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Na história, ontem e hoje: Insatisfação de longa data

É importante refletir no espaço da sala de aula, na academia e nas ruas – conversemos em casa com pais, vizinhos e nobar com os amigos – o que vem acontecendo em relação aos transportes no Rio de Janeiro. A manifestação por serviços bons a preços “justos” (sem entrar nos liames do que é justo realmente) não é novidade, a vitória do capital sobre as vozes dos trabalhadores, infelizmente, também não o é. Abaixo segue a indicação de um texto publicado semana passada (1/3/2012) no site da Revista de História da Biblioteca Nacional sobre a questão. Contudo, fica a “deixa” para um debate maior, presencialmente, e posterior reflexão mais detida nas palavras escritas sobre a descabida (todas o são) repressão que vem sendo exercida pela empresa Barcas SA desde os episódios mais recentes de manifestação envolvendo o absurdo aumento no valor do Bilhete Rio-Niterói (60%). E repressão legitimada oficialmente. Urge refletir. Urge falar. Não esqueçamos os anos de silêncio e “consentimentos forçados” que este país já encarou. Gostaria, por fim, antes de deixar-vos com o texto da RHBN, de acrescentar um adendo, que na verdade é um grande-GRANDE problema: o controle e a repressão também no ambiente público (eu disse pú-bli-co) da Web. Gente sendo processada por compartilhar em suas redes sociais conteúdos potencialmente incitadores de manifestações… (aqui o link do processo). Mas a coisa está quente. É toma lá, da cá. Quase não dá para acreditar que estamos no século XXI. Mas bem, aí já seria uma outra grande ingenuidade minha pensar que isto seria menos possível de acontecer hoje. Vivemos em tempos de intolerância. E estupidez, né, pois convenhamos, multar professor no Brasil em 5 milhões de Reais é completa insanidade. O cara só conseguiria pagar se fizesse GLPs como um louco, programas nos fins de semanas e passasse os seus próximos 100 anos sem gastar um centavo para se alimentar. Força, ao professor Henrique Campos Monnerat!

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O professor Henrique Campos está sendo acusado de apologia ao crime por vídeo na internet Foto: Giuliander Carpes/Terra

[leitura indicada] Insatisfação de longa data

Aumento da passagem das barcas – que fazem trajeto Rio-Niterói – provoca indignação e mobiliza aparato de segurança, mas os problemas nos serviços e reação da população ao aumento das tarifas são muito antigos – Alexandre Leitão e Alice Melo

Fila sem fim é a rotina de passageiros. Foto: Amanda Alvarenga

O protesto de clientes da Barcas S.A. – responsável pelo traslado aquático entre Niterói e Rio de Janeiro –, queaconteceu na manhã de hoje, supreendeu não só pela mobilização dos passageiros, mas pela tática adotada para conter a manifestação: um forte aparato de segurança, com direito a helicóptero, e o adiamento do aumento da passagem, que aconteceria hoje, para o próximo sábado. A tarifa passará de R$ 2,80 para R$ 4,50 para o usuário que não tem Bilhete Único, ou R$ 3,10 para aqueles cadastrados no programa. O aumento de mais de 60% é definitivo e foi autorizado em dezembro passado pela Alerj, pouco depois de um acidente na Baía de Guanabara com uma embarcação ter deixado mais de sessenta pessoas feridas. Os passageiros, revoltados, começaram a se mobilizar pela internet, e um professor chegou a ser intimado por publicar um vídeo no YouTube convocando a população.

A companhia de transportes alega que o reajuste no preço vem para ajudar a saldar uma dívida contraída com o Estado desde o fim da década de 1990. Segundo a Barcas SA, o transporte de passageiros a R$ 2,80 estava gerando prejuízos. E este prejuízo poderia influir no bom funcionamento dos serviços – que vem deixando a população cada vez mais insatisfeita: filas enormes e superlotação das embarcações já fazem parte do dia a dia do usuário.

“Acho que foi na quinta-feira antes do carnaval que peguei coisa de uma hora na fila, aqui na Praça XV”, conta Amanda Souza, moradora de Niterói que precisa ir todos os dias ao Centro do Rio para trabalhar. “Não dava para ver nem o fim. Às vezes chega na Rua da Assembleia. Fora que a gente fica como um gado lá dentro. Vinte minutos apertados na frente do vidro, depois mais vinte antes do outro portão, até entrar naquela carcaça que demora quarenta minutos para fazer a travessia”, conta. A Barcas S.A. e a Agência de Transportes do Rio de Janeiro (Agetransp) – empresa responsável pela fiscalização dos serviços transportes do estado – foram procuradas pela Revista de História, mas não se manifestaram a respeito.

– CLIQUE E CONTINUE LENDO O ARTIGO NO SITE DA REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL 

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Rebloging: Notas sobre uma máscara e muitas memórias

Compartilho abaixo o interessante artigo de Camila Dantas Guimarães sobre a recente recuperação da memória de Guy Fawkes. Vale a pena conferir.  Post original em “O passado em bits“. Boa leitura! 

Por todos os lados e telas nos deparamos com as máscaras de Guy Fawkes, o conspirador inglês morto em cinco de novembro de 1605. Logo após a descoberta da conspiração liderada por Robert Catesby, o ainda frágil estado inglês instituiu a queima de bonecos de Fawkes na fogueira. O que se celebrava e como se comemorava o Cinco de Novembro foi se transformando ao longo da história1. No século XIX a imagem de Fawkes começa a ser reapropriada por movimentos urbanos, alguns de tendência anarquista de acordo com Lewis Call.

Mas como é que que neste século XXI a mascara de Guy Fawkes acabou por se tornar um símbolo de resistência em escala global ?

Para entender a carreira internacional desta imagem há que se apontar pelo menos dois objetos culturais que se apropriaram do símbolo de maneira muito bem sucedida: a novela gráfica V for Vendetta de Alan Moore e David Lloyd (1986) e o filme de mesmo nome nela baseado, dirigido por James McTeigue e produzido pela Warner em 2006<2. É neste contexto de circulação em massa que a imagem extrapolou as fronteiras anglo-saxãs e passou a povoar o imaginário global. O grupo de hackers Anonymous adotou a máscara de Guy Fawkes nos seus comunicados sobretudo via Youtube. Um dos vídeos mais recentes fala até de um possível atentado ao Facebook neste cinco de novembro.

Na internet a máscara salta em múltiplas versões. A Biblioteca Britânica colocou online uma coleção especial sobre o evento com imagens que destacam sobretudo os fogos de artifícios, itens comuns na celebrações do Cinco de Novembro na Inglaterra e no mundo anglo-saxão.

No Twitter a hashtag #5thnovember já está em plena atividade, embora com uma predominância siginificativa da língua inglesa.

A utilização ampla das mascaras de Guy Fawkes nos protestos dos indignados não é uma unanimidade (aliás como quase nada no movimento e isto não é necessariamente uma crítica). Há uma polêmica no ar já que os royaties da sua venda vão diretamente para a Time Warner (devido ao filme V de Vingança), o que tem gerado críticas que remetem uma contradição frente aos objetivos anti-capitalistas do movimento.

Aqui, na marca da efeméride e antes da fumaça se dissolver em bits, o que eu gostaria de apontar é meramente a importância de se pensar sobre a circulação global de memórias. É um tema que de certo modo já vem sendo tratado há algum tempo no campo de estudos da memória social, sobretudo relacionado com a banalização das memórias do holocausto3. Agora estamos diante de uma crescente imbricação da memória com as novas mídias, ou para utilizar o termo de Andrew Hoskins, estamos imersos em uma crescente distribuição da memória social ( o que ele chama de memory-on-the-fly, utilizando um termo que se refere a possibilidade de programar e processar simultaneamente em um computador).

Versos do século XVII agora estão cravados em código binário:

http://extraordinaryintelligence.com/2695/holidays/remember-remember-the-5th-of-november-guy-fawkes-day/

Essas palavras, que atravessaram quatro séculos , adquirem na contemporaneidade outros sentidos. Quais? Como refletir sobre as mediações da memória nas interfaces digitais e suas relações com a representação histórica? Como pensar sobre a memória social um pouco além das questões identitárias que marcaram a emergência deste campo de estudos4? Em recente coletânea sobre o tema das memórias globais, Aleida Assman defende a necessidade de se pensar sobre a circulação das memórias a partir de uma perspectiva que, embora observando as especificidades nacionais, amplie o foco para uma abordagem transnational5. Para mim essa possibilidade faz todo o sentido quando olho as máscaras de Guy Fawkes. E vamos ao próximo cinco de novembro…

* * *

PS: E por falar nisso, alguém sabe de um estudo ou pesquisa que trate das especificidades brasileiras na utilizaçãoda máscara de Guy Fawkes?

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Camila Guimarães Dantas é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Memória Social ( UNIRIO) e bolsista da CAPES.

1O livro de James Sharpe “A cultural history of Guy Fawkes day” é uma referência central e mapeia a história dessa memória no Reino Unido. (Harvard University Press, 2005.)

2Sobre o filme ver:OTT, Bryan. The Visceral Politics of V for Vendetta: On Political Affect (in Cinema, Critical Studies in Media Communication, 27:1, 39-54 , 2010.

3Andreas Huyssen ao pensar sobre a museificação no ensaio “Seduzidos pela Memória” (Rio de Janeiro: Aeroplno, 2000) já desenvolve uma reflexão importante sobre as apropriações globais do Holocausto. Em sentido semelhante, Tzvetan Todorov chama atenção para os abusos de uma banalização da memória do mal em seu livro “Tentação do mal, Memória do bem”(São Paulo: Artz,2002).

4Algumas considerações sobre essa questão neste artigo.

5 Assman , A e Conrad, S. memory ina a Global age. Ney ork, Palgrave macmilliam, 20010.

Historiografia em Rede – Revista Médio Paraíba

O tema da “historiografia” ganhou mais um espaço na rede!!!

Começamos esta semana uma coluna na Revista Médio Paraíba, que aborda temas acadêmicos e multidisciplinares.

Abaixo segue o editorial desta edição, por Renato Barozzi:

logomarcaMedioParaibaHistoriografianaRede

Temos duas boas notícias: a primeira é que chegamos à terceira edição de nossa Revista Acadêmica. A segunda boa notícia é que já possuímos conteúdo a ser analisado para uma quarta e, quiçá, uma quinta edição. Realmente estamos muito felizes com o desenvolvimento deste projeto.

Algumas coisas precisam ainda de ajustes, nos falta tempo para uma dedicação intensa, mas, apesar dos sobressaltos, nada irá sobrestar o aprimoramento, o aperfeiçoamento e amadurecimento de nossa revista.

>> Confira aqui  o sumário da Edição no. 3.
>> Confira as edições anteriores

A presente edição deixa claro o estado de espírito com que encaramos nossas dificuldades. Nela expusemos, como artistas da palavra, a diversidade e a flexibilidade com que agimos para experimentar conteúdos e formas. Neste momento, lembro-me de uma passagem do livro “Contraponto” de Huxley que reflete bem o que sinto: “Lorde Edward e seu irmão estavam tomando ar no parque de Gattenden. Lorde Edward tomava-o caminhando. O quinto marquês tomava-o numa cadeira de rodas puxada por um burro cinzento. Era inválido. ‘o que, por felicidade, não impede o meu espírito de correr’, gostava de dizer Lorde Gattenden.”
Não somos inválidos e já provamos isto, caminhamos. Entretanto, as circunstâncias tentam invalidar nossos esforços. Por mais que somos alvejados pelas adversidades, nossos espíritos não soçobram. Temos o apoio de vocês leitores, temos a sofisticada participação dos autores e colaboradores e temos ainda, a alma cheia da necessidade de realizar.

Por falar em realizar, entre as novidades desta terceira edição temos: um texto sobre a formação do Funcionalismo Público no Brasil, que ressalta a característica estamental da sociedade portuguesa e o modelo patriarcal da família. Outro que explora a atividade de “julgar”, sobretudo diante da tarefa de cuidar do mundo, calcado nas constatações da teórica Hannah Arendt.
Entre outros, temos ainda um artigo que expõe a medicina no Brasil no período colonial e um ensaio cujo titulo é: “Sorria, você está sendo filmado!” – Câmeras, muralhas e outros símbolos: a modelação na paisagem carioca pelo medo da violência urbana. Bastante pertinente em sua função de registrar o momento “cívico” em que vivemos.

No mais, caminharemos. A Revista Médio Paraíba não é estática. Ela está num ambiente difuso. E difuso também são nossos interesses. Temos por fontes de inspiração revistas acadêmicas ligadas a universidades, mas também bebemos no manancial de Serrote, Dicta e Contradicta e Inteligência e Insight. “Mundo, mundo, vasto mundo.”

Aproveitem esta profusão de idéias e deixem-se levar pelo roldão. O mundo da arte, da literatura e da ciência possui seu próprio reino e convidamos todos vocês a entrarmos nele de mãos dadas.

Boa leitura!

Nossa contribuição, nesta terceira edição da Médio Paraíba, foi justamente falando da moderna concepção de História segundo Hannah Arendt. Nos vemos ou aqui! Até breve!

Até o Papa caiu na rede

Agora o Vaticano também é 2.0.

É interessante notar como o próprio Pontífice reconhece que mesmo assim, o Vaticano ainda não usa a web como deveria e poderia e que talvez a crise com o bispo conservador que negou o Holocausto pudesse ter sido evitada se buscassem sua posição na internet.

Reproduzo o post do blog História das Religiões e Religiosidades:

O Globo, Mundo, pág.34, em 23/05/2009.

A nova rede social do Papa

Bento XVI quer atrair jovens pelo Facebook e pelo iPhone

O Papa Bento XVI entrou ontem no mundo das redes de internet e de smartphones com um portal do Vaticano que inclui aplicativos para Facebook e iPhone. O serviço, voltado ao público jovem, tem vídeos, áudios, fotos e transcrições de discursos do Papa, além de eventos da Igreja Católica em geral. No entanto, quem agregar o Papa em sua página do Facebook não poderá receber um e-mail confirmando ter sido aceito como “amigo” do Pontífice, nem poderá escrever na sua “parede” (um recurso de recados na página principal de cada usuário). Terá que se contentar em simplesmente acessar as informações fornecidas pelo aplicativo.

Mesmo assim, o Vaticano está entusiasmado com a ideia de poder atrair mais jovens à Igreja.


— Eles (os jovens) estão buscando uma cultura de comunicação diferente e esse é nosso esforço para assegurarmos que a Igreja esteja presente nessa cultura de comunicações — disse o monsenhor Paul Tighe, secretário do departamento de comunicação do Vaticano. — Reconhecemos que uma Igreja que não se comunica deixa de ser uma igreja.


O Pontífice de 82 anos, conhecido por escrever a maioria de seus discursos à mão enquanto assistentes administram suas páginas na internet, admite que o Vaticano ainda não usa a web como deveria. Poderia, por exemplo, diz ele, ter facilmente evitado a crise com o bispo conservador Richard Williamson, que nega o Holocausto, se buscasse suas posições na internet.


O portal www.pope2you.net (ou “Papa para você”, num trocadilho em inglês) não é a primeira incursão do Papa no mundo virtual. Em janeiro, Bento XVI lançou sua própria página na rede de vídeos YouTube, que está agora linkada no portal.


Os novos aplicativos estão disponíveis em inglês, espanhol, francês, italiano e holandês. Português, língua do maior país católico do mundo, não está entre as opções.

Veja mais:

Púlpito à Web: Uma Eclésia no Mundo Virtual