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Livro novo na área, artigo novo sobre “historiografia escolar digital”

Primeiramente, Fora Temer!

Com que alegria recebemos a notícia de que está pronto o livro História, Sociedade, Pensamento Educacional: experiências e perspectivas (2016), proposta encabeçada pelo Grupo de Estudos do Tempo Presente – GET e do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre  História do Ensino Superior – GREPHES -, ambos ligados ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Sergipe. 

capa-livro

Neste livro, minha amiga e grande parceira de criação, Marcella Albaine, e eu tivemos o prazer de colaborar com o artigo “Historiografia escolar digital: dúvidas, possibilidades e experimentação” (Capítulo 12, pp. 336-366), no qual buscamos tornar explícito para o leitor algumas questões implícitas em nossas elocubrações, já há algum tempo em que colaboramos no planejamento de atividades de extensão, na escrita de textos a quatro mãos e outros trabalhos que reúnem nosso interesse em torno do estudo do digital e do ensino de história. No prefácio, os organizadores introduzem assim nossa contribuição à obra:

Da TV para a internet e os novos meios e comunicação, Anita Lucchesi, que colabora a partir das suas investigações na Universidade de Luxemburgo, e Marcella Albaine, refletindo a partir da Universidade Federal do Rio de Janeiro, teceram considerações sobre a chamada historiografia escolar digital. As suas reflexões, nascidas nestes diálogos transoceânicos, nos colocam a pensar sobre: quais os caminhos a serem trilhados pelos historiadores nos tempos digitais? Quais as limitações enfrentadas pelos professores de História em meio aos suportes digitais? Como a narrativa histórica será afetada pela emergência da internet? Estas e outras preocupações são levantadas no texto que, ao final, nos relembra o caráter essencialmente humano da História e da Educação.

Prefácio de História, Sociedade, Pensamento Educacional: experiências e perspectivas, Org.  Dilton Cândido Santos Maynard & Josefa Eliana Souza. Rio de Janeiro: Autografia, 2016.

Mais uma vez, foi uma satisfação escrever com essa amiga, aprender e ressignificar muitas coisas juntas. Espero que esse humilde artigo consiga levar aos colegas leitores a proposta de pensar uma “historiografia escolar digital” que favoreça o uso criativo das ferramentas digitais, como boas aliadas para uma educação emancipadora, mas sem também enaltecer demais a máquina – carne, osso, crítica e afeto permanecem essenciais. Em tempos de duros golpes na nossa chumbada democracia e em todas as esferas da educação pública no Brasil, escrever esse artigo e desejar que ele possa estimular o debate e encorajar ainda mais a busca por um modelo formação cidadã, pode soar meio utópico, mas a publicação de um livro como esse é a prova cabal de que não se trata apenas de um sonho, mas de luta e construção coletiva de um ideal de educação universal.

Meu muito obrigada aos colegas que toparam essa missão, aos organizadores e à incansável parceria de Marcella. Sigamos em frente! 🙂

Acesse a versão ePub aqui.

Livro: Desafios e caminhos da teoria e história da historiografia – 2012

A Sociedade Brasileira de Teoria e História da Historiografia (SBTHH) acaba de lançar o primeiro volume da Coleção Concurso SBTHH (2012). O livro está dividido em três partes, referentes às diferentes categorias de trabalhos submetidos ao concurso: teoria, história da historiografia geral e história da historiografia brasileira. Tenho alegria em compartilhar o link para o download da obra onde o meu humilde trabalho de monografia foi premiado e comparece na parte de História da Historiografia Geral, sob o título Historiografia em rede: história, internet e novas mídias: preocupações e questionamentos para historiadores do século XXI.

livro-SBTHH

Dedico o prêmio e o trabalho à memória do Prof. Manoel Luiz Salgado Guimarães, de quem a saudade costuma apertar mais forte nesses finais de Abril. Obrigada ao Prof. Manoel e todos os professores envolvidos na minha formação, e claro, na elaboração e avaliação deste concurso, que agora nos presenteia com a reunião desses trabalhos tão frescos, cheios de vontade de descobrir o “fazer história”. Obrigada à Profa. Andrea CasaNova Maia, por não me deixar engavetar aquela ideia em 2010 e ao Prof. Dilton Maynard por me ajudar a escrever outros capítulo de 2012 a 2014.

Leitura recomendada: História Geral da África

Fugindo dos perigos de uma história única, recomendo a todos a coleção abaixo, que graças às facilidades internéticas em que estamos imersos e às vezes nem percebemos, hoje temos ao nosso alcance preciosidades como estas. Vamos compartilhar.

>> Extraído do site da UNESCO:

 Em 1964, a UNESCO dava início a uma tarefa sem precedentes: contar a história da África a partir da perspectiva dos próprios africanos. Mostrar ao mundo, por exemplo, que diversas técnicas e tecnologias hoje utilizadas são originárias do continente, bem como provar que a região era constituída por sociedades organizadas, e não por tribos, como se costuma pensar.

Quase 30 anos depois, 350 cientistas coordenados por um comitê formado por 39 especialistas, dois terços deles africanos, completaram o desafio de reconstruir a historiografia africana livre de estereótipos e do olhar estrangeiro. Estavam completas as quase dez mil páginas dos oito volumes da Coleção História Geral da África, editada em inglês, francês e árabe entres as décadas de 1980 e 1990.

Além de apresentar uma visão de dentro do continente, a obra cumpre a função de mostrar à sociedade que a história africana não se resume ao tráfico de escravos e à pobreza. Para disseminar entre a população brasileira esse novo olhar sobre o continente, a UNESCO no Brasil, em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (Secad/MEC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), viabilizaram a edição completa em português da Coleção, considerada até hoje a principal obra de referência sobre o assunto.

O objetivo da iniciativa é  preencher uma lacuna na formação brasileira a respeito do legado do continente para a própria identidade nacional.

Download dos Volumes da Coleção (edição completa)

Dica de leitura: Cinco mitos sobre a idade da informação

Por Robert Darnton em 20/04/2011 na edição 638 do Observatório da Imprensa

A confusão em torno da natureza da chamada idade da informação levou a uma situação de falsa consciência coletiva. Não é culpa de ninguém, e sim, um problema de todos porque ao tentarmos nos orientar no ciberespaço, frequentemente apreendemos coisas de forma errada e esses equívocos se disseminam tão rapidamente que são incorrigíveis. Considerados em seu conjunto, constituem a origem de uma proverbial não-sabedoria. Cinco deles se destacam:

1. “O livro morreu.” Errado: são impressos a cada ano mais livros que no ano anterior. Até agora, foram publicados um milhão de novos títulos em 2011, no mundo inteiro. Na Grã-Bretanha, em um único dia – a “super quinta-feira”, 1º de outubro de 2010 – foram publicadas 800 novas obras. Em relação aos Estados Unidos, os números mais recentes só cobrem 2009 e não fazem distinção entre livros novos e novas edições de livros antigos. Mas o número total – 288.355 – sugere um mercado saudável e o crescimento em 2010 e 2011 provavelmente será muito maior. Além disso, estes números, fornecidos por Bowker, não incluem a explosão na produção de livros “não-tradicionais” – mais 764.448 títulos produzidos por edições dos próprios autores ou editados, a pedido, por microempresas. E o negócio de livros também está crescendo em países emergentes, como a China e o Brasil. Qualquer que seja a forma de avaliar, a população de livros está crescendo, não decrescendo e, com certeza, não está morrendo.

Deterioração dos textos digitais

2. “Entramos na idade da informação.” Este anúncio normalmente é entoado com solenidade, como se a informação não existisse em outras épocas. Mas toda era é uma era da informação, cada uma à sua maneira e de acordo com a mídia disponível nesse momento. Ninguém negaria que os modos de comunicação estão mudando rapidamente, talvez tão rapidamente quanto na época de Gutenberg, mas é um equívoco interpretar essa mudança como sem precedentes.

3. “Agora, toda a informação está disponível online.” O absurdo dessa afirmação é óbvio para quem quer que já tenha feito pesquisa em arquivos. Somente uma mínima fração do material arquivado já foi lido alguma vez, muito menos foi digitalizado. A maioria das decisões judiciais, assim como a legislação – tanto estadual, quanto federal –, nunca apareceu na web. A imensa divulgação de regulações e relatórios por órgãos públicos permanece, em grande parte, inacessível aos cidadãos a quem diz respeito. O Google avalia que existem no mundo 129.864.880 livros e afirma ter digitalizado 15 milhões deles – ou cerca de 12%. Como conseguirá preencher a lacuna se a produção continuar a se expandir a uma média de um milhão de novas obras por ano? E como será divulgada maciçamente, e online, a informação em formatos não-impressos?

Metade dos filmes realizados antes de 1940 sumiu. Qual o percentual do atual material audiovisual que sobreviverá, ainda que numa aparição fugaz, na web? Apesar dos esforços para preservar os milhões de mensagens trocadas por meio de blogs, e-mails e instrumentos manuais, a maior parte do fluxo diário de informação desaparece. Os textos digitais deterioram-se muito mais facilmente que as palavras impressas em papel. Brewster Kahle, o criador do Internet Archive, avaliava, em 1997, que a média de vida de uma URL era de 44 dias. Não só a maioria das informações não aparece online, como a maioria das informações que alguma vez apareceu provavelmente se perdeu.

Transição para a ecologia digital

4. “As bibliotecas são obsoletas.” Biblioteconomistas do país inteiro relatam que nunca tiveram tantos clientes. Em Harvard, nossas salas de leitura estão cheias. As 85 bibliotecas vinculadas ao sistema da Biblioteca Pública de Nova York estão abarrotadas de gente. As bibliotecas fornecem livros, vídeos e outro tipo de material, como sempre fizeram, mas também preenchem novas funções: acesso a informação para pequenas empresas, ajuda nos deveres de casa e atividades pós-escolares das crianças e informações sobre emprego para desempregados (o desaparecimento dos anúncios “precisa-se” nos jornais impressos tornou os serviços da biblioteca fundamentais para os desempregados).

Os biblioteconomistas atendem às necessidades de seus clientes de muitas maneiras novas, principalmente guiando-os através dos mistérios do ciberespaço para material digital relevante e confiável. As bibliotecas nunca foram armazéns de livros. Embora continuem a fornecer livros no futuro, também funcionarão como centros nervosos para a informação digitalizada – tanto em termos de vizinhança, quanto dos campi universitários.

5. “O futuro é digital.” Relativamente verdadeiro, mas equivocado. Em 10, 20 ou 50 anos, o ambiente da informação será esmagadoramente digital, mas a predominância da comunicação eletrônica não significa que o material impresso deixe de ser importante. Pesquisa feita na História do Livro, disciplina relativamente recente, demonstrou que novos modos de comunicação não substituem os velhos – pelo menos no curto prazo. Na verdade, a publicação de manuscritos se expandiu após Gutenberg e continuou progredindo por três séculos. O rádio não destruiu o jornal, a televisão não matou o rádio e a internet não extinguiu a TV. Em cada caso, o ambiente de informação se tornou mais rico e mais complexo. É essa a experiência por que passamos nesta fase crucial de transição para uma ecologia predominantemente digital.

Leituras descontínuas

Menciono esses equívocos porque acho que eles atrapalham a compreensão das mudanças no ambiente da informação. Fazem com que as mudanças pareçam muito dramáticas. Apresentam as coisas fora de seu contexto histórico e em nítidos contrastes – antes e depois, e/ou, preto e branco. Uma visão mais sutil recusaria a noção comum de que livros velhos e e-books ocupam os extremos opostos e antagônicos num espectro tecnológico. Devia-se pensar em livros velhos e e-books como aliados, e não como inimigos. Para ilustrar esta afirmação, gostaria de fazer algumas breves observações sobre o mercado de livros – ler e escrever.

No ano passado, a venda de e-books (textos digitalizados criados para leitura manual) duplicou, respondendo por 10% das vendas no mercado de livros. Este ano, espera-se que atinjam 15%, ou mesmo 20%. Mas há indícios de que a venda de livros impressos também aumentou no mesmo período. O entusiasmo pelos e-books pode ter estimulado a leitura em geral e o mercado, como um todo, parece crescer. Novos leitores eletrônicos de livros, que operam como o ATM (protocolo de telecomunicações), reforçaram essa tendência. Um cliente entra numa livraria e solicita um texto digitalizado de um computador. O texto é baixado para o leitor eletrônico, impresso e entregue na forma de uma brochura em quatro minutos. Esta versão do serviço “impresso-por-pedido” mostra como o antiquado manuscrito pode ganhar vida nova com a adaptação à tecnologia eletrônica.

Muitos de nós nos preocupamos com a diminuição da leitura profunda, reflexiva, de ponta a ponta do livro. Deploramos a guinada para blogs, fragmentos de texto e tuítes. No caso da pesquisa, poderíamos reconhecer que os instrumentos de busca têm vantagens, mas nos recusamos a acreditar que eles possam conduzir ao tipo de compreensão que se adquire com o estudo contínuo de um livro.

Seria verdade, entretanto, que a leitura profunda diminuiu, ou mesmo que ela sempre tenha prevalecido? Estudos feitos por Kevin Sharpe, Lisa Jardine e Anthony Grafton provaram que os humanistas dos séculos 16 e 17 muitas vezes faziam leituras descontínuas, procurando passagens que poderiam ser usadas nas ácidas batalhas de retórica em juízo, ou pedaços de sabedoria que podiam ser copiados para livros banais e consultados fora de seu contexto.

Informação histórica

Em seus estudos sobre cultura entre pessoas comuns, Richard Hoggart e Michel de Certeau enfatizaram o aspecto positivo de uma leitura intermitente e em pequenas doses. Em sua opinião, cada leitor comum se apropria de livros (incluindo panfletos e romances de paixão) à sua maneira, induzindo-lhes o significado que faz sentido para sua compreensão. Longe de serem passivos, esses leitores, segundo Certeau, agem como “plagiadores”, pescando um significado daquilo a que têm acesso.

A situação da escrita parece tão ruim quanto a da leitura para aqueles que só veem o declínio, com o advento da internet. Um deles lamenta-se: os livros costumavam ser escritos para o leitor comum; agora, eles são escritos pelo leitor comum. É evidente que a internet estimulou a autopublicação, mas o que há de errado nisso? Muitos escritores, com coisas importantes a dizer, nunca haviam conseguido uma editora para publicá-los – e quem achar seu trabalho de pouco valor, pode simplesmente ignorá-lo.

A versão online das publicações pagas pelo autor pode contribuir para sobrecarregar as informações, mas os editores profissionais se sentirão aliviados com esse problema e continuarão fazendo o que sempre fizeram – selecionado, editando, diagramando e negociando as melhores obras. Terão que adaptar seus talentos à internet – mas já o fazem – e podem tirar vantagem das novas possibilidades oferecidas pela nova tecnologia.

Para citar um exemplo de minha experiência, recentemente escrevi um livro impresso com um suplemento eletrônico, Poetry and the Police: Communication Networks in Eighteenth-Century Paris (Harvard University Press). Descreve como as canções de rua mobilizaram a opinião pública numa sociedade amplamente analfabeta. A cada dia, os parisienses improvisavam novas letras para antigas melodias e as canções fluíam com tamanha força que precipitaram uma crise política em 1749. Mas como é que as melodias alteravam seu significado? Depois de localizar as anotações musicais de uma dúzia de canções, pedi a uma artista de cabaré, Hélène Delavault, para gravá-las para o suplemento eletrônico do livro. Assim, o leitor pode estudar o texto das canções no livro ao mesmo tempo em que as escuta online. O ingrediente eletrônico de um antigo manuscrito torna possível explorar uma nova dimensão do passado, capturando seus sons.

Poderiam ser citados outros exemplos de como a nova tecnologia reforça velhos modos de comunicação, ao invés de miná-los. Não pretendo minimizar as dificuldades que enfrentam escritores, editores e leitores, mas acredito que uma reflexão com base na informação histórica poderia eliminar os equívocos que nos impedem de usufruir ao máximo da “idade da informação” – se assim a devemos chamar.

e-books, Kindle 2 e a pirataria de livros na rede

Em julho do ano passado eu estava escrevendo sobre o Kindle, da Amazon, e me questionava sobre os rituais de leitura.  Recentemente o Portal Exame trouxe uma notícia sobre o Kindle 2, que agora custará 359,00 U$.  Jeff Bezos, presidente-executivo da Amazon, diz que  o “foco realmente é o de produzir o melhor aparelho de leitura eletrônica… para livros, revistas, jornais e blogs”. Ou seja, não esperemos um novo iPhone, ou uma iPod que também permita ler livros.

Rubens Fonseca, no Portal Literal é, como eu ainda sou tendenciosa a ser, um defensor do velho e bom amigo livro. Mas por mais que este romântico ato de leitura me fascine muito, não posso deixar de tirar o chapéu pra esse aparelhinho. Confesso que estou quase comprando um pra testar. O que me pergunto é se por acaso não aconteceria com o meu Kindle o mesmo que aconteceu com a minha bicicleta ergométrica… Acabei continuando a pedalar na rua, e quem sabe, também não abandone meus caros, empoeirados e pesados amigos livros na estante. Contudo, não desconsidero totalmente a compra… já troquei há algum tempo meus cadernos de rabiscos e pensamentos pelo bloco de notas, no meu laptop.

A última coisa sobre livros que resolvi testar foi o tal do Audio-book: barato, prático, não pesa… Parece maravilhoso. Mas ainda não consegui terminar de ouvir o meu primeiro audio-book que adquiri ainda na Itália (num site que você pode fazer o download por muito pouco). O audio-book também é mais uma da sportas para pirataria de livros na web. O que tem por aí de arquivo mp3 disponível pra baixar (de grátis!!) não está no gibi. Muitos títulos porém, existem somente em inglês, e nem sempre a gravação é nítida. Quando o problema não é a gravação, é o narrador… não é qualquer um que sabe ler um livro todo com a entonação justa. Pessoalmente, acho que pra mim, o audio-book não cola pois fica muito impessoal, e eu gosto de ler no meu ritmo, com pausa para os meus raciocínios, dando`às diferentes personagesn as vozes que eu quiser. Porém, já ouvi depoimento de gente que se amarrou em ouvir o e-book no trânsito de SP (vá entender porquê…rs).

Ainda sobre a pirataria de livros na rede, parece que o Google, depois de sofrer uma acusação coletiva por parte de autores e editoras que tiveram seus direitos autorais violados, resolveu antrar num acordo com a Associação de Edioras Americanas e finalmente a disponibilização de livros na rede por conta deles passará a ser regulamentada. Está rolando uma negociação na qual o Google seria obrigado a pagar em espécie os direitos autorais dos livos escaneados e reproduzidos online. Aqui tem um resumo do tal acordo (e consequências) para a consulta de editoras, afins e curiosos: http://www.googlebooksettlement.com/r/home?hl=pt-BR&cfe_set_lang=1

 

e-livros: velhos e novos rituais de leitura

Volto a falar sobre os e-books motivada de uma das ultimas resoluçoes do governo italiano que decidiu que a partir do ano academico de 2008-2009 – calendario europeu – escola e universidades poderao ter acesso a livros no formato digital disponiveis online gratuitamente ou a pagamento (porém de um valor muito reduzido em relaçao àquele da print version). O site do Governo e do “Tesoro” informamque os livros deverao ser produzidos portanto nos dois formatos e que os docentes poderao adotar somente os textos que estiverem disponiveis nas duas versoes.

Aqui se poem diversas questoes praticas. A primeira delas é saber se os editores italianos vao dar conta de até setembro disponibilizar as duas versoes, se havera alguma prorrogaçao desse prazo da parte do governo, como os alunos poderao ler os livros nas escolas/universidades onde nao tem computador ainda? Os problemas sao varios, mas tudo pode ser amenizado pelo simples fato que o aluno pode sempre imprimir o texto, ou parte dele, quando quiser e se precisar e/ou se nao te computador nao esta excluido de forma alguma pois serà sempre possivel comprar o velho e tradicional livro de papel.

Particularmente sempre fui meio conservadora neste sentido e gosto muito dos meus livro de papel. Ainda que sempre pense em “doar” meus livros, gosto de ve-los por perto. Gosto de folhear um romance que li ha muito tempo e encontraralguma passagem que me tocou muito ao acaso. Aprecio muito a sensaçao e as lembranças que me trazem sentir um livro “fisicamente” na minha mao, sentir o cheiro, ve-lo envelhecendo. Mas sou entusiasta da onda do e-book,embora deva confessar que nunca li um livro inteiro em formato digital (a um certo ponto da leitura, o monitor cansa, e ler no computador obriga a uma posiçao nem sempre confortavel). O livro o levo onde quiser, na bolsa, sem cabos e bateria, leio sentada, deitada, no onibus, no trem… escrevo, sublinho, presenteio alguém, recebo presentes. O livro de papel possibilita rituais desde a compra: uma pessoa pode ter um autografo, fazer uma dedicatoria, receber uma, pode entrar na livraria para comprar um titulo e sair com outro, se sentir atraida por uma capa, um titulo exposto nas prateleiras do outro lado da sala… O livro de papel tem um charme, um romantismo. Mas vamos aos fatos.

Ecologicamente os livros em formato digitais sao ao 100% preferiveis. A capacidade de arquivaçao por espaço é infinitamente maior. O transporte é mais facil. Nao molha,nao amassa, nao pesa. Graças a economia do papel, mais a economia da mao-de-obra e tempo de todo o processo de fabricaçao de um livro “tradicional” o e-book é muito mais barato. Possibilita a qualquer um de escrever e publicar um livro. A democratizaçao da informaçao no mundo dos “informatizados” é muito relevante. Existem também as vantagens e desvangatens para o mercado de um autor poder abrir mao dos serviços editoriais e de distribuiçao. O e-book pode ser (ou nao) dotado de hipertexto o que possibilita uma leitura navegante dentro do texto através das referencias e outros recursos de imagens e graficos que otimizam a leitura e podem auxiliar na apreensao dos dados informativos.

Os pontos positivos a favor do livro no formato digital poderiam ser destruidos pela simples constataçao de que no Brasil de uma população com 196 milhões de habitantes somente 16 milhões possuem acesso doméstico ao computador e isto nao significa dizer acesso à internet. Mas esta desvantagem se mostra quase inofensiva a partir do momento em que admitimos a coexistencia dos dois formatos e nao defendemos a supremacia do novo sobre o velho. Isto significa dizer que o e-book pode trazer as vantagens e ser aproveitado por quem tem os meios para usufrui-lo sem prejudicar aqueles os leitores nao informatizados. A unica desvantagem significante dos leitores de um mesmo livro no formato tradicional em relaçao a quem o leu tal livro na sua versao digital seria a da diferença de ler o conjunto da obra com ou sem hipertextualidade.

Ainda outra vantagem dos e-books é a possibilidade da atualizaçao de conteudos (principalmente no caso dos materiais didaticos)sem custos adicionais. Na Italia a editora Garamond ja oferece este serviço. Paga-se pelo livro uma unica vez.

Uma das desvantagens concretas do e-book é que para poder le-lo é necessaria energia e outra é que nao é muito facil e comodo levar o computador em uma viagem somente para poder ler um livro. Entao no criterio portabilidade o e-book ainda peca por falta de praticidade. Mas isto sera ja esta sendo remediado (claro, para quem pode pagar) pelos e-book readers como dispositivo alternativo ao PC para a leitura de livros em formato digital, que sao “brinquedinhos” tao pequenos e leves que ocupam menos espaço que um caderno universitario numa mochila (imaginem quantos livros podem ser levados numa so mochila!). O primeiro dispositivo leitor de livro eletronico foi produzido pela NuvoMedia em 1998, o chamado Rocket e-book, mas existem outros como o Everybook, o Softbook e outros palms que com os sotfwares adequados permitem a leitura de forma muito mais “pratica” e em qualquer lugar, sem fios, sem computador, como os aparelhos Blackberry.

Para encerrar quero destacar entre outros o electronic-paper display da Amazon, o Amazon Kindle, dispositivo que promete muito, dotado de wireless o que permite comprar um e-book a partir do seu proprio Kindle, com uma resoluçao 600 x 800 pixel, um display de 6 polegadas, acesso para o Wikipedia, dicionario incluso (ingles)e que ainda possibilita a assinatura dos principais jornais americanos e ainda outros jornais e revistas internacionais, possibilitando também acesso a alguns blogs.

Vejam a apresentaçao no video abaixo:

Sera possivel criar novos rituais para a leitura? Talvez bichinhos como esse permitam uma familiarizaçao maior com o e-book, pesa pouco, leva onde quiser, salva informaçes, etc… Uma especie de “tamagoshi” cultural. Uma “e-biblioteca” de bolso! Talvez com isso eu mude minhas preferencias, mas mesmono final desse video ainda sou pelo velho e bom, romantico livro de papel! Com U$ 359,00   -que é quanto custa o bebezinho atualmente – eu compro muuuuito livro…mas enfim, diante disso, ha de se considerar um investimento a longo prazo. Hum…Ta sem idéia de presente pro meu proximo aniversario? …agora ja sabe!

e-books ?

Apesar do grande poder da internet, parece que ainda permanece a tradiçao no que diz respeito aos livros.

Vejam:

Do you like to curl up with a printed book, or would you be comfortable reading books in other formats, for example online, an ebook reader, or a pda?
Printed book 82%
Other formats 11%
Not sure 8%

Pesquisa realizada em maio de 2008 – Zogby International. Clique para acessar o PDF de 13 pagina da pesquisa Reading and Book Buying Habits of Americans.