história oral

Chamada para dossiê: História Oral na Era Digital

oral history digital humanitiesIn the digital age, we can show the relationship of any number of different types of information, and we are not limited to segregation of different formats. They can be combined to build context. All of this is possible as long as the objects (photos, documents, and film) are contextually accurate to the oral narrative and as long as they are presented in a supportive role rather than a primary one. This was something we tried to do with Project Jukebox.

William Schineider | “Oral History in the Age of Digital Possibilities.” In Oral History and Digital Humanities: Voice, Access, and Engagement. Edited by Douglas A Boyd e Mary Larson, 2014.

Este post é um anúncio feliz, esta semana a revista História Oral divulgou que seu próximo dossiê vai ser especificamente sobre a prática desta na Era Digital. Compartilho abaixo a chamada, já ansiosa pelas contribuições que virão:

A era digital na qual vivemos tem demandado reflexões teóricas e metodológicas sobre a oralidade e as novas mídias e até mesmo sobre o que é História Oral. Desde que começamos a produzir/usar áudio e vídeo digitais, a ter acesso ou disponibilizar fontes orais online, a publicar na internet e em outros suportes que não o impresso, experimentamos as vantagens trazidas pelos novos recursos tecnológicos e também diversas implicações na produção, preservação, acessibilidade, publicação, compartilhamento e divulgação de fontes orais. Em 2010 foi publicado na revista História Oral o dossiê “História oral, memória e novas tecnologias”, que já trazia a preocupação de pensar tais transformações. Com a intensificação do uso do audiovisual, da internet e de novas mídias digitais, nesses últimos anos, a revista História Oral visa, por meio desta chamada, aprofundar o debate por meio de contribuições que tratem das possibilidades e dos desafios que tais mídias têm trazido para a prática da História Oral.

Prazo para submissões: 01.03.2016 (Ver chamada original aqui)

Num recente dossiê dedicado ao Tempo Presente [v.17, nº 1 (2014)] , eu tive a oportunidade de contribuir com o artigo Conversas na antessala da Academia: o presente, a oralidade e a História Pública Digital. Espero que a conversa continue no próximo número, quem sabe a gente senta na cozinha dessa vez. 😉

Repassem!

Dossiê: História Oral e História do Tempo Presente

Gostaria de compartilhar o novo número da revista História Oral que acaba de sair do forno com um dossiê sobre História do Tempo Presente.

Fiquei muito feliz em poder contribuir com este número, já que a História do Tempo Presente é algo pelo que tenho dedicado bastante atenção em minha curta, curtíssima vida acadêmica. Recuando no tempo, antes da graduação na UFRJ, lembro que certa vez fui com minha escola e colegas de Ensino Médio a um evento chamado “PUC de portas abertas”, ou algo do tipo, para apresentar a instituição e alguns cursos aos estudantes vestibulandos. Foi a primeira vez na vida que entrei em uma universidade e também era a primeira vez que eu me via tão perto da disciplina História. Foi lá também que ouvi a expressão “História do Tempo Presente” pela primeira vez. De imediato, soou um paradoxo. Um belo e intrigante paradoxo com o qual eu me encontraria anos mais tarde. Aquele dia nunca esqueci, também porque saímos da PUC e fomos ao Teatro Maria Clara Machado, no Planetário, assistir ao espetáculo Utopia, dirigido por Moacir Chaves e inspirado no texto fundador de Thomas Morus (1478-1535). Voltei no ônibus da excursão para Teresópolis, minha terrinha, chocada com a atualidade das sátiras da peça, li, reli e 4 anos mais tarde reli ainda uma vez o Utopia para um exame oral durante o intercâmbio acadêmico na Universidade de Florença, para a Disciplina Doutrinas Políticas, com a Professoressa Lea Campos Boralevi, com quem aprendi a amar o ofício, o magistério e a interminável leitura que acompanha nosso trabalho de forma muito especial. Por tudo isso, pensar o presente e a história do tempo presente foi tão prazeroso pra mim desde que me “formei” (se é que nos “formamos” um dia).

Enfim, agradeço e parabenizo às professoras Carla Simone Rodeghero e Márcia Ramos pelo esforço concentrado na realização deste número e convido todos para a leitura. É uma satisfação enorme estar nesse número em tão boa companhia.

 História Oral v. 17, n. 1 (2014): História Oral e História do Tempo Presente

Sumário

Apresentação – História Oral e História do Tempo Presente (5-6) Carla Simone Rodeghero, Márcia Ramos de Oliveira

Dossiê

História Oral, cidade e lazer no tempo presente (7-37) Fernando Cesar Sossai, Ilanil Coelho

Conversas na antessala da Academia: o presente, a oralidade e a História Pública Digital (39-69) Anita Lucchesi

Família, lei e memória: subjetividades construindo parentesco (Florianópolis (SC) 1970-1990) (71-88) Silvia Maria Fávero Arend

Os outros rostos de “La Noche de los Lápices”: memória e testemunho dos sobreviventes de um episódio emblemático da repressão durante a última ditadura civil-militar argentina (1976-1983). (90-117) Marcos Oliveira Amorim Tolentino

História Oral e Tempo Presente: as entrevistas realizadas com pacientes/moradores do Hospital Colônia Itapuã (Viamão/RS) (119-134) Viviane Trindade Borges, Juliane Primont Serres

Multimídia

Luto, Identidade e Reparação: videobiografias de desaparecidos na ditadura militar brasileira e o testemunho no tempo presente (135-161) Sônia Maria Meneses

Artigos

Associação Brasileira de História Oral, 20 anos depois: O que somos? O que queremos ser? (163-192) Angela Maria de Castro Gomes

Un largo camino a la privatización, memoria y resistencia en los trabajadores de los talleres de Tafí Viejo (Tucumán – Argentina) (193-218) Alberto Oscar Sosa Martos

“DOMINGO DE REMINISCERE”: TRAMAS MNEMÔNICAS DA ROMARIA DO SENHOR DOS PASSOS DE SERGIPE (219-242) Magno Francisco de Jesus Santos

Escre(vivência): a trajetória de Conceição Evaristo (243-265) Bárbara Araújo Machado

Entrevistas

A trajetória política de Sereno Chaise: da democracia de 1945 aos dias atuais (267-302) Claudira do Socorro Cirino Cardoso, Gustavo Coelho Farias, Laura Ferrarri Montemezzo Notas

Historia 2.0: chamada para trabalhos “Dossier Historia Pública”

historia 2.0

A história pública leva a história científica à praça pública, de fato, discute problemas históricos semelhantes, se não idênticos aos da história “ordinária”, porém, se diferencia dessa última em sua relação com os consumidores de história. Enquanto a história tradicionalmente tem se relacionado com leitores cada vez mais especializados e com estudantes de diversos níveis de formação; a história pública compreende aquelas ações onde a história se relaciona com um público amplo através de museus, exibições reais ou virtuais, divulgação patrimonial, reconstrução histórica (reenactment), a história oral, a história local, e com outros aspectos que não necessariamente abrangem a textualidade histórica como a preservação de arquivos, a assessoria a instituições governamentais ou privadas, e mesmo o ativismo social.

A noção de história pública é tão ampla que quase qualquer atividade que o historiador desenvolva fora do campo do ensino e da pesquisa universitária pode ser considerada como história pública. Este sentido prático e de relação com a comunidade chamou atenção dos historiadores e tem contribuído para a resolução de problemas sociais mediante o uso de testemunhos para processos de memória histórica, pós-conflito, recuperação de identidade das comunidades e do patrimônio material e imaterial das regiões. Ademais, levou a consideração de novos projetos de histórica aplicada em âmbitos públicos e privados, como também empreendimentos de historiadores, que criaram empresas lucrativas onde a história se afasta totalmente do ensino para atuar no setor de serviços, como na contribuição para a organização de arquivos empresariais (memória empresarial/institucional), ou o fornecimento de “produtos” para a definição e litígios legais, como nos casos de definição dos territórios naturais de certas comunidades. Também se incluem no campo da história pública a assessoria em restauração e conservação patrimonial.

A presente convocação está focada na recepção de artigos em espanhol e português relacionados ao desenvolvimento de projetos de história pública na Iberoamérica, em especial, aquelas experiências relacionadas com a recuperação e divulgação patrimonial, a história oral e local, bem como a difusão digital da história pública.

Chamada para artigos aberta em: 10 de maio de 2014; encerramento: 21 de julho de 2014.

Normas de publicação e envio: http://historia2.0.historiaabierta.org/index.php/revista/about/submissions

Esta chamada para artigos também está disponível em inglês, espanhol e italiano.

ISSN 2027-9035

Historia 2.0 está indexada em:

Directory of Open Access Journals

DOAJ aumenta la visibilidad y la facilidad de uso de las revistas científicas y académicas de acceso abierto, pretende ser global y abarcar todas las revistas que utilizan un sistema de control de calidad para garantizar el contenido.

e-Revistas

Portal donde se muestran las revistas electrónicas españolas y latinoamericanas de acceso abierto (Open Access). Fue creado en España.

Latindex

Latindex es producto de la cooperación de una red de instituciones latinoamericanas que funcionan de manera coordinada para reunir y diseminar información bibliográfica sobre las publicaciones científicas seriadas producidas en la región.

Dialnet

Hemeroteca Digital. Universidad de la Rioja.

*La revista Historia 2.0 hace parte del depósito voluntario de obras digitales de la Biblioteca Nacional de Colombia.

 

Entre a suástica e a palmatória: História Material, Oral, Cultural, Digital e Pública!

A Revista de História da Biblioteca Nacional (RHBN) acaba de lançar o vídeo “Entre a suástica e a palmatória” que transforma o tema da tese de doutorado do historiador Sidney Aguilar Filho em 22 minutos de uma belíssima apresentação histórica sobre a presença de simbologias e práticas de inspiração nazista em uma fazenda no interior do estado de São Paulo, antes da Segunda Guerra Mundial.

Atenção: Não se trata de um docudrama (como aqueles interessantes também, criados pela TV Brasil sobre História do Brasil). O vídeo não é um documentário, um longa ou um curta. Chamaram-no de “reportagem em vídeo” e talvez este termo seja mesmo o mais próximo de uma boa definição: uma reportagem sobre um tema histórico.

É verdade que estamos bastante familiarizados com o recurso aos fatos históricos em reportagens televisivas e de jornais ou revista impressos, afinal, a história, sobretudo quando se apela para as “testemunhas [oculares] incontestáveis”, ainda é um dos mais recorrentes argumentos de autoridade que, fora da academia, mobiliza e convence, sem mais chorumelas. O que me chama atenção neste vídeo, entretanto, é a iniciativa da RHBN em utilizar o gênero jornalístico “reportagem” para tratar de um assunto que não ocorreu recentemente, não está em alta na mídia e nem foi recuperado em função de alguma data comemorativa. A descoberta realizada pela tese de Aguilar – “Educação, Autoritarismo e Eugenia: Exploração do trabalho e violência à infância desamparada no Brasil (1930-45)” – poderia cair no esquecimento dos arquivos da Unicamp antes mesmo de ser, de alguma maneira, divulgada para o grande público. O serviço que nos presta a RHBN com tal reportagem é não só de comunicar aos pares, em um formato bem realizado, a novidade da pesquisa, mas de oferecer à comunidade historiadora a chance de sair dos claustros da academia e tornar público o fruto de um árduo trabalho.

O trabalho com história oral e material que imagino ter sido realizado por Aguilar apresenta, me parece, características que já torna seu resultado mais palatável ao grande público (que insisto em não chamar de leigo): as vulgas “evidências concretas”, para além dos documentos – um tijolo, uma testemunha ocular! A junção destas características ao empenho da RHBN, às tecnologias e aos recursos humanos necessários para criar esta “história visual” e às novas mídias que possibilitaram sua divulgação na grande esfera pública virtual (Web! Youtube…e o céu é o limite) me parece um belíssimo exemplo de História Digital e Pública.

Façamos bom proveito. Parabéns Sidney Aguilar Filho pela pesquisa e cumprimentos também à RHBN e aos envolvidos na produção do vídeo pela ótima iniciativa.

Aproveito o ensejo para compartilhar o trecho da instigante resenha de William Mari (University of Washington, Department of Communication) para o livro Technologies of History: Visual Media and the Eccentricity of the Past, de Steve F. Anderson, sobre integração entre História, tecnologias e mídias para a construção de narrativas como a de “Entre a suástica e a palmatória”. O livro promete uma boa reflexão:

“As more of our lives are lived “online,” more of our memories, in turn, are found and formed in unexpected digital spaces, including social media, video games, television, and movies. This is what Steve F. Anderson, the director of the PhD program in media arts and practices at the University of Southern California’s School of Cinematic Arts, argues in his purposely eclectic “metahistory of media histories” (p. 15). Advocating for the constructive role that mediating images, or visual history, has on the “world of the past,” Anderson explores how digital media in particular help to create society’s collective cultural memories. These digital media function as “technologies of history” by actively revising and disrupting traditional, linear ideas of what safely organizes conceptions of the past. Indeed, Anderson argues that we should constantly reimagine how we envision that past and navigate our relationship to it. He sees the current “collision of digital media/technology and history” as an opportunity to shake up assumptions about how to present and organize history (p. 161). (…)”