Digital History

Livro novo na área, artigo novo sobre “historiografia escolar digital”

Primeiramente, Fora Temer!

Com que alegria recebemos a notícia de que está pronto o livro História, Sociedade, Pensamento Educacional: experiências e perspectivas (2016), proposta encabeçada pelo Grupo de Estudos do Tempo Presente – GET e do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre  História do Ensino Superior – GREPHES -, ambos ligados ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Sergipe. 

capa-livro

Neste livro, minha amiga e grande parceira de criação, Marcella Albaine, e eu tivemos o prazer de colaborar com o artigo “Historiografia escolar digital: dúvidas, possibilidades e experimentação” (Capítulo 12, pp. 336-366), no qual buscamos tornar explícito para o leitor algumas questões implícitas em nossas elocubrações, já há algum tempo em que colaboramos no planejamento de atividades de extensão, na escrita de textos a quatro mãos e outros trabalhos que reúnem nosso interesse em torno do estudo do digital e do ensino de história. No prefácio, os organizadores introduzem assim nossa contribuição à obra:

Da TV para a internet e os novos meios e comunicação, Anita Lucchesi, que colabora a partir das suas investigações na Universidade de Luxemburgo, e Marcella Albaine, refletindo a partir da Universidade Federal do Rio de Janeiro, teceram considerações sobre a chamada historiografia escolar digital. As suas reflexões, nascidas nestes diálogos transoceânicos, nos colocam a pensar sobre: quais os caminhos a serem trilhados pelos historiadores nos tempos digitais? Quais as limitações enfrentadas pelos professores de História em meio aos suportes digitais? Como a narrativa histórica será afetada pela emergência da internet? Estas e outras preocupações são levantadas no texto que, ao final, nos relembra o caráter essencialmente humano da História e da Educação.

Prefácio de História, Sociedade, Pensamento Educacional: experiências e perspectivas, Org.  Dilton Cândido Santos Maynard & Josefa Eliana Souza. Rio de Janeiro: Autografia, 2016.

Mais uma vez, foi uma satisfação escrever com essa amiga, aprender e ressignificar muitas coisas juntas. Espero que esse humilde artigo consiga levar aos colegas leitores a proposta de pensar uma “historiografia escolar digital” que favoreça o uso criativo das ferramentas digitais, como boas aliadas para uma educação emancipadora, mas sem também enaltecer demais a máquina – carne, osso, crítica e afeto permanecem essenciais. Em tempos de duros golpes na nossa chumbada democracia e em todas as esferas da educação pública no Brasil, escrever esse artigo e desejar que ele possa estimular o debate e encorajar ainda mais a busca por um modelo formação cidadã, pode soar meio utópico, mas a publicação de um livro como esse é a prova cabal de que não se trata apenas de um sonho, mas de luta e construção coletiva de um ideal de educação universal.

Meu muito obrigada aos colegas que toparam essa missão, aos organizadores e à incansável parceria de Marcella. Sigamos em frente! 🙂

Acesse a versão ePub aqui.

Minha Pesquisa no Café História TV

Recentemente conversei com o Bruno Leal do Café História sobre a Minha Pesquisa. Primeira vez em que falo da minha pesquisa de doutorado aqui na Universidade de Luxemburgo. Bom papo sobre História Digital, História Pública, historiografia, imigração portuguesa e italiana em Luxemburgo. Mais uma vez, obrigada Bruno pelo convite.

JSTOR Daily: divulgação científica 2.0

jstordaily-emailO JSTOR lançou este ano um projeto paralelo: o JSTOR Daily. A novidade funciona basicamente como um blog que se propõe a publicar diariamente um conteúdo que ofereça ao leitor uma “nova forma de ver o mundo” (é mais ou menos assim que se descrevem), em linguagem acessível para o grande público e sempre bebendo na fonte do acervo digital do próprio JSTOR – um portal científico acessível para todos. Oferecendo tanto textos curtos, como textos um pouco mais longos, o projeto espera alcançar um público que não precise ter doutorado para entender as ideias de um pesquisador em seus artigos.

O tom da comunicação é diferente dos textões acadêmicos – monográficos, dissertativos, cheios de jargões e protocolos internos à comunidade pesquisadora, como as notas de pé de página. Mas, ainda assim, conserva certo rigor, resguarda uma autoridade, como se pode notar do que destaco das diretrizes editoriais do próprio projeto:

The voice is smart, curious, engaged, insightful, and friendly, but still authoritative. As readers make their way through a piece, they should feel smarter without feeling intimidated. The idea here is that scholars have interesting insights into the world, and one doesn’t have to hold a PhD to understand or appreciate those insights. Features will be written by a combination of journalists and scholars with the goal of highlighting the research in the JSTOR collection—every story will provide at least one link in to content on JSTOR.org. We’d like to tease out the still-relevant, newsworthy, entertaining, quirky, surprising, enlightening stories therein. Since JSTOR comprises primarily archival content rather than contemporary research, we imagine that each piece of content on the magazine site might tell a story about the present that is informed by the past, or at least provide a backstory to the stories of the present.

Por essas e outras, considero-o uma promissora iniciativa de história pública digital, porque:

1. Apresenta informações em diversos estratos, através de textos em camadas graças ao emprego de hipertextos (que fazem a ligação das referências dos textos com o acervo de fundo, além de sites externos);

2. Descentraliza a autoridade do pesquisador, empoderando o leitor para também produzir sentido para as fontes e bibliografias citadas no texto, não só disponibilizando os “créditos” da informação citada, mas o acesso instantâneo ao próprio documento ou literatura em questão, possibilitando processos de co-autoria, releitura, livre interpretação direta do original;

3. Promove uma experiência para além do texto (e da leitura), abrindo espaço para a curiosidade e o interesse próprio do leitor guiar a sua exploração do material além do texto-base, proporcionando uma experiência para além da leitura que apenas “escaneia” o texto e o abandona. No caso específico na história, essa proximidade com as evidências do texto e com a bibliografia trabalhado pode ser significativa na construção do pensamento histórico crítico da parte dos leitores “não especialistas”, favorecendo a percepção da historicidade das fontes históricas, bem como o caráter caráter construído da história como um produto social, mesmo quando se busca o conhecimento científico, e não uma equivalência de um passado que estaria dado nas fontes, tal e qual, “foi”.

O JSTOR Daily aparece com um proposta potente para divulgação de um acervo digital, especialmente porque adaptada à lógica da cibercultura e da Web 2.0 (só senti falta da seção de comentários para os textos), oferecendo a possibilidade de leituras mais rápidas e uma navegabilidade diferente da do impresso, que, contudo, não se perde, já que as referências estão lá para quem desejar “ir mais fundo”. Isso, porém, não é exatamente inédito. Procedimentos parecidos já vinham sendo feitos aqui e ali de maneira um pouco dispersa, intuitivamente, seguindo as facilidades da Web 2.0 para o compartilhamento do conhecimento. São inúmeros os pesquisadores que hoje em dia mantêm seus próprios blogs e perfis em redes sociais e fazem isso por conta própria, promovendo a sua produção autonomamente. No Brasil, temos crescentes exemplos dessa prática também em ambientes institucionais. Os dossiês da Biblioteca Nacional, por exemplo, e o Boletim Informativo “Sebastião” (AGCRJ), bem como a Revista do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, realizam um trabalho similar de divulgação e promoção de acervos.

O que me despertou curiosidade em acompanhar o JSTOR Daily de perto, no entanto, para além do seu formato genuinamente digital (born digital, hipertextual), foi a proposta de uma publicação tão amiúde (diária), colaborativa e polifônica. A versão digital da Revista História Ciências Manguinhos, aliás, é um exemplo bastante próximo de divulgação científica no cenário brasileiro, guardadas as proporções e os diferentes escopos de um acervo como o JSTOR e desta revista. No post Diamantes, doenças e saúde em Angola (718 palavras), a divulgação via hiperlink do artigo  Cuidados biomédicos de saúde em Angola e na Companhia de Diamantes de Angola, c. 1910-1970, de Jorge Varanda, em um número recente da revista (vol. 21, n. 2, abr./jun. 2014), me parece uma estratégia de aspirações idênticas àquela do JSTOR Daily: convidar o leitor, seja ele especialista ou parte do “público em geral”, para ir diretamente às referências e, assim, promover maior acessibilidade àquele material, no caso da revista, os artigos dos seus números impressos, também disponíveis online na íntegra (via Scielo). No caso dessa revista, porém, é possível fazer login para deixar comentários nos posts, exatamente como em um blog. 🙂 Por outro lado, a avaliação, produção, edição e publicação de textos no blog da revista ainda se restringe a uma pequena equipe (10 pessoas, ainda que exista colaboração de convidados), enquanto o board de autores do JSTOR Daily promete se tornar gigantesco (qualquer pessoa interessada pode submeter uma postagem – longa ou curta, bem como propor uma coluna). Nada impede, porém, que amanhã a revista proponha novidades. Estou de olho! 😉

Por fim, deixo como recomendação a leitura do artigo “(Un)Catalogued: Finding Your Place by Looking at Maps” (932 palavras) de Megan Kate Nelson, do blog Historista, que também escreve para o JSTOR Daily. Num misto de linguagem acadêmica e jornalística, estilo que lembra um pouco o Blessay de Daniel Cohen, a autora parte de um diagnóstico do presente sobre orientação e memória, contextualizando a proeminência da tecnologia do GPS na geolocalização de pessoas hoje em dia e recua no passado para abordar a relação da história, da cartografia e da orientação num tempo em que mesmo os mapas de papel rareavam. Com esse movimento presente–passado, ela consegue engendrar as ligações internas para os materiais do JSTOR através de hiperlinks (ainda que o forte do JSTOR não sejam sobre o contemporâneo) e utilizar essas informações como argumentos de autoridade para o seu texto.

jstordaily

[clique na imagem para ir ao site original]

*Esse post teve 1083 palavras

Oficina de História Digital no 2º Seminário de História Pública

Pessoal,

Aproveito o espaço do blog para divulgar a oficina “História Digital” que Bruno Leal e eu vamos ministrar no evento da Rede Brasileira de História Pública mês que vem, o Perspectivas da História Pública no Brasil. Aliás, há várias oficinas interessantes. História Oral e História Pública; Cinama/ Internet e Mídias Alternativas; Fotografia Mobile; História e Videogame. Confiram todas no site em Oficinas.

A nossa é a oficina nº 02 e acontecerá nos dias 10 e 11 de setembro, das 20h às 22h, na Universidade Federal Fluminense, em Niterói. Abaixo a apresentação:

OF02 – História digital

As chamadas “novas tecnologias da informação e da comunicação” (NTICs) vêm promovendo desde o início da década de 1990 um profundo reordenamento das relações sociais, da produção industrial, da concepção dos signos socioculturais, da política e, de uma maneira mais geral, de nossa maneira de experimentar e explicar a realidade, nossa relação com o tempo. Como essas “novas mídias”, em especial as mídias digitais, estão transformando a forma de se conceber a história e a historiografia? Como o ofício do historiador tem sido afetado por todas essas mudanças, principalmente aquelas ocasionadas pelo computador e pela Internet? Estas são algumas questões que serão exploradas na oficina “História Pública e Plataformas Digitais”, ministrada por Anita Lucchesi (Historiografia na Rede) e Bruno Leal (PPGHIS/UFRJ/Café História), no II Simpósio Internacional de História Pública.

A oficina será dividida em dois dias. No primeiro dia, Leal e Lucchesi, falarão sobre a relação dos historiadores com os computadores e a tecnologia de uma forma mais ampla, indo desde a chamada “história quantitativa”, nos anos 1960, até o surgimento da “história digital”. Após uma introdução ao debate da história/historiografia digital, a rede social Café História, projeto desenvolvido por Leal, será apresentada como caso de estudo no campo da história pública e digital. Já no segundo dia de oficina, os ministrantes vão explorar as evidências e possibilidades na história digital (escrita, divulgação, análise documental, ferramentas, formas narrativas etc.), além de um exercício original voltado para a produção de vídeos online.


Anita Lucchesi. Mestre em História Comparada (PPGHC/UFRJ) e professora de história. Pesquisadora do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS) e da Rede Brasileira de História Pública. Autora do blog “Historiografia na Rede” (2008), pesquisadora e redatora do documentário comemorativo @Rio450 no Instagram.

Bruno Leal. Doutorando em História Social (PPGHIS/UFRJ), Mestre em Memória Social (PPGMS/UNIRIO), historiador e jornalista. Tutor-Professor do curso de História EAD da Universidade Federal do Estado Rio de Janeiro (UNIRIO) e Fundador da Rede Social Café História. Consultor no campo das mídias sociais e educação a distância.

 

Documentos do século XIX do Arquivo Nacional de Serra Leoa digitalizados e disponíveis via Bristish Library

O projeto Endangered Archives acaba de disponibilizar mais um catálogo, com apoio da British Library e do Arcadia: Nineteenth century documents of the Sierra Leone Public Archives.

Grande parte do material já está disponível para acesso online, o que representa um passo muito importante para os estudiosos e interessados em História da África e do tráfico de escravos de um modo em geral e, mais especificamente, para pesquisadores de África Ocidental, da sociedade de Serra Leoa e suas especificidades enquanto colônia britânica, como, por exemplo, o tema dos Africanos Livres.

A digitalização dos documentos concernentes à Serra Leoa foi realizada por um grupo de historiadores liderados pelo Professor Paul Lovejoy, da York University (Canadá), que também é diretor do The Harriet Tubman Institute, que lançou em 2005 o projeto piloto para o programa que resultou no Endangered Archives. A iniciativa se utilizou da tecnologia digital para viabilizar um maior compartilhamento de documentos que, do contrário, só estariam acessíveis para pesquisadores que pudessem investir tempo e dinheiro em viagens de longa distância. Ademais, os documentos, como reporta a apresentação do projeto, encontram-se ameaçados por enfrentarem problemas infraestruturais nos locais de salvaguarda que mal podem oferecer espaço para a consulta de pesquisadores, tampouco para o trabalho de digitalização. De modo que o Nineteenth century documents of the Sierra Leone Public Archives se torna duplamente importante, pois mesmo antes de viabilizar o amplo acesso a esses documentos na World Wide Web, realiza um urgente “salvamento” desses originais em versões digitalizadas que, em bits e bytes, vão manter esses documentos virtualmente “a salvo” da deteriorização pela ação do tempo, humidade e mal conservação que vêm enfrentando.

endangered archives_british_library_arcadia_africa_nineteenth_century_sierra_leone_public_archives_documents

endangered_archives_Register of Escaped Slaves
 

Ao acessar as “fichas” desse arquivo online, os usuários terão acesso aos dados catalográficos padrão, com descrição e detalhes do documento em questão e, ao final, poderão acessar as imagens digitalizadas do mesmo, que podem ser ampliadas, giradas (em rotação) e baixadas para o seu próprio computador.

 
EAP443_1_1_14-eap284_register_escaped_slaves_1875_84_005_L

Register of Escaped Slaves [1875-1884] p. 5 / 268

 

Felicito a novidade e aproveito para cumprimentar minha parceirona de histórias, a doutoranda em História da África na Worcester University (Inglaterra), Érika Melek, pelo envolvimento no projeto que já nos rendeu tantas conversas e ideias de pontes entre História da África e História Digital. Érika está desenvolvendo sua pesquisa de doutoramento justamente sobre Africanos Livres em Serra Leoa no século XIX, com o recorte específico e instigante em “crianças africanas livres”. Espero ver sua fala no III Encontro Internacional de Estudos Africanos, que ocorrerá entre 15 e 19 de setembro (mês que vem!), na Universidade Federal Fluminense (Niterói), por iniciativa do NEAF (Núcleo de Estudos Africanos), com apoio do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da UFF.

Nesse dramático momento de epidemia do vírus Ebola, para além de pensarmos na viabilidade material de pesquisas, é preciso, mais que nunca, seguir discutindo e debatendo (e para isso, pesquisando) a história desse imenso continente, talvez assim possamos chegar perto de um dia entender e mudar a realidade descrita nas palavras do médico liberiano Melvin Korkor, um dos raros sobreviventes do vírus, que viu vários colegas perderem a vida ao seu lado: “Se essa doença existisse nos Estados Unidos ou na Europa, amanhã haveria uma solução para ela. Há 40 anos todos sabem que existe o Ebola. Mas qual é o problema? É que está na África.” (Ver matéria do Estadão na íntegra).

Parabéns a todos os envolvidos. Vamos passar a palavra!

 

Último dia para Inscrições no Simpósio: Perspectivas da História Pública no Brasil

AS INSCRIÇÕES PARA TRABALHOS SE ENCERRAM HOJE, DIA 03 DE AGOSTO!

A Rede Brasileira de História Pública se reunirá entre 10 e 12 de setembro, na Universidade Federal Fluminense para o 2º Simpósio Internacional de História Pública. (Acompanhe também no Twitter #rebrahip2014 e no Facebook).

Aproveito  o espaço aqui do blog para divulgar as atividades voltadas para o nosso tema – História Digital – mas aviso que também haverá mesas redondas, oficinas e espaço para comunicações orais em diversos Grupos de Trabalho. Entre os temas em foco: História Oral, Historiografia, Biografia, Feminismo, Literatura, Jornalismo, Cinema, Fotografia, Mídia Alternativa, Narrativa, Comunidades, entre outros. 

Nas tardes dos dias 10, 11 e 12 de setembro, estarei, ao lado de Bruno Leal (UFRJ/Café História) e Prof. Ricardo Pimenta (IBICT/UFRJ) na coordenação do GT “História Pública e Plataformas Digitais”, que receberá trabalhos para apresentação oral.

Nas noites dos dias 10 e 11, das 20h às 22h, ministro junto com Bruno Leal (novamente parceiro) a oficina “História Digital”.

Por fim, estarei na mesa redonda “História, tempo presente e plataformas digitais“, com os professores Francisco Carlos Teixeira  (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Massimo di Felice (Escola de Comunicações e Artes da USP) e Serge Noiret (European University Institute), que terá como debatedora a professora Márcia Ramos de Oliveira  (Universidade do Estado de Santa Catarina).

Venham debater e apresentar seus trabalhos. O GT está recebendo inscrições até dia 03/08!

história-publica-plataformas-digitais-gtProgramação completa abaixo, mais informações no site: http://historiapublica.com.br/simposio2014

 Quarta-feira,
10 de setembro
Quinta-feira,
11 de setembro
Sexta-feira,
12 de setembro
   9h30 Sessão oficial de abertura
   10h-12h Conferência de abertura
História oral e história pública, com Linda Shopes
Mesa redonda
História pública, comunidades e culturas populares
Mesa redonda
História pública: Lugares e narrativas
   12h-13h Sessões de comunicação
Experiências em História pública
Sessões de comunicação
Experiências em História pública
Sessões de comunicação
Experiências em História pública
   13h-14h Intervalo para almoço Intervalo para almoço Intervalo para almoço
   14h-17h30 Grupos de trabalho Grupos de trabalho Grupos de trabalho
   18h-20h Mesa redonda
A história e o público no Brasil
Mesa redonda
História pública e mídia
Mesa redonda
História, tempo presente e plataformas digitais
   20h-22h Oficinas Oficinas Sessão de encerramento e assembleia
Os próximos passos da Rede Brasileira de História Pública

 

 

Jurandir Malerba sobre História Pública e Digital no “Cafezinho” sobre Historiografia do “Café História TV”

Toda a conversa de Bruno Leal (editor do Café História) com o Prof. Jurandir Malerba (PUCRS) é interessante, um passeio por algumas dobras da historiografia e um pouco do lado “humano”, experiências e opiniões do responsável por publicações tão fundamentais para os leitores brasileiros como “Lições de História: da história científica à crítica da razão metódica” e “Lições de História: o caminho da ciência no longo século XIX”, entre outras. Por essa razão, recomendo o filme inteiro. Uma boa hora de entretenimento.

Contudo, gostaria de chamar atenção para o trecho entre os minutos 23′ e 35′, em que o professor comenta sobre a História Pública e também Digital. Para ele, a questão da História Pública perpassa a discussão do próprio campo da história, do que é história. O professor comenta como a experiência da História Pública implica repensar os processos de formação e como interfere nas expectativas de atuação dos formandos/formados em história. Notando os fenômenos editoriais de “narrativa históricas” feitas por jornalistas, o professor sugere a necessidade da academia pensar o seu lugar e dos historiadores se posicionarem no debate. Questiona ainda quais seriam as finalidades dessa atividade que visa a ampliação da audiência da história, seria política? Pecuniária? É preciso refletir, sair da zona de conforto e isso requer certo esforço, haja visto como nossos curricula são refratários a essas discussões presentes na nossa disciplina, como diz o professor. Vale a pena conferir.

 

 

Aproveite para conhecer melhor o Café História TV.

Holocaust Denial and the Web: a conference in Rome, April 10-11, 2014

via Serge Noiret |Original post here

sissco-logoOn April 10 and 11 at the University of Rome 3 (Dipartimento Fisolofia, Comunicazione, Spettacolo) the SISSCO, (Società Italiana per lo Studio della Storia Contemporanea), will hold an important academic conference about the role of contemporary historians confronted with Holocaust denial on the web.

Should legislation be voted in Italy contrasting Holocaust Negationism? And, more generally, should History, when unable to build a firm culture of the past widely accepted in societies, be ruled by legislation?

These issues have been discussed in many European countries; some laws aiming at governing legally the past and telling about politically correct memories and what exactly is the truth about the past, have been voted in France, in Spain, and in other countries. Professional historians are generally against the idea to force societies to adopt a so-called “correct history of their pasts” defined by law and, in France, a committee was born using its own very active blog to contest the idea that telling the truth in history could be enforced by the law: the Comité de vigilance face aux usages publics de l’histoire (Committee of vigilance on the public use of history) wrote a manifesto on June 17, 2005 against the “entrepreneurs of memory” and political uses or misuses of history.

The debate has entered the public sphere in Italy too and the main association of contemporary history academic historians, Sissco, collected a “dossier” analyzing the press debate about holocaust denials and promoted an official petition signed by many contemporary historians against the use of the law in history: “Modifiche all’articolo 414 del codice penale in materia di negazione di crimini di guerra e di genocidio o contro l’umanità e di apologia di crimini di genocidio e crimini di guerra“.

But the Holocaust of the Jews during the second world war is unique: should historians and the civil society accept that the Shoah be openly and publicly contested and denied and hate speech widely diffused through the Internet? Is it possible to use a penal legislation against negationist web contents published everywhere in the world and accessible also in Italy? Should the Italian legislator vote a law defending the truth against offensive, racist and anti-Semitic revisionist propaganda and condemn hate speech legally?

These activities and also the academic conference promoted in April in Rome described below, are showcasing the direct participation of academic historians in the policy in Italy, what was in the early ’90 defined by Nicola Gallerano as being part of the “uso pubblico della storia”. Will these political and academic activities be able to maintain also for the young generation the awareness of what happened in Europe during WW2 and about keeping alive a correct memory of the holocaust using properly the web?

It is of course my opinion that academic conferences are important but are not enough and that we need to act in the virtual space and promote the digital public history of the Shoah and of other genocides perpetrated by the Nazi and their allies looking at how best presenting the evidences of the Holocaust and engaging different communities about these issues.

 European Holocaust Research Infrastructure

 EHRI logo_3Building awareness of the past using a public history approach is being done by the ERIH project  (European Holocaust Research Infrastructure) in Europe to support the Holocaust research community, provide access to the primary sources dealing with the Holocaust and encourage collaborative research in the field. What could be the role of public historians in maintaining a correct perception of what has been the Holocaust and engage with fighting negationism on the web? How could the web itself, and social media, in close contact with other public activities, fight back an aggressive negationist approach like what is diffused online in Metapedia, the so-called alternative encyclopedia if you look for the non-existing keyword “holocaust”?

Metapedians redirected tJewish casualties during World War II - Metapediahe keyword “holocaust” -nothing to read about in a specific entry- to another Metapedia entry called “Jewish casualties during World War II” avoiding the use of what they call a useless and mystifying buzzword, the Holocaust of the Jews.
So I quote here a full paragraph (accessed on Wednesday March 12, 2014) of this entry in order to understand how far the negationist propaganda in the web can go, contradicting all the basic evidences of historical research and the memory of who suffered in the nazi camps. Reading this paragraph and the whole entry online, you will discover another history, the kind of narrative which is banned by law in other countries like in France and would be banned in Italy too voting a new legislation: “Some Jews controversially claim the German government had an “official policy” of extermination, where “6 million” were killed in homicidal gas chambers and turned into soap or lampshades. Confidence trickster, Elie Wiesel, applied the religious term “The Holocaust” to this framing in the 1970s. Since then, the construct has been used as a political weapon to promote Germanophobia and Europhobia in general. It is used as moral justification for the Zionist war on the Palestinians, as well as part of an illustrious money-making industry. In some countries it is illegal for historians and investigators to openly state a dissenting view and some have been incarcerated for thought criminality as prisoners of conscience.”

Digital Public Historians are present in other countries and monitoring this “negationist web” which engages -systematically in the case of Metapedia- in rewriting the past, all the past and supports nationalistic, fascist and Neo-Nazi ideologies. These holocaust deniers are using the web from many years now. They have embraced the web as their elected media to communicate a false narrative of many pasts in the Metapedia, not only about the Holocaust, and remove memories and evidences of scientific historical research from the web, when these results are not supporting their goals. These political propagandists are using the architecture and stylistic presentation of Wikipedia together with the so-called “objective way to present facts” that Wikipedia has promoted from its creation in 2001 to give a semblance of truth to their discourses and misuses of memories.

ERIH has already organized an important international conference in July 2013 Public History of the Holocaust - European Holocaust Research Infrastructure about Public History of the Holocaust: Historical Research in the Digital Age “that was hosted by the Jewish Museum in Berlin. Facilitated by EHRI and two other European infrastructure projects supporting humanities research, DARIAH and TextGrid, and sponsored by the German Ministry of Education and Research, the conference brought together policy makers, archival and memory institutions, and academics to reflect on the challenges and opportunities the digital age offers for the public history of the Holocaust.”

Negationism in the digital realm was one of the central issue of this discussion.  Georgi Verbeeck, Professor of German History at the University of Leuven, “…reflecting on the continuing problem of Holocaust negationism, arrived at a nuanced assessment of the efficacy of current research and educational practices to prevent similar atrocities from re-occurring. Many small narratives of concrete experiences may provide powerful mirrors that can spur individuals to effective responses and positive actions….” What is important to quote from Verbeeck’s speech about how to use and promote the sources and memories of the Shoah in the digital realm, reflects on the fact that “the web is particularly suited to organise and publish […] small narratives“.

The concluding debates were saying about “the effectiveness of legal tools to counter internet hate speech; the opportunities and limits of the digital environment for tackling new historical questions; the ever present danger of a (digital) de-historicisation and de-contextualisation of Holocaust discourse.”

We may hope that the Rome conference in April 2014 will engage with the later issues dealing with in the making digital public history of the Holocaust.

IBC- La storia a l  tempo di Internet
http://online.ibc.regione.emilia-romagna.it/h3/h3.exe/apubblicazioni/Fanalisi

Measuring the presence of contemporary history in the web, the use and misuses of history in the digital realm, was the aim of a project started at the end of the 20th century between 1999 and 2000 in Italy. The results were published by the IBC (Istituto per I beni Artistici, Culturali e Naturali dell’Emilia Romagna) in Bologna, in 2004, after three years of researches done by an interdisciplinary team of historians and public historians which looked at the Italian history web and collected Italian contemporary history web sites and proposed a critical method for analyzing them systematically. The project and the book were coordinated by Antonino Criscione, Serge Noiret, Carlo Spagnolo and Stefano Vitali: La Storia a(l) tempo di Internet: indagine sui siti italiani di storia contemporanea, (2001-2003)., Bologna, Pátron editore, 2004. The authors verified that an active revisionist narrative was populating the web and promoting alternative memories of WW2. Memories of the militias of the Salo Republic, allied with the Nazi between 1943 and 1945 and co-authors with the Germans of the deportation of Italian Jews, was finding a media and a place to proliferate without boundaries, these boundaries that Italian academic historians and European public historians are now discussing.

The web is easily accessible for everybody to produce its own vision of the past and is able to promote and diffuse alternative memories, something that I have explained in my essay in French,  La digital history : histoire et mémoire à la portée de tous.

So, the important conference in Rome will go forward in an extended academic reflection dealing with how the web could be used and misused to promote everybody’s memory and vision of the past and contrast hate speech and holocaust deniers activities in the digital realm.

This is the full program of the conference:

Shoah e negazionismo nel Web: una sfida per gli storici
Roma, 10 e 11 aprile 2014,
Università Roma Tre
Sede della Camera dei deputati
Giovedì 10 aprile 2014
(sede Università Roma Tre)
14,30
Mario Panizza, Rettore Università degli studi Roma Tre*
Paolo D’Angelo, Direttore Dipartimento filosofia comunicazione spettacolo
Agostino Giovagnoli, Presidente Società italiana per lo studio della Storia contemporanea
15,00
La storia, le memorie e la didattica nel Web
Presiede Michele Sarfatti (Fondazione Centro di documentazione ebraica contemporanea)
Alberto Cavaglion (Università di Firenze)
Usi e abusi della memoria
Guri Schwarz (University of California, Los Angeles)
La legge di Godwin:la Shoah nella rete e nell’immaginario collettivo
Laura Fontana (Memorial de la Shoah, Paris)
La trasmissione della Shoah nell’era virtuale: una deriva della lezione su Auschwitz?
Damiano Garofalo (Museo della Shoah, Roma)
Fonti orali, audiovisive e memoria della Shoah nel web e nel digitale
David Meghnagi (Università Roma Tre)
L’esperienza del Master “Didattica della Shoah” di Roma Tre
Laura Brazzo (Fondazione Centro di documentazione ebraica contemporanea)
I Linked Open Data per la storia della Shoah. Verso il Web 3.0
18,00
dibattito
Venerdì 11 aprile 2014
9,30
L’universo digitale del negazionismo
Presiede Renato Moro (Università Roma Tre)
Claudio Vercelli (Istituto di studi storici Gaetano Salvemini)
Il negazionismo nel web
Valentina Pisanty (Università di Bergamo)
I linguaggi del negazionismo nel web
Gabriele Rigano (Università per stranieri, Perugia)
I circuiti del negazionismo tra carta stampata e web
Emiliano Perra (University of Winchester)
Negazionismo e web: il caso inglese
Valeria Galimi (Università della Tuscia)
Leggi memoriali, negazionismo e web: la discussione in Francia
12,00
dibattito
14,30
(Sala Zuccari, Palazzo Giustiniani, Via della Dogana Vecchia da confermare)
Introduce
Ernesto De Cristofaro (Università di Catania)
La legislazione in Europa e in Italia
Contro il negazionismo: Una legge utile o dannosa?
Tavola rotonda
presiede Tommaso Detti
partecipano:
Marcello Flores, Anna Rossi Doria ed altri,
* In attesa di conferma

[CFP] Chamada de trabalhos – História Pública em um Mundo Digital: A Revolução Reconsiderada

ifphConferência da Federação Internacional de História Pública Conferência

Public History in a Digital World: The Revolution Reconsidered (Original CFP)

História Pública em um Mundo Digital: A Revolução Reconsiderada*

Amsterdam, de quinta-feira, 23 de outubro a Sábado, 25 de outubro de 2014

Primeira chamada de propostas:

As fontes históricas e narrativas sobre o passado se infiltraram  todos os cantos da web, desde mídias digitais caseiras até exposições on-line, através de redes sociais e em museus virtuais. Ferramentas digitais tornaram-se essenciais para os públicos que preservam, apresentam, discutem e  disputem histórias,  e vão desempenhar um papel importante na comemoração do aniversário da Primeira Guerra Mundia, no início em 2014. As possibilidades do mundo digital parecem quase ilimitadas: nunca antes coleções enormes de uma grande variedade de materiais históricos foram tão acessíveis para o grande público através das fronteiras nacionais e culturais. Além do mais, novos gêneros, como blogs e fóruns de discussão virtuais expandiram as possibilidades públicas de história online – tanto para co- criação de narrativas históricas, bem como para comunicar sobre o passado com diversos públicos.

Diante disto, a virada digital deveria ser especialmente significativa para os historiadores públicos, mas será que as expectativas estão sendo acompanhada por atividades? Após duas décadas de revolução digital, é hora de considerar criticamente o que a mídia digital traz para a História Pública e para onde a História Pública está indo em um mundo digital. Esta conferência internacional, organizada pela Federação Internacional de História Pública (IFPH), reunirá especialistas, recém-chegados e experimentadores de todo o mundo para compartilhar idéias, questões e práticas relativas ao impacto do mundo digital sobre a teoria e a prática da História Pública.

As questões a considerar incluem:

  • Quão revolucionária é a virada digital para a pesquisa e a prática de História Pública?
  • Como as inovações digitais estão mudando as práticas da História Pública?
  • Os historiadores públicos são críticos o suficiente diante das insuficiências das práticas digitais?
  • O que seria o “cool stuff ” da caixa de ferramentas digitais a agregar valor aos projetos de História Pública, atividades de ensino, etc. ?
  • Que estratégias digitais não alcançam o “hype”, e por quê?
  • Que as audiências os historiadores digitais estão alcançando ou excluindo com as práticas digitais?
  • Como são públicos envolvidos e engajados por meio de práticas digitais?
  • Como as narrativas históricas estão  mudando sob a influência da mídia digital e da internet?
  • Como a História Pública Digital pode gerar ou inspirar novas formas de interagir com o público?
  • Como a  História Pública Digital se  relaciona com formas mais antigas e tradicionais de História Pública?
  • O que podemos aprender a partir de uma análise crítica da História Pública Digital?

Possíveis ideais para sessões incluem:

  • Público e envolvimento: Quem os historiadores públicos alcançando, e excluindo, com História Pública Digital?
  • Autoria e autoridade: Quem está representando história na web?
  • Narrativas e “storytelling”: Que passados (não) estão sendo contados na web?
  • Integração: Como História Pública digital e analógica se relacionam?
  • Práticas: Como passado é apresentado no mundo digital?
  • Didática: Como podemos ensinar História Pública ?
  • História Pública analógica: O que é feito melhor sem o digital?
  • Comunicação: Como a história 2.0 e as redes sociais podem fomentar a difusão da História Pública?

Recebemos apresentações de todas as áreas, incluindo historiadores públicos que trabalham em museus, arquivos, educação, gestão do património, consultoria ou serviço público, bem como recém-chegados ao campo da História Pública. Além de trabalhos individuais e propostas de sessões de painéis, incentivamos propostas de oficinas, bem como posters ou apresentações multimídia. A ênfase deve ser na análise crítica, não mostrar e dizer – submissões que investigam tanto os limites da história pública em um mundo digital, quanto suas possibilidades, são especialmente bem-vindas.

As propostas devem ter  250 palavras e devem ser enviadas até  31 de janeiro de 2014 para ifphamsterdam2014@gmail.com

Comitê Local:

Dr. Paul Knevel, professor assistente de História e Coordenador do Mestrado em História Pública da Universidade de Amsterdam

Dr. Manon Parry, professor assistente de História Pública da Universidade de Amsterdam

Prof  Dr . Kees Ribbens, Pesquisador Sênior, NIOD Institute for War, Holocaust and Genocide Studies

Dr. Serge Noiret, presidente da Federação Internacional de História Pública

Comitê do programa:

Fien Danniau / Prof.Dr . Bruno de Wever , Instituut voor Publieksgeschiedenis, da Universidade de Ghent, na Bélgica

Dr. Jean -Pierre Morin, Federação Internacional de História Pública, Canadá

Dr. Manon Parry, da Universidade de Amsterdam, Holanda

Dr. Hinke Piersma, NIOD Institute for War, Holocaust and Genocide Studies, Holanda

Prof.Dr. Constance B. Schulz, University of South Carolina, EUA

Dr. Christine Gundermann / Dr. Irmgard Zündorf , Freie Universität Berlin, Alemanha

*Original CFP in free translation by Anita Lucchesi.