homenagem

Por Drummond

BrianDettmer-do-it-your-self

Ah, não se mate! Te faço um convite triste, tenho perguntas em forma de cavalo-marinho. Chama pela memória. Será tão duro assim amar? Lembra daquela tarde de maio? Do Rapto? Depois o convívio, a permanência… até que a máquina do mundo pusesse o quarto em desordem e nos mudasse de domicílio.

Aguardo um retorno. Escrevo uma carta. Subo e desço a escada impaciente, esperando outra viagem de três dias, a consideração do poema, que sempre pode ser mais de uma. E carrego comigo nosso tempo, ansiando a passagem do ano. Mais um episódio dessa história de dois amores, sem uma nova canção do exílio. Me lembro d’O elefante, lembra? E enquanto isso mando notícias e vou vivendo os últimos dias como posso. Haverá, em breve, aurora (como é maravilhoso o amor). Dançai, meus irmãos! Dançai!

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História de dois amores, Drummond, p.38 / Ilustração: Ziraldo

[fim]

*Um passeio hipertextual por poemas de “Brejos das Almas” (1934), “Claro Enigma” (1951), “Fazendeiro do Ar” (1951), “A Rosa do Povo” (1945), “Novos Poemas” (1948) e “História de dois amores” (1985).

31 de outubro, DiaD, em comemoração ao nascimento do poeta,

Anita Lucchesi

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Homenagem ao mestre Manoel Salgado Guimarães

No dia 20 de junho, no salão nobre do Instituto de História será realizado um evento em homenagem ao Prof. Manoel Luiz Salgado Guimarães. Neste evento será exibido um pequeno documentário sobre o homenageado.
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Todos estão convidados.
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Se por ventura houver alguém lendo este post que não tenha conhecido o trabalho do Prof. Manoel, registro abaixo o link de um imperdível trabalho seu, que sem dúvidas, já é um clássico da historiografia brasileira e não deveríamos passar pela graduação sem lê-lo: Nação e Civilização nos Trópicos: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o projeto de uma história nacionalNeste artigo da década de 1980, já se pode notar o esforço do autor em firmar no Brasil um campo de pesquisa sobre a produção do texto histórico, atentando não apenas para a dimensão estética deste último, mas também para suas dimensões éticas e políticas.

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Bom, embora hoje possamos ler o Manoel à vontade e com ajuda da tecnologia e da web me resulte muito simples compartilhar seu texto acrescentando este link aqui, não posso inserir num simples post outra importante face de seu trabalho como professor e historiador: as incontáveis horas de dedicação em aulas para a formação de homens viajadores do tempo. Só posso dizer, a título de depoimento, que suas aulas também eram acontecimentos. Eram espaço de produção de conhecimento, práticas em que teoria e ensino se imbricavam e o professor não era o único detentor das verdades, dono do conteúdo. Nem o aluno, por sua vez, mero recipiente destes, mas sujeito com autonomia de pensamento. Enfim, sujeito do processo ensino-aprendizagem, não apenas um simples objeto destinatário. Na Revista de História também tem um entrevista interessante com ele, certamente vale mais a pena conhecê-lo pelas palavras dele do que pelas minhas.
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Compareçam:
Saudações!
Anita.