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[reproduzindo artigo]

Lançado oficialmente com acesso on-line a cerca de 3 mil documentos, o projeto Brasiliana Digital deverá disponibilizar integralmente o acervo de 40 mil volumes raros doados por José Mindlin à USP

Fábio de Castro escreve para a “Agência Fapesp”:

Foi lançado oficialmente, na última terça-feira (16/6), o projeto Brasiliana Digital, que disponibilizará pela internet, com acesso livre, a coleção de cerca de 40 mil volumes da Biblioteca Guita e José Mindlin, doada à Universidade de São Paulo (USP) em 2006, além de outros acervos da USP.

A versão inicial, que já está funcionando, oferece acesso a 3 mil documentos da coleção reunida por Mindlin ao longo de mais de 80 anos. O lançamento do projeto, realizado em conjunto com uma homenagem ao bibliófilo, ocorreu durante a cerimônia de abertura do seminário Livros, Leituras e Novas Tecnologias, no Museu de Arte de São Paulo (Masp), na capital paulista.

“Desde que comecei a coleção, já sabia que a biblioteca não podia ser para sempre um patrimônio particular. Estava claro que éramos depositários e formadores desse conjunto, mas sem o viés da propriedade. Como toda minha família tem forte relação com a USP desde a década de 1930, quando entrei no curso de Direito da universidade recém-inaugurada, não tive dúvidas sobre a escolha da instituição para a qual deveria doar esse patrimônio”, disse Mindlin.

A fase piloto de implantação do projeto conta com apoio da Fapesp, por meio da modalidade Auxílio a Pesquisa – Regular. Os recursos fornecidos pela Fundação permitiram a compra de um sistema integrado de digitalização robotizada de livros encadernados.

“O robô foi adquirido em janeiro e neste primeiro semestre parte da nossa equipe foi para os Estados Unidos receber treinamento para operá-lo. Há sete semanas estamos trabalhando com ele. O robô permite digitalizar cerca de 2,4 mil páginas por hora, o que equivale a cerca de 40 livros por dia”, disse Pedro Puntoni, professor do Departamento de História da USP e coordenador da Brasiliana Digital.

A Biblioteca Guita e José Mindlin reúne diversos tipos de livros, folhetos e manuscritos sobre assuntos brasileiros. “O acervo cobre áreas como literatura, prosa e poesia, história, relatos de viagens, crítica literária, ensaios, filologia, dicionários, obras de cronistas, história natural, botânica e zoologia. Nem tudo está em português, mas tudo diz respeito ao Brasil”, explicou Puntoni.

Segundo ele, o projeto permitirá aliar a conservação das obras – muitas delas com vários séculos de existência – e a universalização do acesso a elas. “O governo brasileiro, em suas três esferas, tem investido muito em inclusão digital, que deverá aumentar imensamente a parcela da população brasileira com acesso à internet. A Brasiliana Digital dará acesso a esse acervo riquíssimo, preservando-o ao mesmo tempo”, afirmou.

O historiador explicou que ainda não há previsão do tempo necessário para a digitalização integral do acervo doado por Mindlin. Mas, com a tecnologia de digitalização avançada e um sistema de gestão de informação adequado, a equipe está pronta para ampliar o ritmo do projeto.

“Como o prédio no qual o acervo será instalado ainda não está pronto, não pudemos ainda definir a dinâmica do processo. O robô, apelidado pela equipe de Maria Bonita, é operado por conservadores. Quando lidamos com um livro do século 16, por exemplo, temos que diminuir o ritmo. Estamos ainda aprendendo a lidar com o equipamento”, disse.

O projeto recebeu da Fapesp até o momento cerca de US$ 980 mil, usados para a compra do robô e apoio a 15 bolsistas. Segundo Puntoni, a equipe envolvida com o projeto tem cerca de 30 integrantes, entre pesquisadores, bibliotecários, analistas e programadores.

A base do projeto Brasiliana Digital, segundo Puntoni, é o projeto Brasiliana USP, coordenado por István Jancsó, do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP. “A Brasiliana USP é um projeto da reitoria da USP que permitirá o acesso para pesquisa e ensino da maior coleção de livros e documentos de e sobre o Brasil custodiada por uma universidade em escala mundial, tornando-a disponível na internet”, explicou Puntoni.

Para abrigar o acervo doado por Mindlin e a nova sede do IEB, a Brasiliana USP está construindo um edifício com cerca de 20 mil metros quadrados no centro da Cidade Universitária, em São Paulo. O projeto foi desenvolvido pelos arquitetos Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb, com a assessoria da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

“O contrato com a construtora prevê o prédio pronto no fim de outubro, incluindo toda a parte estrutural, como ar-condicionado, cadeiras do auditório, elevadores, etc. A partir daí será preciso trabalhar na instalação de equipamentos, sistemas de segurança e no acabamento. Acreditamos que em 2010 o novo prédio estará operacional”, disse Puntoni.

A parte do prédio onde ficará o IEB, no entanto, deverá levar aproximadamente mais dois anos para ser finalizada. “A parte da construção voltada à coleção Mindlin foi privilegiada, para podermos trazer logo o acervo. Precisaremos ainda levantar recursos para a finalização da outra parte”, disse.

Integração digital

Segundo Jancsó, a concepção básica do projeto Brasiliana USP parte da ideia de criar uma estrutura de conservação de uma parcela do patrimônio cultural da nação, que é a Biblioteca Guita e José Mindlin.

“A partir daí, poderemos investir na conservação do extraordinário acervo documental guardado pela USP. A universidade tem, em suas bibliotecas, cerca de 6,5 milhões de livros. Tudo isso hoje está à disposição dos interessados quase que exclusivamente mediante acesso presencial”, disse.

A ideia do projeto, segundo Jancsó, é contribuir para a conservação de todo o acervo da USP por meio da constituição de um centro de formação de restauradores que levará o nome de Guita Mindlin – a esposa de José Mindlin, morta em 2006 aos 89 anos, pioneira nas ações de restauro de livros e documentos no Brasil.

“Por outro lado, é papel da universidade pública fazer com que a visão patrimonial seja superada e fazer com que esse acervo custodiado pela USP possa estar ao alcance, de modo universal e irrestrito, a todos os brasileiros interessados”, afirmou.

De acordo com Jancsó, os acervos do IEB e da Biblioteca Guita e José Mindlin são complementares e, juntos, deverão formar a principal coleção existente de livros e documentos voltados aos estudos brasileiros. “A construção desse prédio no centro da USP resgata a ideia de que essa universidade foi criada para pensar o Brasil”, disse.

Jancsó conta que a USP investiu R$ 15 milhões para a construção do novo prédio e o projeto captou mais R$ 18 milhões junto a fundações e recursos provenientes de mecanismos de renúncia fiscal. Já os recursos da Brasiliana Digital foram integralmente fornecidos pela Fapesp. “Agora, conseguimos autorização para captar mais R$ 11 milhoes pela lei Rouanet, para finalizar a obra. E vamos ter que buscar mais recursos. A obra é do tamanho do projeto”, destacou.

O site Brasiliana USP reúne informações sobre o projeto, sobre a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin e Brasiliana Digital, com destaques como o primeiro livro impresso no Brasil (A Relação da Entrada[...], por Antonio Isidoro da Fonseca), cenas da vida urbana de Jean-Baptiste Debret (1768-1848) e o relato do marinheiro Hans Staden (1525-1579), de 1557.

“A edição de 1557 de Marpurg é a verdadeira primeira edição da obra de Hans Staden. Comprei-a encadernada com mais três livros (Varthema, Federman e um romance de cavalaria alemão), numa encadernação de 1558. A biblioteca possui também uma edição pirata de Frankfurt, provavelmente do mesmo ano, que, não dispondo das matrizes da primeira edição, foi ilustrada com gravuras da viagem de Varthema ao Oriente, sem qualquer relação com o Brasil e com os índios”, disse Mindlin.

Brasiliana Digital: http://www.brasiliana.usp.br/bbd
(Agência Fapesp, 18/6)

A modernidade e as novas tecnologias da informação e comunicação (TIC) têm criado novas maneiras de agir e interagir na sociedade, sobre isto não há dúvida. Aqui se discute sobre a forma como estas mudanças afetam a organização do espaço e do tempo do mundo e como os estudiosos das ciências sociais devem se mover ao interno das redesenhadas estruturas sociais, políticas, econônicas e culturais, questões emergem neste cenário saturação de mídias e diferentes redes sociais que é a era digital. O que nos interessa aqui é lançar luz aos problemas relevantes à fluidez dos dados – aparentemente soltos – na teia da web e tentar extrair destas reflexões algumas diretrizes pata uma necessária atualização do ofício do historiador.

Uma das questões centrais aqui é relativa ao estatuto da fonte. O advento da informática e do World Wide Web levou a uma redefinição epistemológica das. Não  muda  somente o suporte  – do tradicional para o digital – mudam também as formas de acessar, manipular e gerenciar as fontes. Surge também um novo tipo de fonte – aquele que já nasce em formato digital – que infere a necessidade de se revisar o método e prucurar uma nova abordagem para as fontes históricas digitalizadas, transformando também a relação entre o leitor-usuário e o texto. Um outro problema é a da corrosão da autoridade e da linearidade do texto, e  mesmo da autenticidade da fonte e dos variados documentos disponíveis hoje na rede. Projetar um modo para distinguir os dados oficiais dos não-oficiais é um dos desafios para os historiadores contemporâneos. E as produções “amadoras” de história na rede constituem uma outra problemática. Será justo ignorar a validade destas produções e julgar inadequado o seu uso para fins historiográficos? Este é um debate vital que está em andamento e merece muita atenção.

Na era do World Wide Web  a hipertextualidade transforma a relação entre texto e fontes, as torna disponíveis e acessíveis também para o leitor, permitindo uma criação, por parte do público, de diferentes percursos de leitura e viabilizando a verificação dos documentos utilizados na investigação, através de links e outras referências online, diferenciando ainda mais o texto digital daquele escrito em papel. A interatividade do leitor-usuário com a obra é potencializada no ambiente virtual.

Acontece que a rede em si se transforma em uma espécie de grande arquivo-Frankstein, no qual as classificações e vínculos arquivológicos são por demais instáveis e se faz necessário ainda abrir os caminhos para alcançar e classificar de forma inteligível todos os documentos, mas nem mesmo isto poderia garantir uma estabilidade dentro da liquidez do arquivo virtual, tudo é muito fluido e cada sujeito vai criando indivudualmente os percursos que deseja utilizar para chegar até uma informação. O crescimento da Web 2.0 e da blogsfera também são relevantes quando se fala em uma maior interação entre os diferentes atores e comunidades. Hoje é possível, por exemplo, realizar uma mesa redonda virtual, graças às novas tecnologia de informação e comunicação que  viabilizam as conferências áudio-vídeo com mais de duas pessoas ao mesmo tempo, é possível que um professor oriente seu aluno à distância, é possível que uma comunidade de estudioso promova debates ao interno de lista de discussões por e-mail… enfim, existe uma gama enorme de novas possibilidades, de novas relações que  merecem a atenção dos estudiosos das ciências humanas. O que significa tudo isto?

Para dar conta de todos essas transformações não é necessária uma de uma refundação do ofício do historiado, a base epistemológica deste permanece a mesma, o que muda e merece ser repensado são os métodos de análise crítica e como eles podem ser aplicados a novas fontes com uma nova abordagem. Com isto quero dizer que as bases da disciplina não devem ser revisadas, mas o método deve ser atualizado.

Encontrei uma entrevista interessante realizada pela revista Cantareira em sua oitava edição  (iniciativa de alunos de História da UFF) a Carlos Barros, coordenador do projeto Historia a Debate, que se propõe também a uma reflexão sobre a relação da internet com a historiografia. É impossível que passemos por esta revolução informativa impassíveis. É sem dúvida necessária uma atualização do nosso ofício (de historiadores). Reflexão que pretende discutir em um post à  parte.

Trancrevo a décima e última pergunta da entrevista que é sobre o tema que inspira este blog, falas obre história e internet, data de 2005:

10. Devido a grande importância atribuída pelo Historia a Debate ao papel da Internet para a produção historiográfica do século XXI, seja como meio de democratização de reflexões sobre a escrita da História, em contraponto ao “colonialismo” de centros tradicionais de produção, seja como forma de romper as amarras impostas pelas exigências do mercado editorial, instituições políticas e grandes meios de comunicação, gostaríamos que o senhor citasse e comentasse exemplos de trabalhos, ou projetos em andamento, que têm utilizado a Internet dentro dessas características.

Infelizmente não conhecemos outro exemplo como Historia a Debate que congregue assim historiografia e Internet, que pesquise, reflita e debata na rede o imediato com o objetivo de construir uma nova alternativa historiográfica. Faltam esforços homólogos, o que limita as nossas alianças a aspectos parciais ao mesmo tempo em que explica que a nossa expansão acadêmica não tenha ainda tocado no seu teto. Paralelamente à nossa experiência latina constituíram-se ou reconstituíram-se, no âmbito anglo-saxão, interessantes páginas web e listas de discussão de história (o servidor de listas H-Net, por exemplo, se bem não é ele mais do que uma página de serviços), os tradicionais congressos mundiais de história (organizados pelo International Committee of Historical Sciences, não costumam tratar a temática historiográfica e utilizam Internet de forma secundária), redes digitais de historiadores politicamente comprometidos (a mais recente Historians Against the War, embora não lute de maneira explícita por uma mudança global de paradigmas na nossa disciplina), revistas dedicadas à teoria histórica e à metodologia (um exemplo clássico é History and Theory, se bem usa subsidiariamente a Internet e não possui um programa claro e integrador de alternativa historiográfica).
A semelhança parcial de cada um destes projetos com HaD, todos com influência e origem norte-americanos (salvo o CISH-ICHS) e desenvolvidos também na última década, confirma o caráter universal e sintético da nossa aposta acadêmica, as possibilidades inéditas que são oferecidas ao mundo acadêmico latino e à superioridade da nossa estratégia historiográfica de síntese de futuro entre (A) o melhor da experiência, em organização e em conteúdos, das vanguardas historiográficas do século passado, e (B) as novas tecnologias da comunicação acadêmica e social. Desconhecemos em outras disciplinas, seja humanidades seja ciências sociais, um exemplo tão claro e organizado como o nosso, de paradigma disciplinar misto e global nos âmbitos (local / nacional / mundial), nos meios (digital / presencial) e nos conteúdos (histórico / historiográfico, passado / presente, debate / consenso, inovação / compromisso).
Alentamos, portanto, os colegas interessados a acompanhar o nosso trabalho, a seguir conosco, dentro e fora do âmbito acadêmico latino, dentro e fora da história como disciplina, completando com novas dimensões as experiências isoladas de sucesso nos campos da Internet e das ciências humanas, para as quais é preciso desprender-se definitiva e claramente dos anacrônicos resíduos da mentalidade “dependente” ou “colonial” imperante durante décadas nas nossas relações internacionais acadêmicas. A Internet já está sendo um lugar de encontro multilateral das melhores experiências internacionais da historiografia e das ciências sociais. Pode-se dizer que o novo academicamente se não está na rede é porque não é realmente novo. Aproveitemos, pois, a possibilidade democratizadora implicada pela rede de redes para mudar juntos a face da nossa profissão no mundo através de alianças historiográficas, intra e inter disciplinares, cimentadas no respeito mútuo, no debate e no consenso, sabendo que com isso contribuímos a um mundo melhor para todos.
Como você bem sugere na sua pergunta, a nova sociabilidade digital torna possível, na medida em que sigamos além da oferta acadêmica de novos serviços e lugares para publicar, uma democratização da historiografia e da academia assim como a recuperação da autonomia dos historiadores relativamente à influência –fragmentadora e às vezes inclusive mercenária– dos poderes políticos, dos meios de comunicação social, das grandes editoras. Haveremos de refletir mais sobre isso e de experimentar tudo, também a partir do Brasil. Estão todos convidados, vamos lá, e muito obrigado.

Entrevista na íntegra aqui.



A National Science Foundation (Virginia – USA) disponibiliza em seu site um excelente material, sobre a breve e impressionante história da Internet dos anos 60 aos dias atuais, passando pelas primeiras experiências de networking, à personalização dos pcs, o hipertexto e a criação do World Wide Web de Tim Berners-Lee (pesquisador do CERN) ao fenômeno contemporâneo do Web 2.0. E ainda, no final da apresentação, lança uma pergunta instigante: como será a internet em 2027? Muito interessante. Vale uma reflexão. Outro dado relevante é que acompanha a linha do tempo o número dos computadores “on the NET” e usuários de Internet (nos anos 90 248000000).

Confiram:

internetbirth

Foi lançado ontem (26/05) em São Paulo, um livro do jornalista Sandro Vaia sobre a blogueira cubana Yoani Sánchez.

Com seu blog Generación Y, a filóloga cubana Yoani Sánchez tornou-se mundialmente conhecida. Indicada pela revista Time como uma das cem pessoas mais influentes do mundo e agraciada com o prêmio Ortega y Gasset na categoria Jornalismo Digital, Yoani é tema de livro escrito pelo jornalista Sandro Vaia.

A Ilha Roubada
Sandro Vaia
Editora Barcarolla – Atualidades
180 páginas
R$ 32,00

A cubana Yoani Sánchez mantém o blog Generacíon Y desde abril de 2007. Nele, traça cotidianamente um retrato sobre como é viver em Cuba nos dias de hoje. Graças à sua autenticidade, o blog conquistou leitores em todo o mundo e alguns de seus posts chegam a render seis mil comentários. O jornalista Sandro Vaia viajou a Havana e gravou mais de vinte horas de entrevistas com Yoani e seu marido, o jornalista Reinaldo Escobar, para escrever o livro A Ilha Roubada, lançamento da editora Barcarolla que inaugura o selo Atualidades e chega às livrarias na terça-feira, 26 de maio.

Longe de se colocar como um símbolo da luta pela liberdade de expressão ou uma candidata a mártir político, Yoani usa o blog para narrar e comentar acontecimentos do dia-a-dia por meio de uma linguagem clara, bem humorada e muitas vezes irônica. Não por acaso, ela recebeu o prêmio Ortega y Gasset, oferecido pela mesma Prisa que edita o jornal espanhol El País, na categoria Jornalismo Digital. O governo cubano, entretanto, não lhe concedeu a autorização para ir à Espanha. Quem recebeu o prêmio em seu nome foi um cubano radicado em Barcelona, o também blogueiro Ernesto Hernández Busto.

Sandro Vaia, jornalista brasileiro com mais de trinta anos de carreira, teve a idéia de escrever o livro depois de passar a ler o blog de Yoani e acompanhar o reconhecimento internacional obtido por ela. Nas palavras de Vaia, em seus escritos Yoani não comporta “uma clássica militância dissidente em relação ao regime cubano”. Longe de tecer considerações político-filosóficas, ela prefere narrar as “atribulações da vida cotidiana de uma comunidade submetida à escassez material e à opressão derivadas da privação de liberdades básicas”.

O livro é mais do que um mero perfil biográfico. A partir dos depoimentos de Yoani e Reinaldo, Vaia contextualiza o leitor em relação a Cuba. Assim, com várias histórias sobre o cotidiano na ilha, o autor tece um retrato sobre o país e seus habitantes.

Descendente de imigrantes espanhóis, Yoani Sánchez nasceu em 1975, em Havana. Ela conta que, muito embora fosse um homem de pouco estudo, seu pai sempre gostou de ler. Assim, crescendo rodeada por livros, ela construiu uma espécie de mundo paralelo graças à literatura de autores como Victor Hugo, Balzac, Zola e Dostoiévski. Determinada a ser a primeira universitária da família, ela a princípio quis se tornar jornalista. No entanto, logo percebeu o absurdo de ser jornalista em um país sem liberdade de expressão e optou por estudar filologia.

Conheceu Reinaldo, duas décadas mais velho, quando estava na faculdade. Ele fora expurgado da profissão de jornalista em 1988, quando trabalhava no Juventud Rebelde, e seus artigos “não se alinhavam à linha editorial do jornal”. Chegou a trabalhar como mecânico de elevadores para garantir o sustento. No início do casamento, eles sobreviviam vendendo coisas no mercado ilegal e dando aulas clandestinas de espanhol. Nos dias de hoje, além de continuar lecionando espanhol, eles trabalham como guias alternativos para pessoas que se interessam em percorrer os pontos turísticos não convencionais de Havana.

Mesmo sobrevivendo com dificuldade, Yoani e Reinaldo não são dependentes do Estado. Com isso, eles desenvolveram, além da autonomia material, uma certa autonomia política. Segundo ela, quando “uma pessoa não depende do Estado para comprar um televisor, quando não precisa depender de meios políticos para passar um fim de semana na praia ou para comprar qualquer eletrodoméstico, isso de alguma maneira tira o chip da obediência”. A despeito da censura existente, portanto, eles procuram se comportar como pessoas livres.

Em 2004, associaram-se a um grupo de amigos e fundaram a revista virtual Consenso. Foi a primeira experiência de Yoani com a rede. A revista tinha como objetivo inicial abrir o debate, permitir que pessoas de diversos matizes políticos se manifestassem, mas logo passou a ser usada por figuras ligadas a partidos políticos como se fosse uma espécie de órgão oficial dessas agremiações. Em função disso, Yoani e Reinaldo perceberam que o melhor a fazer era se afastar e buscar outros meios para expressar suas opiniões.

Assim, com a ajuda de alguns amigos da Alemanha, criaram, em 2006, o portal desdeCuba.com para exercer o que chamam de “jornalismo livre”. O portal comporta a revista Contodos e vários blogs, dentre os quais o Generación Y de Yoani e o Desde aquí de Reinaldo.

Uma vez criado, o Generación Y adquiriu notoriedade rapidamente. Um texto no portal do The Wall Street Journal foi apenas o começo. Com o passar dos meses, os acessos, os comentários e a repercussão só aumentaram, vindos de todas as partes do mundo. Como não poderia deixar de ser, os partidários do regime cubano viram em Yoani uma espécie de ameaça e passaram a espalhar boatos, como o de que ela não existiria, mas seria uma criação de intelectuais cubanos dissidentes. Outra acusação recorrente é a de que ela existe, sim, mas estaria na folha de pagamentos de alguma organização anticastrista.

Generación Y tem o acesso bloqueado em Cuba. Assim, Yoani é um caso talvez único de blogueira que não consegue visualizar o próprio blog. Para atualizá-lo, ela escreve os posts, grava-os em um disquete, vai a uma lan house e os envia por e-mail a uma rede de amigos estrangeiros. Estes traduzem os textos para o italiano, o francês e o inglês e os remetem para o servidor, que fica na Alemanha. Só então é que os posts são publicados. Posteriormente, também por e-mail e graças a essa rede de amigos, Yoani recebe os comentários dos leitores.

Dentre as várias razões do sucesso do blog, Yoani aponta o fato de fazê-lo com o rosto descoberto e usando o seu próprio nome. Segundo as suas próprias palavras, saber que “essa mulher tem um rosto, existe, está em Cuba e é real ajudou na identificação com os leitores”, além de desqualificar de imediato boa parte dos ataques feitos contra ela. A revista Time colocou Yoani entre as cem pessoas mais influentes do mundo sob a rubrica “Heróis e Pioneiros”. Ela, entretanto, diz preferir que seu nome estivesse sob a rubrica “Cidadãos”.

fonte: Instituto Millenium – livros recomendados

Agora o Vaticano também é 2.0.

É interessante notar como o próprio Pontífice reconhece que mesmo assim, o Vaticano ainda não usa a web como deveria e poderia e que talvez a crise com o bispo conservador que negou o Holocausto pudesse ter sido evitada se buscassem sua posição na internet.

Reproduzo o post do blog História das Religiões e Religiosidades:

O Globo, Mundo, pág.34, em 23/05/2009.

A nova rede social do Papa

Bento XVI quer atrair jovens pelo Facebook e pelo iPhone

O Papa Bento XVI entrou ontem no mundo das redes de internet e de smartphones com um portal do Vaticano que inclui aplicativos para Facebook e iPhone. O serviço, voltado ao público jovem, tem vídeos, áudios, fotos e transcrições de discursos do Papa, além de eventos da Igreja Católica em geral. No entanto, quem agregar o Papa em sua página do Facebook não poderá receber um e-mail confirmando ter sido aceito como “amigo” do Pontífice, nem poderá escrever na sua “parede” (um recurso de recados na página principal de cada usuário). Terá que se contentar em simplesmente acessar as informações fornecidas pelo aplicativo.

Mesmo assim, o Vaticano está entusiasmado com a ideia de poder atrair mais jovens à Igreja.


— Eles (os jovens) estão buscando uma cultura de comunicação diferente e esse é nosso esforço para assegurarmos que a Igreja esteja presente nessa cultura de comunicações — disse o monsenhor Paul Tighe, secretário do departamento de comunicação do Vaticano. — Reconhecemos que uma Igreja que não se comunica deixa de ser uma igreja.


O Pontífice de 82 anos, conhecido por escrever a maioria de seus discursos à mão enquanto assistentes administram suas páginas na internet, admite que o Vaticano ainda não usa a web como deveria. Poderia, por exemplo, diz ele, ter facilmente evitado a crise com o bispo conservador Richard Williamson, que nega o Holocausto, se buscasse suas posições na internet.


O portal www.pope2you.net (ou “Papa para você”, num trocadilho em inglês) não é a primeira incursão do Papa no mundo virtual. Em janeiro, Bento XVI lançou sua própria página na rede de vídeos YouTube, que está agora linkada no portal.


Os novos aplicativos estão disponíveis em inglês, espanhol, francês, italiano e holandês. Português, língua do maior país católico do mundo, não está entre as opções.

Veja mais:

Púlpito à Web: Uma Eclésia no Mundo Virtual

Está rolando em São Paulo, no Sesc Pinheiros,  uma exposição que eu queria muito ir, a Blooks! Uma exposição interativa sobre literatura e cultura digital. Como a internet ajuda os escritores que trabalham na rede, como eles divulgam seu trabalho, quanta coisa boa tem… Um universo a se explorar.

Lembro, como foi bom, há uns dois anos atrás, perder (talvez, o mais certo seja ganhar) uma tarde lendo os posts de Rita Apoena no Jornal das Pequenas Coisas. Um prazer que me foi permitido, graças à internet. Rita escreveu muita coisa na rede, antes de começar a escrever um livro. Agora ela está até no Twitter!http://twitter.com/rita_apoena

Concordo dom Branca Nunes do Trezentos, existe sim (!!) vida literária muito inteligente na rede.

A visitação é livre e vai até dia 28 de junho. Quem puder ir, aproveite, é de terça a sexta, das 13h às 21h30 e sábados e domingos, das 10h30 às 18h30.

Aqui também tem a programação da Blooks. Interessantíssima, gostaria de assistir ao Hiperlíngua, sobre as transformações das palavras nesta loucura de escrita na internet. Vale a pena conferir! Participação livre, aberto ao publico. Vejam:

Celular: Narrativas Breves

Quantas palavras são necessárias para contar uma história? E quantas letras? O formato reduzido traz alguns desafios. Nesta oficina, o participante experimenta meios criativos para elaborar uma narrativa breve e será convidado a enviar tais composições pelo celular. Com Samir Mesquita. 20 vagas. Internet Livre, 2º andar.
Dias 19/05 (Terça), 21/05 (Quinta), 22/05 (Sexta), das 19h30 às 21h30.
Mais informações.

Poesia e Cibercultura

Com duas aulas presenciais e também acompanhamento à distância através de chat ou mensagem instantânea, essa oficina pretende instrumentar o participante a criar um texto poético. Com Edson Cruz. Nos dias 28/05, 29/05, 02/06 e 04/06 as aulas serão online, das 19h30 às 21h30. 15 vagas. Internet Livre, 2º andar.
Dias 26/05, 28/05, 29/05, 02/06, 04/06, 05/06 (Terças e Sextas), das 19h30 às 21h30
Mais informações.

Hiperlíngua: Transformações da Palavra

Mesa de debate sobre a língua escrita em tempos de Internet. Abreviações, novos significados, apropriações… Como anda a língua escrita em diversos suportes digitais? Com Vicente Gosciola, Andre Vallias, Danilo Corci. Mediação Xico Sá. 200 vagas. Sala de Leitura, 2º andar.
Dia 27/05, Quarta, 20h
Mais informações.

A curadora é a Heloísa Buarque de Holanda. Acho mesmo que não poderei ir, mas vou acompanhar o que der pela net.

freeinternet

Reflitam sobre a existência de um selo como esse?

Claro que eu apoio e somo o meu grito pela liberdade de acesso a internet em Cuba. Mas deveríamos nos horrorizar com a existência de um selo como esse. Vários blogueiros cubanos exibem essa imagem em seus blogs.  Quando aqui no Brasil ficamos escandalizados com alguma medidas de cencura, lá eles pedem pelo menos o livre acesso.

Você conhece a realidade da Blogsfera cubana? Tem algo a me contar sobre ela? Estou muito curiosa, hoje passei o dia lendo blogs em espanhol e quero descobrir mais e mais das ginásticas que os blogueiros cubanos estão fazendo para sobreviver na rede. Aceito sugetões de links e blogs cubanos.

Continuo refletindosobre a imagem.

Ainda sobre a blogueira Yoani Sánchez, assistam ao video:

Excelente dica recebida via Twitter:

NEWSEUM Today’s Front Pages

Muito interessante, é possível ler as primeiras páginas de jornais do mundo todo. Vou matar a saudade dos “corrieri” italianos. É a internet facilitando a nossa vida. Eles disponibilizam a primeira página também em PDF e dão ons links para os portais.

Valeu pela tuitada @bgreiff !!

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