passado

#CFP: IFPH-FIPH 3º Conferência Anual, Bogotá, Colômbia, 7, 8 E 9 de julho, 2016

Chamada de trabalhos*

Prazo final para envio de propostas: 19 de outubro de 2015

IFPH: http://ifph.hypotheses.org/news

Foto: IFPH

(foto reproduzida de IFPH)

A história é uma questão pública. O conhecimento e prática histórica não se limitam aos ambientes acadêmicos. A história também é produzida e compartilhada de diversas maneiras por historiadores profissionais e não-profissionais. Museus e outros lugares de exposição, filmes e documentários, novelas históricas, aniversários e comemorações, re-enactments e living history, políticas públicas, comissões de justiça transicional, televisão, rádio, sites e mídia social, são alguns dos caminhos em que a história se faz viva. Todas essas configurações estimulam a interação e a colaboração com grandes audiências, fazendo dos historiadores historiadores públicos.

A terceira conferência anual internacional da Federação Internacional para a História Pública (IFPH) será realizada na Universidade de Los Andes, em Bogotá, Colômbia, de 7 a 9 de de 2016. Seu objetivo é abrir um espaço para dar visibilidade e compartilhar as práticas e habilidades inovadoras que historiadores públicos em todo o mundo usam criativamente na sua prática diária. A história é cada vez mais produzida através de projetos colaborativos que são usados ​​para diferentes propósitos políticos, econômicos e culturais, definindo, muitas vezes, identidades coletivas ao longo do caminho. Além disso, a história pública explora, desafia e discute o papel dos historiadores, e recentemente atraiu atenção global. Neste sentido, a Conferência também abre espaço para discutir o escopo, os objectivos e desafios, entre outras questões críticas levantadas pela história pública e pela história como um campo geral.

Criada em 2011, a IFPH visa a construção de uma comunidade internacional e multi-lingual de praticantes. O papel da IFPH é promover o desenvolvimento da história pública em todo o mundo, criando e coordenando redes, promovendo ensino, pesquisa e todo o tipo de atividade engajando o público com o passado, a história e memórias individuais e coletivas.

A conferência internacional da IFPH em Bogotá vai reunir profissionais, especialistas e ativistas de todo o mundo para discutir e compartilhar suas experiências nos diversos desafios e recompensas envolvidos no engajamento com o público para difundir o conhecimento histórico. A conferência não será limitada a um tema específico, mas, pelo contrário, vai abranger as mais diversas atividades de história pública. Assim, as propostas poderão apresentar exemplos de engajamento dos historiadores com as comunidades através de diferentes meios de comunicação, construindo diferentes formas de narrativas e analisando diferentes usos públicos do passado.

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Museo del Oro, Bogotá, 2011 (foto reproduzida de IFPH)

Possíveis práticas e temas podem incluir:

  • Museus e Exposições
  • História Oral e Projetos Comunitários
  • História Pública Digital
  • Mídia Digital, Internet e Conhecimento Participativo
  • Mapeamento e representações visuais do passado
  • Vídeos e documentários
  • Ficção histórica
  • Re-enactments e “Living History”
  • Preservação Histórica e Patrimônio Cultural da Comunidade
  • Arqueologia Pública
  • Mídia Social, Mobile App e conteúdos gerados pelo usuário
  • Políticas Públicas e História Aplicada
  • Ensino de História Pública
  • Quem são os historiadores públicos na América Latina?
  • Como promover a história pública como disciplina na América Latina?
  • Passados difíceis que interagem com o presente: Historiadores e Justiça Social, Direitos Humanos, Comissões de Verdade e Justiça de Transição?

Apresentações em inglês ou espanhol serão aceitas durante a conferência, mas todas as propostas devem ser escritas em Inglês. Inglês é fortemente sugerido como o idioma principal para apresentações.

Tanto trabalhos individuais, como propostas de sessão (90 minutos cada) são bem vindas. Propostas de sessões deve incluir um resumo geral para a sessão, bem como os resumos de todos os trabalhos individuais.
Prazo final para o envio de todas as propostas é 19 de outubro de 2015.

Também haverá sessões de pôsteres nes conferência em Bogotá, mas chamada e prazo diferentes.

Por favor, envie a sua proposta de não mais de 150 palavras, bem como qualquer outro questionamento, para o seguinte e-mail: ifph2016@uniandes.edu.co

Comissão organizadora:
Gennaro Carotenuto (Università di Macerata, Itália)
Thomas Cauvin (Universidade de Lafayette, EUA)
David Dean (Universidade Carleton, Canadá)
Anita Lucchesi (Université du Luxembourg, Luxemburgo)
Serge Noiret (Instituto Universitário Europeu, Florença, Itália)
Anaclet Pons (Universitat de València, Espanha)
Camilo Quintero (Universidad de los Andes, Colômbia)
Philip Scarpino (Indiana University-Purdue University Indianapolis – IUPUI, EUA)
Isabelle Veyrat-Masson (CNRS, França)

Comissão local:
Camilo Quintero (Universidad de los Andes, Colômbia) <cquinter [at] uniandes.edu.co>
Angela Maria Aristizabal Borrero (Universidad de los Andes, Colômbia) <am.aristizabal10 [at] uniandes.edu.co>

*Tradução livre da chamada original, disponível aqui, por Anita Lucchesi.

Rebloging: Notas sobre uma máscara e muitas memórias

Compartilho abaixo o interessante artigo de Camila Dantas Guimarães sobre a recente recuperação da memória de Guy Fawkes. Vale a pena conferir.  Post original em “O passado em bits“. Boa leitura! 

Por todos os lados e telas nos deparamos com as máscaras de Guy Fawkes, o conspirador inglês morto em cinco de novembro de 1605. Logo após a descoberta da conspiração liderada por Robert Catesby, o ainda frágil estado inglês instituiu a queima de bonecos de Fawkes na fogueira. O que se celebrava e como se comemorava o Cinco de Novembro foi se transformando ao longo da história1. No século XIX a imagem de Fawkes começa a ser reapropriada por movimentos urbanos, alguns de tendência anarquista de acordo com Lewis Call.

Mas como é que que neste século XXI a mascara de Guy Fawkes acabou por se tornar um símbolo de resistência em escala global ?

Para entender a carreira internacional desta imagem há que se apontar pelo menos dois objetos culturais que se apropriaram do símbolo de maneira muito bem sucedida: a novela gráfica V for Vendetta de Alan Moore e David Lloyd (1986) e o filme de mesmo nome nela baseado, dirigido por James McTeigue e produzido pela Warner em 2006<2. É neste contexto de circulação em massa que a imagem extrapolou as fronteiras anglo-saxãs e passou a povoar o imaginário global. O grupo de hackers Anonymous adotou a máscara de Guy Fawkes nos seus comunicados sobretudo via Youtube. Um dos vídeos mais recentes fala até de um possível atentado ao Facebook neste cinco de novembro.

Na internet a máscara salta em múltiplas versões. A Biblioteca Britânica colocou online uma coleção especial sobre o evento com imagens que destacam sobretudo os fogos de artifícios, itens comuns na celebrações do Cinco de Novembro na Inglaterra e no mundo anglo-saxão.

No Twitter a hashtag #5thnovember já está em plena atividade, embora com uma predominância siginificativa da língua inglesa.

A utilização ampla das mascaras de Guy Fawkes nos protestos dos indignados não é uma unanimidade (aliás como quase nada no movimento e isto não é necessariamente uma crítica). Há uma polêmica no ar já que os royaties da sua venda vão diretamente para a Time Warner (devido ao filme V de Vingança), o que tem gerado críticas que remetem uma contradição frente aos objetivos anti-capitalistas do movimento.

Aqui, na marca da efeméride e antes da fumaça se dissolver em bits, o que eu gostaria de apontar é meramente a importância de se pensar sobre a circulação global de memórias. É um tema que de certo modo já vem sendo tratado há algum tempo no campo de estudos da memória social, sobretudo relacionado com a banalização das memórias do holocausto3. Agora estamos diante de uma crescente imbricação da memória com as novas mídias, ou para utilizar o termo de Andrew Hoskins, estamos imersos em uma crescente distribuição da memória social ( o que ele chama de memory-on-the-fly, utilizando um termo que se refere a possibilidade de programar e processar simultaneamente em um computador).

Versos do século XVII agora estão cravados em código binário:

http://extraordinaryintelligence.com/2695/holidays/remember-remember-the-5th-of-november-guy-fawkes-day/

Essas palavras, que atravessaram quatro séculos , adquirem na contemporaneidade outros sentidos. Quais? Como refletir sobre as mediações da memória nas interfaces digitais e suas relações com a representação histórica? Como pensar sobre a memória social um pouco além das questões identitárias que marcaram a emergência deste campo de estudos4? Em recente coletânea sobre o tema das memórias globais, Aleida Assman defende a necessidade de se pensar sobre a circulação das memórias a partir de uma perspectiva que, embora observando as especificidades nacionais, amplie o foco para uma abordagem transnational5. Para mim essa possibilidade faz todo o sentido quando olho as máscaras de Guy Fawkes. E vamos ao próximo cinco de novembro…

* * *

PS: E por falar nisso, alguém sabe de um estudo ou pesquisa que trate das especificidades brasileiras na utilizaçãoda máscara de Guy Fawkes?

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Camila Guimarães Dantas é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Memória Social ( UNIRIO) e bolsista da CAPES.

1O livro de James Sharpe “A cultural history of Guy Fawkes day” é uma referência central e mapeia a história dessa memória no Reino Unido. (Harvard University Press, 2005.)

2Sobre o filme ver:OTT, Bryan. The Visceral Politics of V for Vendetta: On Political Affect (in Cinema, Critical Studies in Media Communication, 27:1, 39-54 , 2010.

3Andreas Huyssen ao pensar sobre a museificação no ensaio “Seduzidos pela Memória” (Rio de Janeiro: Aeroplno, 2000) já desenvolve uma reflexão importante sobre as apropriações globais do Holocausto. Em sentido semelhante, Tzvetan Todorov chama atenção para os abusos de uma banalização da memória do mal em seu livro “Tentação do mal, Memória do bem”(São Paulo: Artz,2002).

4Algumas considerações sobre essa questão neste artigo.

5 Assman , A e Conrad, S. memory ina a Global age. Ney ork, Palgrave macmilliam, 20010.

“No presente eletrônico o passado se dissolve” Ginzburg

Principais momentos da conferência do historiador, antropólogo e professor italiano Carlo Ginzburg no Fronteiras do Pensamento: História na Era Google.

Algumas palavras muito instigantes para os historiadores que estão se dedicando a pensar a relação da História com a Internet e mesmo para aqueles que ainda não perceberam a inescapabilidade de refletirmos, ao menos um pouco, sobre isso.