à tel nombre, à tel vocable, à tel rite ? Datées parfois, fortuitement, et qu’on saisit ici, et ici et encore ici : voilà qui permet — avec cette sorte d’ivresse que donne le cheminement sur cette étroite arête, entre vraisemblance et fantaisie, pure invention et constatation — voilà qui permet de préparer les matériaux d’une carte : disons de l’océan Indien, cette grande matrice de civilisations, avant que la Méditerranée, peut-être, ne connût sa première mise en ordre et son premier essor… (…) Gardons-nous de sous-estimer la puissance persistante de ce vieux tabou : «Tu ne feras d’histoire qu’avec les textes.»

 Lucien Febvre. “Vers une autre histoire”, Combats pour L’Histoire p. 487-488, 1953.

Sempre atual.

Censura! Censura! Facebook está impedindo várias pessoas de postarem qualquer coisa

censuraFoi necessário fazer um update no post e reinserir a imagem do print acima, que na primeira postagem não foi incluída, misteriosamente.

O texto em que eu indicava o link da transmissão do Mídia Ninja também desapareceu.

Vamos ver se agora vai: http://twitcasting.tv/midianinja_rj 

Abaixo a Censura e a Ditadura!

Sábado “Divino, Maravilhoso” no Pré-vestibular Social (JAC)

Este sábado (19.10.2013) a aula foi diferente. Ao invés da exposição dialogada costumeira, com apoio no quadro ou no datashow, resolvi levar documentos e textos de apoio para serem discutidos em grupo pelos alunos. O tema era Ditadura Militar no Brasil, mas em geral, o subtexto era: censura, repressão, centralização do poder.

Cada grupo teve 2 minutos para apresentar sua análise à turma. Entre uma apresentação e outra tivemos espaço para comentários meus e de outros grupos sobre o assunto apresentado. Trabalhei os mesmos conjuntos de documentos com todas as turmas e desde o início do dia, havia 06 kits com distintos documentos, de modo que realizamos a atividade em até 06 grupos, nas turmas maiores.

Alguns registros da atividade

Alguns registros da atividade

Para fazer a análise dos documentos, a orientação foi a seguinte: identificar natureza e autoria do documento, bem como localizá-lo no tempo; selecionar um trecho ou uma imagem para ser lido/mostrada para a turma e justificar a seleção feita pelo grupo em face ao tema da aula. Muito interessante como cada aula foi singular nesse aspecto, a seleção dos trechos e das imagens mudando de grupo para grupo. Gostaria muito de ter tido mais tempo para desenvolver essa atividade. Um tempo de aula deixou na vontade. Preenchemos juntos um quadro com palavras-chave extraídas e/ou inspirada nas “fontes”. Cada grupo pode escolher duas palavras, se a palavra escolhida já estivesse no quadro, poderia ser apagada e reescrita maior.

Em dois conjuntos de documentos havia materiais sobre o Tempo Presente (presentíssimo) de 2009 e 2013. Meu objetivo com esta seleção era problematizar a diferença recentemente cobrada na prova da UERJ entre as manisfestações daquele tempo (1968) e as atuais: o fato de as primeiras estarem inscritas em um período ditatorial e as últimas em um Estado de Direito (veja a resolução comentada da questão nº 57 do 2º Exame de Qualificação 2014 na Revista Eletrônica do Vestibular Estadual). Para adicionar um quê da cultura material das manifestações mais recentes, levei para a sala a máscara e os óculos de proteção que tenho sido obrigada a utilizar em alguns atos por conta dos excessos da PMRJ nos “confrontos com manifestantes”, como diz o mainstream da nossa mídia, mesmo em pleno estado de direito.

Neste sábado a aula foi pra mim. Aprendi tanto tanto, do quanto precisamos reinventar todos os dias o nosso lugar e do quanto é maravilhosa essa profissão professora que nos últimos dias me fez chorar de verdade.

O resultado do quadro, ao final do dia, fala por si:

Ditadura me lembra...? Quadro preenchido pelxs alunxs

Ditadura me lembra…? Quadro preenchido pelxs alunxs

Os documentos trabalhados foram:

  • Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968
  • Lei nº 7.170, de 14 de dezembro de 1983 (que define os crimes contra a segurança nacional e a ordem social)
  • Charge de Fortuna publicada no Correio da Manhã em 07/10/1966
  • Charge do Latuff sobre a morte do Herzog + foto do Herzog encontrado morto
  • Cartaz “Saia conosco da sombra”, Movimento Feminino pela Anistia no Brasil, 1975.
  • Livro “Brasil nunca mais”, projeto “Brasil: nunca mais
  • Trecho do livro “Violência pra quê?” (2011) de Anselm Jappe
  • Capa de O Globo de abril de 04 de abril de 1968
  • Capa de O Globo de 17 de outubro de 2013
  • Reportagem “Apologia a atos de violência nas redes sociais pode ser considerada crime, diz delegado” (O Globo, 15/10/2013)
  • Reportagem  “STF derruba Lei da Imprensa editada durante a ditadura” (Jornal da Cidade 01/05/2009)
  • Postagem da página do Facebook “Ninja” (Mídia Ninja) intitulada “Ditaruda 2.0” de 16 de outubro de 2013.
  • Foto de uma manifestação em frente à Câmara Municipal do Rio de Janeiro na tarde desta quinta-feira, 17 de outubro de 2013, em solidariedade aos presos políticos do dia 15.
  • Foto da Passeata dos Cem Mil, 1968

Textos de apoio:

  • O AI-5, Maria Celina de Araujo (FGV)
  • Censura nos meios de comunicação, Daniel Aarão Reis e Denise Rollemberg (Memórias Reveladas)
  • Movimento pela Anistia Ampla Geral e Irrestrita, ABC de Luta

Outro material de apoio:

Afixei em um canto do quadro para consulta uma cronologia de todos os presidentes do 1964 a 1985, com foto e destaque para principais características do governo. Foi um recurso importante para que xs alunxs pudessem localizar de que período eram as informações encontradas nos documentos e textos de apoio.

Outro recurso utilizado foi o áudio. Lei uma playlist de canções de protesto, com textos de contestação e denúncias. Durante a aula, deixei o som ligado em volume baixo e em alguns momentos oportunos, durante a análise das fontes ou entre a apresentação de um grupo e outro, eu aumentava o volume e chamava atenção para um trecho específico da composição, mencionava o ano, o compositor e relembrava as estratégias para furar a censura.

A playlist pode ser ouvida via Youtube clicando na imagem abaixo (não sei porque o WordPress não está incorporando-a diretamente aqui). Em seguida, alguns trechos destacados das composições:

playlist

1.Panis Et Circensis, Caetano Veloso e Gilberto Gil (1968)

“(…)Mas as pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer (…)”

2. Novena, Alceu Valença e Geraldo Azevedo (1972)

“(…) Enquanto família reza a novena
As notícias
Que montam cavalos ligeiros
Vão tomando todo o mundo
Na casa, no lar
Esquecidos, todos ficam longe
De saber o que foi que aconteceu
E ali ninguém percebeu
Tanta pedra de amor cair
Tanta gente se partir
No azul dessa incrível dor

(…)

De orações a fala se faz
E lá fora se esquece a paz
Uma bomba explodiu por lá
Sobre os olhos de meu bem
E assim me mata também
Enquanto a novena chega ao fim
Bambas, bandeiras, benditos
Passando pela vida
E a novena se perde esquecida
De nós (…)”

3. A massa, Raimundo Sodré (1980)

“(…) A dor da gente é dor de menino acanhado
Menino-bezerro pisado no curral do mundo a penar
Que salta aos olhos igual a um gemido calado
A sombra do mal-assombrado é a dor de nem poder chorar

(…)

Mansos meninos domados, massa de medos iguais
Amassando a massa a mão que amassa a comida
Esculpe, modela e castiga a massa dos homens normais

(…)

A massa que eu falo é a quepassa fome, mãe
A massa que planta a mandioca, mãe (…)”

4. Pra não dizer que não falei das flores, Geraldo Vandré (1968)

“(…) Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão

(…)

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição (…)”

5. Mosca na sopa, Raul Seixas (1973)

“(…) E não adianta
Vir me detetizar
Pois nem o DDT
Pode assim me exterminar
Porque você mata uma
E vem outra em meu lugar (…)”

6. Divino, Maravilhoso, Caetano Veloso e Gilberto Gil (1968)

“(…)Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
(…)
Pro palavrão, para a palavra de ordem
Atenção para o samba exaltação
(…)
Atenção para as janelas no alto
Atenção ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção para o sangue sobre o chão (…)”

7. Eu quero é botar meu bloco na rua, Sérgio Sampaio (1973)

“(…)Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou (…)”

8. Apesar de Você, Chico Buarque (1978)

“(…) Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar (…)”

9. Cálice, Chico Buarque e Gilberto Gil (1973)

“(…)Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada, prá a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue (…)”

10. Ponteio, Edu Lobo e Capinam (1967)

“(…) Era um dia, era claro
Quase meio
Era um canto falado
Sem ponteio
Violência, viola
Violeiro
Era morte redor
Mundo inteiro…

Era um dia, era claro
Quase meio
Tinha um que jurou
Me quebrar
Mas não lembro de dor
Nem receio
Só sabia das ondas do mar (…)”

O Globo em 17.10.2013 – Muito aquém do papel de um jornal

[e-mail enviado por mim ao “O Globo” neste dia 17.10.2013. A capa em questão encontra-se aqui]O Globo,

A capa deste dia 17 de outubro de 2013 é uma afronta à nossa inteligência, à nossa humanidade e ao nosso bom caráter. Quando digo nosso é porque me incluo entre os vândalos acusados e criminalizados pelo seu jornal. Quando digo nosso, falo em nome dos meus professores e meus colegas da educação.

Entendo que um jornal tenha uma linha editorial, mais à esquerda, mais à direita, o que for. Estamos em um país democrático, não estamos? Então a liberdade de expressão deve ser garantida e cada um pode escrever o que quer, não é assim?

“Só” há um pequeno grande problema nisso tudo: um jornal que se compromete a informar a sociedade, um veículo de grande circulação que se sabe predominante onde é vendido, deveria ter, minimamente, o dever ético de zelar pela qualidade da informação que oferece à sociedade. Ao contrário, O Globo, não é de hoje, vem utilizando termos pejorativos para se referir aos manifestantes e desta vez, bateu o recorde aludindo ao clássico “Crime e castigo”, sugerindo a culpabilização e a punição dos cidadãos que foram às ruas dizer que são contra o precário estado em que a educação se encontra. Sugeriu, com todas as palavras, não só nas entrelinhas costumeiras, que o manifestante é um crimonoso. Disse que o engajado foi baleado. Ora, pelo amor de Deus (que nada tem a ver com isso): que mensagem os senhores querem passar aos seus leitores? Não. Obrigada, não carece resposta. Foi só força de expressão, desabafo.

A conivência do jornal com a repressão e o autoritarismo desse Estado já era sabida, salvo raros momentos de “exceção”. Desculpem qualquer trocadilho. Vocês tiveram a chance de no final do dia publicar uma “Autocrítica” qualquer, mas ao invés disso vimos as clássicas correções do bom Português. Mas, se querem saber, dou minha cara à tapa se as minhas colegas de Língua Portuguesa não prefeririam ver retratadas as palavrinhas: “vândalos”, “cadeia”, “crime”, “castigo” etc. Ali havia muito mais que erro!

Não sou assinante de vocês, então não me devem nada como cliente. Mas reclamo como cidadã desse país que ainda se diz do futuro, mas parece ter voltado aos porões da Ditadura Militar do século passado. Ops, porões, não. Desculpem, me equivoco. Estamos mesmo vivendo a dita-‘lei-mais-dura’ (como gostam de chamar vocês) à luz bem clara do dia, em meio à praça pública, sob as lentes de milhares de independentes que ainda tentam fazer alguma denúncia. Pra quê? Se com a força e irresponsabilidade esmagadora do seu jornal vocês deturpam e pausterizam toda a realidade ao seu bel prazer? Seu e de sei lá mais quem.

Não tenho nenhum jornal da sua grife aqui em casa. O que é uma pena, pois me alegraria acender uma fogueira para espantar os mau olhados e expurgar tanta maldade. Nossa sociedade aos poucos banalizou tudo. Tem sociólogos que estudam isso, sabia? A atitude blasé das pessoas tem um motivo. A gente às vezes precisa fingir que não vê certas coisas para suportar viver nessa subcondição de direitos, de respeito, de humanidade. Tanta banalização, entretanto, nos fez esquecer o valor dos ritos e das ações simbólicas. Quando faço essa alusão ao fogo, é porque ele simboliza limpeza em muitos contextos. Hoje, por ter pego no jornal O Globo, por ter me paralisado alguns minutos com aquele bolo de papel na mão, me sinto suja. E me sentirei suja enquanto não colocar pra fora a minha opinião.Seu jornal, para mim, de hoje em diante, perdeu definitivamente o respeito. Eu já entoava “A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”, mas ainda achava que valia a pena ler. Nem que fosse para criticar. E é verdade, durante anos me informei ali. Hoje não penso mais assim. Hoje O Globo desceu irreversivelmente pelo ralo da desinformação, da falta de ética, da inculcação ideológica mais baixa. Escorre para o mesmo esgoto onde se alimentam os ratos dessa ditadura que se reinstaura barulhentamente em 2013. Barulho que a sociedade precisa ouvir. Barulho de bombas, tiros e gritos de palavrões e humilhação na guerra civil da Cinelândia, da Av. Presidente Vargas, da Lapa etc. onde a PMRJ açoita trabalhadores. Barulho que os senhores querem transformar em baderna de rebeldes sem causa, a quem chamam de vândalos para desqualificar sua ação política e simbólica de reagir bravamente à porrada dos seres humanos fardados que esquecem seus cérebros e corações em casa quando saem pra trabalhar e bater em professor.

Não, senhores, nós não somos tão ignorantes. Não passou, como diria a minha avó, desapercebido. Não, nós não vamos abaixar a cabeça. Não, nós não vamos bater palma para a eficiente violência policial. Não, nós não vamos engolir o medo que querem nos fazer sentir e acomodar nossas bundas no sofá à espera do resumão do Fantástico no domingo. Não, nós não vamos sair das ruas. Não, nós não vamos esquecer ou abandonar os colegas presos injustamente. Não, nós não vamos aceitar que a polícia jogue a bomba, feche as aljemas e O Globo jogue os confetes. Não, nós não vamos mais comprar o seu jornal. Não, nós não vamos condescender com a desavergonhada blasfêmia que os senhores jogam pra cima dos manifestantes. Não, nós não vamos nos contentar em mandar um e-mail e compartilhar uma coisinha de desabafo nas redes sociais. Nós voltaremos às ruas e não saíremos delas mesmo que os senhores, o prefeito, o governador e a PMRJ vandalizem com a nossa vida, nos injuriem e nos acusem falsamente do que quer que seja.

Agora estou aqui, no fim dessa mensagem, pateticamente irritada já sabendo que ninguém dos chefões aí vai ler. Sem ainda ter me sentido limpa e de bom humor pra dar parabéns ao meu pai que faz aniversário hoje. Sem ter conseguido me concentrar no trabalho. A sensação de tempo perdido é grande, mas não supera o alívio dessa catarse. Espero que alguém, ao menos alguém aí que ficar responsável por abrir essa caixa de e-mail que a esta hora estará abarrotada, leia, pare e reflita um pouco sobre o senhor seu empregador e toda essa baixaria.

No Facebook já há manifestações de repúdio ao “O Globo”!

Da página "Escafandro". Bela crítica!

Da página “Escafandro“. Bela crítica!

Mesa redonda: Cultura Digital e Informação: Desafios para a memória do futuro | 22/10 | IBICT

Este mês, em função da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que acontecerá de 21 a 27 de outubro, participarei de uma mesa redonda no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). Vamos falar sobre o papel das tecnologias do nosso presente na construção de uma memória para o nosso futuro. Há muitos “se’s” e “porém’s” nessa história. Quem quiser se juntar a nós nessa discussão será muito bem-vindo!

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Nota da Anpuh-Rio e de demais departamentos universitários do curso de História contra as arbitrariedades do governo Paes

NOTA SOBRE O PROJETO DE LEI Nº 442/2013, QUE “DISPÕE SOBRE O PLANO DE CARGOS, CARREIRAS E REMUNERAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS”
Excelentíssimos Senhores Vereadores da Câmara Municipal do Rio de Janeiro,
Dirigimo-nos a Vossas Excelências para manifestar nossa preocupação com a possibilidade da aprovação, pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, do Projeto de Lei n.º 442/2013, de autoria do Poder Executivo, que “Dispõe sobre o Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração dos funcionários da Secretaria Municipal de Educação e dá outras providências”.
Referimo-nos, especialmente, aos dispositivos do Projeto de Lei que definem a criação, no Quadro de Pessoal do Magistério, do novo cargo de “Professor do Ensino Fundamental – PEF” para o exercício de atividades docentes em turmas do primeiro ao nono ano (artigo 4º, inciso II e respectivos parágrafos); e à previsão de mudança de denominação e migração, para o novo Quadro de Pessoal do Magistério, de servidores que atualmente detêm o cargo de “Professor I” (artigo 18º, inciso II e respectivos parágrafos e artigo 27º), cuja extinção, portanto, passa a ser prevista na medida em que ocorra a aprovação e a progressiva implementação do novo “Plano de Cargos, Carreiras e Salários”.
O cargo de Professor I é aquele integrado por profissionais com habilitação em nível superior, em curso de Licenciatura Plena, exercendo suas atividades nas escolas da Rede Municipal especificamente na disciplina habilitada do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e na Educação de Jovens e Adultos. Trata-se, dessa forma, de profissionais cuja alta qualificação foi auferida em cursos de graduação como aqueles que representamos, os quais se estruturam a partir de um abrangente conjunto de disciplinas teóricas e práticas, entre outras atividades, voltadas à formação de professores para o ensino de disciplinas escolares específicas.
A cidade do Rio de Janeiro, vale observar, é sede de cursos de graduação com habilitação em Licenciatura Plena nas diversas áreas do conhecimento, oferecidos nas principais Universidades, cujo prestígio é reconhecido nacionalmente, tendo sua qualidade atestada nas avaliações regulares promovidas pelo Ministério da Educação. São cursos que refletem uma avançada especialização nas diversas áreas, como Ensino de História, Ensino de Ciências e Educação Matemática, apenas para citar alguns exemplos. A formação disciplinar de professores faz parte das exigências da estrutura e do funcionamento do sistema nacional de ensino.
Em nosso entendimento, ao definir de forma generalista as atribuições do novo cargo de Professor do Ensino Fundamental – PEF, e ao prever o progressivo desaparecimento dos atuais Professores I (de disciplinas específicas), o Projeto de Lei n.º 442/2013 deixa de valorizar a formação oferecida nos cursos de Licenciatura Plena, nos quais ganham relevo resultados de estudos e pesquisas de longa maturação, que levam em conta as especificidades disciplinares de como ensinar.
Vale observar, por fim, que, ao não considerar a formação de pós-graduação nas diferentes áreas de conhecimento nas quais os professores fizeram seus estudos para fins de progressão e enquadramento no novo Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (artigo n.º 12, inciso IV; artigo n.º 16, inciso II; e artigo n.º 17, incisos I, II e III), o Projeto de Lei n.º 442/2013 contrapõe-se às diversas iniciativas dos cursos de pós-graduação stricto sensu, nos níveis de mestrado e doutorado, nas diversas áreas, relativas à criação de linhas de pesquisas nas áreas de ensino de disciplinas.
Pela mesma razão, o Projeto de Lei n.º 442/2013 situa-se na contramão de importantes políticas conduzidas pelo Ministério da Educação, por meio do fomento aos cursos de mestrado profissional nas áreas de ensino de disciplinas, cujo público alvo são precisamente os professores das redes da Educação Básica de nível municipal e estadual.
O novo “Plano de Cargos, Carreiras e Salários”, se for aprovado sem modificações, terá impactos fortíssimos na desestruturação da formação de professores. Na área de História, temos lembranças do impacto negativo da implantação de Estudos Sociais na década de 1970. A defesa da interdisciplinaridade não significa a diluição das disciplinas. O conhecimento escolar envolve a articulação de conhecimentos históricos, pedagógicos e saberes experienciais. Sua produção exige formação com domínio teórico tanto na história como na pedagogia para que se transforme em conhecimento consistente e com potencial crítico e transformador. O professor de história opera com a língua portuguesa e mobiliza conhecimentos geográficos mas precisa de domínio da especificidade de sua disciplina para que ensine História com qualidade.
Solicitamos a retirada do projeto da pauta de votação da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a fim de que sejam revistos os pontos que interferem diretamente na formação inicial dos profissionais que atuam na Educação Básica, desconsiderando a especificidade das Licenciaturas e na formação continuada desses profissionais, ao não reconhecer os estudos de pós-graduação stricto sensu nas áreas específicas de conhecimento, ambas medidas que estão na contramão das leis que ordenam o sistema nacional de ensino. Que o “Plano de Cargos, Carreiras e Salários” seja discutido em audiências públicas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e que sejam ouvidas as associações que representam as áreas específicas de conhecimento presentes na escola e as instituições responsáveis pela formação dos professores no estado e na cidade do Rio de Janeiro.
Defendemos o diálogo e repudiamos a forma como os professores foram tratados no processo de desocupação da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2013.
Associação Nacional de História – Núcleo Rio de Janeiro
Departamento de História da UFF
Programa de Pós-graduação em História da UFF
Instituto de História da UFRJ
Faculdade de Educação da UFRJ
Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ
ProfHistória – Mestrado Profissional em Ensino de História da UFRJ
Departamento de História da UNIRIO
Programa de Pós-graduação em História da UNIRIO
Departamento de História da PUC-Rio
Programa de Pós-graduação em História Social da Cultura da PUC-Rio
Instituto de Ciências Humanas e Sociais da UFRRJ
Departamento de Ciências Humanas da UERJ
Programa de Pós-graduação em História Social da UERJ

Rio de Janeiro: S.O.S Educação

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Photo by Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas – 01/10/2013

Public historians around the world should take an eye in what is happening in the Center of the city of Rio de Janeiro these last days. Teachers are being massacred by the military police and the town hall, which should be a place of democracy, has just been surrounded by heavy grids and gates by the authorities themselves (01/10/2013). The dictatorship of Sergio Cabral and Eduardo Paes needs to be shown to the world. It’s not a wonderful city as it seems to be in the ads for the World Cup. Our official channels are not showing the reality. Alternative media is trying to record the facts and disseminate them to the fullest. Please watch this. It is unbelievable that we are in 2013. I never felt so weak and indignant before the policy of my country. It is a crime what they are doing with the Brazilian education.

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A record of this morning at Cinelândia by Rita Lux in the surroundings of the town hall.

 

07 cops against a single teacher (29/10/2013)

07 cops against a single teacher (29/10/2013)