Ferramenta

Pesquisar, anotar, citar… Como o Zotero pode facilitar a sua vida?

Neste período de isolamento por conta do Covid-19, decidi resgatar um vídeo que fiz há uns dois anos, explicando minhas razões para ser fã do Zotero. Inicialmente, fiz o vídeo sem pretensões de estar oferecendo um toturial, era mais uma demonstração para alguns amigos com quem eu estava trabalhando na época e resolvi compartilhar o vídeo no nosso WhatsApp. Na época, não compartilhei logo para todos por achar que seria mais legal ampliar e fazer um tutorial de fato, abordando mais a fundo várias funcionalidades. Entre uma coisa e outra, viagem, trabalho, casamento, problemas de saúde, tese de doutorado, acabei não encontrando o bendito “tempo sobrando” e nunca mais voltando ao dito cujo. Recentemente, outro amigo me pediu para reenviar o vídeo e acabei repensando a ideia de fazer um tutorial mais elaborando e achando que faria mais sentido compartilhá-lo já, como está – vai que o povo resolve usar parte deste tempo em casa para organizar as suas bibliotecas e PDFs! Aliás, quem puder, #fiqueemcasa #fiqueemcasa #fiqueemcasa fique em casa!

 Zotero é uma ferramenta livre que ajuda quem trabalha com pesquisas a organizar as seus materiais de trabalho e referências, como livros, artigos artigos científicos, reportagens de jornal e revistas, postagens em blogs, vídeos etc. Ele auxilia na coleta, gerenciamento e utilização das referências para citação direta em um documento e também na criação bibliografias. Utilizo o Zotero há mais de dez anos, primeiro utilizei em Windows, depois passei para o Mac e, nos dois casos, fiquei bem satisfeita. A interface da biblioteca Zotero é bem intuitiva e exige pouco esforço para quem o a experimenta pela primeira vez.  A partir de um menu iconográfico,  é possível criar coleções e sub-coleções para temas ou projetos variados. Em pouco tempo, ganha-se mais intimidade com algumas funções menos evidentes, como a instalação de estilos de citação diferentes (ABNT, Modern Language Association, Nature etc.) e gestão inteligente dos items de uma coleção (criação de notas, adição de tags, criação de link entre itens relacionados e identificação e eliminação dos duplicados).

Conheci a ferramenta assim que comecei a pesquisar sobre história digital, enquanto explorava os projetos do Roy Rosenzweig Center For History and New Media, da George Mason University (Virginia, EUA). Este centro é um dos precursores na pesquisa e desenvolvimento de ferramentas e plataformas voltadas para história digital, tendo desenvolvido ferramentas reconhecidas internacionalmente, como Omeka (para publicação de coleções e exposições online, como o Arquivo Digital do 11 de Setembro ou o mais recente covidmemory.lu) e Tropy (para organização e anotação de fotografias digitais, super útil para quem digitaliza muitos documentos por sua própia).

Embora eu já tenha testado outras ferramentas que possuem finalidades parecidas, como o Mendeley e o EndNote, criei um carinho especial pelo Zotero, tanto pela facilidade de organizar e compartilhar referências, como pelo fato deste ser um software não comercial, criado com profissionais das humanidades em mente, não só nós historiadores, mas também bibliotecários, educadores entre outros.  Eu hoje guardo todos os meus “fichamentos” junto aos itens das coleções que possuo no Zotero, o que facilita muito na hora de encontrar uma anotação específica, sobretudo pois é possível realizar buscar por palavras também nas anotações. Mesmo o material que tenho impresso, eu indexo no Zotero, justamente para poder guardar os fichamentos e localizá-los facilmente. Quando tenho os textos em PDF, posso anexá-los ao item de referência e utilizar o plugin Zotfile para gerir os arquivos. Minha função favorita do Zotfile é a extração automática das anotações dos PDFs, que economiza bastante tempo de copiar e colar cada trecho no fichamento. Além disso,  o Zotfile renomeia automaticamente os arquivos PDFs para o título do item em questões e sincroniza arquivos de tablets e iPads, o que é um adianto pra quem acumula PDFs em outros leitores que não no computadores e depois acaba não transferindo para a máquina em que escreve. Por fim, restam ainda os plugins que o Zotero oferece para Word, Google Docs e LibreOffice que permitem a inserção de referências e citações muito mais rapidamente.

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Não cheguei a comentar no vídeo, mas um dos usos menos evidentes da ferramenta, mas que para mim se revelou muito importante, foi a utilização do Zotero para salvar páginas da Web offline e arquivá-las de um modo inteligível. Para cada item criado a partir de websites, o Zotero adiciona automaticamente um snapshot que garante a consulta àquela página mesmo que ela venha a sair do ar em algum momento. Em tempos de edição constante, os snapshots ajudam a salvar o texto tal e qual ele era no momento da sua consulta. Isso foi bem útil para mim quando pesquisei sobre extrema direita na Internet, pois várias vezes me deparei com alterações nos conteúdos em fóruns e posts, pra não falar de alguns endereços que desapareciam antes mesmo de terem sido salvos pelo Internet Archive. Falei sobre isso, alguns anos atrás, no I Seminário de em História Política e do Poder da UFF  (cf. anais do evento, em 2012), quando discuti a repercussão e os perigos dos discursos de ódio em blogs e redes sociais. Entre a pesquisa e o momento da minha apresentação, um dos principais blogs já tinha saído do ar, mesmo assim eu tinha acesso a tudo na íntegra, graças ao Zotero.

Enfim, é uma mão na roda e não só para quem trabalha com digital.

Por fim, para quem não quiser instalar nada, mas precisarem gerar uma bibliografia rápida, o Zotero disponibiliza o ZoteroBib que pode ser usado exclusivamente online. Eu já testei, é prático, mas como a maioria das minhas referências já vem sendo acumuladas na minha biblioteca que tenho salva no meu computador, prefiro continuar por lá.