Historiografia

Livro novo na área, artigo novo sobre “historiografia escolar digital”

Primeiramente, Fora Temer!

Com que alegria recebemos a notícia de que está pronto o livro História, Sociedade, Pensamento Educacional: experiências e perspectivas (2016), proposta encabeçada pelo Grupo de Estudos do Tempo Presente – GET e do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre  História do Ensino Superior – GREPHES -, ambos ligados ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Sergipe. 

capa-livro

Neste livro, minha amiga e grande parceira de criação, Marcella Albaine, e eu tivemos o prazer de colaborar com o artigo “Historiografia escolar digital: dúvidas, possibilidades e experimentação” (Capítulo 12, pp. 336-366), no qual buscamos tornar explícito para o leitor algumas questões implícitas em nossas elocubrações, já há algum tempo em que colaboramos no planejamento de atividades de extensão, na escrita de textos a quatro mãos e outros trabalhos que reúnem nosso interesse em torno do estudo do digital e do ensino de história. No prefácio, os organizadores introduzem assim nossa contribuição à obra:

Da TV para a internet e os novos meios e comunicação, Anita Lucchesi, que colabora a partir das suas investigações na Universidade de Luxemburgo, e Marcella Albaine, refletindo a partir da Universidade Federal do Rio de Janeiro, teceram considerações sobre a chamada historiografia escolar digital. As suas reflexões, nascidas nestes diálogos transoceânicos, nos colocam a pensar sobre: quais os caminhos a serem trilhados pelos historiadores nos tempos digitais? Quais as limitações enfrentadas pelos professores de História em meio aos suportes digitais? Como a narrativa histórica será afetada pela emergência da internet? Estas e outras preocupações são levantadas no texto que, ao final, nos relembra o caráter essencialmente humano da História e da Educação.

Prefácio de História, Sociedade, Pensamento Educacional: experiências e perspectivas, Org.  Dilton Cândido Santos Maynard & Josefa Eliana Souza. Rio de Janeiro: Autografia, 2016.

Mais uma vez, foi uma satisfação escrever com essa amiga, aprender e ressignificar muitas coisas juntas. Espero que esse humilde artigo consiga levar aos colegas leitores a proposta de pensar uma “historiografia escolar digital” que favoreça o uso criativo das ferramentas digitais, como boas aliadas para uma educação emancipadora, mas sem também enaltecer demais a máquina – carne, osso, crítica e afeto permanecem essenciais. Em tempos de duros golpes na nossa chumbada democracia e em todas as esferas da educação pública no Brasil, escrever esse artigo e desejar que ele possa estimular o debate e encorajar ainda mais a busca por um modelo formação cidadã, pode soar meio utópico, mas a publicação de um livro como esse é a prova cabal de que não se trata apenas de um sonho, mas de luta e construção coletiva de um ideal de educação universal.

Meu muito obrigada aos colegas que toparam essa missão, aos organizadores e à incansável parceria de Marcella. Sigamos em frente! 🙂

Acesse a versão ePub aqui.

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Livro: Desafios e caminhos da teoria e história da historiografia – 2012

A Sociedade Brasileira de Teoria e História da Historiografia (SBTHH) acaba de lançar o primeiro volume da Coleção Concurso SBTHH (2012). O livro está dividido em três partes, referentes às diferentes categorias de trabalhos submetidos ao concurso: teoria, história da historiografia geral e história da historiografia brasileira. Tenho alegria em compartilhar o link para o download da obra onde o meu humilde trabalho de monografia foi premiado e comparece na parte de História da Historiografia Geral, sob o título Historiografia em rede: história, internet e novas mídias: preocupações e questionamentos para historiadores do século XXI.

livro-SBTHH

Dedico o prêmio e o trabalho à memória do Prof. Manoel Luiz Salgado Guimarães, de quem a saudade costuma apertar mais forte nesses finais de Abril. Obrigada ao Prof. Manoel e todos os professores envolvidos na minha formação, e claro, na elaboração e avaliação deste concurso, que agora nos presenteia com a reunião desses trabalhos tão frescos, cheios de vontade de descobrir o “fazer história”. Obrigada à Profa. Andrea CasaNova Maia, por não me deixar engavetar aquela ideia em 2010 e ao Prof. Dilton Maynard por me ajudar a escrever outros capítulo de 2012 a 2014.

Jurandir Malerba sobre História Pública e Digital no “Cafezinho” sobre Historiografia do “Café História TV”

Toda a conversa de Bruno Leal (editor do Café História) com o Prof. Jurandir Malerba (PUCRS) é interessante, um passeio por algumas dobras da historiografia e um pouco do lado “humano”, experiências e opiniões do responsável por publicações tão fundamentais para os leitores brasileiros como “Lições de História: da história científica à crítica da razão metódica” e “Lições de História: o caminho da ciência no longo século XIX”, entre outras. Por essa razão, recomendo o filme inteiro. Uma boa hora de entretenimento.

Contudo, gostaria de chamar atenção para o trecho entre os minutos 23′ e 35′, em que o professor comenta sobre a História Pública e também Digital. Para ele, a questão da História Pública perpassa a discussão do próprio campo da história, do que é história. O professor comenta como a experiência da História Pública implica repensar os processos de formação e como interfere nas expectativas de atuação dos formandos/formados em história. Notando os fenômenos editoriais de “narrativa históricas” feitas por jornalistas, o professor sugere a necessidade da academia pensar o seu lugar e dos historiadores se posicionarem no debate. Questiona ainda quais seriam as finalidades dessa atividade que visa a ampliação da audiência da história, seria política? Pecuniária? É preciso refletir, sair da zona de conforto e isso requer certo esforço, haja visto como nossos curricula são refratários a essas discussões presentes na nossa disciplina, como diz o professor. Vale a pena conferir.

 

 

Aproveite para conhecer melhor o Café História TV.

Diacronie n. 12 Sulle tracce delle idee: “Sopravviverà la storia all’ipertesto?”

É com prazer que compartilho com vocês meu primeiro artigo publicado em Italiano sobre a relação entre História e Digital.

Este artigo é fruto da reelaboração de algumas ideias que eu já havia desenvolvido em “Histórias no Ciberespaço: viagens sem mapas, sem referências e sem paradeiros no território incógnito da Web”, nos Cadernos do Tempo Presente, e em minha fala nas “VIII Jornadas de Historia Moderna y Contemporánea” em Buenos Aires, novembro passado, “Do texto ao hipertexto: notas sobre a escrita digital da história no século XXI“.

(en) I am pleased to share with you my first article published in Italian on the relationship between “History” and “Digital”.

This article is the result of the reworking of some ideas I had developed in “Histórias no Ciberespaço: viagens sem mapas, sem referências e sem paradeiros no território incógnito da Web”, in Cadernos do Tempo Presente, and in my talk in the “VIII Jornadas de Historia Moderna y Contemporánea”, in Buenos Aires, last November, “Do texto ao hipertexto: notas sobre a escrita digital da história no século XXI“.

“Sopravviverà la storia all’ipertesto?”. Qualche spunto sulla scrittura della storia ai tempi di internet

“Plongeoir malgache (b&w version)” by REMY SAGLIER – DOUBLERAY on Flickr (CC BY-NC-ND 2.0)

“Plongeoir malgache (b&w version)” by REMY SAGLIER – DOUBLERAY on Flickr (CC BY-NC-ND 2.0)

Abstract (en): This paper examines theoretical and methodological aspects related to the writing of history in the Digital Age. It’s a sort of introduction on some issues and problems on the relationship between history and the Internet in the early years of the century (2001-2011). We highlight mainly problems concerning the use of historical sources and documents available in cyberspace. It’s especially about issues regarding the use of hypertext as a new way for a reference system more virtual than the classical footnotes system.

Keywords: History, Digital History, Internet, Hypertext, cyberspace.

Abstract (it): L’articolo analizza aspetti teorici e metodologici relativi alla scrittura della Storia nell’era digitale. Si tratta di un approccio di carattere introduttivo ad alcune tematiche e problemi propri delle relazioni tra storia e internet nei primi anni del secolo XXI (2001-2011). Verranno analizzati, principalmente, i problemi relativi all’utilizzo delle fonti storiche e documentarie disponibili nel cyberspazio. Analizzeremo, soprattutto, le questioni relative all’uso del ipertesto come nuovo percorso per un sistema di riferimenti, per quanto virtuale, rispetto alle classiche note a piè di pagina.

Parole chiave: storia, storiografia digitale, internet, ipertesto, cyberspazio.

Ref: Lucchesi, Anita, «“Sopravviverà la storia all’ipertesto?”. Qualche spunto sulla scrittura della storia ai tempi di internet», Diacronie. Studi di Storia Contemporanea, N. 12, 4|2012

URL: <http://www.studistorici.com/2012/12/29/lucchesi_numero_12/&gt;

Vai começar a VII Semana de História da UERJ

Estarei lá, hoje, 22.10.12, discutindo escrita da História é hipertexto.

18h-20h | Sala: 9037-F
Mesa 23 – Historiografia e teoria da história: novos paradigmas e formas de análise
Coordenação: Prof.ª Doutoranda Beatriz Piva Momesso – PPGH/UERJ
Anita Lucchesi – Mestrado – PPGHC/UFRJ
O texto digital para além do écran: questionamentos sobre a escrita da História na World Wide Web
Bruno Omar de Souza Mestrado (em andamento) PUC-Rio
Perguntar-se pelos sentidos da história: contingência, progresso e crítica da pós-história em Vilém Flusser.
Mara Rúbia SantAnna Doutorado (concluído) – UDESC
História da moda, bibliografia em análise
Pedro Parga Rodrigues Doutorado (em andamento) – UFF
A lei, a experiência de Thompson e a agência ativa da plebe
Pedro Paulo Lima Barbosa Doutorado (em andamento) – UNESP – Campus de Assis
História das Ideias: leitura e interpretação de textos históricos a partir das propostas epistemológicas de Quentin Skinner e Pierre Rosanvallon

Mais informações: http://www.semanahistoriauerj.net/

Prêmio Manoel Luís Salgado Guimarães

Bela notícia!

“Em decisão unânime dos membros da atual diretoria resolveu-se nomear o prêmio Teses da ANPUH de prêmio Manoel Luís Salgado Guimarães, em homenagem ao nosso saudoso e querido colega recentemente falecido. Como todos sabem o professor Manoel Salgado foi o idealizador do prêmio, instituído em sua gestão à frente da entidade, no biênio 2007-2009. O professor Manoel Salgado foi também um destacado estudioso na área da historiografia brasileira, tendo dado uma importante contribuição para a afirmação das áreas de teoria da história e historiografia brasileira como campos de pesquisa legítimos e relevantes para os profissionais de História. Estes, dentre tantos outros motivos, desde acadêmicos, políticos, como afetivos justificam a homenagem que a ANPUH presta ao professor Manoel Salgado, dando seu nome a um prêmio que será distribuído a cada nova gestão de nossa entidade, esperando que assim sua memória, seu exemplo de vida acadêmica e pessoal continue sendo lembrada e servindo de referência para os profissionais da área.”

*a informação foi divulgada no informe eletrônico da Anpuh nº7.

Justíssima homenagem a um homem que dedicou tão intensamente sua vida ao estudo da história.  Gosto de lembrar do Prof. Manoel Salgado em forma dentro de sala de aula, lugar onde ele se sentia completamente à vontade.

Ontem lembrei de uma ocasião em que ele nos falava do que Freud pensava sobre o luto e a melancolia, o luto é uma atitude positiva, uma forma de sentir a ausência que segundo Freud é traço constituitivo da humanidade do homem. A melancolia é negativa. Bem, não vou continuar!. Só queria registrar como é merecida a homenagem.

Algumas questões pontuais sobre historiografia na rede

A modernidade e as novas tecnologias da informação e comunicação (TIC) têm criado novas maneiras de agir e interagir na sociedade, sobre isto não há dúvida. Aqui se discute sobre a forma como estas mudanças afetam a organização do espaço e do tempo do mundo e como os estudiosos das ciências sociais devem se mover ao interno das redesenhadas estruturas sociais, políticas, econônicas e culturais, questões emergem neste cenário saturação de mídias e diferentes redes sociais que é a era digital. O que nos interessa aqui é lançar luz aos problemas relevantes à fluidez dos dados – aparentemente soltos – na teia da web e tentar extrair destas reflexões algumas diretrizes pata uma necessária atualização do ofício do historiador.

Uma das questões centrais aqui é relativa ao estatuto da fonte. O advento da informática e do World Wide Web levou a uma redefinição epistemológica das. Não  muda  somente o suporte  – do tradicional para o digital – mudam também as formas de acessar, manipular e gerenciar as fontes. Surge também um novo tipo de fonte – aquele que já nasce em formato digital – que infere a necessidade de se revisar o método e prucurar uma nova abordagem para as fontes históricas digitalizadas, transformando também a relação entre o leitor-usuário e o texto. Um outro problema é a da corrosão da autoridade e da linearidade do texto, e  mesmo da autenticidade da fonte e dos variados documentos disponíveis hoje na rede. Projetar um modo para distinguir os dados oficiais dos não-oficiais é um dos desafios para os historiadores contemporâneos. E as produções “amadoras” de história na rede constituem uma outra problemática. Será justo ignorar a validade destas produções e julgar inadequado o seu uso para fins historiográficos? Este é um debate vital que está em andamento e merece muita atenção.

Na era do World Wide Web  a hipertextualidade transforma a relação entre texto e fontes, as torna disponíveis e acessíveis também para o leitor, permitindo uma criação, por parte do público, de diferentes percursos de leitura e viabilizando a verificação dos documentos utilizados na investigação, através de links e outras referências online, diferenciando ainda mais o texto digital daquele escrito em papel. A interatividade do leitor-usuário com a obra é potencializada no ambiente virtual.

Acontece que a rede em si se transforma em uma espécie de grande arquivo-Frankstein, no qual as classificações e vínculos arquivológicos são por demais instáveis e se faz necessário ainda abrir os caminhos para alcançar e classificar de forma inteligível todos os documentos, mas nem mesmo isto poderia garantir uma estabilidade dentro da liquidez do arquivo virtual, tudo é muito fluido e cada sujeito vai criando indivudualmente os percursos que deseja utilizar para chegar até uma informação. O crescimento da Web 2.0 e da blogsfera também são relevantes quando se fala em uma maior interação entre os diferentes atores e comunidades. Hoje é possível, por exemplo, realizar uma mesa redonda virtual, graças às novas tecnologia de informação e comunicação que  viabilizam as conferências áudio-vídeo com mais de duas pessoas ao mesmo tempo, é possível que um professor oriente seu aluno à distância, é possível que uma comunidade de estudioso promova debates ao interno de lista de discussões por e-mail… enfim, existe uma gama enorme de novas possibilidades, de novas relações que  merecem a atenção dos estudiosos das ciências humanas. O que significa tudo isto?

Para dar conta de todos essas transformações não é necessária uma de uma refundação do ofício do historiado, a base epistemológica deste permanece a mesma, o que muda e merece ser repensado são os métodos de análise crítica e como eles podem ser aplicados a novas fontes com uma nova abordagem. Com isto quero dizer que as bases da disciplina não devem ser revisadas, mas o método deve ser atualizado.