Web 2.0

Algumas questões pontuais sobre historiografia na rede

A modernidade e as novas tecnologias da informação e comunicação (TIC) têm criado novas maneiras de agir e interagir na sociedade, sobre isto não há dúvida. Aqui se discute sobre a forma como estas mudanças afetam a organização do espaço e do tempo do mundo e como os estudiosos das ciências sociais devem se mover ao interno das redesenhadas estruturas sociais, políticas, econônicas e culturais, questões emergem neste cenário saturação de mídias e diferentes redes sociais que é a era digital. O que nos interessa aqui é lançar luz aos problemas relevantes à fluidez dos dados – aparentemente soltos – na teia da web e tentar extrair destas reflexões algumas diretrizes pata uma necessária atualização do ofício do historiador.

Uma das questões centrais aqui é relativa ao estatuto da fonte. O advento da informática e do World Wide Web levou a uma redefinição epistemológica das. Não  muda  somente o suporte  – do tradicional para o digital – mudam também as formas de acessar, manipular e gerenciar as fontes. Surge também um novo tipo de fonte – aquele que já nasce em formato digital – que infere a necessidade de se revisar o método e prucurar uma nova abordagem para as fontes históricas digitalizadas, transformando também a relação entre o leitor-usuário e o texto. Um outro problema é a da corrosão da autoridade e da linearidade do texto, e  mesmo da autenticidade da fonte e dos variados documentos disponíveis hoje na rede. Projetar um modo para distinguir os dados oficiais dos não-oficiais é um dos desafios para os historiadores contemporâneos. E as produções “amadoras” de história na rede constituem uma outra problemática. Será justo ignorar a validade destas produções e julgar inadequado o seu uso para fins historiográficos? Este é um debate vital que está em andamento e merece muita atenção.

Na era do World Wide Web  a hipertextualidade transforma a relação entre texto e fontes, as torna disponíveis e acessíveis também para o leitor, permitindo uma criação, por parte do público, de diferentes percursos de leitura e viabilizando a verificação dos documentos utilizados na investigação, através de links e outras referências online, diferenciando ainda mais o texto digital daquele escrito em papel. A interatividade do leitor-usuário com a obra é potencializada no ambiente virtual.

Acontece que a rede em si se transforma em uma espécie de grande arquivo-Frankstein, no qual as classificações e vínculos arquivológicos são por demais instáveis e se faz necessário ainda abrir os caminhos para alcançar e classificar de forma inteligível todos os documentos, mas nem mesmo isto poderia garantir uma estabilidade dentro da liquidez do arquivo virtual, tudo é muito fluido e cada sujeito vai criando indivudualmente os percursos que deseja utilizar para chegar até uma informação. O crescimento da Web 2.0 e da blogsfera também são relevantes quando se fala em uma maior interação entre os diferentes atores e comunidades. Hoje é possível, por exemplo, realizar uma mesa redonda virtual, graças às novas tecnologia de informação e comunicação que  viabilizam as conferências áudio-vídeo com mais de duas pessoas ao mesmo tempo, é possível que um professor oriente seu aluno à distância, é possível que uma comunidade de estudioso promova debates ao interno de lista de discussões por e-mail… enfim, existe uma gama enorme de novas possibilidades, de novas relações que  merecem a atenção dos estudiosos das ciências humanas. O que significa tudo isto?

Para dar conta de todos essas transformações não é necessária uma de uma refundação do ofício do historiado, a base epistemológica deste permanece a mesma, o que muda e merece ser repensado são os métodos de análise crítica e como eles podem ser aplicados a novas fontes com uma nova abordagem. Com isto quero dizer que as bases da disciplina não devem ser revisadas, mas o método deve ser atualizado.

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O nascimento da Internet (by National Science Foundation)

A National Science Foundation (Virginia – USA) disponibiliza em seu site um excelente material, sobre a breve e impressionante história da Internet dos anos 60 aos dias atuais, passando pelas primeiras experiências de networking, à personalização dos pcs, o hipertexto e a criação do World Wide Web de Tim Berners-Lee (pesquisador do CERN) ao fenômeno contemporâneo do Web 2.0. E ainda, no final da apresentação, lança uma pergunta instigante: como será a internet em 2027? Muito interessante. Vale uma reflexão. Outro dado relevante é que acompanha a linha do tempo o número dos computadores “on the NET” e usuários de Internet (nos anos 90 248000000).

Confiram:

internetbirth

Até o Papa caiu na rede

Agora o Vaticano também é 2.0.

É interessante notar como o próprio Pontífice reconhece que mesmo assim, o Vaticano ainda não usa a web como deveria e poderia e que talvez a crise com o bispo conservador que negou o Holocausto pudesse ter sido evitada se buscassem sua posição na internet.

Reproduzo o post do blog História das Religiões e Religiosidades:

O Globo, Mundo, pág.34, em 23/05/2009.

A nova rede social do Papa

Bento XVI quer atrair jovens pelo Facebook e pelo iPhone

O Papa Bento XVI entrou ontem no mundo das redes de internet e de smartphones com um portal do Vaticano que inclui aplicativos para Facebook e iPhone. O serviço, voltado ao público jovem, tem vídeos, áudios, fotos e transcrições de discursos do Papa, além de eventos da Igreja Católica em geral. No entanto, quem agregar o Papa em sua página do Facebook não poderá receber um e-mail confirmando ter sido aceito como “amigo” do Pontífice, nem poderá escrever na sua “parede” (um recurso de recados na página principal de cada usuário). Terá que se contentar em simplesmente acessar as informações fornecidas pelo aplicativo.

Mesmo assim, o Vaticano está entusiasmado com a ideia de poder atrair mais jovens à Igreja.


— Eles (os jovens) estão buscando uma cultura de comunicação diferente e esse é nosso esforço para assegurarmos que a Igreja esteja presente nessa cultura de comunicações — disse o monsenhor Paul Tighe, secretário do departamento de comunicação do Vaticano. — Reconhecemos que uma Igreja que não se comunica deixa de ser uma igreja.


O Pontífice de 82 anos, conhecido por escrever a maioria de seus discursos à mão enquanto assistentes administram suas páginas na internet, admite que o Vaticano ainda não usa a web como deveria. Poderia, por exemplo, diz ele, ter facilmente evitado a crise com o bispo conservador Richard Williamson, que nega o Holocausto, se buscasse suas posições na internet.


O portal www.pope2you.net (ou “Papa para você”, num trocadilho em inglês) não é a primeira incursão do Papa no mundo virtual. Em janeiro, Bento XVI lançou sua própria página na rede de vídeos YouTube, que está agora linkada no portal.


Os novos aplicativos estão disponíveis em inglês, espanhol, francês, italiano e holandês. Português, língua do maior país católico do mundo, não está entre as opções.

Veja mais:

Púlpito à Web: Uma Eclésia no Mundo Virtual