Tempo Presente

Sobre experiência e paixão

Compartilho as palavras do professor de Filosofia da Educação da Universidade de Barcelona, Jorge Larrosa. Um apêlo à desaceleração e à vida, não apenas informada, cheia de opiniões, hiperativa. Palavras por uma vida de experiência:

“(…) a experiência é cada vez mais rara por falta de tempo. Tudo o que passa, passa demasiadamente depressa, cada vez mais depressa. E, com isso, reduz-se a um estímulo fugaz e instantâneo que é imediatamente substituído por outro estímulo ou por uma excitação igualmente fugaz e efêmera. O acontecimento nos é dado na forma de choque, de estímulo, de sensação pura, na forma de vivência instantânea, pontual e desconectada. A velocidade com que nos são dados os acontecimentos e a obsessão pela novidade, pelo novo que caracteriza o mundo moderno, impede sua conexão significativa. Impede também a memória, já que cada acontecimento é imediatamente substituído por outro acontecimento que igualmente nos excita por um momento, mas sem deixar nenhuma marca. O sujeito moderno é um consumidor voraz e insaciável de notícias, de novidades, um curioso impenitente, eternamente insatisfeito. Quer estar estar permanentemente excitado e já se tornou incapaz do silêncio. E à agitação que lhe caracteriza também consegue que nada lhe passe. Ao sujeito do estímulo, da vivência pontual, tudo o atravessa, tudo o excita, tudo o agita, tudo o choca, mas nada lhe acontece. Por isso, a velocidade e o que ela acarreta, a falta de silêncio e de memória, são também inimigas mortais da experiência.” Jorge Larrosa, ensaio Experiência e Paixão, em Linguagem e Educação depois de Babel. (LARROSA, 2004:157)

Além do Linguagem e Educação depois de Babel, o autor também publicou alguns artigos em português em livros organizados por Tomaz Tadeu Silva.

A história sem fio: questões para o historiador da Era Google

Estamos projetados contra as grades de segurança de nossa vagoneta. No loop da montanha-russa. Sangue bombeando forte na cabeça, vento forte e implacável obrigando os olhos abertos a lutarem para se fechar e os que estão fechados lutarem para se abrir. À nossa volta, mesmo para os olhos abertos, há pouco mais que um borrão para se discernir alguma coisa. A aceleração do conjunto parece nos abstrair do próprio tempo. Irresistivelmente nos abandonamos à sorte dos espaços e dos tempos novos, aos quais, cada vez mais rapidamente, somos impelidos. É mais ou menos assim que Nicolau Sevcenko nos apresenta o mundo atravessado pelas velozes transformações desde a Revolução da Microeletrônica, na corrida para o século XXI (SEVCENKO, 2009:16-17). É mais ou menos assim o período que buscamos investigar, o Tempo Presente. (…)

Continue lendo o texto diretamente nos Anais do XV Encontro de História da ANPUH-RIO.

Entre o saudosismo e a melancolia da não chegada de um futuro que nem se sabe se há

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Banksy: No Future ( photo Steve Cotton / artofthestate.co.uk )

Da angústia e do desespero inerte de estar preso em uma ampuleta neste “presente único: esta tirania do instante e do marasmode um presente perpétuo”, François Hartog apud Pereira e Mata em Tempo presente & usos do passado (2012).

*Devo agradecer a Mateus Henrique de Faria Pereira e a Sérgio da Mata pela bela catarse proporcionada pelo artigo introdutório ao volume especial sobre Tempo Presente, “Transformações da experiência do tempo e pluralização do presente”. Bela reflexão!
 

II Seminário Visões do Mundo Contemporâneo

O Grupo de Estudos do Tempo Presente convida a todos para o seminário As estações da História: Do Grande Inverno Russo à Primavera Árabe“.

Cronograma Inicial:

  • Envio de resumos: 24 de março a 20 de abril de 2012.
  • Divulgação dos resumos aprovados: 04 de maio de 2012.
  • Envio de textos completos: até 18 de maio de 2012.
  • Endereço para envio: evento@getempo.org

ImportanteOs resumos dos trabalhos e comunicações serão publicados nos Anais Eletrônicos do II Seminário Visões do Mundo Contemporâneo (ISBN 97885782218182).

Valor das inscrições: R$ 40,00 para apresentadores de trabalhos.

Sobre o evento

Promovido pelo Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS/CNPq), em parceria com Programa de Educação Tutorial de História (PET História), o Mestrado em História (NPGH) e o Departamento de História (DHI). O evento terá abrangência nacional, congregando pesquisadores de diferentes instituições e Programas de Pós-Graduação, a saber: Laboratório do Tempo Presente (Tempo, PPGHC/UFRJ), Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Centro de Estudios Sudamericanos do Instituto de Relaciones Internacionales da Universidad Nacional de La Plata, na Argentina. Além disto, o evento contará com o suporte de um Comitê Técnico-Científico composto por pesquisadores de reconhecido mérito acadêmico pertencentes a seguintes instituições: UFRJ, UFCG, UEM, UFRN, UFMA,UDESC e FIOCRUZ.

Iniciando em junho de 2011, o Seminário “Visões do Mundo Contemporâneo” teve como primeiro tema “a Segunda Guerra Mundial”. Na ocasião, reuniram-se em Sergipe pesquisadores de diversas IES: UFRJ, UDESC, UFAL, UFCG, UNESP, que refletiram sobre diferentes aspectos ligados ao período. Na ocasião, foi lançado o sitewww.memoriasegundaguerra.org, ambiente interativo dedicado a fornecer suporte didático e apoio a pesquisas sobre o maior conflito do século XX. O evento contou com 150 inscritos, tendo mais de 40 trabalhos científicos aprovados para suas sessões de comunicações científicas. Os trabalhos apresentados foram publicados em versão resumida e completa nos Anais Eletrônicos do evento, com ISBN 97885782218182, entregues já no credenciamento do Seminário.

Deste modo, a proposição da segunda edição do evento atende à expectativa de que o mesmo ocorra anualmente, sempre no primeiro semestre letivo. O Seminário deve se caracterizar por abordar temáticas que envolvam momentos marcantes da vida contemporânea, de forma a contribuir para o maior intercâmbio de experts no assunto e alunos de graduação e pós-graduação em História e áreas afins, preferencialmente aqueles da região Nordeste. Ao mesmo tempo, os temas do seminário levam em conta não apenas aspectos ligados a efemérides, mas principalmente a relevância do assunto para os estudos em História Contemporânea.

Maiores informações: http://visoes.getempo.org/

Contatos: evento@getempo.org ou pelo Facebook ou pelo Twitter.