História

Vers une autre histoire

Techniques tout cela, et rien de plus? — Techniques, en effet. Mais si vous en parlez avec dédain, je ne saurais vous suivre. Et puisque nous sommes placés sur ce terrain, qu’il me soit permis d’ajouter quelque chose. De moins important, mais qui a son prix. L’histoire se fait avec des documents écrits, sans doute. Quand il y en a. Mais elle peut se faire, elle doit se faire, sans documents écrits s’il n’en existe point. Avec tout ce que l’ingéniosité de l’historien peut lui permettre d’utiliser pour fabriquer son miel, à défaut des fleurs usuelles. Donc, avec des mots. Des signes. Des paysages et des tuiles. Des formes de champ et de mauvaises herbes. Des éclipses de lune et des colliers d’attelage. Des expertises de pierres par des géologues et des analyses d’épées en métal par des chimistes. D’un mot, avec tout ce qui, étant à l’homme, dépend de l’homme, sert à l’homme, exprime l’homme, signifie la présence, l’activité, les goûts et les façons d’être de l’homme. Toute une part, et la plus passionnante sans doute de notre travail d’historien, ne consiste-t-elle pas dans un effort constant pour faire parler les choses muettes, leur faire dire ce qu’elles ne disent pas d’elles-mêmes sur les hommes, sur les sociétés qui les ont produites — et constituer finalement entre elles ce vaste réseau de solidarités et d’entr’aide qui supplée à l’absence du document écrit ? Pas de statistique, ni démographique, ni autre : allons-nous répondre par la résignation à cette carence ? Être historien, c’est au contraire ne jamais se résigner. C’est tout tenter, tout essayer pour combler les vides de l’information. C’est s’ingénier, le grand mot. Se tromper ou, plutôt, vingt fois se jeter avec enthousiasme dans un chemin plein de promesses — et puis s’apercevoir qu’il ne mène pas où l’on voudrait aller. Tant pis, on recommence. On reprend avec patience l’écheveau aux bouts de fil cassés, emmêlés, dispersés. Relations à longue distance des très vieilles civilisations ? Des textes ? N’espérons pas tant. Mais des formes de bateau, aujourd’hui encore associées à tel ou tel instrument, à telle ou telle pratique culturelle, à tel nombre, à tel vocable, à tel rite ? Datées parfois, fortuitement, et qu’on saisit ici, et ici et encore ici : voilà qui permet — avec cette sorte d’ivresse que donne le cheminement sur cette étroite arête, entre vraisemblance et fantaisie, pure invention et constatation — voilà qui permet de préparer les matériaux d’une carte : disons de l’océan Indien, cette grande matrice de civilisations, avant que la Méditerranée, peut-être, ne connût sa première mise en ordre et son premier essor… (…) Gardons-nous de sous-estimer la puissance persistante de ce vieux tabou : «Tu ne feras d’histoire qu’avec les textes.»

 Lucien Febvre. “Vers une autre histoire”, Combats pour L’Histoire p. 487-488, 1953.

Sempre atual.

Sábado “Divino, Maravilhoso” no Pré-vestibular Social (JAC)

Este sábado (19.10.2013) a aula foi diferente. Ao invés da exposição dialogada costumeira, com apoio no quadro ou no datashow, resolvi levar documentos e textos de apoio para serem discutidos em grupo pelos alunos. O tema era Ditadura Militar no Brasil, mas em geral, o subtexto era: censura, repressão, centralização do poder.

Cada grupo teve 2 minutos para apresentar sua análise à turma. Entre uma apresentação e outra tivemos espaço para comentários meus e de outros grupos sobre o assunto apresentado. Trabalhei os mesmos conjuntos de documentos com todas as turmas e desde o início do dia, havia 06 kits com distintos documentos, de modo que realizamos a atividade em até 06 grupos, nas turmas maiores.

Alguns registros da atividade

Alguns registros da atividade

Para fazer a análise dos documentos, a orientação foi a seguinte: identificar natureza e autoria do documento, bem como localizá-lo no tempo; selecionar um trecho ou uma imagem para ser lido/mostrada para a turma e justificar a seleção feita pelo grupo em face ao tema da aula. Muito interessante como cada aula foi singular nesse aspecto, a seleção dos trechos e das imagens mudando de grupo para grupo. Gostaria muito de ter tido mais tempo para desenvolver essa atividade. Um tempo de aula deixou na vontade. Preenchemos juntos um quadro com palavras-chave extraídas e/ou inspirada nas “fontes”. Cada grupo pode escolher duas palavras, se a palavra escolhida já estivesse no quadro, poderia ser apagada e reescrita maior.

Em dois conjuntos de documentos havia materiais sobre o Tempo Presente (presentíssimo) de 2009 e 2013. Meu objetivo com esta seleção era problematizar a diferença recentemente cobrada na prova da UERJ entre as manisfestações daquele tempo (1968) e as atuais: o fato de as primeiras estarem inscritas em um período ditatorial e as últimas em um Estado de Direito (veja a resolução comentada da questão nº 57 do 2º Exame de Qualificação 2014 na Revista Eletrônica do Vestibular Estadual). Para adicionar um quê da cultura material das manifestações mais recentes, levei para a sala a máscara e os óculos de proteção que tenho sido obrigada a utilizar em alguns atos por conta dos excessos da PMRJ nos “confrontos com manifestantes”, como diz o mainstream da nossa mídia, mesmo em pleno estado de direito.

Neste sábado a aula foi pra mim. Aprendi tanto tanto, do quanto precisamos reinventar todos os dias o nosso lugar e do quanto é maravilhosa essa profissão professora que nos últimos dias me fez chorar de verdade.

O resultado do quadro, ao final do dia, fala por si:

Ditadura me lembra...? Quadro preenchido pelxs alunxs

Ditadura me lembra…? Quadro preenchido pelxs alunxs

Os documentos trabalhados foram:

  • Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968
  • Lei nº 7.170, de 14 de dezembro de 1983 (que define os crimes contra a segurança nacional e a ordem social)
  • Charge de Fortuna publicada no Correio da Manhã em 07/10/1966
  • Charge do Latuff sobre a morte do Herzog + foto do Herzog encontrado morto
  • Cartaz “Saia conosco da sombra”, Movimento Feminino pela Anistia no Brasil, 1975.
  • Livro “Brasil nunca mais”, projeto “Brasil: nunca mais
  • Trecho do livro “Violência pra quê?” (2011) de Anselm Jappe
  • Capa de O Globo de abril de 04 de abril de 1968
  • Capa de O Globo de 17 de outubro de 2013
  • Reportagem “Apologia a atos de violência nas redes sociais pode ser considerada crime, diz delegado” (O Globo, 15/10/2013)
  • Reportagem  “STF derruba Lei da Imprensa editada durante a ditadura” (Jornal da Cidade 01/05/2009)
  • Postagem da página do Facebook “Ninja” (Mídia Ninja) intitulada “Ditaruda 2.0” de 16 de outubro de 2013.
  • Foto de uma manifestação em frente à Câmara Municipal do Rio de Janeiro na tarde desta quinta-feira, 17 de outubro de 2013, em solidariedade aos presos políticos do dia 15.
  • Foto da Passeata dos Cem Mil, 1968

Textos de apoio:

  • O AI-5, Maria Celina de Araujo (FGV)
  • Censura nos meios de comunicação, Daniel Aarão Reis e Denise Rollemberg (Memórias Reveladas)
  • Movimento pela Anistia Ampla Geral e Irrestrita, ABC de Luta

Outro material de apoio:

Afixei em um canto do quadro para consulta uma cronologia de todos os presidentes do 1964 a 1985, com foto e destaque para principais características do governo. Foi um recurso importante para que xs alunxs pudessem localizar de que período eram as informações encontradas nos documentos e textos de apoio.

Outro recurso utilizado foi o áudio. Lei uma playlist de canções de protesto, com textos de contestação e denúncias. Durante a aula, deixei o som ligado em volume baixo e em alguns momentos oportunos, durante a análise das fontes ou entre a apresentação de um grupo e outro, eu aumentava o volume e chamava atenção para um trecho específico da composição, mencionava o ano, o compositor e relembrava as estratégias para furar a censura.

A playlist pode ser ouvida via Youtube clicando na imagem abaixo (não sei porque o WordPress não está incorporando-a diretamente aqui). Em seguida, alguns trechos destacados das composições:

playlist

1.Panis Et Circensis, Caetano Veloso e Gilberto Gil (1968)

“(…)Mas as pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer (…)”

2. Novena, Alceu Valença e Geraldo Azevedo (1972)

“(…) Enquanto família reza a novena
As notícias
Que montam cavalos ligeiros
Vão tomando todo o mundo
Na casa, no lar
Esquecidos, todos ficam longe
De saber o que foi que aconteceu
E ali ninguém percebeu
Tanta pedra de amor cair
Tanta gente se partir
No azul dessa incrível dor

(…)

De orações a fala se faz
E lá fora se esquece a paz
Uma bomba explodiu por lá
Sobre os olhos de meu bem
E assim me mata também
Enquanto a novena chega ao fim
Bambas, bandeiras, benditos
Passando pela vida
E a novena se perde esquecida
De nós (…)”

3. A massa, Raimundo Sodré (1980)

“(…) A dor da gente é dor de menino acanhado
Menino-bezerro pisado no curral do mundo a penar
Que salta aos olhos igual a um gemido calado
A sombra do mal-assombrado é a dor de nem poder chorar

(…)

Mansos meninos domados, massa de medos iguais
Amassando a massa a mão que amassa a comida
Esculpe, modela e castiga a massa dos homens normais

(…)

A massa que eu falo é a quepassa fome, mãe
A massa que planta a mandioca, mãe (…)”

4. Pra não dizer que não falei das flores, Geraldo Vandré (1968)

“(…) Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão

(…)

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição (…)”

5. Mosca na sopa, Raul Seixas (1973)

“(…) E não adianta
Vir me detetizar
Pois nem o DDT
Pode assim me exterminar
Porque você mata uma
E vem outra em meu lugar (…)”

6. Divino, Maravilhoso, Caetano Veloso e Gilberto Gil (1968)

“(…)Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
(…)
Pro palavrão, para a palavra de ordem
Atenção para o samba exaltação
(…)
Atenção para as janelas no alto
Atenção ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção para o sangue sobre o chão (…)”

7. Eu quero é botar meu bloco na rua, Sérgio Sampaio (1973)

“(…)Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou (…)”

8. Apesar de Você, Chico Buarque (1978)

“(…) Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar (…)”

9. Cálice, Chico Buarque e Gilberto Gil (1973)

“(…)Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada, prá a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue (…)”

10. Ponteio, Edu Lobo e Capinam (1967)

“(…) Era um dia, era claro
Quase meio
Era um canto falado
Sem ponteio
Violência, viola
Violeiro
Era morte redor
Mundo inteiro…

Era um dia, era claro
Quase meio
Tinha um que jurou
Me quebrar
Mas não lembro de dor
Nem receio
Só sabia das ondas do mar (…)”

Mesa redonda: Cultura Digital e Informação: Desafios para a memória do futuro | 22/10 | IBICT

Este mês, em função da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que acontecerá de 21 a 27 de outubro, participarei de uma mesa redonda no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). Vamos falar sobre o papel das tecnologias do nosso presente na construção de uma memória para o nosso futuro. Há muitos “se’s” e “porém’s” nessa história. Quem quiser se juntar a nós nessa discussão será muito bem-vindo!

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Uma Web Ópera sociológica – Paris: Cidade Invisível

Como no post anterior, neste trago um exemplo de projeto digital contendo uma narrativa (?) pouco convencional para aqueles que estão acostumados ao livro ou ao museu. A Ópera é um projeto de big data (repliquei há pouco tempo um link a respeito), criado por Bruno Latour (Text), Emilie Hermant (Photo), Patricia Reed (Screen Design). Navegação não-linear, hipertexto e hipermídia compõem seu cenário.

O “plano” que pincei abaixo é um prato cheio para a discussão de memória, patrimônio e história (último plano, do último circuito, se é que a navegabilidade da obra supõe tal ordem).

Enfim, estou apenas compartilhando esta interessante maneira de ver o invisível aí.

Para visitar esta outra Paris basta clicar aqui.

Line: Allowing | Plan: 51

Line: Allowing | Plan: 51

Making things public (online Exhibition)

Curadoria de Bruno Latour and Peter Weibel

Exibição online – Making things publicreúne artistas, filósofos, sociólogos e historiadores e trata da crise de representação na política. Através da arte!

Descrição via Bruno Latour:

The exhibition Making Things Public addresses the challenge of renewing politics by applying to it the spirit of art and science. This unusual exhibition builds on the Iconoclash exhibition (ZKM 2002), which dealt with the crisis of representation in art, whereas Making Things Public tackles the problem of representation in politics.

In this pioneering project over one hundred artists, scientists, sociologists, philosophers and historians re-explore the term ‘politics’. At a time in which many people doubt and despair of politics it is crucial that they should not be fobbed off with standard political responses to contemporary problems but that the question of what actually constitutes politics should be raised anew.

Call for proposals / Chamada para trabalhos – Federação Internacional de História Pública

Abaixo circulo a chamada para trabalhos da Federação Internacional de História Pública: “História Pública em um mundo digital: a revolução reconsiderada” 

Vamos?

Deadline: 31 jan. 2014

Amsterdam 2014

International Federation for Public History Conference

Public History in a Digital World: The Revolution Reconsidered

Amsterdam, Thursday 23 October 2014 – Sat 25 October 2014

FIRST CALL for PROPOSALS

Historical sources and narratives about the past infiltrate every corner of the web, from home-made digital media to online exhibitions, across social networks and in virtual museums. Digital tools have become essential for publics who preserve, present, discuss, and dispute history, and they will play a major role in the commemoration of the anniversary of WWI beginning in 2014. The possibilities of the digital world seem almost unlimited: never before have massive collections of a wide variety of historical materials been so accessible for  large audiences across national and cultural borders. What’s more, new genres such as blogs and  virtual discussion boards have expanded the public possibilities of history online – for co-creating historical narratives as well as for communicating about the past with various audiences.

Given all this, the digital turn should be especially significant for public historians, but have expectations been matched by activities? After two decades of digital revolution it is time to critically consider what digital media brings to Public History, and where Public History is headed in a digital world. This international conference, organized by the International Federation for Public History, will bring together experts, novices, and experimenters from all over the world to share insights, questions, and practices concerning the impact of the digital world on the theory and practice of Public History. Issues to consider include:

  • How revolutionary is the digital turn for the research and practice of Public History?
  • How are digital innovations changing Public History practices?
  • Are public historians critical enough towards the shortcomings of digital practices?
  • What “cool stuff” from the digital toolbox adds value to PH projects, teaching activities, etc?
  • Which digital strategies do not live up to the hype, and why?
  • Which audiences are public historians reaching and excluding with digital practices?
  • How are audiences involved and engaged through digital practices?
  • How are historical narratives changing under the influence of digital media and the internet?
  • How can digital Public History generate or inspire new ways of interacting with the public?
  • How does digital Public History relate to older forms and traditions of Public History?
  • What can we learn from a critical analysis of Digital Public History?

Possible ideas for sessions include:

  • Audiences and involvement: Who are public historians reaching, and excluding, with digital public history?
  • Authorship and authority: Who is representing history on the web?
  • Narratives and storytelling: Which pasts are(n’t) public historians telling on the web?
  • Integration: How do digital and analogue Public History relate?
  • Practices: How is the past presented in the digital realm?
  • Didactics: How do we teach digital Public History?
  • Analogue Public History: What is done best without the digital?
  • Communication: How can digital history 2.0 and Social Media foster the diffusion of Public history ?

We welcome submissions from all areas, including public historians working in museums, archives, education, heritage management, consulting and public service, as well as newcomers to the field of Public History. Apart from individual papers and proposals for panel sessions, we encourage workshop proposals as well as poster or media presentations. The emphasis should be on critical analysis, not show and tell – submissions that investigate both the limits of public history in a digital world, as well as its opportunities, are especially welcomed.

250 word proposals are due by: January 31 2014 to ifphamsterdam2014@gmail.com

Local Committee :

  • Dr. Paul Knevel, Assistant Professor of History & Coordinator, MA in Public History, University of Amsterdam
  • Dr. Manon Parry, Assistant Professor of Public History, University of Amsterdam
  • Prof. dr. Kees Ribbens, Senior Researcher, NIOD Institute for War, Holocaust and Genocide Studies
  • Dr. Serge Noiret, President, International Federation for Public History

Program Committee:

  • Fien Danniau/Prof.Dr. Bruno de Wever,  Instituut voor Publieksgeschiedenis, University of Ghent, Belgium
  • Dr. Jean-Pierre Morin, International Federation for Public History, Canada
  • Dr. Manon Parry, University of Amsterdam, The Netherlands
  • Dr. Hinke Piersma, NIOD Institute for War, Holocaust and Genocide Studies, The Netherlands
  • Prof.Dr. Constance B. Schulz, University of South Carolina, USA
    Dr. Christine Gundermann/ Dr. Irmgard Zündorf, Freie Universität Berlin, Germany

5 Big Data Projects That Could Impact Your Life

O que podemos fazer com “big-data”?

Ver: 5 Big Data Projects That Could Impact Your Life

Estimulante o post de Eric Larson no Mashable sobre curiosos projetos que trabalham com big-data, ou seja, tratam informática e digitalmente quantidades imensas de informações (humanamente, inapreensíveis para uma pessoa só, diga-se de passagem) que podem acabar oferencendo resultados bem interessantes. Para o caso da História, em particular, vale pensar no que pode dar o cruzamento do Geographic Information System (GIS) com dados sobre o passado.

O artigo cita o projeto Interactive Gettysburg: Modern Maps Reframe History, mas nessa direção vale também conferir o Montréal l’avenir du passé (MAP).

A respeito do MAP, vale conferir o artigo de Robert Sweeny sobre as oportunidades que se abrem ao se cruzar as fronteiras disciplinares e trabalhar em um ambiente colaborativo, intermediado pela tecnologia, como no diálogo entre História e Geografia de MAP: Rethinking Boundaries: Interdisciplinary Lessons from the Montréal l’avenir du passé (MAP) Project.

Nota da ANPUH sobre a destorcida ‘reportagem’ de O GLOBO sobre os Black Blocs

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No ultimo domingo O Globo publicou uma reportagem grosseira sobre o [̲̅B̲̅l̲̅α̲̅c̲̅k̲̅ ̲̅B̲̅l̲̅σ̲̅c̲̅k̲̅ ̲̅B̲̅я̲̅α̲̅ร̲̅i̲̅l̲̅], , um fenômeno anarquista que emergiu nas manifestações pelo Brasil afora.

O texto assinado por Sérgio Ramalho – assim como outros publicados pela mídia tupiniquim – é uma tentativa mal elaborada de simplificar uma forma de protesto bastante complexa.

Antes de aparecerem por aqui, os Black Blocs já vinham atuando há muito no Canadá, Estados Unidos e na Europa Ocidental.

A notoriedade veio após a célebre “Batalha de Seattle”, em 1999, quando milhares rebelaram-se contra as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) e alguns de seus membros atacaram propriedades de multinacionais como Nike, McDonald’s, GAP, entre outras.

A hostilidade contra grandes corporações resgatou uma tradição que marcou os protestos antinucleares do ocidente como, por exemplo, o bloqueio e depredação de linhas ferroviárias com o objetivo de dificultar a implantação de usinas e transporte de material radioativo, tal qual ocorreu em Wyhl, na República Federal da Alemanha, nos anos 1970.

O coletivo assenta raízes na esquerda europeia, é assumidamente anarquista e irrompeu em várias partes do mundo, assumindo posições de destaque nos protestos antiglobalização da última década em Londres, Copenhagen, Nova York, Berlim, Atenas, Cidade do México, entre outras.

A repressão desproporcional dos governos ocidentais forçou seus componentes a adotarem táticas cada vez mais agressivas. Ao contrário do que diz o texto do Globo, a confrontação não é adotada como medida de protesto gratuitamente. Antes, é uma força reativa que responde às manobras violentas e criminosas das forças policiais, estas sim provocativas e intimidadoras.

Por aqui os jornalões brasileiros insistem em pintar os anarquistas de preto como figuras violentas, perigosas e desinformadas. Diz o Globo que “por trás das máscaras, capuzes e roupas pretas, uma miscelânea de referências, muitas delas contraditórias, ditam o comportamento do grupo (…)”.

Esquece o jornalista que a indumentária negra é parte de uma tática de guerrilha urbana, na medida em que causa evidente impacto psicológico nas forças repressoras do Estado, além de assegurar o anonimato e evitar consequentes retaliações. Segundo, como grupo heterogêneo e descentralizado, não era mesmo de se esperar que seus membros apresentassem um comportamento uniforme.

Em comum apenas a desobediência civil e a recusa ao pacifismo como tática de ação. É bom manter em mente que nas recentes manifestações no Brasil, marcadas pela violência e arbitrariedade das autoridades, muitas vezes eles são os únicos entre a massa de manifestantes e a cavalaria pesada.

Reportagem do Globo: http://oglobo.globo.com/pais/black-blocs-violencia-como-tatica-referencias-confusas-9027822

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Parabéns a Associação Nacional de Historiadores (ANPUH) pela nota, muito bem vinda, de repúdio à insensata estupidez da grande mídia brasileira que ainda se acha capaz de criar os vilões e os mocinhos da nossa história. Não Passarão!

Favor não confundir a reação do oprimido com a violência do opressor.

Obrigada, ANPUH!

Meta-postagem, ou por que não confiar cegamente no Google?

Hoje percebi que, ao menos em minha máquina (isto é, com meu IP e minhas configurações pessoais de navegador), ao pesquisar no Google o termo “Leopold von Ranke” o link para o meu post Século XIX: História como disciplina (que fala sobre Ranke) aparece em 3º lugar entre os resultados da busca, antecedido apenas pela Wikipedia em português e por aquela em inglês. O post foi criado em junho de 2008, segundo mês de vida deste blog:

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Google: Leopold von Ranke

Diante disto, decidi fazer uma advertência aos leitores do post, concedendo-me a auto-licença de adicionar o seguinte UPDATE ao final do texto:

Curiosamente, quase cinco anos após a criação deste blog, este post tem sido um dos mais visitados e mais comentado. E o é embora não seja um texto com linguagem web friendly e, nem mesmo, trate do principal tema deste blog: Digital History / Storiografia Digitale. Até ontem (06.04.13), o termo de pesquisa “Leopold von Ranke” trouxe 913 pessoas a este blog. Apenas “Ranke”, 598. No total, este post recebeu neste período, 14.445 visualizações, sendo o mais visitado e comentado do blog, que conta com 109 postagens. Eu não sou uma especialista em Ranke e estou longe de ser uma autoridade em debates sobre historiografia alemã, gostaria que os leitores tomassem consciência disso. Sobretudo, pois notei através dos comentários recebidos, que alguns leitores talvez sejam, como eu à época, estudantes de graduação. Alguns buscando via Google respostas para as suas perguntas, possivelmente para suas provas e avaliações. É importante dizer que o texto, que assino com o colega Miguel Carvalho Rêgo, na verdade, foi produzido para uma avaliação da disciplina “Metodologia da História II”, ministrada pelo saudoso Prof. Dr. Manoel Luiz Salgado Guimarães, em 2007, na UFRJ (IFCS). Este professor, inquestionavelmente responsável pela minha escolha por este caminho da História, nos deixou precocemente, mas deixou também muita inspiração. O pensamento de Manoel (que amava ser professor), por si só, me lembra a feliz escolha de curso que fiz. Foi, provavelmente no curso (tópico especial) de “História, Memória e Patrimônio” que foi despertado em mim o desejo de estudar mais teoria, metodologia e me fez seguir, como tem sido até hoje, seduzida pelo tema até o mestrado. Reler o texto revela outra Anita (e provavelmente outro Miguel), revela a passagem inexorável do tempo e a imaturidade das ideias de uma menina de 21 anos, recém-chegada ao Rio de Janeiro para descobrir o que não era História. Obrigada, sempre, prof. Manoel Salgado.

De certo, este é um belo exemplo de como podemos ver o mundo através dos olhos do Google. É possível que algumas pessoas nestas milhares de visualizações tenham utilizado o tal texto para algum fim, parcial ou integralmente (torço pelo não plágio!). Nunca saberei o que esta leitura desencadeou em suas cabeças, nem se o texto foi lido até o final. Espero que não tenha sido tomado ao pé da letra como verdade. Porém, no fim das contas, não poderei saber nunca se, de fato, ele foi contextualizado como um artigo raso, bem questionável, escrito por não especialistas sobre a “história como disciplina”. Obviamente, a autoridade que o Google nos concede, (não deixa de ser um tipo de autoridade), este poder de voz, assusta. Isto me faz repensar a responsabilidade que temos com as informações que colocamos em circulação. Do ponto de vista da História, o quão complexo é o problema da classificação das informações dispersas na rede, não qualificadas, hierarquizadas ou vinculadas a instituições que confiram alguma “confiabilidade” a elas.

Gostaria que o meu post (que na verdade é um texto escrito a quatro mãos) não virasse uma espécie de cola-burra para estudantes de graduação, nem parecesse o resultado de uma grande investigação científica, nem fosse tomado como o mais correto blablablá, etc. Apenas o deixo na rede por considerar que ele faz parte da história deste blog e que, se lido criticamente, possa ser uma unidade a mais de divulgação científica no ciberespaço.