Educação

Livro novo na área, artigo novo sobre “historiografia escolar digital”

Primeiramente, Fora Temer!

Com que alegria recebemos a notícia de que está pronto o livro História, Sociedade, Pensamento Educacional: experiências e perspectivas (2016), proposta encabeçada pelo Grupo de Estudos do Tempo Presente – GET e do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre  História do Ensino Superior – GREPHES -, ambos ligados ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Sergipe. 

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Neste livro, minha amiga e grande parceira de criação, Marcella Albaine, e eu tivemos o prazer de colaborar com o artigo “Historiografia escolar digital: dúvidas, possibilidades e experimentação” (Capítulo 12, pp. 336-366), no qual buscamos tornar explícito para o leitor algumas questões implícitas em nossas elocubrações, já há algum tempo em que colaboramos no planejamento de atividades de extensão, na escrita de textos a quatro mãos e outros trabalhos que reúnem nosso interesse em torno do estudo do digital e do ensino de história. No prefácio, os organizadores introduzem assim nossa contribuição à obra:

Da TV para a internet e os novos meios e comunicação, Anita Lucchesi, que colabora a partir das suas investigações na Universidade de Luxemburgo, e Marcella Albaine, refletindo a partir da Universidade Federal do Rio de Janeiro, teceram considerações sobre a chamada historiografia escolar digital. As suas reflexões, nascidas nestes diálogos transoceânicos, nos colocam a pensar sobre: quais os caminhos a serem trilhados pelos historiadores nos tempos digitais? Quais as limitações enfrentadas pelos professores de História em meio aos suportes digitais? Como a narrativa histórica será afetada pela emergência da internet? Estas e outras preocupações são levantadas no texto que, ao final, nos relembra o caráter essencialmente humano da História e da Educação.

Prefácio de História, Sociedade, Pensamento Educacional: experiências e perspectivas, Org.  Dilton Cândido Santos Maynard & Josefa Eliana Souza. Rio de Janeiro: Autografia, 2016.

Mais uma vez, foi uma satisfação escrever com essa amiga, aprender e ressignificar muitas coisas juntas. Espero que esse humilde artigo consiga levar aos colegas leitores a proposta de pensar uma “historiografia escolar digital” que favoreça o uso criativo das ferramentas digitais, como boas aliadas para uma educação emancipadora, mas sem também enaltecer demais a máquina – carne, osso, crítica e afeto permanecem essenciais. Em tempos de duros golpes na nossa chumbada democracia e em todas as esferas da educação pública no Brasil, escrever esse artigo e desejar que ele possa estimular o debate e encorajar ainda mais a busca por um modelo formação cidadã, pode soar meio utópico, mas a publicação de um livro como esse é a prova cabal de que não se trata apenas de um sonho, mas de luta e construção coletiva de um ideal de educação universal.

Meu muito obrigada aos colegas que toparam essa missão, aos organizadores e à incansável parceria de Marcella. Sigamos em frente! 🙂

Acesse a versão ePub aqui.

Em cada escola uma revolução. E o Governo de SP prepara uma guerra contra estudantes

Estou acompanhando com muita admiração o movimento dos estudantes de São Paulo contra a Reorganização Desorganização. Estou aprendendo muito com eles. Pelas últimas atualizações que tive acesso, já são 209 escolas ocupadas, vejam aqui o mapa criado por eles, traz as ocupações ativas em tempo real.
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Não são bobos, não.

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São irreverentes e muito, muito vivos.

O movimento supera o significado de “educativo” que a gente está acostumado no conteúdo programático das escolas. E, para saudar esse momento histórico do movimento estudantil, que já extrapolou a denominação de secundarista – ampliado, envolvendo pais, professores, funcionários e outros estudantes – o Estado prepara para esta semana um enfrentamento de GUERRA contra as ocupações da escolas em SP, conforme denúncia feita pelos Jornalistas Livres,  através do áudio abaixo, vazado de uma reunião que aconteceu ontem entre 40 dirigentes de ensino e braço direito do secretário Herman:

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Eles são jovens e estão aprendendo da melhor forma, na base do “aprender fazendo”,  o que significa autogestão, contestação, protesto, direito e luta. Eles organizam atividades (saraus, rodas de capoeira, debates com convidados, oficinas e até show...) dividem as tarefas cotidianas (usam espaços de horta para plantar, cozinham, limpam, organizam doações para manter a ocupação…), propõem pauta, dialogam. Eles têm aquele sonho, aquela força e acreditam na mudança.

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Sagazes.

Não têm medo. E não estão dispostos a sair no grito e na chantagem. Até agora, não teve arrego mesmo! Torço para que a guerra não arrebente ferindo ninguém desse lado – que já não é o “lado mais fraco” há muito tempo, ao menos não nas ideias. Mas a Polícia Militar tem armas, o Estado tem uma mídia vendida para tentar desmoralizar as ocupações e ainda por cima existe uma penca de diretores e diretoras fantoches, gente “de confiança” do Alckmin e do secretário para tocar o terror. Essa semana o caldo vai engrossar porque o Chuchu quer fazer a reorganização na base do decreto, de qualquer jeito. Desejo, do com toda força, que esses meninos e meninas continuem firmes e não se machuquem. Aconteça o que acontecer, as ocupações já são um movimento vitorioso. E talvez, com uma vitória muito mais importante que “simplesmente” (embora não seja nada simples) empacar a reorganização. Eles fizeram e estão fazendo muito mais. Nesse ritmo, a certeza que me fica é: AMANHÃ VAI SER MAIOR.
A charge feita por Laerte, é só uma pequena mostra de como a ocupação não se limita a educar dentro dos muros da escola. Laerte, que aliás, também esteve lá conversando com alunos.
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Acompanhem mais notícias na página Não fechem minha escola, no Facebook, que já é acompanhada por mais de 92 mil pessoas. Todas as fotos do post eu peguei “emprestadas” de lá.
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Força, galera!

II Seminário Debates do Tempo Presente: Educação, Guerras, Extremismos

Debates2014

No próximo mês (10 a 12 de dezembro), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) vai receber o II Seminário Debates do Tempo Presente, promovido pelo Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET-UFS) e pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPE (PPGE-UFPE). Este ano, o evento abordará a tríade Educação, Guerras, Extremismos.

Com variada oferta de Simpósios Temáticos, o evento promete uma atmosfera de convivência e debate positiva para trocas sobre a História do Tempo Presente (claro!), mas também para a História Pública, fazendo pontos com cinema, literatura e artes, ensino de história, relações internacionais, mídias e, para a alegria desta que vos escreve, história digital (ver ST 08). 😉

Pelo novo cronograma, o prazo para inscrições é 16 de novembro. Mais informações no site do evento.

Confira abaixo os Simpósios Temáticos

ST 01 – “História, Literatura e Arte”
Coordenadores: Profa. Dra Marizete Lucini (PPGED/GET/UFS)
Prof. Dr.Fábio Alves dos Santos (DED/UFS)

O simpósio temático História, Literatura e Arte propõe-se a acolher trabalhos que discutam aspectos da narrativa histórica e da narrativa de ficção como gêneros que comunicam experiências temporais. Nesse sentido, reflexões sobre romance, cordel, poesia, cinema, música, biografia e contos são aqui compreendidos para além de sua característica documental. Mais que documento, a literatura, o cinema, a poesia, o cordel, o conto, o romance e a música possibilitam ao leitor/ouvinte vivenciar diferentes experiências. Experiências que podem ser reinterpretadas, permitindo aos leitores/ouvintes estabelecerem relações de pertencimento e de identificação com os textos acessados, bem como permitem aos sujeitos do presente, habitar o passado e transformá-lo em memória. Memória que também o constitui como sujeito histórico no presente. Sujeito que se compõe a partir dos múltiplos agenciamentos de subjetividades experienciados nas diversas interações sociais que constituem sua singularidade.


ST 02 – “Produção e usos escolares da história do tempo presente”
Coordenadores: Prof.Dr. Itamar Freitas (PPGED/Rede Tempo Brasil/GETUFS)
Prof.Dr. Lucas Victor Silva (Rede Tempo Brasil/UFRPE)
Prof.Dr. Francisco Egberto Melo (URCA)

Este simpósio temático acolhe resultados de pesquisas que relacionem as expressões “tempo presente” e “usos da história”, sobretudo em sua dimensão escolar. Aqui, reiteramos a nossa preocupação com as diferentes noções de presente, as formas de organização desse presente nos currículos, nos livros didáticos e na historiografia de síntese voltada para o público adulto que fundamenta, em grande medida, a historiografia consumida pelos alunos da escolarização básica no Brasil e no exterior.


ST 03 – “ História, Cinema & Tempo Presente”
Coordenadores:
Prof.Dr. José Maria Neto (UPE)
Profa.Dra. Andreza S.C.Maynard (DCR-FAPITEC/GET/Pós-Doutoranda PPGH/UFRPE)

Discutir as aplicações do cinema na formação da cultura histórica, buscando, assim, estabelecer diálogos entre a disciplina e a arte cinematográfica, e estabelecendo trilhas e percursos para a utilização do cinema como elemento para a compreensão da recepção das eras históricas e também para o ensino desta disciplina.


ST 04 – “Educação Colonial, Catolicismo e Salazarismo”
Coordenadores: Prof.Dra. Giselda Brito Silva (Rede Tempo Brasil/ PPGH/UFRPE)
Prof.Ms.Carlos André Silva de Moura (UNICAMP)

Durante o período do salazarismo as produções historiográficas se esforçaram para legitimar as relações do regime com as colônias africanas, como justificativa de “civilizar o indígena”. Além da alfabetização, a ação defendia a constituição linguística em comum como condição para o desenvolvimento das colônias. A formação doutrinária da juventude também foi fundamental para a organização das instituições autoritárias, como a Mocidade Portuguesa e Legião Portuguesa, com a meta de educar “sob a medida das necessidades do regime”. No particular da educação da Juventude Salazarista aos interesses do império colonial, o Estado Novo contou particularmente com intelectuais e católicos militantes que circulavam entre Brasil e Portugal. Nossa proposta de simpósio temático é abrir um espaço de debate para os estudos das relações nos dois países, política e catolicismo e suas práticas no campo educativo.


ST 05 – “História e Relações Internacionais: debates e problemas”
Coordenação:
Prof. Dr. Daniel Chaves (Unifap/Rede Tempo Brasil)
Prof. Dr. Lucas Pinheiro (NURI/UFS)

Diante do consagrado encontro entre as áreas de conhecimento da História e das Relações Internacionais, o objetivo deste Simpósio Temático é o de promover encontros entre pesquisadores sêniores e jovens, suscitar perspectivas inovadoras e recensear debates clássicos entre tais áreas e campos de discussão. Tanto ao historiador quanto ao internacionalista, bem como profissionais de áreas contíguas – sociólogos, cientistas políticos, economistas, entre outros – tal encontro buscará promover um duplo movimento: o da contextualização de discussões globais, por um lado, e o da internacionalização das discussões  regionais e brasileiras, por outro, afinando tendências emergentes e estabelecidas. Não menos importante, temáticas contemporâneas em corte histórico como Defesa, Segurança, Cooperação e Mundialização encontrarão espaço para articulação e destaque para a comunidade acadêmica presente.


ST 06 – Ensino de História do Tempo Presente
Coordenação:
Prof. Dr. Francisco Carlos Teixeira da Silva (UFRJ/UCAM/Rede Tempo Brasil)
Prof. Dr. Karl Schurster (PPGE- UFPE/ Rede Tempo Brasil)

A grande questão sobre o papel da escola no ensino das ditaduras e regimes de ódio se coloca perante os insucessos ocorridos em países – como Alemanha, Itália, Áustria e Espanha – onde, malgrado a excelência das condições escolares, o ensino, os currículos e os recursos pedagógicos não foram suficientes para formar uma nova juventude crítica e desvinculada de brutais atos de racismo e de violência, simbólica e física, contra o outro. Nas ruas, nos estádios de futebol, nos bares e mesmo em ambientes de trabalho, multiplicam-se atos de racismo e de exclusão. Daí a relevância, crucial, dos estudos e de debates sobre o papel da escola e do ensino da história contemporânea, no tocante às ditaduras modernas e seu caráter de ódio ao outro e a questão central que se coloca: estamos nós mesmos, no Brasil, construindo recursos pedagógicos necessários para a construção de uma convivência, presente e futura, fraterna e despida dos tremendo efeitos nefastos do racismo e da negação do outro? Conseguiremos superar, debater criticamente, o que já foi denominado de fascínio, die Schöneschein, de uma cultura da violência e da rejeição ao outro nas nossas escolas? Claro está, que não apenas os currículos e instrumentos pedagógicos disponíveis para os professores, resolverão, de per si, tais questões. O próprio estado geral da educação básica no Brasil, com seu ônus nas séries iniciais de alfabetização, é um elemento de incapacitação crítica, um óbice ao processo educacional como ato emancipatório, como queria Anísio Teixeira. Assim, esse simpósio busca propostas de pesquisam que se debrucem sobre o ensino de história do tempo presente, suas variadas formas e possibilidades, procurando entender limites e desafios para essa área de conhecimento.


ST 07 – Educabilidades políticas no tempo presente
Coordenadora: Profa.Dra. Adriana Maria Paulo da Silva (PPGE/UFPE)
Prof. Dr. André Ferreira (PPGE/UFPE)

Interessa-nos discutir as pesquisas a respeito das maneiras pelas quais os indivíduos e grupos têm operacionalizado intenções e propostas educativas, em ambientes escolares e não-escolares, tendo em vista a promoção de ações políticas (potencialmente transformadoras de alguma situação individual ou coletiva existente e/ou das ações sociais de grupos e/ou indivíduos) ou o fomento de estratégias de atuação política.


ST 08 – História Digital: conceitos, fontes, métodos e experiências
Coordenadores:   Prof.Dr. Dilton C.S. Maynard (PPGED-UFS/Rede Tempo Brasil)
Profa.Ms. Anita Lucchesi (Rede Tempo Brasil)

Este simpósio pretende congregar trabalhos que se dediquem a refletir sobre o estudo e a representação do passado a partir de novas tecnologias da comunicação, assim como a produção e a preservação de fontes digitais, considerando as potencialidades dos recursos digitais para a pesquisa e para o ensino da História. Esperamos colaborar para o debate sobre os desdobramentos da emergência dos registros digitais no ofício do historiador e sobre as transformações nas experiências de leitura, acompanhamento e argumentação em torno de questões históricas.


ST 09História, Mídias e Tempo Presente
Coordenadora: Sônia Menezes (URCA/Rede Tempo Brasil)

Este simpósio tem como objetivo refletir diferentes formas de escrita do passado na contemporaneidade: artes plásticas, séries e livros jornalísticos, séries de televisão, internet, novelas, materiais didáticos, documentários, jogos, fotografia, etc. Produtos que quase sempre se situam fora do campo científico da história e que se materializam em narrativas históricas de grande apelo social. Nossa intenção é abrir um espaço para trabalhos que investiguem tais produções e suas narrativas sobre o passado; pensar como estas interferem na compreensão histórica do nosso tempo.

ORIENTAÇÕES GERAIS: 

ENVIO DE RESUMOS PARA OS SIMPÓSIOS TEMÁTICOS via debates@getempo.org

As inscrições serão efetuadas mediante envio do resumo até 07 de novembro de 2014 para o e-mail debates@getempo.org. Confira as instruções abaixo:

  1. ATENÇÃO: O arquivo com o resumo deve ser enviado em formato doc ou docx (Word for Windows) e identificado da seguinte maneira: Nome e sobrenome do AUTOR e do CO-AUTOR (se houver)_CÓDIGO DO SIMPÓSIO. Ex: JULIA ASSAD e EDUARDO DENNIS_ST01

O arquivo deverá conter:

  1. Título do Trabalho em caixa alta, destacado em negrito, centralizado.
  2. Nome do autor e co-autor (se houver), destacado em negrito.
  3. Informações sobre o autor e co-autor (se houver): curso, instituição de 
fomento, e- mail.
  4. Será aceito apenas um trabalho em co-autoria.
  5. Nome e titulação do orientador e departamento ao qual pertencem, destacado em negrito.
  6. Simpósio selecionado (a indicação de um segundo simpósio temático, 
em caso de não aprovação no primeiro, é opcional).
  7. O resumo virá abaixo deste cabeçalho e deve possuir de 600 a 1000 
caracteres com espaçamento, contando ainda com três palavras-chave.

Os trabalhos serão avaliados pelo Comitê Científico do Seminário com base nos seguintes critérios:  a) Relevância e pertinência do trabalho;  b) Consistência na argumentação;  c) Respeito às normas de formatação estabelecidas pela Organização do evento Os trabalhos que não atenderem aos critérios acima serão AUTOMATICAMENTE EXCLUÍDOS.

Os trabalhos aprovados serão divulgados em 16 de novembro de 2014 através do site do evento: http://debates.getempo.org

NORMAS PARA PUBLICAÇÃO DOS TRABALHOS COMPLETOS:

Os trabalhos completos, juntamente com os comprovantes de depósito digitalizados, deverão ser enviados entre 17 e 26 de novembro para o e-mail debates@getempo.org, obedecendo às seguintes normas:
Cabeçalho: Título do Trabalho em caixa alta, destacado em negrito, centralizado; nome do autor e co-autor (se houver), destacado em negrito; informações sobre o autor e co-autor (se houver): curso, instituição de fomento e e-mail; nome e titulação do orientador e departamento ao qual pertence, destacado em negrito. Simpósio temático selecionado. O trabalho deve possuir de 8 a 12 páginas, fonte Times New Roman, letra tamanho 12, espaçamento 1,5, formatação justificada.
O sistema de citações será o AUTOR-DATA. As citações deverão ser indicadas no texto, informando o sobrenome do(s) autor(es) mencionados, na sequência (AUTOR, ano, página). Notas de rodapé poderão ser utilizadas apenas em caráter explicativo.

PAGAMENTO: valor único R$ 25,00

CONTA PARA DEPÓSITO IDENTIFICADO: Banco do Brasil Agência: 0673-4 Conta corrente: 44.103-1 ALANA DE MORAES LEITE

Seminário Debates do Tempo Presente: Ensino, Tecnologias e Conflitos | inscrições até 08/11/2013

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Prezad@s colegas,

ImagemO Grupo de Estudos do Tempo Presente comunica que entre 18 de outubro e 03 de novembro de 2013 08 de novembro estarão abertas as inscrições para apresentação de trabalhos nos Simpósios Temáticos  do Seminário Debates do Tempo Presente: “Ensino, Tecnologias e Conflitos”. O evento ocorrerá nos dias 05 e 06 de dezembro na Universidade Federal de Sergipe e terá abrangência nacional, congregando pesquisadores de diferentes instituições e Programas de Pós-Graduação, a saber: Laboratório do Tempo Presente (Tempo, IUPERJ), Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade do Estado de Pernambuco (UPE), Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Ver lista de simpósios temáticos abaixo.

ENVIO DE RESUMOS PARA OS SIMPÓSIOS TEMÁTICOS via eventos@getempo.org

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UPDATED 04/11/2013:

As inscrições gratuitas serão efetuadas mediante envio do resumo até 03 de novembro 08 de novembro de 2013 para o e-mail eventos@getempo.org.

Novo cronograma:
Inscrições para apresentadores de trabalho: 08/11/2013
Resultado: 19/11/2013
Envio do texto completo: 25/11/2013

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Confira as instruções abaixo:

  1. ATENÇÃO: O arquivo com o resumo deve ser enviado em formato doc ou docx (Word for Windows) e identificado da seguinte maneira: Nome e sobrenome do AUTOR e do CO-AUTOR (se houver)_CÓDIGO DO SIMPÓSIO. Ex: JULIA ASSAD e EDUARDO DENNIS_ST01

O arquivo deverá conter:

  1. Título do Trabalho em caixa alta, destacado em negrito, centralizado.
  2. Nome do autor e co-autor (se houver), destacado em negrito.
  3. Informações sobre o autor e co-autor (se houver): curso, instituição de fomento, e-mail.
  4. Será aceito apenas um trabalho em co-autoria.
  5. Nome e titulação do orientador e departamento ao qual pertencem, destacado em negrito.
  6. Simpósio selecionado (a indicação de um segundo simpósio temático, em caso de não aprovação no primeiro, é opcional).
  7. O resumo virá abaixo deste cabeçalho e deve possuir de 600 a 1000 caracteres com espaçamento, contando ainda com três palavras-chave.

Os trabalhos aprovados serão divulgados em 11 de novembro de 2013 através do site do evento: http://debates.getempo.org

NORMAS PARA PUBLICAÇÃO DOS TRABALHOS COMPLETOS:

Os trabalhos completos deverão ser enviados no intervalo entre 12 e 20 de novembro para o e-mail do evento eventos@getempo.org, obedecendo às seguintes normas:

Cabeçalho: Título do Trabalho em caixa alta, destacado em negrito, centralizado; nome do autor e co-autor (se houver), destacado em negrito; informações sobre o autor e co-autor (se houver): curso, instituição de fomento e e-mail; nome e titulação do orientador e departamento ao qual pertence, destacado em negrito. Simpósio temático selecionado.

Deve possuir de 8 a 12 páginas, fonte Times New Roman, letra tamanho 12, espaçamento 1,5, formatação justificada.

O sistema de citações será o AUTOR-DATA. As citações deverão ser indicadas no texto, informando o sobrenome do(s) autor(es) mencionados, na sequência (AUTOR, ano, página). Notas de rodapé poderão ser utilizadas em caráter explicativo.

A bibliografia completa deverá vir ao final do texto, segundo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Os arquivos devem ser enviados em formato doc ou docx (Word for Windows).

Os trabalhos completos enviados em desacordo com as normas estabelecidas para este Seminário não serão publicados nos anais eletrônicos do evento.

Simpósios temáticos do Seminário Debates do Tempo Presente 2013

ST 01 – Simpósio Temático  “Produção e usos escolares da história do tempo presente”

Coordenador: Prof.Dr. Itamar Freitas (NPGED/UFS)

Este simpósio temático acolhe resultados de pesquisas que relacionem as expressões “tempo presente” e “usos da história”, sobretudo em sua dimensão escolar. Aqui, reiteramos a nossa preocupação com as diferentes noções de presente, as formas de organização desse presente nos currículos, nos livros didáticos e na historiografia de síntese voltada para o público adulto que fundamenta, em grande medida, a historiografia consumida pelos alunos da escolarização básica no Brasil e no exterior.

ST 02 – Simpósio Temático  História Digital: conceitos, fontes, métodos e experiências

Coordenadores: Prof.Dr. Dilton Cândido Santos Maynard (UFS/DHI)/ Profa. Anita Lucchesi (PPGHC/UFRJ)

Este simpósio pretende congregar trabalhos que se dediquem a refletir sobre o estudo e a representação do passado a partir de novas tecnologias da comunicação, assim como a produção e a preservação de fontes digitais, considerando as potencialidades dos recursos digitais para a pesquisa e para o ensino da História. Esperamos colaborar para o debate sobre os desdobramentos da emergência dos registros digitais no ofício do historiador e sobre as transformações nas experiências de leitura, acompanhamento e argumentação em torno de questões históricas.

ST 03 – Simpósio Temático  Música, Memória e Ditadura

Coordenadora: Profa.Dra. Márcia Ramos Oliveira (PPGH/UDESC)

O Simpósio Música, memória e ditadura propõe-se a agregar investigações que abordem a música como evocação da memória e dos acontecimentos relacionados aos períodos de fechamento político, especialmente ao regime militar brasileiro (1964-1985). Interessam trabalhos que tratem a canção como referência aos eventos relacionados às ditaduras militares latino-americanas. Canção como documento e testemunho dos períodos de exceção.

ST 04 – Simpósio Temático  Ditadura e Transição Política na América do Sul.

Coordenadora: Profa. Dra. Cristina Luna (UNEB/GET-UNEB)

O presente simpósio tem como objetivo incentivar a interlocução entre pesquisas que contribuem com o aprofundamento dos debates teórico, metodológico e historiográfico acerca das temáticas ligadas ao estudo das ditaduras e das transições democráticas sul-americanas, no marco geopolítico da Guerra Fria (1947-1989). Nosso intuito é não somente analisar o fenômeno na sua dimensão internacional, mas também possibilitar a compreensão de suas especificidades, através da prática de comparações entre os diferentes processos nacionais. Nesse sentido, estarão em foco questões como: a participação e o apoio da sociedade civil aos regimes autoritários, os movimentos de luta armada e oposição aos governos militares, a cultura como forma de política e protesto. Quanto ao segundo aspecto, os processos de transição democrática, serão analisados a partir de dois modelos explicativos: o da transição por colapso e o da transição pactuada, sendo que ambos guardam relação profunda com o caráter dos regimes liberal-democráticos estabelecidos em seguida nos respectivos países.

ST 05 – Simpósio Temático  História e Literatura

Coordenadora: Profa. Dra Marizete Lucini (NPGED/UFS)

O simpósio temático História e Literatura propõe-se a acolher trabalhos que discutam aspectos da narrativa histórica e da narrativa de ficção como gêneros que comunicam experiências temporais. Nesse sentido, reflexões sobre romance, cordel, poesia, biografia e contos são aqui compreendidos para além de sua característica documental. Mais que documento, a literatura possibilita ao leitor vivenciar diferentes tempos e personagens históricos em que o comunicado é a experiência humana no tempo. Experiências que podem ser reinterpretadas, permitindo aos leitores estabelecerem relações de pertencimento e de identificação com os textos acessados, bem como permitem aos sujeitos do presente, habitar o passado e transformá-lo em memória. Memória que também o constitui como sujeito histórico no presente.

ST 06 – Simpósio Temático  Guerras, conflitos, revoltas e revoluções no Tempo Presente

Coordenador: Prof.Dr. Karl Schurster V. de Sousa Leão (UPE)

 Este simpósio tem como objetivo um estudo sistemático dos principais processos políticos e sociais, intitulados pela ciência política clássica como guerras, conflitos, revoltas e revolução. Nesse sentido, nosso objetivo está centrado em análises que busquem tratar estas temáticas mediante a teoria da história do tempo presente. O século XX inaugurou a prática de guerras totais, onde os esforços das sociedades se voltariam integralmente para a realização da guerra. Revoltas e revoluções praticamente se imbricaram no século XX e voltam à tona nas suas mais variadas formas no século XXI. Outro ponto de destaque são os conflitos internacionais em sua forma de guerra irregular de quarta geração, atualmente conhecida como guerra ao terror. Através destas discussões e problemáticas, esperamos pesquisas que problematizem e contextualizem tais conceitos através de suas aplicações, não em fatos, mas em processos históricos.

ST 07 – Simpósio Temático  Conflitos Cibernéticos no Tempo Presente

Profa.Dra.Tereza Cristina Nascimento França (NURI/UFS)

Prof. Ms. Gills Lopes Macedo de Souza (UFPE/Pró-Estratégia )

O início do século XXI testemunha a difusão em massa da informação através do ciberespaço e, em especial, da Internet. Assim como no mundo real, o virtual também enseja os mais diversos tipos de conflitos. Os inúmeros vazamentos de informações ultrassecretas, por parte do Wikileaks, foram levados em consideração até mesmo pelos principais tomadores de decisão dos Estados Unidos da América. No âmbito das Sociedades em Redes, as infowars/netwars são travadas por integrantes da mídia, do governo e de lobbies. Em meio à crise de representação política que assola várias sociedades do mundo, hacktivistas – como o Anonymous – insistem em lembrar os “governos corruptos de todo o mundo” de que eles não são donos da Internet. Numa corrida frenética, os mais diversos Estados acirram a chamada Guerra Fria Cibernética: buscam prover suas forças armadas não apenas de armas e bombas, mas também de bits e bytes, a fim de se preparem para a guerra cibernética (cyberwar). No tabuleiro da inteligência internacional, nem mesmo o pacífico Brasil ficou de fora da espionagem. Em meio a essa efervescência cibernética, este Simpósio Temático se apresenta, com o intuito de discutir os conflitos cibernéticos (hacktivismo, guerra cibernética e infowar) que, amiúde, têm colocado a Internet no centro dos principais fóruns de debate do tempo presente.

 ST 08 – Simpósio Temático  Patrimônio Cultural e redes de sociabilidades: da etnografia sociológica ao registro digital.

Coordenadores: Profa. Dra. Janaína Cardoso de Mello (NMS/UFS) e Prof. Dr. Clóvis Carvalho Britto (NMS/UFS)

Os bens culturais assim são classificados à partir do momento em que agregam o valor de patrimônio atribuído pela sociedade (via instituições ou por meio da comunidade civil). Entre tensões e possibilidades de ensino e aprendizagem, o patrimônio cultural material e imaterial têm sido alvo de estudos etnográficos incitando o pesquisador das áreas das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas à ir para o campo, imiscuindo-se entre grupos de manifestações populares, analisando estruturas arquitetônicas de igrejasm casarios ou ruínas através de medições e fotografias, entrevistando representantes de religiões afro-brasileiras, registrando festejos cristãos ou a diversidade cultural indígena. O resultado dessas pesquisas mormente resultam em publicações de livros ou artigos, todavia, no tempo presente a utilização tecnológica para elaboração de bancos de dados eletrônicos e sites interativos têm possibilitado o acondicionamento das informações e a expansão de redes de sociaibilidades para reflexão, difusão e salvaguarda do patrimônio cultural. Partindo dessas premissas, esse Simpósio Temático busca agregar trabalhos de pesquisa, docência, extensão ou tecnologia que se afinem à essa proposta para um grande debate de ideias.

ST 09 – Simpósio Temático: História e Política Externa Brasileira

Coordenador: Prof.Dr. Antonio M. Elíbio Júnior. (Departamento de História-UEPB)

No contexto contemporâneo a gestão da Política Externa Brasileira vem imprimindo novas dinâmicas às relações internacionais e mesmo redimensionando o papel do Brasil na conjuntura global.  Embora o Itamaraty mantenha uma tradição diplomática baseada em princípios como o da “solução pacífica das controvérsias” e o “respeito inviolável a autodeterminação dos povos”, o Brasil tem envidado uma política externa objetivando um maior protagonismo nos foros internacionais e regionais. Os contornos do mundo “globalizado”, portanto, são definidos a partir de uma complexa rede constituída no bojo de movimentos dialéticos, de aproximação e distanciamento, de coalizões e conflitos, de interação e alinhamentos, onde novos atores e novos espaços reconfiguram as bases do poder internacional. Desde o final da Guerra Fria, o sistema internacional foi movido pela intensificação de novos conflitos que se deslocaram do eixo Leste-Oeste para novas geometrias como Norte-Sul, ricos-pobres, desenvolvidos-emergentes. Tais fenômenos lançam a relevância dos estudos acadêmicos interdisciplinares, objetivando investigar as estratégias de inserção/gestão do Brasil no campo das relações internacionais e sua trajetória no âmbito da história da Política Externa Brasileira.

Maiores informações pelo email eventos@getempo.org.

Sábado “Divino, Maravilhoso” no Pré-vestibular Social (JAC)

Este sábado (19.10.2013) a aula foi diferente. Ao invés da exposição dialogada costumeira, com apoio no quadro ou no datashow, resolvi levar documentos e textos de apoio para serem discutidos em grupo pelos alunos. O tema era Ditadura Militar no Brasil, mas em geral, o subtexto era: censura, repressão, centralização do poder.

Cada grupo teve 2 minutos para apresentar sua análise à turma. Entre uma apresentação e outra tivemos espaço para comentários meus e de outros grupos sobre o assunto apresentado. Trabalhei os mesmos conjuntos de documentos com todas as turmas e desde o início do dia, havia 06 kits com distintos documentos, de modo que realizamos a atividade em até 06 grupos, nas turmas maiores.

Alguns registros da atividade

Alguns registros da atividade

Para fazer a análise dos documentos, a orientação foi a seguinte: identificar natureza e autoria do documento, bem como localizá-lo no tempo; selecionar um trecho ou uma imagem para ser lido/mostrada para a turma e justificar a seleção feita pelo grupo em face ao tema da aula. Muito interessante como cada aula foi singular nesse aspecto, a seleção dos trechos e das imagens mudando de grupo para grupo. Gostaria muito de ter tido mais tempo para desenvolver essa atividade. Um tempo de aula deixou na vontade. Preenchemos juntos um quadro com palavras-chave extraídas e/ou inspirada nas “fontes”. Cada grupo pode escolher duas palavras, se a palavra escolhida já estivesse no quadro, poderia ser apagada e reescrita maior.

Em dois conjuntos de documentos havia materiais sobre o Tempo Presente (presentíssimo) de 2009 e 2013. Meu objetivo com esta seleção era problematizar a diferença recentemente cobrada na prova da UERJ entre as manisfestações daquele tempo (1968) e as atuais: o fato de as primeiras estarem inscritas em um período ditatorial e as últimas em um Estado de Direito (veja a resolução comentada da questão nº 57 do 2º Exame de Qualificação 2014 na Revista Eletrônica do Vestibular Estadual). Para adicionar um quê da cultura material das manifestações mais recentes, levei para a sala a máscara e os óculos de proteção que tenho sido obrigada a utilizar em alguns atos por conta dos excessos da PMRJ nos “confrontos com manifestantes”, como diz o mainstream da nossa mídia, mesmo em pleno estado de direito.

Neste sábado a aula foi pra mim. Aprendi tanto tanto, do quanto precisamos reinventar todos os dias o nosso lugar e do quanto é maravilhosa essa profissão professora que nos últimos dias me fez chorar de verdade.

O resultado do quadro, ao final do dia, fala por si:

Ditadura me lembra...? Quadro preenchido pelxs alunxs

Ditadura me lembra…? Quadro preenchido pelxs alunxs

Os documentos trabalhados foram:

  • Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968
  • Lei nº 7.170, de 14 de dezembro de 1983 (que define os crimes contra a segurança nacional e a ordem social)
  • Charge de Fortuna publicada no Correio da Manhã em 07/10/1966
  • Charge do Latuff sobre a morte do Herzog + foto do Herzog encontrado morto
  • Cartaz “Saia conosco da sombra”, Movimento Feminino pela Anistia no Brasil, 1975.
  • Livro “Brasil nunca mais”, projeto “Brasil: nunca mais
  • Trecho do livro “Violência pra quê?” (2011) de Anselm Jappe
  • Capa de O Globo de abril de 04 de abril de 1968
  • Capa de O Globo de 17 de outubro de 2013
  • Reportagem “Apologia a atos de violência nas redes sociais pode ser considerada crime, diz delegado” (O Globo, 15/10/2013)
  • Reportagem  “STF derruba Lei da Imprensa editada durante a ditadura” (Jornal da Cidade 01/05/2009)
  • Postagem da página do Facebook “Ninja” (Mídia Ninja) intitulada “Ditaruda 2.0” de 16 de outubro de 2013.
  • Foto de uma manifestação em frente à Câmara Municipal do Rio de Janeiro na tarde desta quinta-feira, 17 de outubro de 2013, em solidariedade aos presos políticos do dia 15.
  • Foto da Passeata dos Cem Mil, 1968

Textos de apoio:

  • O AI-5, Maria Celina de Araujo (FGV)
  • Censura nos meios de comunicação, Daniel Aarão Reis e Denise Rollemberg (Memórias Reveladas)
  • Movimento pela Anistia Ampla Geral e Irrestrita, ABC de Luta

Outro material de apoio:

Afixei em um canto do quadro para consulta uma cronologia de todos os presidentes do 1964 a 1985, com foto e destaque para principais características do governo. Foi um recurso importante para que xs alunxs pudessem localizar de que período eram as informações encontradas nos documentos e textos de apoio.

Outro recurso utilizado foi o áudio. Lei uma playlist de canções de protesto, com textos de contestação e denúncias. Durante a aula, deixei o som ligado em volume baixo e em alguns momentos oportunos, durante a análise das fontes ou entre a apresentação de um grupo e outro, eu aumentava o volume e chamava atenção para um trecho específico da composição, mencionava o ano, o compositor e relembrava as estratégias para furar a censura.

A playlist pode ser ouvida via Youtube clicando na imagem abaixo (não sei porque o WordPress não está incorporando-a diretamente aqui). Em seguida, alguns trechos destacados das composições:

playlist

1.Panis Et Circensis, Caetano Veloso e Gilberto Gil (1968)

“(…)Mas as pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer (…)”

2. Novena, Alceu Valença e Geraldo Azevedo (1972)

“(…) Enquanto família reza a novena
As notícias
Que montam cavalos ligeiros
Vão tomando todo o mundo
Na casa, no lar
Esquecidos, todos ficam longe
De saber o que foi que aconteceu
E ali ninguém percebeu
Tanta pedra de amor cair
Tanta gente se partir
No azul dessa incrível dor

(…)

De orações a fala se faz
E lá fora se esquece a paz
Uma bomba explodiu por lá
Sobre os olhos de meu bem
E assim me mata também
Enquanto a novena chega ao fim
Bambas, bandeiras, benditos
Passando pela vida
E a novena se perde esquecida
De nós (…)”

3. A massa, Raimundo Sodré (1980)

“(…) A dor da gente é dor de menino acanhado
Menino-bezerro pisado no curral do mundo a penar
Que salta aos olhos igual a um gemido calado
A sombra do mal-assombrado é a dor de nem poder chorar

(…)

Mansos meninos domados, massa de medos iguais
Amassando a massa a mão que amassa a comida
Esculpe, modela e castiga a massa dos homens normais

(…)

A massa que eu falo é a quepassa fome, mãe
A massa que planta a mandioca, mãe (…)”

4. Pra não dizer que não falei das flores, Geraldo Vandré (1968)

“(…) Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão

(…)

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição (…)”

5. Mosca na sopa, Raul Seixas (1973)

“(…) E não adianta
Vir me detetizar
Pois nem o DDT
Pode assim me exterminar
Porque você mata uma
E vem outra em meu lugar (…)”

6. Divino, Maravilhoso, Caetano Veloso e Gilberto Gil (1968)

“(…)Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
(…)
Pro palavrão, para a palavra de ordem
Atenção para o samba exaltação
(…)
Atenção para as janelas no alto
Atenção ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção para o sangue sobre o chão (…)”

7. Eu quero é botar meu bloco na rua, Sérgio Sampaio (1973)

“(…)Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou (…)”

8. Apesar de Você, Chico Buarque (1978)

“(…) Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar (…)”

9. Cálice, Chico Buarque e Gilberto Gil (1973)

“(…)Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada, prá a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue (…)”

10. Ponteio, Edu Lobo e Capinam (1967)

“(…) Era um dia, era claro
Quase meio
Era um canto falado
Sem ponteio
Violência, viola
Violeiro
Era morte redor
Mundo inteiro…

Era um dia, era claro
Quase meio
Tinha um que jurou
Me quebrar
Mas não lembro de dor
Nem receio
Só sabia das ondas do mar (…)”

Nota da Anpuh-Rio e de demais departamentos universitários do curso de História contra as arbitrariedades do governo Paes

NOTA SOBRE O PROJETO DE LEI Nº 442/2013, QUE “DISPÕE SOBRE O PLANO DE CARGOS, CARREIRAS E REMUNERAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS”
Excelentíssimos Senhores Vereadores da Câmara Municipal do Rio de Janeiro,
Dirigimo-nos a Vossas Excelências para manifestar nossa preocupação com a possibilidade da aprovação, pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, do Projeto de Lei n.º 442/2013, de autoria do Poder Executivo, que “Dispõe sobre o Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração dos funcionários da Secretaria Municipal de Educação e dá outras providências”.
Referimo-nos, especialmente, aos dispositivos do Projeto de Lei que definem a criação, no Quadro de Pessoal do Magistério, do novo cargo de “Professor do Ensino Fundamental – PEF” para o exercício de atividades docentes em turmas do primeiro ao nono ano (artigo 4º, inciso II e respectivos parágrafos); e à previsão de mudança de denominação e migração, para o novo Quadro de Pessoal do Magistério, de servidores que atualmente detêm o cargo de “Professor I” (artigo 18º, inciso II e respectivos parágrafos e artigo 27º), cuja extinção, portanto, passa a ser prevista na medida em que ocorra a aprovação e a progressiva implementação do novo “Plano de Cargos, Carreiras e Salários”.
O cargo de Professor I é aquele integrado por profissionais com habilitação em nível superior, em curso de Licenciatura Plena, exercendo suas atividades nas escolas da Rede Municipal especificamente na disciplina habilitada do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e na Educação de Jovens e Adultos. Trata-se, dessa forma, de profissionais cuja alta qualificação foi auferida em cursos de graduação como aqueles que representamos, os quais se estruturam a partir de um abrangente conjunto de disciplinas teóricas e práticas, entre outras atividades, voltadas à formação de professores para o ensino de disciplinas escolares específicas.
A cidade do Rio de Janeiro, vale observar, é sede de cursos de graduação com habilitação em Licenciatura Plena nas diversas áreas do conhecimento, oferecidos nas principais Universidades, cujo prestígio é reconhecido nacionalmente, tendo sua qualidade atestada nas avaliações regulares promovidas pelo Ministério da Educação. São cursos que refletem uma avançada especialização nas diversas áreas, como Ensino de História, Ensino de Ciências e Educação Matemática, apenas para citar alguns exemplos. A formação disciplinar de professores faz parte das exigências da estrutura e do funcionamento do sistema nacional de ensino.
Em nosso entendimento, ao definir de forma generalista as atribuições do novo cargo de Professor do Ensino Fundamental – PEF, e ao prever o progressivo desaparecimento dos atuais Professores I (de disciplinas específicas), o Projeto de Lei n.º 442/2013 deixa de valorizar a formação oferecida nos cursos de Licenciatura Plena, nos quais ganham relevo resultados de estudos e pesquisas de longa maturação, que levam em conta as especificidades disciplinares de como ensinar.
Vale observar, por fim, que, ao não considerar a formação de pós-graduação nas diferentes áreas de conhecimento nas quais os professores fizeram seus estudos para fins de progressão e enquadramento no novo Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (artigo n.º 12, inciso IV; artigo n.º 16, inciso II; e artigo n.º 17, incisos I, II e III), o Projeto de Lei n.º 442/2013 contrapõe-se às diversas iniciativas dos cursos de pós-graduação stricto sensu, nos níveis de mestrado e doutorado, nas diversas áreas, relativas à criação de linhas de pesquisas nas áreas de ensino de disciplinas.
Pela mesma razão, o Projeto de Lei n.º 442/2013 situa-se na contramão de importantes políticas conduzidas pelo Ministério da Educação, por meio do fomento aos cursos de mestrado profissional nas áreas de ensino de disciplinas, cujo público alvo são precisamente os professores das redes da Educação Básica de nível municipal e estadual.
O novo “Plano de Cargos, Carreiras e Salários”, se for aprovado sem modificações, terá impactos fortíssimos na desestruturação da formação de professores. Na área de História, temos lembranças do impacto negativo da implantação de Estudos Sociais na década de 1970. A defesa da interdisciplinaridade não significa a diluição das disciplinas. O conhecimento escolar envolve a articulação de conhecimentos históricos, pedagógicos e saberes experienciais. Sua produção exige formação com domínio teórico tanto na história como na pedagogia para que se transforme em conhecimento consistente e com potencial crítico e transformador. O professor de história opera com a língua portuguesa e mobiliza conhecimentos geográficos mas precisa de domínio da especificidade de sua disciplina para que ensine História com qualidade.
Solicitamos a retirada do projeto da pauta de votação da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a fim de que sejam revistos os pontos que interferem diretamente na formação inicial dos profissionais que atuam na Educação Básica, desconsiderando a especificidade das Licenciaturas e na formação continuada desses profissionais, ao não reconhecer os estudos de pós-graduação stricto sensu nas áreas específicas de conhecimento, ambas medidas que estão na contramão das leis que ordenam o sistema nacional de ensino. Que o “Plano de Cargos, Carreiras e Salários” seja discutido em audiências públicas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e que sejam ouvidas as associações que representam as áreas específicas de conhecimento presentes na escola e as instituições responsáveis pela formação dos professores no estado e na cidade do Rio de Janeiro.
Defendemos o diálogo e repudiamos a forma como os professores foram tratados no processo de desocupação da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2013.
Associação Nacional de História – Núcleo Rio de Janeiro
Departamento de História da UFF
Programa de Pós-graduação em História da UFF
Instituto de História da UFRJ
Faculdade de Educação da UFRJ
Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ
ProfHistória – Mestrado Profissional em Ensino de História da UFRJ
Departamento de História da UNIRIO
Programa de Pós-graduação em História da UNIRIO
Departamento de História da PUC-Rio
Programa de Pós-graduação em História Social da Cultura da PUC-Rio
Instituto de Ciências Humanas e Sociais da UFRRJ
Departamento de Ciências Humanas da UERJ
Programa de Pós-graduação em História Social da UERJ

Pré-Vestibular Social

Curso gratuito para quem concluiu ou concluirá o Ensino Médio em 2012.

Por favor, amigos, repassem a informação para seus amigos, alunos, familiares e, se possível, rebloguem este banner. É muito importante divulgar esta oportunidade! Eu sou testemunha de que o PVS têm transformado vidas.

Maiores informações: http://www.pvs.cederj.edu.br/

Pré-Vestibular Social

Evento: Deleitar, Instruir, Mover

Abril sempre foi um mês especial pra mim. Mês do meu aniversário, ora bolas. Mas ano passado esse mês foi um mês articularmente doido. Abriu feridas inesperadas. Em 2010, no final do mês, partiu o querido Prof. Manoel Salgado e minha mãe sofreu um AVC.

Fazendo uma breve retrospectiva, maio/2010 foi um dos, senão “O” mês mais duro dos meus poucos 24 (quase 25) anos. Mas superamos! A pesquisa que quase abandonei por conta da desorientação (acadêmica e interna) já foi retomada. A minha mãe se recuperou surpreendentemente bem, seu reestabelecimento foi rápido e quase não deixou sequelas. Thanks God!

E anteontem recebi a notícia maravilhosa de que a minha mãe voltou a estudar. Bom né?! Nem sei fazer as contas de quanto tempo ela ficou fora de uma sala de aula. Também não sei se foi realmente e simplesmente pela sugestão da fisioterapeuta dela (foi o que me disse) ou se de fato,  ela resolveu atender algum dos meus pedidos. E por isso estou feliz. Feliz porque sei quanto a instrução pode mudar a nossa visão de mundo, a nossa vida. Feliz porque minha mãe superou muito bem o susto que a vida lhe deu e está dando valor a esta segunda chance.

E há pouco tempo também foi a minha vez de tomar contato com a instrução de forma diferente: agora sou eu quem fica lá na frente. Não, ainda não é em uma escola, nem numa universidade (ainda), mas estou fazendo parte de um projeto muito bacana que envolve aulas para alunos de pré-vestibular (PVS – CEDERJ – Fundação CECIERJ) e, confesso, há alguma coisa de mágico em dar aulas. Há sim. E espero, do fundo do meu coração, que o deleite não seja apenas meu nisso.

Fiquei feliz, enfim, por poder nessas minhas aulas passar um pouquinho da visão de História que tenho aprendido até aqui e espero colaborar para a formação daqueles quase 400 alunos de alguma maneira.

E qual não foi a minha alegria ao ver ontem em um dos murais do Instituto de História (ex-IFCS/UFRJ) um cartaz informando sobre o evento abaixo:

Inscrições aqui.

As mágicas aulas do Prof. Manoel deixaram uma marca indelével na minha formação e por isso (e outras razões não tão racionais assim) estarei lá na quarta-feira. E espero que alguns colegas possam ir. Depois desses primeiros parágrafos que escrevi acho que ficaria “demais” continuar escrevendo.

Bom final de abril pra vocês! O meu, aparentemente, será bem diverso do que foi em 2010. Felizmente.