Tempo Presente

Revista TransVersos: Dossiê As NTICs e a escrita da história no tempo presente

1*3zHpxKb7qLn3thvuRKQaUA

Século XVI, Impressora de tipos móveis

No início deste século, refletindo acerca das mutações pelas quais passava o mundo da escrita, Roger Chartier afirmou que a “resistência” e o “estranhamento” do historiador à utilização ou a interveniência das novas tecnologias da informação e da comunicação (NTICs) no seu fazer pareciam-lhe “lamentações nostálgicas”. Por outro lado, completava, outros olham para esse novo espaço de interação e produção textual com “entusiasmos ingênuos” (2009:09).

timeline_computers_1959.IBM - stretch

1959, IBM Stretch (Veja outros modelos na linha do tempo do Museu da História do Computador)

Passada quase uma década dessas palavras, o que mudou na discussão sobre essa questão no Brasil e no mundo? Com certeza, muitos escritos já se somaram às ideias apresentadas pelo

historiador francês na 10ª. Bienal Internacional do Livro. Mas, basta uma rápida visita aos trabalhos produzidos no país e verifica-se que a maioria discute formas de utilização das NTICs, relatam experiências, principalmente em sala de aula, mas, poucos se arriscam a romper a fronteira – ainda entendida como limitadora – de uma discussão funcional e auxiliar dessas tecnologias à escrita da história no tempo presente.

A proposta do presente dossiê pela linha de pesquisa Escritas Contemporâneas de História, do Laboratório de Estudos das Diferenças e Desigualdades – LEDDES/UERJ, pretende dialogar com aqueles profissionais – acadêmicos ou não – que ousam romper o “estranhamento” dessa fronteira e compreender, lembrando mais uma vez Chartier, sem o objetivo de profetizar, que a história se escreve no e para o presente, refletindo seus problemas e incorporando as tecnologias e as ferramentas existentes para essa escrita. Compreendendo, acima de tudo, “os significados e os efeitos das rupturas que implicam os usos” das NTICs nas escritas da história nos dias de hoje, seja a escolar, a pública, ou a historiográfica.

histograph_image001_full_width

2017 CVCE / C²DH, HistoGraphHistoGraph

Convidamos historiadores e demais profissionais que pensam a escrita da história ou a produção de narrativas, fundamentais para a concretude do conhecimento histórico, a enviarem suas reflexões acerca do tema, compreendendo a fronteira que se estabelece nessa discussão como lugar de encontro e não apenas de limites.

As colaborações serão aceitas até o dia 25 de outubro, na Plataforma da Revista TransVersos. As regras de submissão podem ser encontradas em http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/transversos/about/submissions#authorGuidelines. Serão aceitos artigos em português, espanhol e inglês.

Advertisements

6e Assises de l’historiographie luxembourgeoise

I am happy to share the upcoming event on the Historie du Temps Présent at the University of Luxembourg (UL). The Assises will be opened by a conference of Pieter Lagrou, from the Université Livre de Bruxelles, on November 19, 19:00, and the last session will be on November 21, in the afternoon, with a discussion about Media and Popular History, in which my supervisor, Prof. Andreas Fickers will give a talk together wth his colleague Paul Lesch, also from UL.

I am interested in attending it, not only because of my interest in the migration discussion in Luxembourg – which will be an issue for at least one session – but bescause the theme of the event itself, as it has been something of interest to me since my undergrad in Brazil: o Tempo Presente. I would like my colleagues from the Grupo de Estudos do Tempo Presente to be here, and join us in the discussion, even if the focus is the Luxembourgish Historiography.

You can find the full program below (click to enlarge), or access it here.

Registration by e-mail, contact: Elisabeth Boesen elisabeth.boesen@uni.lu

6e-Assise-Historiographie

Spread the word! 🙂

II Seminário Debates do Tempo Presente: Educação, Guerras, Extremismos

Debates2014

No próximo mês (10 a 12 de dezembro), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) vai receber o II Seminário Debates do Tempo Presente, promovido pelo Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET-UFS) e pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPE (PPGE-UFPE). Este ano, o evento abordará a tríade Educação, Guerras, Extremismos.

Com variada oferta de Simpósios Temáticos, o evento promete uma atmosfera de convivência e debate positiva para trocas sobre a História do Tempo Presente (claro!), mas também para a História Pública, fazendo pontos com cinema, literatura e artes, ensino de história, relações internacionais, mídias e, para a alegria desta que vos escreve, história digital (ver ST 08). 😉

Pelo novo cronograma, o prazo para inscrições é 16 de novembro. Mais informações no site do evento.

Confira abaixo os Simpósios Temáticos

ST 01 – “História, Literatura e Arte”
Coordenadores: Profa. Dra Marizete Lucini (PPGED/GET/UFS)
Prof. Dr.Fábio Alves dos Santos (DED/UFS)

O simpósio temático História, Literatura e Arte propõe-se a acolher trabalhos que discutam aspectos da narrativa histórica e da narrativa de ficção como gêneros que comunicam experiências temporais. Nesse sentido, reflexões sobre romance, cordel, poesia, cinema, música, biografia e contos são aqui compreendidos para além de sua característica documental. Mais que documento, a literatura, o cinema, a poesia, o cordel, o conto, o romance e a música possibilitam ao leitor/ouvinte vivenciar diferentes experiências. Experiências que podem ser reinterpretadas, permitindo aos leitores/ouvintes estabelecerem relações de pertencimento e de identificação com os textos acessados, bem como permitem aos sujeitos do presente, habitar o passado e transformá-lo em memória. Memória que também o constitui como sujeito histórico no presente. Sujeito que se compõe a partir dos múltiplos agenciamentos de subjetividades experienciados nas diversas interações sociais que constituem sua singularidade.


ST 02 – “Produção e usos escolares da história do tempo presente”
Coordenadores: Prof.Dr. Itamar Freitas (PPGED/Rede Tempo Brasil/GETUFS)
Prof.Dr. Lucas Victor Silva (Rede Tempo Brasil/UFRPE)
Prof.Dr. Francisco Egberto Melo (URCA)

Este simpósio temático acolhe resultados de pesquisas que relacionem as expressões “tempo presente” e “usos da história”, sobretudo em sua dimensão escolar. Aqui, reiteramos a nossa preocupação com as diferentes noções de presente, as formas de organização desse presente nos currículos, nos livros didáticos e na historiografia de síntese voltada para o público adulto que fundamenta, em grande medida, a historiografia consumida pelos alunos da escolarização básica no Brasil e no exterior.


ST 03 – “ História, Cinema & Tempo Presente”
Coordenadores:
Prof.Dr. José Maria Neto (UPE)
Profa.Dra. Andreza S.C.Maynard (DCR-FAPITEC/GET/Pós-Doutoranda PPGH/UFRPE)

Discutir as aplicações do cinema na formação da cultura histórica, buscando, assim, estabelecer diálogos entre a disciplina e a arte cinematográfica, e estabelecendo trilhas e percursos para a utilização do cinema como elemento para a compreensão da recepção das eras históricas e também para o ensino desta disciplina.


ST 04 – “Educação Colonial, Catolicismo e Salazarismo”
Coordenadores: Prof.Dra. Giselda Brito Silva (Rede Tempo Brasil/ PPGH/UFRPE)
Prof.Ms.Carlos André Silva de Moura (UNICAMP)

Durante o período do salazarismo as produções historiográficas se esforçaram para legitimar as relações do regime com as colônias africanas, como justificativa de “civilizar o indígena”. Além da alfabetização, a ação defendia a constituição linguística em comum como condição para o desenvolvimento das colônias. A formação doutrinária da juventude também foi fundamental para a organização das instituições autoritárias, como a Mocidade Portuguesa e Legião Portuguesa, com a meta de educar “sob a medida das necessidades do regime”. No particular da educação da Juventude Salazarista aos interesses do império colonial, o Estado Novo contou particularmente com intelectuais e católicos militantes que circulavam entre Brasil e Portugal. Nossa proposta de simpósio temático é abrir um espaço de debate para os estudos das relações nos dois países, política e catolicismo e suas práticas no campo educativo.


ST 05 – “História e Relações Internacionais: debates e problemas”
Coordenação:
Prof. Dr. Daniel Chaves (Unifap/Rede Tempo Brasil)
Prof. Dr. Lucas Pinheiro (NURI/UFS)

Diante do consagrado encontro entre as áreas de conhecimento da História e das Relações Internacionais, o objetivo deste Simpósio Temático é o de promover encontros entre pesquisadores sêniores e jovens, suscitar perspectivas inovadoras e recensear debates clássicos entre tais áreas e campos de discussão. Tanto ao historiador quanto ao internacionalista, bem como profissionais de áreas contíguas – sociólogos, cientistas políticos, economistas, entre outros – tal encontro buscará promover um duplo movimento: o da contextualização de discussões globais, por um lado, e o da internacionalização das discussões  regionais e brasileiras, por outro, afinando tendências emergentes e estabelecidas. Não menos importante, temáticas contemporâneas em corte histórico como Defesa, Segurança, Cooperação e Mundialização encontrarão espaço para articulação e destaque para a comunidade acadêmica presente.


ST 06 – Ensino de História do Tempo Presente
Coordenação:
Prof. Dr. Francisco Carlos Teixeira da Silva (UFRJ/UCAM/Rede Tempo Brasil)
Prof. Dr. Karl Schurster (PPGE- UFPE/ Rede Tempo Brasil)

A grande questão sobre o papel da escola no ensino das ditaduras e regimes de ódio se coloca perante os insucessos ocorridos em países – como Alemanha, Itália, Áustria e Espanha – onde, malgrado a excelência das condições escolares, o ensino, os currículos e os recursos pedagógicos não foram suficientes para formar uma nova juventude crítica e desvinculada de brutais atos de racismo e de violência, simbólica e física, contra o outro. Nas ruas, nos estádios de futebol, nos bares e mesmo em ambientes de trabalho, multiplicam-se atos de racismo e de exclusão. Daí a relevância, crucial, dos estudos e de debates sobre o papel da escola e do ensino da história contemporânea, no tocante às ditaduras modernas e seu caráter de ódio ao outro e a questão central que se coloca: estamos nós mesmos, no Brasil, construindo recursos pedagógicos necessários para a construção de uma convivência, presente e futura, fraterna e despida dos tremendo efeitos nefastos do racismo e da negação do outro? Conseguiremos superar, debater criticamente, o que já foi denominado de fascínio, die Schöneschein, de uma cultura da violência e da rejeição ao outro nas nossas escolas? Claro está, que não apenas os currículos e instrumentos pedagógicos disponíveis para os professores, resolverão, de per si, tais questões. O próprio estado geral da educação básica no Brasil, com seu ônus nas séries iniciais de alfabetização, é um elemento de incapacitação crítica, um óbice ao processo educacional como ato emancipatório, como queria Anísio Teixeira. Assim, esse simpósio busca propostas de pesquisam que se debrucem sobre o ensino de história do tempo presente, suas variadas formas e possibilidades, procurando entender limites e desafios para essa área de conhecimento.


ST 07 – Educabilidades políticas no tempo presente
Coordenadora: Profa.Dra. Adriana Maria Paulo da Silva (PPGE/UFPE)
Prof. Dr. André Ferreira (PPGE/UFPE)

Interessa-nos discutir as pesquisas a respeito das maneiras pelas quais os indivíduos e grupos têm operacionalizado intenções e propostas educativas, em ambientes escolares e não-escolares, tendo em vista a promoção de ações políticas (potencialmente transformadoras de alguma situação individual ou coletiva existente e/ou das ações sociais de grupos e/ou indivíduos) ou o fomento de estratégias de atuação política.


ST 08 – História Digital: conceitos, fontes, métodos e experiências
Coordenadores:   Prof.Dr. Dilton C.S. Maynard (PPGED-UFS/Rede Tempo Brasil)
Profa.Ms. Anita Lucchesi (Rede Tempo Brasil)

Este simpósio pretende congregar trabalhos que se dediquem a refletir sobre o estudo e a representação do passado a partir de novas tecnologias da comunicação, assim como a produção e a preservação de fontes digitais, considerando as potencialidades dos recursos digitais para a pesquisa e para o ensino da História. Esperamos colaborar para o debate sobre os desdobramentos da emergência dos registros digitais no ofício do historiador e sobre as transformações nas experiências de leitura, acompanhamento e argumentação em torno de questões históricas.


ST 09História, Mídias e Tempo Presente
Coordenadora: Sônia Menezes (URCA/Rede Tempo Brasil)

Este simpósio tem como objetivo refletir diferentes formas de escrita do passado na contemporaneidade: artes plásticas, séries e livros jornalísticos, séries de televisão, internet, novelas, materiais didáticos, documentários, jogos, fotografia, etc. Produtos que quase sempre se situam fora do campo científico da história e que se materializam em narrativas históricas de grande apelo social. Nossa intenção é abrir um espaço para trabalhos que investiguem tais produções e suas narrativas sobre o passado; pensar como estas interferem na compreensão histórica do nosso tempo.

ORIENTAÇÕES GERAIS: 

ENVIO DE RESUMOS PARA OS SIMPÓSIOS TEMÁTICOS via debates@getempo.org

As inscrições serão efetuadas mediante envio do resumo até 07 de novembro de 2014 para o e-mail debates@getempo.org. Confira as instruções abaixo:

  1. ATENÇÃO: O arquivo com o resumo deve ser enviado em formato doc ou docx (Word for Windows) e identificado da seguinte maneira: Nome e sobrenome do AUTOR e do CO-AUTOR (se houver)_CÓDIGO DO SIMPÓSIO. Ex: JULIA ASSAD e EDUARDO DENNIS_ST01

O arquivo deverá conter:

  1. Título do Trabalho em caixa alta, destacado em negrito, centralizado.
  2. Nome do autor e co-autor (se houver), destacado em negrito.
  3. Informações sobre o autor e co-autor (se houver): curso, instituição de 
fomento, e- mail.
  4. Será aceito apenas um trabalho em co-autoria.
  5. Nome e titulação do orientador e departamento ao qual pertencem, destacado em negrito.
  6. Simpósio selecionado (a indicação de um segundo simpósio temático, 
em caso de não aprovação no primeiro, é opcional).
  7. O resumo virá abaixo deste cabeçalho e deve possuir de 600 a 1000 
caracteres com espaçamento, contando ainda com três palavras-chave.

Os trabalhos serão avaliados pelo Comitê Científico do Seminário com base nos seguintes critérios:  a) Relevância e pertinência do trabalho;  b) Consistência na argumentação;  c) Respeito às normas de formatação estabelecidas pela Organização do evento Os trabalhos que não atenderem aos critérios acima serão AUTOMATICAMENTE EXCLUÍDOS.

Os trabalhos aprovados serão divulgados em 16 de novembro de 2014 através do site do evento: http://debates.getempo.org

NORMAS PARA PUBLICAÇÃO DOS TRABALHOS COMPLETOS:

Os trabalhos completos, juntamente com os comprovantes de depósito digitalizados, deverão ser enviados entre 17 e 26 de novembro para o e-mail debates@getempo.org, obedecendo às seguintes normas:
Cabeçalho: Título do Trabalho em caixa alta, destacado em negrito, centralizado; nome do autor e co-autor (se houver), destacado em negrito; informações sobre o autor e co-autor (se houver): curso, instituição de fomento e e-mail; nome e titulação do orientador e departamento ao qual pertence, destacado em negrito. Simpósio temático selecionado. O trabalho deve possuir de 8 a 12 páginas, fonte Times New Roman, letra tamanho 12, espaçamento 1,5, formatação justificada.
O sistema de citações será o AUTOR-DATA. As citações deverão ser indicadas no texto, informando o sobrenome do(s) autor(es) mencionados, na sequência (AUTOR, ano, página). Notas de rodapé poderão ser utilizadas apenas em caráter explicativo.

PAGAMENTO: valor único R$ 25,00

CONTA PARA DEPÓSITO IDENTIFICADO: Banco do Brasil Agência: 0673-4 Conta corrente: 44.103-1 ALANA DE MORAES LEITE

Dossiê: História Oral e História do Tempo Presente

Gostaria de compartilhar o novo número da revista História Oral que acaba de sair do forno com um dossiê sobre História do Tempo Presente.

Fiquei muito feliz em poder contribuir com este número, já que a História do Tempo Presente é algo pelo que tenho dedicado bastante atenção em minha curta, curtíssima vida acadêmica. Recuando no tempo, antes da graduação na UFRJ, lembro que certa vez fui com minha escola e colegas de Ensino Médio a um evento chamado “PUC de portas abertas”, ou algo do tipo, para apresentar a instituição e alguns cursos aos estudantes vestibulandos. Foi a primeira vez na vida que entrei em uma universidade e também era a primeira vez que eu me via tão perto da disciplina História. Foi lá também que ouvi a expressão “História do Tempo Presente” pela primeira vez. De imediato, soou um paradoxo. Um belo e intrigante paradoxo com o qual eu me encontraria anos mais tarde. Aquele dia nunca esqueci, também porque saímos da PUC e fomos ao Teatro Maria Clara Machado, no Planetário, assistir ao espetáculo Utopia, dirigido por Moacir Chaves e inspirado no texto fundador de Thomas Morus (1478-1535). Voltei no ônibus da excursão para Teresópolis, minha terrinha, chocada com a atualidade das sátiras da peça, li, reli e 4 anos mais tarde reli ainda uma vez o Utopia para um exame oral durante o intercâmbio acadêmico na Universidade de Florença, para a Disciplina Doutrinas Políticas, com a Professoressa Lea Campos Boralevi, com quem aprendi a amar o ofício, o magistério e a interminável leitura que acompanha nosso trabalho de forma muito especial. Por tudo isso, pensar o presente e a história do tempo presente foi tão prazeroso pra mim desde que me “formei” (se é que nos “formamos” um dia).

Enfim, agradeço e parabenizo às professoras Carla Simone Rodeghero e Márcia Ramos pelo esforço concentrado na realização deste número e convido todos para a leitura. É uma satisfação enorme estar nesse número em tão boa companhia.

 História Oral v. 17, n. 1 (2014): História Oral e História do Tempo Presente

Sumário

Apresentação – História Oral e História do Tempo Presente (5-6) Carla Simone Rodeghero, Márcia Ramos de Oliveira

Dossiê

História Oral, cidade e lazer no tempo presente (7-37) Fernando Cesar Sossai, Ilanil Coelho

Conversas na antessala da Academia: o presente, a oralidade e a História Pública Digital (39-69) Anita Lucchesi

Família, lei e memória: subjetividades construindo parentesco (Florianópolis (SC) 1970-1990) (71-88) Silvia Maria Fávero Arend

Os outros rostos de “La Noche de los Lápices”: memória e testemunho dos sobreviventes de um episódio emblemático da repressão durante a última ditadura civil-militar argentina (1976-1983). (90-117) Marcos Oliveira Amorim Tolentino

História Oral e Tempo Presente: as entrevistas realizadas com pacientes/moradores do Hospital Colônia Itapuã (Viamão/RS) (119-134) Viviane Trindade Borges, Juliane Primont Serres

Multimídia

Luto, Identidade e Reparação: videobiografias de desaparecidos na ditadura militar brasileira e o testemunho no tempo presente (135-161) Sônia Maria Meneses

Artigos

Associação Brasileira de História Oral, 20 anos depois: O que somos? O que queremos ser? (163-192) Angela Maria de Castro Gomes

Un largo camino a la privatización, memoria y resistencia en los trabajadores de los talleres de Tafí Viejo (Tucumán – Argentina) (193-218) Alberto Oscar Sosa Martos

“DOMINGO DE REMINISCERE”: TRAMAS MNEMÔNICAS DA ROMARIA DO SENHOR DOS PASSOS DE SERGIPE (219-242) Magno Francisco de Jesus Santos

Escre(vivência): a trajetória de Conceição Evaristo (243-265) Bárbara Araújo Machado

Entrevistas

A trajetória política de Sereno Chaise: da democracia de 1945 aos dias atuais (267-302) Claudira do Socorro Cirino Cardoso, Gustavo Coelho Farias, Laura Ferrarri Montemezzo Notas

Boletim Historiar

No ar a nova revista discente “Boletim Historiar“, nascida das boas ideias e do empenho dos colegas da Universidade Federal de Sergipe, do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS). Parabéns, pessoal!

Neste número, faço uma pequena contribuição, com o artigo Por um debate sobre História e Historiografia Digital, mas deixo o convite para que confiram o número na íntegra, que trás discussões sobre o filme na história, música, patrimônio e tempo presente, além de resenhas quentíssimas.

Boletim Historiar, n. 2 (2014)

Imagem

Artigos

Além do que se vê: o filme, objeto da história
Dilton Maynard
Entre a Alternância e a Hegemonia Política: o Paraguai no Tempo Presente
Karl Schurster, Márcio Brito
Retóricas identitárias no circuito do Choro de Aracaju
Daniela Bezerra
Patrimônio aos olhos de quem? Um breve estudo sobre a construção do conceito ‘Patrimônio Histórico’
Jandson Soares, Wendell Souza

 

Resenhas

Integração Sul-ameriana no Tempo Presente
Gabriela Resendes
Redes de Indignação e Esperança: Movimentos sociais na era da internet
Paulo Teles

5o anos do golpe militar de 1964 e muita historinha

Temos muito que refletir sobre o modo como estamos lembrando esse passado duro e traumático. As tentativas de recontar, ressignificando a história, são inúmeras. Pode-se argumentar “toda história é interpretação”, mas coloquemos algum limite a essa transcendência do texto e dos signos aos fatos, pois limites. E fatos. Podemos falar deles de inúmeras maneiras, podemos até discordar aqui e acolá de algumas questões, mas não podemos negar que há fatos. Não deixemos que inventem ditabrandas com as caras mais lavadas. Não deixemos que encharquem as lembranças de dolorosas interjeições com um sem fim de conjunções adversativas (como bem observou o colega Rodrigo Turin sobre os últimos imputs da mídia). Não houve nada cor de rosa. Se, apenas se, houvesse uma cor, essa cor seria chumbo.

Chamou minha atenção a Folha começar essa noite um “past blogging” (narrando o passado como se fosse “ao vivo”). Fico pensando no quanto de jornalismo, no quanto de história e no quanto de ficção pode haver aí nesse instantâneo anacrônico, especialmente depois da publicação hoje de um edital mea culpa bem comprometido, num discurso rapidamente identificável como apologético a esse negociado passado ditatorial por quem não esqueceu das coisas, mesmo depois de quererem passar tanta borracha, não é, Demian Melo? Um edital que começa afirmando o óbvio merecimento do repúdio à Ditadura hoje só poderia tomar o torto caminho, linhas abaixo, de afirmar que “aos olhos de hoje, aquele apoio foi um erro”. Sim, pois não, foram necessários 50 anos para os senhores perceberem o desaparecimento de pessoas e descobrirem seus defuntos? Foram necessários 50 anos para que tivessem coragem ainda de vir a público com tão lamentável cinismo “lavar suas mãos”?

A verdade é dura, duríssima. A Globo, a Folha e uma penca apoiaram a ditadura e hoje ainda tentam retorcer a história para jogar pra debaixo do tapete os maiores podres.

Não somos “guardas” da história. Nem juízes. Mas não é preciso fardar ou embecar nenhum historiador para justificar que precisamos ficar atentos com o que acontece sob nossos narizes. Não vamos confundir distanciamento para a crítica com distanciamento político, acrítico.

Esses últimos causos são uma pedra no sapato para aqueles que ainda acham que o Tempo Presente não é coisa para historiadores. Não nos furtemos dessas discussões. O coloboracionismo dá as caras (de pau) em pleno 2014 e não levar isso a sério é de chorar, por razões diferentes das que dizia Ronaldo Vainfas em seu polêmico desafo esses dias no Facebook. Para mais a respeito do tal desabafo, recomendo a leitura de outro desabafo, a brava resposta da Caroline Silveira Bauer às colocações do colega.

Sigo de olho no “past blogging” da Folha, soou tão sofisticado que dá arrepio. Interessante para o pessoal da História Pública acompanhar o que esses caras vão fazer. Vamos acompanhar, mesmo que nauseados.

 

20140330-225031.jpg

20140330-225308.jpg

História Pública do Holocausto, um curta

From the filmmakers: In order to discover the true meaning of Public History of the Holocaust we interviewed people at different Holocaust Memorial sites all over Europe. They all have their own relation to this major event in history.

People of different ages, nationalities and backgrounds turn out to be important stakeholders in writing, discovering and perceiving history. This short documentary shows how random people handle the history of the Holocaust. It points out that we have to consider the public dimension of Holocaust research.

History thrives through the Internet but is also shaken by it. As technology improves, more and more people can easily handle and present facts, data and interpretations. Unfortunately this also goes for those who deny that the Holocaust even took place.

This calls for new ways of cooperation between scholars and the general public, by using the Internet. This was discussed during the international conference Public History of the Holocaust on July 9 2013 in Berlin.

Debates: Metodologia da História 2.0: entre a teoria e a técnica

Hoje foi um dia de muitas discussões empolgantes e estimulantes na Universidade Federal de Sergipe no evento do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET)Seminário DEBATES do Tempo Presente: “Ensino, Tecnologias e Conflitos”.

Desde a manhã, com a inquietante fala do Prof. Francisco Carlos Teixeira (UFRJ/IUPERJ) sobre as Jornadas de Junho, até o fim do dia, com a mesa inspiradora das professoras Márcia Ramos (UDESC), Ana Ângela (UFS) e Janaína Mello (UFS) “Tecnologias, Mídia e Tempo Presente”. Grande satisfação em conhecer um pouco do trabalho do LIS da UDESC e do CINE+UFS e me questionar junto com as reflexões sobre cibercultura museal que tem sido feito aqui na UFS também, com a professora Janaína. Preciso de tempo para ir atrás das referências. Muito proveitoso o dia. Saí com a cabeça fervilhando de ideias e sobre Tempo Presente, História Oral, Patrimônio, História Pública e História Digital. Uma “gostosura”, como disse o Prof. Marcos Silva (UFS) na mediação da mesa de hoje! Fechar o dia com menções à contribuição da Rede Brasileira de História Pública e do Café História e ter este humilde blog mencionado na fala da Profa. Márcia Ramos sobre o historiador nas mídias foi muito gratificante.

Agradeço aos participantes do Simpósio Temático “História Digital” pelo debate comprometido e interessado na tarde de hoje. Anaílza Guimarães Costa, Diego Leonardo Santana Filho e Luyse Moraes Moura deram um show. Fico cada vez mais honrada de fazer parte do GET. Parabéns a todos os envolvidos nos projetos de pesquisa em andamento. Foi um prazer estar com vocês, ouvir, trocar, aprender! Amanhã tem mais.

Apresentação de Luyse Moura -  "Enciclopédia Eletrônica da Intolerância, dos Extremismos e das Ditaduras do Tempo Presente"

Apresentação de Luyse Moura – “Enciclopédia Eletrônica da Intolerância, dos Extremismos e das Ditaduras do Tempo Presente”

Compartilho a apresentação que acompanhou minha fala “Metodologia da História 2.0:entre a teoria e a técnica” no Simpósio Temático 02.

It must be continued! 😉

Nota da ANPUH sobre a destorcida ‘reportagem’ de O GLOBO sobre os Black Blocs

Imagem

No ultimo domingo O Globo publicou uma reportagem grosseira sobre o [̲̅B̲̅l̲̅α̲̅c̲̅k̲̅ ̲̅B̲̅l̲̅σ̲̅c̲̅k̲̅ ̲̅B̲̅я̲̅α̲̅ร̲̅i̲̅l̲̅], , um fenômeno anarquista que emergiu nas manifestações pelo Brasil afora.

O texto assinado por Sérgio Ramalho – assim como outros publicados pela mídia tupiniquim – é uma tentativa mal elaborada de simplificar uma forma de protesto bastante complexa.

Antes de aparecerem por aqui, os Black Blocs já vinham atuando há muito no Canadá, Estados Unidos e na Europa Ocidental.

A notoriedade veio após a célebre “Batalha de Seattle”, em 1999, quando milhares rebelaram-se contra as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) e alguns de seus membros atacaram propriedades de multinacionais como Nike, McDonald’s, GAP, entre outras.

A hostilidade contra grandes corporações resgatou uma tradição que marcou os protestos antinucleares do ocidente como, por exemplo, o bloqueio e depredação de linhas ferroviárias com o objetivo de dificultar a implantação de usinas e transporte de material radioativo, tal qual ocorreu em Wyhl, na República Federal da Alemanha, nos anos 1970.

O coletivo assenta raízes na esquerda europeia, é assumidamente anarquista e irrompeu em várias partes do mundo, assumindo posições de destaque nos protestos antiglobalização da última década em Londres, Copenhagen, Nova York, Berlim, Atenas, Cidade do México, entre outras.

A repressão desproporcional dos governos ocidentais forçou seus componentes a adotarem táticas cada vez mais agressivas. Ao contrário do que diz o texto do Globo, a confrontação não é adotada como medida de protesto gratuitamente. Antes, é uma força reativa que responde às manobras violentas e criminosas das forças policiais, estas sim provocativas e intimidadoras.

Por aqui os jornalões brasileiros insistem em pintar os anarquistas de preto como figuras violentas, perigosas e desinformadas. Diz o Globo que “por trás das máscaras, capuzes e roupas pretas, uma miscelânea de referências, muitas delas contraditórias, ditam o comportamento do grupo (…)”.

Esquece o jornalista que a indumentária negra é parte de uma tática de guerrilha urbana, na medida em que causa evidente impacto psicológico nas forças repressoras do Estado, além de assegurar o anonimato e evitar consequentes retaliações. Segundo, como grupo heterogêneo e descentralizado, não era mesmo de se esperar que seus membros apresentassem um comportamento uniforme.

Em comum apenas a desobediência civil e a recusa ao pacifismo como tática de ação. É bom manter em mente que nas recentes manifestações no Brasil, marcadas pela violência e arbitrariedade das autoridades, muitas vezes eles são os únicos entre a massa de manifestantes e a cavalaria pesada.

Reportagem do Globo: http://oglobo.globo.com/pais/black-blocs-violencia-como-tatica-referencias-confusas-9027822

——-

Parabéns a Associação Nacional de Historiadores (ANPUH) pela nota, muito bem vinda, de repúdio à insensata estupidez da grande mídia brasileira que ainda se acha capaz de criar os vilões e os mocinhos da nossa história. Não Passarão!

Favor não confundir a reação do oprimido com a violência do opressor.

Obrigada, ANPUH!

Clicar, em vez de viver, tornou-se norma

Clicar, em vez de viver, tornou-se norma

Artigo por Marsílea Gombata sobre o curioso projeto do fotógrafo Fabio Seixo: Photoland.

Segundo o próprio fotógrafo, em uma postagem de amostra do trabalho no Vimeo, Photoland é:

“um ensaio fotográfico já em andamento desde 2008, é o resultado de um trabalho que venho realizando em várias cidades (Rio, Londres, Paris, Nova York, Cidade do México, Roma, Veneza, Cuzco). Basicamente, são fotografias que capturam pessoas na aparente banalidade do ato de fotografar. A popularização das câmeras digitais torna a Fotografia hoje, possivelmente, o maior hobby do planeta, atingindo todas as classes, idades e culturas. Em todos os lugares, ocasiões e acontecimentos, estamos fotografando ou sendo fotografados.”

O projeto é uma provocação à reflexão da experiência que as pessoas digitalmente equipadas têm hoje diante de monumentos, obras de arte e pontos turísticos conhecidos. Muitos parecem estar vivendo mais o afã de fotografar para salvar e compartilhar, do que a real experiência sensorial e estética do momento em que lá estão presentes. Parece que caminhamos rumo à aporia do salvamento/arquivo completo. De fato, quando vejo nestes lugares as pessoas mais preocupadas com suas fotos do que com a paisagem real, me pergunto a que tipo experiência de estão se propondo, que personas constroem, para quem performatizam este discurso imagético (?).

Outro artigo relacionado: O olhar como performance, do Icônica, por Ronaldo Entler.